Algumas curiosidades sobre Raul Seixas. Entrevista com Mário Lucena, que escreveu um livro sobre o cantor.
E, abaixo, a última entrevista concedida por Raul Seixas, no ano de 1989 a Jô Soares:
À noite, algumas músicas.
Algumas curiosidades sobre Raul Seixas. Entrevista com Mário Lucena, que escreveu um livro sobre o cantor.
E, abaixo, a última entrevista concedida por Raul Seixas, no ano de 1989 a Jô Soares:
À noite, algumas músicas.
Legião Urbana - Há tempos (ao vivo)
A Cruz e a Espada - Renato Russo e Paulo Ricardo
Legião Urbana aovivo (94) Rio - Eduardo e Mônica
Legião Urbana - Perfeição
Legião Urbana - Quando o sol bater... (ao vivo)
Os senadores dos EUA John McCain e John Barrasso visitaram na tarde deste domingo (9) a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro Dona Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ambos membros do Partido Republicano, eles representam respectivamente as comissões de Serviços Armados e de Relações Exteriores do senado norte-americano.
"Estou impressionado com o sucesso dos projetos de segurança do Rio; vamos levar essas lições para os EUA", disse McCain durante a visita, que começou com um sobrevoo de helicóptero pelo Complexo de Favelas do Alemão, na Zona Norte, na manhã deste domingo (9), acompanhado do delegado da Polícia Federal Roberto Alzir.
Por volta das 16h, os senadores americanos chegaram ao Dona Marta, onde visitaram o centro de operações da UPP e seguiram para a laje onde o cantor Michael Jackson gravou cenas de um videoclipe em 1996. McCain disse ainda que reconhece o Brasil como uma força emergente não só regional, mas em todo o mundo.
"Temos uma forte relação com o Brasil que queremos fortalecer ainda mais, principalmente na área de segurança e no combate ao terrorismo", disse o senador americano.
Segundo o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, que acompanhou os senadores no Morro Dona Marta, o que mais impressionou os americanos foi a integração do trabalho das UPPs com as comunidades, o que permite que a população dessas áreas tenham respeitados os seus direitos civis.
Na segunda-feira (10), a dupla de senadores viaja para Brasília, onde deve ter uma reunião com a presidente Dilma Roussef. A visita ao Brasil faz parte de um tour que os americanos estão fazendo pela América Latina para verificar as soluções na área da segurança que os países adotaram para combater o crime organizado e o tráfico de drogas. McCain e Barrasso visitaram Chile, Panamá e México.
Da Folha
Com humor, telejornal trará notícias falsas
Da Folha de S. Paulo, com chamada na capa (Dilma impõe rapidez, troca móveis e tira Bíblia da mesa):
Em sua primeira semana, Dilma Rousseff fez mudanças em seu gabinete. Substituiu um computador por um laptop e retirou a Bíblia da mesa e o crucifixo da parede.
Durante a campanha eleitoral, a então candidata se declarou católica e foi atacada pelos adversários sob a acusação de ter mudado suas posições religiosas.
A presidente também trocou móveis para deixar o ambiente “mais confortável”. Os estofados coral, usados no Palácio do Catete no governo Vargas, foram substituídos por poltronas e um sofá da linha Navona, do arquiteto Sergio Rodrigues.
Dilma começou a trabalhar às 9h30. O primeiro compromisso é com Helena Chagas (Comunicação Social) para se informar; a seguir, com o chefe de gabinete, Gilles Azevedo; depois com Antonio Palocci (Casa Civil).
A presidente não tolera atrasos. Pede objetividade e não gosta de expressões como “eu acho”. Apesar do estilo rígido, um interlocutor que acompanhou os primeiros dias de Lula no poder diz que a sensação é de que Dilma está “mais à vontade”.
No período inicial, uma semelhança entre eles: Lula priorizou a agenda interna. Dilma faz o mesmo ao ter o trabalho dominado por reuniões com ministros.
Abaixo, de acordo com a Maria Frô, a resposta da ministra Helena Chagas no twitter:
Antes de fechar as portas, no dia 27 de janeiro, o Cine Belas Artes fará uma retrospectiva com alguns dos filmes mais prestigiados já exibidos na sala.
A lista inclui produções da China, Itália, França e Espanha. Serão dois horários, às 18h30, onde serão exibidos os Sucessos do Belas Artes, e 21 horas, dedicado aos Clássicos Cult. Os ingressos para ambas sessões custarão R$ 4.
A iniciativa é uma forma de agradecer aos frequentadores da sala, conhecida por exibir filmes que normalmente ficam de fora das seleções das grandes redes de cinema.
Confira a programação:
Dia 14
Dia 19
Dia 21
Dia 22
18:30h
Pai Patrão (Itália, 1977; de Paolo e Vittorio Taviani)
21:00h
Apocalypse Now (EUA, 1979; de Francis Ford Coppola)
Dia 23
Dia 24
18:30h
Z (França, 1969; de Costa-Gravas)
21:00h
Quanto Mais Quente Melhor (EUA, 1959; de Billy Wilder)
Dia 25
18:30h
Crônica do Amor Louco (Itália, 1981; de Marco Ferreri)
21:00h
A Guerra dos Botões (França, 1962; de Yves Robert)
Dia 26
18:30h
Johnny Vai á Guerra (EUA, 1971; de Dalton Trumbo)
21:00h
Vestida Para Matar (EUA, 1980; de Brian de Palma)
18:30h
Possessão (Alemanha/França, 1981; de Andrzej Zulawski)
21:00h
A Malvada (EUA, 1950; de Joseph L. Mankiewicz)
O horário nobre não é mais tão nobre. De dez anos para cá, são grandes as quedas de audiência na faixa mais visada, mais lucrativa e mais disputada da TV aberta.
Dados nacionais do Ibope mostram que a poltrona do brasileiro das 18h à meia-noite tem ficado mais vazia. Os números de televisores ligados no horário caíram e com eles a audiência de quem reinava absoluto nessa faixa: as novelas e os noticiários.
Em 2001, na faixa nobre, o total de TVs ligadas no PNT (Painel Nacional de Televisão) era 59%. Em 2010, representou 56%, queda de três pontos percentuais.
De olho nos números da líder, o cenário parece desolador: a Globo perdeu 17% do seu público nesse bolo. Das 18h à meia-noite, pulou de 32,3 pontos (2001), para 27,6 pontos de audiência (2010). (Cada ponto equivale a 191 mil domicílios no Brasil).
Reis do horário nobre, novelas e "Jornal Nacional", que costumavam registrar médias na casa dos 50 e 40 pontos, respectivamente, perderam um público considerável. Passaram para a casa dos 40, 30 pontos de audiência. Queda alardeada pelo mercado, mas que acompanha uma mudança de hábito: a poltrona agora está ocupada em outros horários e por outros hábitos.
Os mesmos índices do PNT mostram que, na década, o número de televisores ligados cresceu. Pulou de 40% (2001) para 42% (2010).
Se tem mais gente vendo TV, para onde migrou o público da faixa nobre?
Em 2001, a faixa vespertina (do meio-dia às 18h) tinha 39% de TVs ligadas no país. Em 2010, esse número pulou para 41%. De manhã, o crescimento foi maior: a faixa das 7h ao meio-dia foi de 20% (2001), para 26% (2010).
Essa mudança é tão maluca que, em 2010, as atrações da tarde do SBT superaram a faixa nobre. Registraram média de 6 pontos, ante 5,9 pontos da programação da noite.
Para o diretor da Central Globo de Pesquisas e RH, Érico Magalhães, a queda na faixa nobre chama atenção por conta dos números altos que a Globo acumulava no horário. No entanto, o público não fugiu da TV.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
CONCORRÊNCIA
"Em dez anos houve uma evolução industrial, a TV paga passou de 2 milhões para 10 milhões de assinantes, há mais canais UHF dividindo o bolo e outros produtos, como videogames e DVD, roubando uma fatia da TV aberta. Mas o número de aparelhos ligados se mantém", continua. "Com relação à nossa concorrência, o que houve, em dez anos, foi uma troca. A Record pulou de uma média de audiência de 4 pontos para 7. E o SBT caiu de 9 pontos para 6. O que uma cresceu a outra caiu. A Record não é para gente o que o SBT foi dez anos atrás. Não temos a mesma concorrência."
Para a Globo, a diferença entre as redes é o rufar de tambores. A Record faz mais festa com o crescimento.
Já o mercado acha que o SBT sempre se conformou com o 2º lugar e a Record, não. E tem motivos para pensar assim. A Record fechou 2010 como a única emissora que cresceu em audiência em relação à 2009: 2%.
"Estamos trabalhando para assumirmos a liderança em menos de dez anos e não temos dúvida do que acontecerá", disse à Folha o presidente Artístico da Record, Mafran Dutra.
"Uma prova é que constantemente estamos na liderança em capitais como Rio, Salvador e Belém." Vislumbrando a próxima década, Érico Magalhães acredita em pequenas diluições de audiência, mas nada que abale a hegemonia da Globo. "As 30 atrações mais assistidas da TV são da Globo", diz ele.
"Apostaremos mais em atrações para a classe C e a TV aberta seguirá forte", diz. "Depois de um inteiro de trabalho, com tanta interatividade, o público terá o desejo de ser programado, de ver uma programação pronta para ser consumida. Isso não deve mudar."
De acordo com o Twitter do site WikiLeaks, todos os usuários estão "marcados" pelo governo dos EUA.
Agora há pouco lançaram o alerta pela rede social. Eles se baseiam em um documento - uma ordem judicial - na qual, entre outras coisas, diz-se que poderão ser gravados dados do usuário que se conectou à conta do WikiLeaks, incluindo data, hora e forma de conexão, além dos endereços de IP.
"Tarde demais para deixar de seguir", postou o @WikiLeaks.
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Os tempos propostos por George Orwell no livro 1984 estão mais fortes do que nunca. Como bois, estamos todos marcados a ferro. Mas quem liga? (inspirado no tweet do @diego_calazans)
R. Strauss - (1/3) Also sprach Zarathustra, Op. 30 (Staatskapelle Dresden, Mehta), do filme 2001: Uma odisseia no espaço
Da BBC Brasil
O governo dos Estados Unidos obteve uma liminar na Justiça que exige da rede social Twitter detalhes sobre pessoas envolvidas com o site Wikileaks, segundo documentos oficiais.
O tribunal regional de Virginia disse ter pedido informações que incluem nome de usuários, endereços, histórico de conexões, números de telefone e detalhes de pagamento.
Entre os investigados estão o fundador do Wikileaks Julian Assange e a deputada Birgitta Jónsdóttir da Islândia.
Os Estados Unidos estudam entrar com um processo contra Assange por causa do vazamento de 250 mil documentos diplomáticos considerados secretos.
Acredita-se que o Departamento de Justiça americano pode vir a indiciá-lo por acusações de conspiração para roubar documentos ao lado do militar Bradley Manning, um analista de inteligência do Exército americano.
Manning vai ser julgado em Corte Marcial e pode passar até 52 anos na cadeia por supostamente ter enviado os documentos diplomáticos ao Wikileaks, bem como relatos militares de incidentes no Afeganistão e no Iraque e de um vídeo militar confidencial.
'Informações relevantes'
De acordo com o documento emitido pelo tribunal de Virginia em 14 de dezembro, a promotoria-geral americana teria apresentado indícios de que as informações sob posse do Twitter são "relevantes e importantes para uma investigação criminal em andamento".
Agora, o site baseado em San Francisco tem três dias para apresentar a sua resposta e inicialmente teria sido instruído a não divulgar o fato de que a liminar tinha sido apresentada nem a existência da investigação.
No entanto, o mesmo tribunal americano teria derrubado as restrições na quarta-feira, autorizando o Twitter a informar os seus clientes sobre o caso.
Além dos já citados Assange, Manning e Jónsdóttir, a liminar exige informações sobre o hacker holandês Rop Gonggrijp e o programador americano Jacob Appelbaum, que já colaboraram com o Wikileaks.
Entre os dados pedidos estão endereços de email, detalhes de pagamento e conexões, além de horários de utilização, endereços IP usados para acessar o Twitter.
Assange criticou a decisão no sábado classificando-a de intimidação.
"Se o governo do Irã tentasse obter essa informação coercitivamente de jornalistas ou ativistas de países estrangeiros, grupos de direitos humanos de todo o mundo se pronunciariam", disse.
Ele afirmou também que a liminar só veio à tona "graças a ação legal do Twitter".
O site americano não confirmou nem desmentiu a informação.
É ridículo ver como a grande imprensa paulista, nesse caso a Folha de S. Paulo, trata determinados assuntos. É óbvia a prioridade para destruir certo governo e esconder as falhas e omissões gravíssimas daqueles que administram nossa cidade e nosso estado.
As enchentes em São Paulo ganharam, na primeira página, o destaque de um pé de página, unicamente acima da tal árvore acorrentada no Centro que a Folha cismou nesses tempos. Já no caderno de Cotidiano, pouco mais de meia página - C4 (página par, ou seja, menos visível do que a ímpar e, portanto, mais desvalorizada para anúncios).
Ah se fosse a Dilma a responsável por manutenção de córregos e demais aparatos para evitar as enchentes...
PS.: Enquanto uns falam de menos, outros, como o bom e velho Datena, insistem em falar demais, de forma desmedida e também descomprometida com o jornalismo de fato.
"Aos que sentem-se “lesados” por não conseguirem inscrever-se, pergunto;
Alguém os obrigou à fazê-lo ou tentaram por considerarem o projeto diferenciado e no mínimo interessante? Os que jogam na mega sena, por exemplo, enfrentam filas, pagam e provavelmente não ganhem. Foram todos “lesados”? Processarão a Caixa?
Quanto ao mybiketourcard; seria essa a única vantagem do cartão(prioridade nas inscrições)? E quanto às viagens semanalmente sorteadas para participação nos diversos eventos que fazem pelo mundo, com tudo pago? É pouco? Conhecem alguém que já proporcionou isso no Brasil?
Aliás, conhecem algum brasileiro que já se dispôs à “fechar” a Marginal Pinheiros para ciclistas?
Me indigna ainda mais perceber que os que mais postam msgs negativas e potenciam manifestações, são ciclistas! Não deveriamos nós sermos os primeiros a dar um voto de confiança, a percebermos que o bike tour MUITO colaborou para potenciar as ciclofaixas na cidade? Sim, podem ser poucas, mas criticando dessa maneira é que iremos conseguir que alguém continue lutando pela causa?
Se deveriam disponibilizar mais inscrições? Concordo! Mas creio que isso não dependa tão somente da organização, mas sim de logística, segurança e patrocínio!!! Ou alguém me dirá que compra uma bike da Caloi por esse preço???
Parece-me incoerente “atacarem” os patrocinadores quando na verdade, deveríamos elogiar a iniciativa, pois se mais deles houvessem, talvez o número de inscrições disponíveis aumentaria.
Problemas com sites, acessos, segurança, TI… Ocorrem TODOS os dias. Quem já não tentou fazer um pagamento pela net e o site do banco estava indisponível?
Falam em igualdade de oportunidades… Acompanharam o evento que o bike tour promoveu em comemoração ao dia da inclusão social? Não havia venda de bikes! Mas colocaram pessoas públicas e outras desconhecidas à passarem pela experiência de locomoverem-se na cidade como cadeirantes e “cegos” e assim reconhecerem as dificuldades que portadores de deficiências passam rotineiramente em nossa metrópole. Já nos disponibilizamos à fazer isso? Se não houvesse esse tipo de incentivo, quantos de nós pararíamos para pensar na causa? Quantos eventos em São Paulo são feitos pensando nessa questão? Pois TODOS os eventos que vi do bike tour, têm essa preocupação. Onde não há acesso para cadeira de rodas, eles providenciam! É pouco?
Quando falam em discriminação à nós por não podermos participar no dia com nossas próprias bikes, alguém já parou para pensar na questão da segurança disso tudo?
Que tal solicitarmos aos órgãos competentes que fechem a Marginal Pinheiros para passearmos vez ou outra? Acham que é fácil???? Em um País burocrático como o nosso?
Poderíamos imaginar o que os organizadores não passaram para conseguirem fazer hoje o que fazem.
É atirando pedra que conseguiremos alguma coisa??? Não creio.
Talvez o caminho seja outro. Se tantos de nós querem participar, disponibilizam-se à passar a noite do reveillon tentando a inscrição, reconheçam! O evento é mesmo interessante(repito).
Talvez conseguíssemos mais com sugestões e não com ameaças.
Deixo aqui a minha indignação…"
A luta de classes política nos Estados Unidos
O nível de corrupção política nos Estados Unidos é assombroso. Agora tudo gira em torno do dinheiro para as campanhas eleitorais que se tornaram incrivelmente caras. As eleições da metade do mandato tiveram um custo estimado de US$ 4,5 bilhões, e a maior parte desse dinheiro veio de grandes empresas e contribuintes ricos. Estas forças poderosas, muitas das quais operando de forma anônima sob as leis dos EUA, trabalham sem descanso para defender aqueles que se encontram no topo da pirâmide da riqueza. O artigo é de Jeffrey Sachs.
Jeffrey Sachs - SinPermiso
Os Estados Unidos estão em rota de colisão consigo mesmo. O acordo firmado em dezembro entre o presidente Barack Obama e os republicanos no Congresso para manter os cortes de impostos iniciados há uma década pelo presidente George W. Bush está sendo saudado como o começo de um novo consenso bipartidário. Creio, ao contrário, que é uma falsa trégua naquilo que será uma batalha campal pela alma da política estadunidense.
Brasília – O programa Pânico na TV, da RedeTV!, foi o líder do 18° Ranking da Baixaria na TV, um serviço da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. A lista dos programais mais denunciados tem, na sequência, os programas: Se liga Bocão, da TV Itapoan (afiliada da Rede Record de Televisão); Brasil Urgente, da RedeTV!; A Fazenda, da Rede Record; e Chumbo Grosso, da TV Goiânia (afiliada a Rede Bandeirantes).
O ranking aponta os cinco programas de televisão que mais se excederam com conteúdos de baixo calão. O balanço é feito a cada seis meses e leva em conta o número de reclamações feitas por telespectadores no site www.eticanatv.org.br ou pelo Disque Câmara (0800 619 619).
Desde 2010, foram feitas 892 denúncias de telespectadores. As reclamações mais comuns são quanto aos conteúdos de apelo sexual, incitação à violência, apologia ao crime, desrespeito aos valores éticos da família e preconceito.
A iniciativa é parte da campanha Quem financia a baixaria é contra a cidadania, uma parceria da Comissão de Direitos Humanos e Minorias com entidades da sociedade civil e tem como objetivo alertar as emissoras, os anunciantes, os telespectadores e o governo sobre os abusos e excessos na programação da televisão brasileira.
“Especialistas da campanha fazem um parecer sobre o conteúdo dos programas e encaminham para o Ministério Público, Ministério da Justiça, a emissora infratora e os anunciantes, para que sejam tomadas as providências. Em casos extremos, algumas emissoras são obrigadas a retirar o programa do ar, como, por exemplo, aconteceu com o programa Te vi na TV, do apresentador João Cleber, da emissora RedeTV!,” disse Augustino Pedro Veit, coordenador da campanha.
A experiência de ir ao cinema sem ter que ir a um shopping center está rareando. As crianças de agora vão achar que sinônimo de cinema é shopping e vice-versa, sem ao menos conhecer um cinema "de rua".
Uma loja no lugar do cinema. Qual é mais lucrativo?
Da Folha.com
O Belas Artes, um dos mais antigos cinemas de São Paulo, se prepara para as últimas sessões. No dia 30 de dezembro, uma notificação judicial avisou: o imóvel, na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, tem de ser entregue até fevereiro.
Veja fotos do cinema ao longo dos anos
Terminará, assim, uma história iniciada em 1943. Terminarão assim os "Noitões" que, nos últimos anos, chegaram a reunir, madrugada adentro, mil pessoas.
A ameaça de fechamento do cinema veio a público em março de 2010, quando o HSBC pôs fim ao patrocínio. André Sturm, o proprietário, começou então a bater à porta de algumas empresas, atrás de nova parceria.
Conversa daqui, conversa dali e, em novembro passado, foi acertado novo apoio. A minuta do contrato estava sendo finalizada quando veio a surpresa. "O proprietário disse que queria o imóvel de volta porque ia abrir uma loja lá", diz Sturm.
Sturm conta que havia se comprometido a pagar um novo valor de aluguel, de R$ 65 mil, assim que fechasse o patrocínio. "Tínhamos um acordo, mas ele não cumpriu", diz o dono do cinema.
Procurado, o proprietário do imóvel, Flávio Maluf (que não é filho de Paulo Maluf), não precisou sequer ouvir uma pergunta. A identificação da reportagem da Folha foi suficiente para que dissesse não ter nada a declarar.
"Ligue para o meu advogado", recomendou. Enquanto ditava nome e telefone, interrompeu a fala e perguntou: "Mas é a respeito do quê?". Informado, ensaiou uma explicação: "Perderam o prazo... Não tenho nada a declarar". O advogado não retornou as ligações.
Maluf passou a responder pelo imóvel há dois anos, quando seu pai morreu. "Venceu a visão mesquinha", diz Sturm.
Ontem, os 32 funcionários receberam o aviso prévio.
| Fachada do Cine Belas Artes, localizado na rua da Consolação, em São Paulo |
ÚLTIMA FASE
Sturm assumiu o cinema em 2002, quando os antigos proprietários decretaram o negócio inviável. O espaço, de fato, estava com as instalações decadentes e a programação descaracterizada.
Vieram a seguir a sociedade com a O2, produtora do cineasta Fernando Meirelles e, em 2003, o apoio do HSBC.
A ameaça do fim, em 2010, fez com que, no ano passado, a cidade se mobilizasse para salvar o Belas Artes. A campanha tanto deu resultado que o patrocínio chegou.
Dentre as marcas que esta última fase deixará estão o "Noitão" e a longa permanência de alguns filmes.
Pelo menos quatro títulos ficaram mais de um ano em cartaz: "O Filho da Noiva", "Bicicletas de Belleville", "2046 - os Segredos do Amor" e "Medos Privados em Lugares Públicos".
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
CINEFILIA
A tradição cinéfila do espaço firmou-se na década de 70. O cinema pertencia ao grupo francês Gaumont que, além de exibidor e distribuidor, era produtor de cineastas autorais, como Fellini e Antonioni.
Na década de 80, foram muitos os cineastas brasileiros a escolher o Belas Artes como tela preferencial para suas estreias e foram muitos os espectadores a formar filas na Paulista, para conseguir um lugar nas sessões de "Daunbailó", de Jim Jarmusch, e "Terra dos Bravos", de Laurie Anderson.
Para evitar que toda essa memória se esvaia do dia para a noite, Sturm fará, a partir do dia 14, duas retrospectivas. Uma trará clássicos do cinema. Outra, clássicos do Belas Artes. E não é só: "Meu compromisso é abrir outro cinema do mesmo tipo. Já tenho lugares em vista."
A amiga @carolinecabral nos mostra que nem toda forma de transporte esteve congestionada ou tomada pelo caos no ano novo. As fotos são da cidade paulista de Campos do Jordão.
Indo pelo ar, a tranquilidade é a mesma.
SÃO PAULO - Mais de sete meses após a inauguração de duas estações - Faria Lima e Paulista - da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, continua sem data definida a abertura de outras quatro paradas (Butantã, Pinheiros, República e Luz) que possibilitarão a conclusão da primeira fase das obras. O novo secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou, ao assumir o mandato, no último dia 1°, que a entrega das estações restantes fica para "até o fim de 2011", embora tenha dito que não "gostaria de precisar esperar até lá". É a oitava data divulgada pelo governo do Estado desde 2001, quando foram abertas as licitações para a construção da linha. As sete anteriores não foram cumpridas. Até agora, mais de R$ 2,3 bilhões já foram investidos nas obras.
Veja também:
Linha do tempo: Atrasos da Linha 4
Tecnologias prometidas não funcionam
Além da falta de prazo, o trajeto já aberto ainda não dispõe de tecnologias prometidas para a Linha 4, considerada uma das mais modernas do mundo. O sinal de antena para celulares, presente em todas as outras linhas, ainda não começou a funcionar. Também não há prazo para as estações ganharem rede Wi-Fi (internet sem fio de livre acesso, presente em aeroportos, shoppings, hotéis e outros), como chegou a ser prometido ao longo da construção. As modernas escadas rolantes, que dispõem de um sistema de economia de energia automático, reduzindo a velocidade em caso de baixo movimento, ficam subutilizadas durante vários minutos ao longo do pequeno horário de funcionamento.
Segundo o Metrô, "a entrega (das demais estações da primeira fase) depende da conclusão bem sucedida de uma série de complexos e exaustivos protocolos de testes". A previsão, por enquanto, se restringe aos "próximos meses". Primeiramente, devem ser entregues Butantã e Pinheiros, cujas obras de engenharia já foram concluídas.
Quanto às demais estações (Fradique Coutinho, Oscar Freire, Higienópolis, Morumbi e Vila Sônia), um documento de prestação de contas da Secretaria de Transportes Metropolitanos, do fim do ano passado, trouxe a data de 2012, sem especificar o mês, para a abertura. Mas o próprio Metrô, no ano passado, falou em 2013. As obras para esta fase, que incluem um túnel para manobra de trens e a finalização das estações, se encontram em fase de início e preveem investimentos de mais US$ 344 milhões.
No fim do ano passado, segundo um engenheiro que participou dos ensaios nas estações que passam pelos testes, os protocolos envolveram ensaios de abertura e fechamento do sistema de portas de plataforma, que em algumas estações apresentou problemas pontuais. De acordo com ele, "fazem-se mil paradas" dos trens nas plataformas, por exemplo. Destas, as composições devem se alinhar com precisão milimétrica às portas em "997 ou 998 vezes, no mínimo."
Caso pequenos ajustes sejam necessários, o protocolo deve ser repetido até que haja a certeza plena do funcionamento perfeito, conta ele. Assim também ocorre com sistemas de sinalização, comunicação e com o desempenho dos próprios trens, em itens como frenagem, aceleração, ar condicionado, etc. "São dezenas de itens testados exaustivamente", diz.
Sobre o vazamento de dados de inscritos no Bike Tour na internet.
Por Bruna
"Os dados são do evento deste ano mesmo, pois participei no ano passado e coloquei o número da minha inscrição e apareceu o nome de outra pessoa…Ou seja, os dados são atuais!
Eu tb tentei me inscrever por horas e horas e mesmo com o cartão do BikeTour, NADA. Nenhuma vantagem! E o pior: no dia 17/12 enviaram o tal boletim no meu e-mail e olha o que ele dizia:
“ABERTURA DE INSCRIÇÕES
20:30h do dia 31 de Dezembro – 80% das inscrições para possuidores mybiketour card;
00:00h do dia 01 de Janeiro – 20% das inscrições para público em geral.
inscrições serão colocadas a venda, exclusivamente através do site: http://www.worldbiketour.net”
Exclusivamente num site que estava fora do ar!!!!!!! E quem conseguiu se inscrever deu sorte de encontrar um outro link que não foi divulgado!!!! ABSURDO!!!
BIG FAIL!!!!
Vergonhoso!!!"
Os dados daqueles que se inscreveram estão disponíveis publicamente na Internet. Entre eles: nome completo, RG, CPF, email, endereço e telefone.
O site https://inscriptions.worldbiketour.net/saopaulo2010/finalizar.php?id=, acrescido de um número de quatro dígitos ao final revela os dados de determinado usuário. A página faz referência a 2010, supostamente remetendo ao evento do ano passado.
A informação é do usuário @BikeTourFail e a dica de Raphael Alves.
Dica de @dcemack
Você, usuário de transporte público em São Paulo, de cujo bolso sairá três reais a cada vez que entrar naquelas latas de sardinha, fedorentas, que alguns chamam de ônibus, foi ultrajado. Marcelo Branco, secretario dos Transportes do desgoverno paulistano, riu de nós. Veja logo abaixo e reflita.
De O Globo
Da Folha. Clique aqui para ler o que foi dito no Conversa Afiada
"Nós temos que ver o 31 de março de 1964 como dado histórico de nação, seja com prós e contras, mas como dado histórico de nação. Da mesma forma, os desaparecidos são história da nação, que nós não temos que nos envergonhar ou nos vangloriar. Nós temos que enfrentar, discutir, estudar como fato histórico", afirmou o general, em entrevista após receber os cumprimentos de cerca de 300 militares do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Defendendo um "olhar para a frente", Elito Siqueira se mostrou contrário à criação de uma Comissão da Verdade, como defende a nova secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário.
O governo enviou ao Congresso, em 2010, um projeto de lei que cria a comissão da verdade, "com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas" e "promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior".
SITUAÇÕES ISOLADAS
O general chamou de "situações isoladas do passado" os alvos de uma eventual Comissão da Verdade: o esclarecimento de episódios de torturas e desaparecimentos.
"Temos é que pensar pra frente, na melhoria do nosso país para as nossas gerações, e podemos estar perdendo tempo, espaço, velocidade se ficarmos sendo pontuais em situações isoladas do passado", afirmou.
O comandante do Exército, general Enzo Peri, presente à cerimônia de transmissão do cargo a Elito pelo general Jorge Armando Félix, também se mostrou contrário à criação da Comissão da Verdade, mas foi mais econômico nas palavras.
"Temos que construir o futuro, o importante é isso, não é isso?"
José Elito Siqueira negou que haja conflito entre os setores militar e de direitos humanos e, apesar de sua posição pessoal em relação a uma eventual investigação oficial sobre episódios do regime militar, afirmou que os militares são funcionários do Estado e que, portanto, as determinações do governo serão cumpridas.
"Nós somos funcionários de Estado. O que o Estado determinar, cabe a nós, funcionários do Estado, cumprir. Vamos fazer com a maior das boas intenções, porque todos nós vamos agir em benefício da nação", afirmou.
Trabalho longo, complexo e, acima de tudo, humano. Retirado do Maria Frô. É longo, mas a leitura completa vale à pena.
Bolsa-Família: Efeitos Colaterais
Por: Daniel Jorge Caetano em seu blog
28/09/2010
Não gosto muito de tratar assuntos políticos aqui; a razão para isso é que gosto de estimular a reflexão sobre o que observo no dia-a-dia e, acredito, falar sobre política sai um pouco desta linha, dado que nela o mote principal não é a razão e reflexão, mas a negociação de interesses.
Vou abrir uma exceção desta vez, devido a uma conversa que ouvi ontem.
Conversavam sobre a ineficiência, ineficácia do “bolsa-esmola” e toda a falácia que supostamente cerca o referido programa (positivas e negativas). O que me permite abrir essa exceção é o fato de que todos os candidatos parecem estar apoiando esta iniciativa – ainda que, em alguns casos, esse apoio seja motivo de riso para muitos.
Sou uma pessoa técnica, não gosto de fazer política. Minha experiência no campo político me proporcionou muita angustia pessoal; foi quando descobri que não tenho fígado para isso1. Assim, há algum tempo, seguindo a minha visão técnica e sem conhecer muita coisa da realidade brasileira, eu questionava muito o tal do Bolsa Família; em especial, quanto à sua eficácia.
Avaliando superficialmente, o Bolsa Família é “um programa assistencialista e populista, uma forma legal de compra de votos”, como ouvi alguém colocar.
Não há como negar que é possível – e alguns diriam provável – que essa é a índole do programa, isto é, que essa é a motivação primordial por trás do programa. Por outro lado, vem a dúvida: será que esta é a característica mais relevante em uma análise mais ampla?
Depois de viajar pelo interior do Brasil, por lugares como o Vale do Jequitinhonha no norte de Minas Gerais ou o interior da Bahia, regiões extremamente mais pobres que a em que vivo – São Paulo -, conversar com os habitantes destes lugares e ouvir da boca deles como a vida da comunidade melhorou (e não apenas das famílias diretamente beneficiadas pelo programa), me convenci que a avaliação ”rasa” do programa era falha, e comecei a procurar entender melhor suas consequências.
A conclusão a que cheguei é que ele tem efeitos muito mais relevantes do que aqueles normalmente explicitados. Aqueles que consideram que se trata apenas de um programa eleitoreiro, podem considerar que esses “efeitos”, na verdade, são apenas “efeitos colaterais”. Mas isso não invalida, de forma alguma, as conclusões sobre a validade do programa.
Antes de mais nada, gostaria de dizer que, me parece, o segredo por trás do sucesso do programa é o valor que foi definido para a bolsa, além dos critérios para sua concessão. Os critérios são relevantes, mas dependem de controle – algo difícil de se conseguir, dada a amplitude de programa. O valor da bolsa, entretanto, tem um efeito auto-regulador interessante, que dispensa controle ativo.
Que efeito auto-regulador é esse? É o efeito de ser uma bolsa de um valor alto o suficiente para permitir que as famílias saiam da miséria absoluta, mas baixo o suficiente para que, assim que a situação melhora, seja para a pessoa ou para a comunidade em que ela vive, a bolsa se torna desprezível.
Para entender essa afirmação, é preciso avaliar os efeitos todos do programa, o que tentarei apresentar em diversos níveis, sempre com foco nos benefícios sociais que ele proporciona (e não nos ganhos políticos decorrentes).
Os efeitos de primeira ordem são aqueles diretos, ou seja, uma melhoria da qualidade de vida dos mais miseráveis. Em tese, os beneficiários diretos são apenas as famílias que recebem a bolsa e é este tipo de efeito que leva a uma definição, talvez precipitada, de que se trata de um programa ”populista e eleitoreiro”.2
Os efeitos de segunda ordem são aqueles observados na sociedade, em um curto intervalo de tempo, após a implementação do programa.
As pessoas que recebem o bolsa família tem, proporcionalmente, um grande aumento em seu poder de compra; essas pessoas, entretanto, não estão em um patamar de consumo em que aumentar o poder de compra significa comprar supérfluos (celulares, carros etc.), mas sim em um patamar onde existe necessidade reprimida por alimentos e insumos básicos para a vida digna (água, limpeza, material escolar, dentre outros).
Como a maioria destas pessoas vivem em lugares muito pobres3, estes produtos, em geral, não são adquiridos em grandes supermercados, mas em pequenas vendas e pequenos comércios locais.
Ora, a “vendinha” da esquina, ao ganhar novos consumidores e ter um aumento substancial do consumo, pode crescer. Se cresce, não apenas pode vir a gerar empregos, mas também movimenta a economia local: o dono da vendinha e seus funcionários também vão comprar em outras lojas.
Adicionalmente, o dono da vendinha tem como negócio o comércio, ou seja, ele não produz o que vende. Se aumentou a venda, ele tem que comprar mais.
Isso movimenta a agricultura e produção local e, em estágios mais avançados, até mesmo aumenta o consumo em outros mercados, de onde o dono da vedinha tem que ir buscar produtos, “na cidade grande”. Em outras palavras, trata-se do surgimento de novos mercados produtores e consumidores, possibilitando inclusive a indução de emprego e melhoria das condições de vida em outras regiões.
Além do efeito óbvio que isso tem para o aumento da qualidade de vida local, a maior parte dessas operações geram impostos para o governo e, embora seja difícil precisar o valor que “volta” para o governo de cada Real gasto com o Bolsa Família, o certo é que uma parte volta. Como são mercados novos, isso significa que o imposto que volta tem o efeito de diminuir o custo do programa, o que para o governo – e para o povo que o financia – é ótimo.
Agora, uma outra coisa que acontece com o aquecimento da economia local é, em geral, uma inflação local. É comum que nas regiões mais pobres tudo custe muito barato, porque as pessoas não têm dinheiro para consumir. Com o dinheiro e a melhoria inicial das condições de vida das pessoas, ocorre um aumento do consumo e, com isso, é normal que exista uma pequena inflação local. Bizarramente, isso é positivo, proporcionando um dos instrumentos de auto-regulação do benefício.
Quando alguém diz que “o cara vai receber a bolsa e não vai mais querer trabalhar”, está ignorando que a economia é dinâmica: com a inflação local e o aumento do seu padrão de consumo, o poder de compra da bolsa para uma dada família vai cair com o tempo. Como o indivíduo pode trabalhar e receber a bolsa, com o tempo se torna mais interessante manter o emprego - que com o aquecimento da economia local tende a pagar melhor – do que a manutenção da bolsa – que tem valor fixo nacionalmente, não levando em conta as questões locais.
Isso pode acabar se tornando um caminho natural para a “porta de saída” da bolsa, depois de ter estimulado o desenvolvimento local.4
Uma consquência curiosa – e que só me atentei para ela conversando com pessoas de local onde o coronelismo era muito forte – é que o Bolsa Família tirou poder das oligarquias locais, vulgarmente conhecidas como ”famílias de coronéis”.
Historicamente estas famílias dominavam a política local através da compra do voto com coisas pequenas e baratas: pares de chinelos, sacos de farinha, coisas que não lhes custavam nada, mas que lhes permitiam governar uma cidade ou estado, receber verbas federais e desviar recursos à vontade, pois o povo – mantido ignorante e necessitado – via neles salvadores que lhes permitiam beber água da chuva – captada em um açude construído em propriedade particular de político, usando verba pública – a um pequeno custo… ou até mesmo de graça… “como é bom nosso governante!”
Obviamente este problema não acabou com o Bolsa Família, mas aparentemente vem se reduzindo. A razão para isso é que, com aquela pequena ajuda, nestes locais muito pobres onde se comprava um voto com um par de chinelos, as pessoas não têm mais interesse em vender seus votos por essas coisas – agora elas conseguem comprar o saco de farinha, sem precisar implorar ou trocar favores – ou seja, sobrevivem de maneira mais digna.
Assim, comprar o voto tornou-se uma prática naturalmente mais cara – ou seja, o Bolsa Família inflacionou a compra de votos, dificultando ou até mesmo impossibilitando a prática. Com isso, abre-se espaço para uma possível diversificação no espectro político em várias localidades. Surgem novas lideranças locais, municipais, mudando a dinâmica política da região.
Ainda que isso pareça um pouco distante, de médio prazo ao menos, novas lideranças locais têm assumido no lugar de velhas famílias oligárquicas em muitos lugares, o que pode ter como um de seus fatores de influência justamente o Bolsa Família (embora dificilmente seja o único, é claro!)
Alguns podem alegar que deixou-se de vender votos localmente para se vender nacionalmente, uma vez que com o benefício o governo federal estaria comprando votos também. Mas é questionável a validade de se falar em um “coronelismo federal”, dada o baixo contato entre povo e governo federal.5
Como o foco do Bolsa Família é na alimentação (faz parte do Programa Fome Zero) e a concessão da Bolsa exige a presença das crianças na escola6, ele contribui para uma melhoria na educação, embora não a garanta.
A combinação da presença e alimentação é importante porque ninguém aprende nada sem ir para a escola e, mesmo indo, não aprende se estiver com fome.
Os efeitos da desnutrição na capacidade de aprendizado são vastos.
Infelizmente isso não é garantia, porque a educação básica em nosso país ainda é extremamente deficiente e, até o momento, por ser competência estadual e municipal, não há nada que o Governo Federal possa fazer a respeito.7
Outra exigência para a concessão da Bolsa são os cuidados com a saúde da criança, regulamentado como exigência de vacinação, por exemplo. Bem alimentada e com orientações mínimas, as pessoas se mantém mais saudáveis e dependem menos do deficiente sistema público de saúde. Isso leva também a uma vida mais digna e traz mais motivação às pessoas.
Os efeitos de terceira ordem são aqueles que decorrem da combinação dos efeitos de segunda ordem, além da universalização destes efeitos com o passar do tempo. Analisarei alguns deles.
Com todos os efeitos de segunda ordem citados, em especial a geração de condições de vida mais dignas nos mercados locais – dado o seu desenvolvimento -, ocorre a formação de uma consciência de cultura local e, também, a fixação das pessoas onde elas estão, gerando novos pólos de desenvolvimento, produção e consumo.
Essa fixação é fundamental, uma vez que os grandes centros atuais não comportam mais crescimento populacional, já vivendo em uma condição de esgotamento de recursos (congestionamentos, falta de água, alto custo da alimentação, poluição, etc).
Fixando as pessoas em seu local de origem proporciona uma sociedade melhor distribuída, tornando a ocupação e o desenvolvimento nacional menos desigual, possibilitando acesso melhor distribuído aos recursos naturais de todas as regiões do país.
Com o passar do tempo, as novas lideranças locais podem ser tornar novas lideranças regionais ou até mesmo nacionais. Essa renovação nas lideranças políticas é saudável para a democracia, proporcionando seu amadurecimento.8
Um efeito já apontado em algumas análises é que, à medida que as condições de vida das pessoas melhoram, com um crescimento do rendimento per-capita, quando a renda do Bolsa Família passa a não se mais tão importante na alimentação – mas ainda antes de se tornar dispensável -, ela passa a ser utilizada na aquisição de livros e material escolar.
Este efeito, já constatado em alguns locais9, proporciona, juntamente com outros fatores de segunda ordem, um grande ganho na capacidade de aprendizado dos estudantes, contribuindo para a formação de gerações mais formalmente educadas.
Com alimentação, estudo e cuidados médicos básicos, temos um povo mais saudável; e um povo mais saudável é mais feliz, produz melhor e consome mais. Isso tudo já é ótimo para a nação.
Mais que isso, entretanto, os efeitos de longo prazo de políticas da mudança da cultura da população mais pobre – proporcionadas pelas exigências de concessão de bolsas do Bolsa Família -, podem formar gerações não apenas mais saudáveis, mas mais conscientes de sua própria saúde. E pessoas mais conscientes de sua saúde, em geral, cuidam dela, em um nível muito mais alto, como melhor alimentação, atividades físicas etc.
Os efeitos de quarta ordem são os benefícios intrínsecos da universalização dos efeitos de terceira ordem. Os que imagino mais imediatos são três.
O primeiro é a influência de todos estes fatores nos gastos públicos com saúde. Esta área pode se beneficiar extremamente de uma população mais saudável e bem educada, tanto no aspecto financeiro – menos gastos com saúde pública – quando econômico – com um menor número de pessoas solicitando o sistema público de saúde, aqueles que o solicitam podem ser melhor atendidos, com um investimento público potencialmente menor.
O segundo é que, com uma melhor educação, obviamente combinadas com outras políticas que venham melhorar a cultura dos alunos, teremos uma população mais culta, capaz de escolher melhor seus representantes políticos, buscando um equilíbrio entre renovação e experiência, rumando cada vez mais em direção a uma democracia madura.
O terceiro é a influência de tudo isso nos gastos públicos com o próprio programa. Uma vez que a nossa população já ruma para uma estabilidade numérica e, com essa população cada vez mais educada, saudável e consciente, o número de famílias que precisam do Bolsa Família tende a ser cada vez menor.10
Nem tudo são flores, no entanto. Como estes efeitos só podem ser observados com a presença do programa em todo o país, os números de beneficiários são extremamente altos e, assim, o controle dos parâmetros de concessão ficam prejudicados. É praticamente impossível fazer um controle rígido sem que os custos do programa crescam demasiadamente.
Ainda que evidentemente ocorram desvios – devido ao controle precário -, é bastante possível que estes desvios representem um valor financeiro bastante inferior ao custo que teria um controle mais apurado. Esta afirmação não vem meramente de uma eventual fiscalização ter um custo alto, mas também do fato que os valores movimentados individualmente são muito baixos. Para que quantias grandes sejam de fato desviadas, grandes esquemas precisam ser armados.
Contra “grandes esquemas”, mesmo um controle menos sofisticado pode ser capaz de detectá-lo e, convém lembrar, principalmente na hipótese de ”programa eleitoreiro para compra de votos” – como dizem alguns -, o governo seria o menor interessado em que exista desvio desta verba específica.
Adicionalmente, tanto o cadastro quanto o controle atuais são feitos pelos estados e municípios, que em grande parte não estão nas mãos dos mesmos partidos que o governo federal, o que dificulta ainda mais a formação de grandes esquemas sem que ninguém tenha conhecimento.
Moral da história: se ocorre desvio, é com o consentimento de todos; isso não torna a preocupação com os desvios menos importante, mas não serve de munição eleitoral contra o programa em si.
Diante do apresentado, afirmar simplesmente que se trata de um programa de esmolas é limitar demais o escopo de um programa que, sendo implantado de maneira generalizada como foi, pode trazer enormes transformações para um país – e, dentro de certos limites, já me parece estar trazendo, ainda que eles sejam pouco visíveis aqui em São Paulo.11
O conjunto de efeitos que o programa traz consigo, cada um deles potencializando fatores fundamentais para o desenvolvimento do país em todos os níveis humanos, aliado ao seu custo relativamente baixo aos cofres públicos, tornam o Bolsa Família não apenas um programa de sucesso momentâneo, mas também uma proposta de estratégia de médio e longo prazo que tem, no meu entender, boas chances de, em conjunto com outras políticas, modificar positivamente a sociedade brasileira.
No fim, fica até difícil dizer qual é o efeito colateral. Seria um programa “populista e eleitoreiro” que, por acaso, melhora a condição de vida da sociedade como um todo, ou será que é um programa que, por melhorar a condição de vida da sociedade, torna-se popular e com dividendos eleitorais óbvios?
Quando ainda não observaram como isso é bom para a vida de todos, alguns dizem que nós não temos que pagar (através dos impostos) um programa como esse, observando apenas os aspectos dos dividendos eleitorais.
Entretanto, esta visão é simplesmente um reflexo da educação míope que nos foi imposta. Fomos educados de maneira bizarra, do ponto de vista social, ensinados que o importante é acumular e, portanto, dividir é mau.
A questão é que muitas vezes é preciso dividir para somar12, ainda que a nossa criação – que define nossos preconceitos e medos – possa tornar dificultosa esta percepção. Nos limitamos a analisar os efeitos diretos, de curto prazo, de primeira ordem.
Porém, é preciso ir além. Desprezar efeitos de ordens superiores pode ser desastroso quando o propósito é planejar o futuro de uma nação.
(12) Algo tão óbvio quanto dizer que é preciso investir para poder ter lucro.