terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sobre Raul Seixas

Algumas curiosidades sobre Raul Seixas. Entrevista com Mário Lucena, que escreveu um livro sobre o cantor.







E, abaixo, a última entrevista concedida por Raul Seixas, no ano de 1989 a Jô Soares:












À noite, algumas músicas.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mais Legião Urbana

Mais algumas de Legião Urbana

Legião Urbana - Será







Legião Urbana - Tempo perdido







Legião Urbana - Pais e Filhos







Vento no Litoral - Legião Urbana






Legião Urbana - Há tempos (ao vivo)








Legião Urbana - Hoje a noite não tem luar







Pra encerrar, não gosto de Paulo Ricardo, mas essa acho legal também:

A Cruz e a Espada - Renato Russo e Paulo Ricardo








Vai dizer que são só as mais famosas? Corrijo: as mais bonitas.

Seleção Legião Urbana

Algumas, dentre as muitas, bacanas de Legião Urbana:

Legião Urbana aovivo (94) Rio - Eduardo e Mônica







Legião Urbana - Perfeição








Legião Urbana aovivo (94) Rio - Faroeste Caboclo






Legião Urbana - Quando o sol bater... (ao vivo)








Monte Castelo (ao vivo)







Legião Urbana - Índios (ao vivo)





domingo, 9 de janeiro de 2011

Senadores dos EUA visitam UPP do Dona Marta, no Rio



Do g1

Senadores dos EUA visitam UPP do Dona Marta, no Rio


John McCain e John Barrasso elogiaram projetos de segurança do Rio.
'Vamos levar essas lições para os EUA', disse o republicano McCain.






Alba Valéria Mendonça Do G1 RJ






Os senadores dos EUA John McCain e John Barrasso visitaram na tarde deste domingo (9) a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro Dona Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ambos membros do Partido Republicano, eles representam respectivamente as comissões de Serviços Armados e de Relações Exteriores do senado norte-americano.


"Estou impressionado com o sucesso dos projetos de segurança do Rio; vamos levar essas lições para os EUA", disse McCain durante a visita, que começou com um sobrevoo de helicóptero pelo Complexo de Favelas do Alemão, na Zona Norte, na manhã deste domingo (9), acompanhado do delegado da Polícia Federal Roberto Alzir.


Por volta das 16h, os senadores americanos chegaram ao Dona Marta, onde visitaram o centro de operações da UPP e seguiram para a laje onde o cantor Michael Jackson gravou cenas de um videoclipe em 1996. McCain disse ainda que reconhece o Brasil como uma força emergente não só regional, mas em todo o mundo.


"Temos uma forte relação com o Brasil que queremos fortalecer ainda mais, principalmente na área de segurança e no combate ao terrorismo", disse o senador americano.


Segundo o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, que acompanhou os senadores no Morro Dona Marta, o que mais impressionou os americanos foi a integração do trabalho das UPPs com as comunidades, o que permite que a população dessas áreas tenham respeitados os seus direitos civis.


Na segunda-feira (10), a dupla de senadores viaja para Brasília, onde deve ter uma reunião com a presidente Dilma Roussef. A visita ao Brasil faz parte de um tour que os americanos estão fazendo pela América Latina para verificar as soluções na área da segurança que os países adotaram para combater o crime organizado e o tráfico de drogas. McCain e Barrasso visitaram Chile, Panamá e México.




Pequeno recesso

Estarei viajando entre os dias 10 e 14, mas deixei coisas bacanas agendadas por aqui. Um novo post sempre às 10h e às 20h, de segunda à quinta-feira. Até a volta!

E, se forem viajar, não esqueçam: mandem fotos e/ou relatos da situação enfrentada nos transportes!

Um grande abraço e obrigado pelas visitas.

Disimo

Espelho (quase) total do nosso jornalismo

Da Folha


Com humor, telejornal trará notícias falsas


Programa baseado no site Sensacionalista estreia no primeiro quadrimestre deste ano

"Mulher vai ao hospital para tirar música de Justin Bieber da cabeça."
Improvável? Com certeza. Mas a equipe do site Sensacionalista (www.sensacio nalista.com.br) não está atrás de notícias verdadeiras. Está em busca do inusitado para suscitar o riso.
Criado há seis meses, o endereço tem 20 mil acessos em média por dia, mas já bateu picos de 80 mil visitas. Também funciona bem no Twitter, com 47 mil seguidores.
A ideia surgiu do conceito do "The Onion", jornal americano de sátiras do noticiário, fundado em 1988 por Tim Keck e Christopher Johnson.
O formato vai ser adaptado para a TV em série que estreia no primeiro quadrimestre deste ano no Multishow.
"À primeira vista, as reportagens parecem reais, mas são coisas absurdas. Por isso usamos o slogan de um jornal isento de verdade", explica Nelito Fernandes, criador do site e redator final do programa em produção.
Eles adaptam o estilo de um telejornal. Dois apresentadores (Márcio Machado e Betina Kopp) estarão em um cenário sóbrio, com bancada, e chamarão correspondentes em todos os lugares.
Fernandes, que é jornalista da revista "Época", diz que a ideia não é enganar o público. Os absurdos serão óbvios, mas com alguma conexão com o real. "Perseguimos o humor de falar seriamente, com o rosto impassível, o maior absurdo do mundo."
Talvez por isso algumas notícias tenham sido interpretadas como verdadeiras ao serem tiradas do contexto do site. "Escrevemos que uma mulher tinha engravidado vendo filme pornô em 3D. Isso foi reproduzido como real num site em Portugal", relembra Fernandes.
Serão 13 capítulos, com duração ainda a ser definida, mas que não ultrapassará meia hora.
Os roteiros são escritos, além de Fernandes, por sua mulher, Martha Mendonça, por Marcelo Zorzanelli (roteirista do "Comédia MTV") e por Leonardo Lanna.
As imagens serão de agências reais, mas com usos diferentes das notícias verdadeiras. Também serão criados debates. O que querem dizer os figurinos de Lady Gaga ou se os donos de pitbull devem usar focinheira são alguns dos temas previstos.

Folha tira Bíblia e crucifixo do gabinete de Dilma

Do Vi o mundo


Folha tira Bíblia e crucifixo do gabinete de Dilma


Da Folha de S. Paulo, com chamada na capa (Dilma impõe rapidez, troca móveis e tira Bíblia da mesa):


Em sua primeira semana, Dilma Rousseff fez mudanças em seu gabinete. Substituiu um computador por um laptop e retirou a Bíblia da mesa e o crucifixo da parede.


Durante a campanha eleitoral, a então candidata se declarou católica e foi atacada pelos adversários sob a acusação de ter mudado suas posições religiosas.


A presidente também trocou móveis para deixar o ambiente “mais confortável”. Os estofados coral, usados no Palácio do Catete no governo Vargas, foram substituídos por poltronas e um sofá da linha Navona, do arquiteto Sergio Rodrigues.


Dilma começou a trabalhar às 9h30. O primeiro compromisso é com Helena Chagas (Comunicação Social) para se informar; a seguir, com o chefe de gabinete, Gilles Azevedo; depois com Antonio Palocci (Casa Civil).


A presidente não tolera atrasos. Pede objetividade e não gosta de expressões como “eu acho”. Apesar do estilo rígido, um interlocutor que acompanhou os primeiros dias de Lula no poder diz que a sensação é de que Dilma está “mais à vontade”.


No período inicial, uma semelhança entre eles: Lula priorizou a agenda interna. Dilma faz o mesmo ao ter o trabalho dominado por reuniões com ministros.


Abaixo, de acordo com a Maria Frô, a resposta da ministra Helena Chagas no twitter:


Cine Belas Artes faz retrospectiva até a sessão final

Do Estadão


Cine Belas Artes faz retrospectiva até a sessão final


Entradas para as duas sessões disponíveis custarão R$ 4

Antes de fechar as portas, no dia 27 de janeiro, o Cine Belas Artes fará uma retrospectiva com alguns dos filmes mais prestigiados já exibidos na sala.


A lista inclui produções da China, Itália, França e Espanha. Serão dois horários, às 18h30, onde serão exibidos os Sucessos do Belas Artes, e 21 horas, dedicado aos Clássicos Cult. Os ingressos para ambas sessões custarão R$ 4.


A iniciativa é uma forma de agradecer aos frequentadores da sala, conhecida por exibir filmes que normalmente ficam de fora das seleções das grandes redes de cinema.


Confira a programação:


Dia 14


18:30h
As Bicicletas de Belleville (França, 2003; de Sylvain Chomet)
21:00h
Amores Expressos (China, 1994; de Wong Kar-wai)

Dia 15

18:30h
Morte em Veneza (Itália, 1971; de Luchino Visconti)
21:00h
O Encouraçado Potemkin (Rússia, 1925; de Serguei Eisenstein)

Dia 16

18:30h
Paixão Selvagem (França, 1976; de Serge Gainsbourg)
21:00h
A Regra do Jogo (França, 1939; de Jean Renoir)

Dia 17

18:30h
Meu Tio (França, 1958; de Jacques Tati)
21:00h
Segunda-Feira ao Sol (Espanha, 2002; de Fernando León de Aranoa)

Dia 18

18:30h
O Ilusionista (EUA/República Tcheca, 1976; de Neil Burger)
21:00h
Música e Fantasia (Itália, 1976; de Bruno Bozzetto)

Dia 19


18:30h
(a confirmar)
21:00h
Lúcia e o Sexo (Espanha, 2001; de Julio Medem)

Dia 20

18:30h
Cría Cuervos (Espanha, 1976; de Carlos Saura)
21:00h
O Balão Vermelho (França, 1956; de Albert Lamorisse)

Dia 21


18:30h
(a confirmar)
21:00h
A Lei do Desejo (Espanha, 1987; de Pedro Almodóvar)

Dia 22

18:30h
Pai Patrão (Itália, 1977; de Paolo e Vittorio Taviani)
21:00h
Apocalypse Now (EUA, 1979; de Francis Ford Coppola)


Dia 23


18:30h
Gritos e Sussurros (Suécia, 1972; de Ingmar Bergman)
21:00h
O Passageiro – Profissão: Repórter (Itália, 1975; de Michelangelo Antonioni)

Dia 24

18:30h
Z (França, 1969; de Costa-Gravas)
21:00h
Quanto Mais Quente Melhor (EUA, 1959; de Billy Wilder)


Dia 25

18:30h
Crônica do Amor Louco (Itália, 1981; de Marco Ferreri)
21:00h
A Guerra dos Botões (França, 1962; de Yves Robert)


Dia 26


18:30h
Johnny Vai á Guerra (EUA, 1971; de Dalton Trumbo)
21:00h
Vestida Para Matar (EUA, 1980; de Brian de Palma)


Dia 27

18:30h
Possessão (Alemanha/França, 1981; de Andrzej Zulawski)
21:00h
A Malvada (EUA, 1950; de Joseph L. Mankiewicz)

Cai audiência, cai

Da Folha

Faixa nobre registra queda, e público migra para outros horários


O horário nobre não é mais tão nobre. De dez anos para cá, são grandes as quedas de audiência na faixa mais visada, mais lucrativa e mais disputada da TV aberta.


Dados nacionais do Ibope mostram que a poltrona do brasileiro das 18h à meia-noite tem ficado mais vazia. Os números de televisores ligados no horário caíram e com eles a audiência de quem reinava absoluto nessa faixa: as novelas e os noticiários.


Em 2001, na faixa nobre, o total de TVs ligadas no PNT (Painel Nacional de Televisão) era 59%. Em 2010, representou 56%, queda de três pontos percentuais.


De olho nos números da líder, o cenário parece desolador: a Globo perdeu 17% do seu público nesse bolo. Das 18h à meia-noite, pulou de 32,3 pontos (2001), para 27,6 pontos de audiência (2010). (Cada ponto equivale a 191 mil domicílios no Brasil).


Reis do horário nobre, novelas e "Jornal Nacional", que costumavam registrar médias na casa dos 50 e 40 pontos, respectivamente, perderam um público considerável. Passaram para a casa dos 40, 30 pontos de audiência. Queda alardeada pelo mercado, mas que acompanha uma mudança de hábito: a poltrona agora está ocupada em outros horários e por outros hábitos.


Os mesmos índices do PNT mostram que, na década, o número de televisores ligados cresceu. Pulou de 40% (2001) para 42% (2010).


Se tem mais gente vendo TV, para onde migrou o público da faixa nobre?


Em 2001, a faixa vespertina (do meio-dia às 18h) tinha 39% de TVs ligadas no país. Em 2010, esse número pulou para 41%. De manhã, o crescimento foi maior: a faixa das 7h ao meio-dia foi de 20% (2001), para 26% (2010).


Essa mudança é tão maluca que, em 2010, as atrações da tarde do SBT superaram a faixa nobre. Registraram média de 6 pontos, ante 5,9 pontos da programação da noite.


Para o diretor da Central Globo de Pesquisas e RH, Érico Magalhães, a queda na faixa nobre chama atenção por conta dos números altos que a Globo acumulava no horário. No entanto, o público não fugiu da TV.














Editoria de Arte/Folhapress

CONCORRÊNCIA


"Em dez anos houve uma evolução industrial, a TV paga passou de 2 milhões para 10 milhões de assinantes, há mais canais UHF dividindo o bolo e outros produtos, como videogames e DVD, roubando uma fatia da TV aberta. Mas o número de aparelhos ligados se mantém", continua. "Com relação à nossa concorrência, o que houve, em dez anos, foi uma troca. A Record pulou de uma média de audiência de 4 pontos para 7. E o SBT caiu de 9 pontos para 6. O que uma cresceu a outra caiu. A Record não é para gente o que o SBT foi dez anos atrás. Não temos a mesma concorrência."


Para a Globo, a diferença entre as redes é o rufar de tambores. A Record faz mais festa com o crescimento.


Já o mercado acha que o SBT sempre se conformou com o 2º lugar e a Record, não. E tem motivos para pensar assim. A Record fechou 2010 como a única emissora que cresceu em audiência em relação à 2009: 2%.


"Estamos trabalhando para assumirmos a liderança em menos de dez anos e não temos dúvida do que acontecerá", disse à Folha o presidente Artístico da Record, Mafran Dutra.


"Uma prova é que constantemente estamos na liderança em capitais como Rio, Salvador e Belém." Vislumbrando a próxima década, Érico Magalhães acredita em pequenas diluições de audiência, mas nada que abale a hegemonia da Globo. "As 30 atrações mais assistidas da TV são da Globo", diz ele.


"Apostaremos mais em atrações para a classe C e a TV aberta seguirá forte", diz. "Depois de um inteiro de trabalho, com tanta interatividade, o público terá o desejo de ser programado, de ver uma programação pronta para ser consumida. Isso não deve mudar."

sábado, 8 de janeiro de 2011

Estamos todos marcados!

De acordo com o Twitter do site WikiLeaks, todos os usuários estão "marcados" pelo governo dos EUA.


Agora há pouco lançaram o alerta pela rede social. Eles se baseiam em um documento - uma ordem judicial - na qual, entre outras coisas, diz-se que poderão ser gravados dados do usuário que se conectou à conta do WikiLeaks, incluindo data, hora e forma de conexão, além dos endereços de IP.


"Tarde demais para deixar de seguir", postou o @WikiLeaks.


--


Os tempos propostos por George Orwell no livro 1984 estão mais fortes do que nunca. Como bois, estamos todos marcados a ferro. Mas quem liga? (inspirado no tweet do @diego_calazans)

"Time to say goodbye" e "Vivo por ella"

Time to say goodbye, Andrea Bocelli e Sarah Brightman







Vivo por ella, Andrea Bocelli e Marta Sanchez







 

2001: Uma odisseia no espaço

R. Strauss - (1/3) Also sprach Zarathustra, Op. 30 (Staatskapelle Dresden, Mehta), do filme 2001: Uma odisseia no espaço






EUA exigem do Twitter detalhes sobre colaboradores do WikiLeaks

Da BBC Brasil


O governo dos Estados Unidos obteve uma liminar na Justiça que exige da rede social Twitter detalhes sobre pessoas envolvidas com o site Wikileaks, segundo documentos oficiais.


O tribunal regional de Virginia disse ter pedido informações que incluem nome de usuários, endereços, histórico de conexões, números de telefone e detalhes de pagamento.


Entre os investigados estão o fundador do Wikileaks Julian Assange e a deputada Birgitta Jónsdóttir da Islândia.


Os Estados Unidos estudam entrar com um processo contra Assange por causa do vazamento de 250 mil documentos diplomáticos considerados secretos.


Acredita-se que o Departamento de Justiça americano pode vir a indiciá-lo por acusações de conspiração para roubar documentos ao lado do militar Bradley Manning, um analista de inteligência do Exército americano.


Manning vai ser julgado em Corte Marcial e pode passar até 52 anos na cadeia por supostamente ter enviado os documentos diplomáticos ao Wikileaks, bem como relatos militares de incidentes no Afeganistão e no Iraque e de um vídeo militar confidencial.


'Informações relevantes'


De acordo com o documento emitido pelo tribunal de Virginia em 14 de dezembro, a promotoria-geral americana teria apresentado indícios de que as informações sob posse do Twitter são "relevantes e importantes para uma investigação criminal em andamento".


Agora, o site baseado em San Francisco tem três dias para apresentar a sua resposta e inicialmente teria sido instruído a não divulgar o fato de que a liminar tinha sido apresentada nem a existência da investigação.


No entanto, o mesmo tribunal americano teria derrubado as restrições na quarta-feira, autorizando o Twitter a informar os seus clientes sobre o caso.


Além dos já citados Assange, Manning e Jónsdóttir, a liminar exige informações sobre o hacker holandês Rop Gonggrijp e o programador americano Jacob Appelbaum, que já colaboraram com o Wikileaks.


Entre os dados pedidos estão endereços de email, detalhes de pagamento e conexões, além de horários de utilização, endereços IP usados para acessar o Twitter.


Assange criticou a decisão no sábado classificando-a de intimidação.


"Se o governo do Irã tentasse obter essa informação coercitivamente de jornalistas ou ativistas de países estrangeiros, grupos de direitos humanos de todo o mundo se pronunciariam", disse.


Ele afirmou também que a liminar só veio à tona "graças a ação legal do Twitter".


O site americano não confirmou nem desmentiu a informação.

Enchentes escondidas na Folha

É ridículo ver como a grande imprensa paulista, nesse caso a Folha de S. Paulo, trata determinados assuntos. É óbvia a prioridade para destruir certo governo e esconder as falhas e omissões gravíssimas daqueles que administram nossa cidade e nosso estado.


As enchentes em São Paulo ganharam, na primeira página, o destaque de um pé de página, unicamente acima da tal árvore acorrentada no Centro que a Folha cismou nesses tempos. Já no caderno de Cotidiano, pouco mais de meia página - C4 (página par, ou seja, menos visível do que a ímpar e, portanto, mais desvalorizada para anúncios).


Ah se fosse a Dilma a responsável por manutenção de córregos e demais aparatos para evitar as enchentes...


PS.: Enquanto uns falam de menos, outros, como o bom e velho Datena, insistem em falar demais, de forma desmedida e também descomprometida com o jornalismo de fato.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bike Tour: outro lado

Por Nilza (comentário)

"Aos que sentem-se “lesados” por não conseguirem inscrever-se, pergunto;
Alguém os obrigou à fazê-lo ou tentaram por considerarem o projeto diferenciado e no mínimo interessante? Os que jogam na mega sena, por exemplo, enfrentam filas, pagam e provavelmente não ganhem. Foram todos “lesados”? Processarão a Caixa?
Quanto ao mybiketourcard; seria essa a única vantagem do cartão(prioridade nas inscrições)? E quanto às viagens semanalmente sorteadas para participação nos diversos eventos que fazem pelo mundo, com tudo pago? É pouco? Conhecem alguém que já proporcionou isso no Brasil?
Aliás, conhecem algum brasileiro que já se dispôs à “fechar” a Marginal Pinheiros para ciclistas?
Me indigna ainda mais perceber que os que mais postam msgs negativas e potenciam manifestações, são ciclistas! Não deveriamos nós sermos os primeiros a dar um voto de confiança, a percebermos que o bike tour MUITO colaborou para potenciar as ciclofaixas na cidade? Sim, podem ser poucas, mas criticando dessa maneira é que iremos conseguir que alguém continue lutando pela causa?
Se deveriam disponibilizar mais inscrições? Concordo! Mas creio que isso não dependa tão somente da organização, mas sim de logística, segurança e patrocínio!!! Ou alguém me dirá que compra uma bike da Caloi por esse preço???
Parece-me incoerente “atacarem” os patrocinadores quando na verdade, deveríamos elogiar a iniciativa, pois se mais deles houvessem, talvez o número de inscrições disponíveis aumentaria.
Problemas com sites, acessos, segurança, TI… Ocorrem TODOS os dias. Quem já não tentou fazer um pagamento pela net e o site do banco estava indisponível?
Falam em igualdade de oportunidades… Acompanharam o evento que o bike tour promoveu em comemoração ao dia da inclusão social? Não havia venda de bikes! Mas colocaram pessoas públicas e outras desconhecidas à passarem pela experiência de locomoverem-se na cidade como cadeirantes e “cegos” e assim reconhecerem as dificuldades que portadores de deficiências passam rotineiramente em nossa metrópole. Já nos disponibilizamos à fazer isso? Se não houvesse esse tipo de incentivo, quantos de nós pararíamos para pensar na causa? Quantos eventos em São Paulo são feitos pensando nessa questão? Pois TODOS os eventos que vi do bike tour, têm essa preocupação. Onde não há acesso para cadeira de rodas, eles providenciam! É pouco?
Quando falam em discriminação à nós por não podermos participar no dia com nossas próprias bikes, alguém já parou para pensar na questão da segurança disso tudo?
Que tal solicitarmos aos órgãos competentes que fechem a Marginal Pinheiros para passearmos vez ou outra? Acham que é fácil???? Em um País burocrático como o nosso?
Poderíamos imaginar o que os organizadores não passaram para conseguirem fazer hoje o que fazem.
É atirando pedra que conseguiremos alguma coisa??? Não creio.
Talvez o caminho seja outro. Se tantos de nós querem participar, disponibilizam-se à passar a noite do reveillon tentando a inscrição, reconheçam! O evento é mesmo interessante(repito).
Talvez conseguíssemos mais com sugestões e não com ameaças.
Deixo aqui a minha indignação…"

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Jogos de partidos, alianças esdrúxulas: não são só no Brasil

Da Carta Maior - 05/01/2011

A luta de classes política nos Estados Unidos


O nível de corrupção política nos Estados Unidos é assombroso. Agora tudo gira em torno do dinheiro para as campanhas eleitorais que se tornaram incrivelmente caras. As eleições da metade do mandato tiveram um custo estimado de US$ 4,5 bilhões, e a maior parte desse dinheiro veio de grandes empresas e contribuintes ricos. Estas forças poderosas, muitas das quais operando de forma anônima sob as leis dos EUA, trabalham sem descanso para defender aqueles que se encontram no topo da pirâmide da riqueza. O artigo é de Jeffrey Sachs.


Jeffrey Sachs - SinPermiso


Os Estados Unidos estão em rota de colisão consigo mesmo. O acordo firmado em dezembro entre o presidente Barack Obama e os republicanos no Congresso para manter os cortes de impostos iniciados há uma década pelo presidente George W. Bush está sendo saudado como o começo de um novo consenso bipartidário. Creio, ao contrário, que é uma falsa trégua naquilo que será uma batalha campal pela alma da política estadunidense.


Do mesmo modo que ocorre em muitos países, os conflitos sobre a moral pública e a estratégia nacional se reduzem a questões envolvendo dinheiro. Nos Estados Unidos, isso é mais certo do que nunca. O país tem um déficit orçamentário anual ao redor de US$ 1 trilhão, que pode aumentar ainda mais como resultado de um novo acordo tributário. Esse nível de endividamento anual é demasiadamente alto. É preciso reduzi-lo, mas como?

O problema é a política corrupta e a perda de moral cívica dos EUA. Um partido político, o Republicano, aposta em pouco mais do que reduzir os impostos, objetivo que coloca acima de qualquer outro. Os democratas têm um leque mais amplo de interesses, como o apoio ao serviço de saúde, a educação, a formação e a infraestrutura. Mas, como os republicanos, também estão interessados em presentear com profusão cortes de impostos para seus grandes contribuintes de campanha, entre os quais predominam os estadunidenses ricos.

O resultado é um paradoxo perigoso. O déficit orçamentário dos EUA é enorme e insustentável. Os pobres são espremidos pelos cortes nos programas sociais e um mercado de trabalho fraco. Um em cada oito estadunidenses depende de cartões de alimentação para comer. No entanto, apesar deste quadro, um partido político quer acabar com as receitas tributárias por completo, e o outro se vê arrastado facilmente, contra seus melhores instintos, na tentativa de manter contentes seus contribuintes ricos.

Este frenesi de cortes de impostos vem, incrivelmente, depois de três décadas de um regime tributário de elite nos EUA, que favoreceu os ricos e poderosos. Desde que Ronald Reagan assumiu a presidência em 1981, o sistema orçamentário dos Estados Unidos se orientou para apoiar a acumulação de uma imensa riqueza no topo da pirâmide da distribuição de renda. Surpreendentemente, o 1% mais rico dos lares estadunidenses tem agora um valor mais alto que o dos 90% que estão abaixo. A receita anual dos 12 mil lares mais ricos é maior que o dos 24 milhões de lares mais pobres.

O verdadeiro jogo do Partido Republicano é tratar de fixar em seu lugar essa vantagem de receitas e riquezas. Temem, corretamente, que cedo ou tarde todo o mundo comece a exigir que o déficit orçamentário seja atacado, em parte, elevando os impostos para os ricos. Depois de tudo o que ocorreu, os ricos vivem melhor do que nunca, enquanto que o resto da sociedade estadunidense está sofrendo. Tem todo sentido aplicar mais impostos aos mais ricos.

Os republicanos se propõem a evitar isso a qualquer custo. Até aqui tiveram êxito. Mas querem fazer com que sua vitória tática – que propõe o reestabelecimento das taxas tributárias anteriores a Bush por dois anos – seja seguida por uma vitória de longo prazo na próxima primavera. Seus líderes no Congresso já estão dizendo que vão cortar o gasto público a fim de começar a reduzir o déficit.

Ironicamente, há um âmbito onde certamente se justifica fazer grandes cortes orçamentários: as forças armadas. Mas esse é o tema que a maioria dos republicanos não vai tocar. Querem cortar o orçamento não mediante o fim da inútil guerra no Afeganistão e a eliminação dos sistemas de armas desnecessários, mas sim cortando recursos da educação, da saúde e de outros benefícios da classe pobre e trabalhadora.

Ao final, não creio que o consigam. No momento, a maioria dos estadunidenses parece estar de acordo com os argumentos republicanos de que é melhor diminuir o déficit orçamentário mediante cortes de gastos ao invés de aumento de impostos. No entanto, quando chegar a hora de fazer propostas orçamentárias reais, haverá uma reação cada vez maior.

Prevejo que, empurrados contra a parede, os estadunidenses pobres e da classe trabalhadora começarão a se manifestar por justiça social.
Isso pode levar tempo. O nível de corrupção política nos Estados Unidos é assombroso. Agora tudo gira em torno do dinheiro para as campanhas eleitorais que se tornaram incrivelmente caras. As eleições da metade do mandato tiveram um custo estimado de US$ 4,5 bilhões, e a maior parte desse dinheiro veio de grandes empresas e contribuintes ricos. Estas forças poderosas, muitas das quais operando de forma anônima sob as leis dos EUA, trabalham sem descanso para defender aqueles que se encontram no topo da pirâmide da riqueza.

Mas não nos equivoquemos: ambos partidos estão implicados. Já se fala que Obama vai arrecadar US$ 1 bilhão ou mais para sua campanha de reeleição. Esta soma não virá dos pobres.

O problema para os ricos é que, tirando os gastos militares, não há mais espaço para cortar o orçamento do que em áreas de apoio básico para a classe pobre e trabalhadora. Os EUA realmente vão cortar os auxílios de saúde e as aposentadorias? O orçamento será equilibrado reduzindo-se o gasto em educação, no momento que os estudantes dos EUA já estão sendo superados por seus colegas da Ásia? Os EUA vão, de fato, permitir que sua infraestrutura pública siga se deteriorando? Os ricos tratarão de impulsionar esse programa, mas ao final fracassarão.

Obama chegou a poder com a promessa de mudança. Até agora não fez nenhuma. Seu governo está cheio de banqueiros de Wall Street. Seus altos funcionários acabam indo se unir aos bancos, como fez recentemente seu diretor de orçamento, Peter Orszag. Está sempre disposto a atender os interesses dos ricos e poderosos, sem traçar uma linha na areia, sem limites ao “toma lá, dá cá”.

Se isso seguir assim, surgirá um terceiro partido, comprometido com a limpeza da política estadunidense e a restauração de uma medida de decência e justiça. Isso também levará um tempo. O sistema político está profundamente ligado aos dois partidos no poder. No entanto, o tempo da mudança virá. Os republicanos acreditam que têm a vantagem e podem seguir pervertendo o sistema para favorecer os ricos. Creio que os acontecimentos futuros demonstrarão o quanto estão equivocados.

(*) Jeffrey Sachs é professor de Economia e Diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia. Também é assessor especial do secretário geral das Nações Unidas sobre as Metas de Desenvolvimento do Milênio.

Traduzido do inglês para www.project-syndicate.org por David Meléndes Tormen.

Tradução para Carta Maior: Katarina Peixoto

Qual a novidade?

Da Agência Brasil

Pânico na TV é líder do ranking de baixaria elaborado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara



Brasília – O programa Pânico na TV, da RedeTV!, foi o líder do 18° Ranking da Baixaria na TV, um serviço da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. A lista dos programais mais denunciados tem, na sequência, os programas: Se liga Bocão, da TV Itapoan (afiliada da Rede Record de Televisão); Brasil Urgente, da RedeTV!; A Fazenda, da Rede Record; e Chumbo Grosso, da TV Goiânia (afiliada a Rede Bandeirantes).


No ano passado, o Pânico na TV ficou na terceira posição. O primeiro lugar foi do programa Big Brother Brasil, da Rede Globo, e o segundo, do Pegadinhas Picantes, do SBT.

O ranking aponta os cinco programas de televisão que mais se excederam com conteúdos de baixo calão. O balanço é feito a cada seis meses e leva em conta o número de reclamações feitas por telespectadores no site www.eticanatv.org.br ou pelo Disque Câmara (0800 619 619).


Desde 2010, foram feitas 892 denúncias de telespectadores. As reclamações mais comuns são quanto aos conteúdos de apelo sexual, incitação à violência, apologia ao crime, desrespeito aos valores éticos da família e preconceito.


A iniciativa é parte da campanha Quem financia a baixaria é contra a cidadania, uma parceria da Comissão de Direitos Humanos e Minorias com entidades da sociedade civil e tem como objetivo alertar as emissoras, os anunciantes, os telespectadores e o governo sobre os abusos e excessos na programação da televisão brasileira.


“Especialistas da campanha fazem um parecer sobre o conteúdo dos programas e encaminham para o Ministério Público, Ministério da Justiça, a emissora infratora e os anunciantes, para que sejam tomadas as providências. Em casos extremos, algumas emissoras são obrigadas a retirar o programa do ar, como, por exemplo, aconteceu com o programa Te vi na TV, do apresentador João Cleber, da emissora RedeTV!,” disse Augustino Pedro Veit, coordenador da campanha.

Cinema? Vá ao shopping!

A experiência de ir ao cinema sem ter que ir a um shopping center está rareando. As crianças de agora vão achar que sinônimo de cinema é shopping e vice-versa, sem ao menos conhecer um cinema "de rua".


Uma loja no lugar do cinema. Qual é mais lucrativo?


Da Folha.com



Após 68 anos, Belas Artes vai fechar as portas em São Paulo


O Belas Artes, um dos mais antigos cinemas de São Paulo, se prepara para as últimas sessões. No dia 30 de dezembro, uma notificação judicial avisou: o imóvel, na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, tem de ser entregue até fevereiro.


Veja fotos do cinema ao longo dos anos


Terminará, assim, uma história iniciada em 1943. Terminarão assim os "Noitões" que, nos últimos anos, chegaram a reunir, madrugada adentro, mil pessoas.


A ameaça de fechamento do cinema veio a público em março de 2010, quando o HSBC pôs fim ao patrocínio. André Sturm, o proprietário, começou então a bater à porta de algumas empresas, atrás de nova parceria.


Conversa daqui, conversa dali e, em novembro passado, foi acertado novo apoio. A minuta do contrato estava sendo finalizada quando veio a surpresa. "O proprietário disse que queria o imóvel de volta porque ia abrir uma loja lá", diz Sturm.


Sturm conta que havia se comprometido a pagar um novo valor de aluguel, de R$ 65 mil, assim que fechasse o patrocínio. "Tínhamos um acordo, mas ele não cumpriu", diz o dono do cinema.


Procurado, o proprietário do imóvel, Flávio Maluf (que não é filho de Paulo Maluf), não precisou sequer ouvir uma pergunta. A identificação da reportagem da Folha foi suficiente para que dissesse não ter nada a declarar.


"Ligue para o meu advogado", recomendou. Enquanto ditava nome e telefone, interrompeu a fala e perguntou: "Mas é a respeito do quê?". Informado, ensaiou uma explicação: "Perderam o prazo... Não tenho nada a declarar". O advogado não retornou as ligações.


Maluf passou a responder pelo imóvel há dois anos, quando seu pai morreu. "Venceu a visão mesquinha", diz Sturm.


Ontem, os 32 funcionários receberam o aviso prévio.

















Fachada do Cine Belas Artes, localizado na rua da Consolação, em São Paulo
Fachada do Cine Belas Artes, localizado na rua da Consolação, em São Paulo

ÚLTIMA FASE


Sturm assumiu o cinema em 2002, quando os antigos proprietários decretaram o negócio inviável. O espaço, de fato, estava com as instalações decadentes e a programação descaracterizada.


Vieram a seguir a sociedade com a O2, produtora do cineasta Fernando Meirelles e, em 2003, o apoio do HSBC.


A ameaça do fim, em 2010, fez com que, no ano passado, a cidade se mobilizasse para salvar o Belas Artes. A campanha tanto deu resultado que o patrocínio chegou.


Dentre as marcas que esta última fase deixará estão o "Noitão" e a longa permanência de alguns filmes.


Pelo menos quatro títulos ficaram mais de um ano em cartaz: "O Filho da Noiva", "Bicicletas de Belleville", "2046 - os Segredos do Amor" e "Medos Privados em Lugares Públicos".














Editoria de Arte/Folhapress












Editoria de Arte/Folhapress

CINEFILIA


A tradição cinéfila do espaço firmou-se na década de 70. O cinema pertencia ao grupo francês Gaumont que, além de exibidor e distribuidor, era produtor de cineastas autorais, como Fellini e Antonioni.


Na década de 80, foram muitos os cineastas brasileiros a escolher o Belas Artes como tela preferencial para suas estreias e foram muitos os espectadores a formar filas na Paulista, para conseguir um lugar nas sessões de "Daunbailó", de Jim Jarmusch, e "Terra dos Bravos", de Laurie Anderson.


Para evitar que toda essa memória se esvaia do dia para a noite, Sturm fará, a partir do dia 14, duas retrospectivas. Uma trará clássicos do cinema. Outra, clássicos do Belas Artes. E não é só: "Meu compromisso é abrir outro cinema do mesmo tipo. Já tenho lugares em vista."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Nem tudo é caos no ano novo

A amiga @carolinecabral nos mostra que nem toda forma de transporte esteve congestionada ou tomada pelo caos no ano novo. As fotos são da cidade paulista de Campos do Jordão.




[caption id="attachment_1085" align="aligncenter" width="1024" caption="Tudo são flores: caminho livre, rapidez e agilidade. Nada de caos para visitar Santo Antônio do Pinhal."][/caption]

Indo pelo ar, a tranquilidade é a mesma.




[caption id="attachment_1086" align="aligncenter" width="1024" caption="Do ar a situação é calma também. Não há filas e nem atrasos nos voos."][/caption]

Vai viajar? Mande imagens sobre o seu meio de transporte!

Sob as sombras

Do Estadão.com.br



Novas estações da Linha Amarela do Metrô seguem sem data de abertura


Desde 2001, governo estadual divulgou oito prazos para conclusão da primeira fase da Linha 4


SÃO PAULO - Mais de sete meses após a inauguração de duas estações - Faria Lima e Paulista - da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, continua sem data definida a abertura de outras quatro paradas (Butantã, Pinheiros, República e Luz) que possibilitarão a conclusão da primeira fase das obras. O novo secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou, ao assumir o mandato, no último dia 1°, que a entrega das estações restantes fica para "até o fim de 2011", embora tenha dito que não "gostaria de precisar esperar até lá". É a oitava data divulgada pelo governo do Estado desde 2001, quando foram abertas as licitações para a construção da linha. As sete anteriores não foram cumpridas. Até agora, mais de R$ 2,3 bilhões já foram investidos nas obras.




Veja também:


especialLinha do tempo: Atrasos da Linha 4


linkTecnologias prometidas não funcionam



Além da falta de prazo, o trajeto já aberto ainda não dispõe de tecnologias prometidas para a Linha 4, considerada uma das mais modernas do mundo. O sinal de antena para celulares, presente em todas as outras linhas, ainda não começou a funcionar. Também não há prazo para as estações ganharem rede Wi-Fi (internet sem fio de livre acesso, presente em aeroportos, shoppings, hotéis e outros), como chegou a ser prometido ao longo da construção. As modernas escadas rolantes, que dispõem de um sistema de economia de energia automático, reduzindo a velocidade em caso de baixo movimento, ficam subutilizadas durante vários minutos ao longo do pequeno horário de funcionamento.


Segundo o Metrô, "a entrega (das demais estações da primeira fase) depende da conclusão bem sucedida de uma série de complexos e exaustivos protocolos de testes". A previsão, por enquanto, se restringe aos "próximos meses". Primeiramente, devem ser entregues Butantã e Pinheiros, cujas obras de engenharia já foram concluídas.


Quanto às demais estações (Fradique Coutinho, Oscar Freire, Higienópolis, Morumbi e Vila Sônia), um documento de prestação de contas da Secretaria de Transportes Metropolitanos, do fim do ano passado, trouxe a data de 2012, sem especificar o mês, para a abertura. Mas o próprio Metrô, no ano passado, falou em 2013. As obras para esta fase, que incluem um túnel para manobra de trens e a finalização das estações, se encontram em fase de início e preveem investimentos de mais US$ 344 milhões.


No fim do ano passado, segundo um engenheiro que participou dos ensaios nas estações que passam pelos testes, os protocolos envolveram ensaios de abertura e fechamento do sistema de portas de plataforma, que em algumas estações apresentou problemas pontuais. De acordo com ele, "fazem-se mil paradas" dos trens nas plataformas, por exemplo. Destas, as composições devem se alinhar com precisão milimétrica às portas em "997 ou 998 vezes, no mínimo."


Caso pequenos ajustes sejam necessários, o protocolo deve ser repetido até que haja a certeza plena do funcionamento perfeito, conta ele. Assim também ocorre com sistemas de sinalização, comunicação e com o desempenho dos próprios trens, em itens como frenagem, aceleração, ar condicionado, etc. "São dezenas de itens testados exaustivamente", diz.

Bike Tour: a novela continua

Sobre o vazamento de dados de inscritos no Bike Tour na internet.


Por Bruna


"Os dados são do evento deste ano mesmo, pois participei no ano passado e coloquei o número da minha inscrição e apareceu o nome de outra pessoa…Ou seja, os dados são atuais!


Eu tb tentei me inscrever por horas e horas e mesmo com o cartão do BikeTour, NADA. Nenhuma vantagem! E o pior: no dia 17/12 enviaram o tal boletim no meu e-mail e olha o que ele dizia:


“ABERTURA DE INSCRIÇÕES


20:30h do dia 31 de Dezembro – 80% das inscrições para possuidores mybiketour card;


00:00h do dia 01 de Janeiro – 20% das inscrições para público em geral.


inscrições serão colocadas a venda, exclusivamente através do site: http://www.worldbiketour.net


Exclusivamente num site que estava fora do ar!!!!!!! E quem conseguiu se inscrever deu sorte de encontrar um outro link que não foi divulgado!!!! ABSURDO!!!


BIG FAIL!!!!


Vergonhoso!!!"

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Bike Tour: dados de inscritos vazam na internet

Os dados daqueles que se inscreveram estão disponíveis publicamente na Internet. Entre eles: nome completo, RG, CPF, email, endereço e telefone.


O site https://inscriptions.worldbiketour.net/saopaulo2010/finalizar.php?id=, acrescido de um número de quatro dígitos ao final revela os dados de determinado usuário. A página faz referência a 2010, supostamente remetendo ao evento do ano passado.


A informação é do usuário @BikeTourFail e a dica de Raphael Alves.

Secretario dos Transportes zomba de nós

Dica de @dcemack


Você, usuário de transporte público em São Paulo, de cujo bolso sairá três reais a cada vez que entrar naquelas latas de sardinha, fedorentas, que alguns chamam de ônibus, foi ultrajado. Marcelo Branco, secretario dos Transportes do desgoverno paulistano, riu de nós. Veja logo abaixo e reflita.


De O Globo




[caption id="attachment_1066" align="aligncenter" width="640" caption="Coitado: ele entende que é deficitário, mas se está 'satisfatório', por que mudar, não é verdade?"][/caption]

Se você está satisfeito, secretário, eu não estou e garanto que 98% também não estão. Se tudo é tão bom por que não pega sua turma e vai trabalhar de ônibus?

Vamos fazer uma pesquisa de satisfação?

Vergonha é ter um homem desses na ativa

Da Folha. Clique aqui para ler o que foi dito no Conversa Afiada



Para Chefe da Segurança Institucional, não é vergonha existir desaparecidos políticos




O novo chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República, general José Elito Siqueira, afirmou hoje, após tomar posse no Palácio do Planalto, que a existência de desaparecidos políticos durante a ditadura militar (1964-1985) não deve ser motivo de vergonha nem de vanglorização, mas tratado como "fato histórico".


"Nós temos que ver o 31 de março de 1964 como dado histórico de nação, seja com prós e contras, mas como dado histórico de nação. Da mesma forma, os desaparecidos são história da nação, que nós não temos que nos envergonhar ou nos vangloriar. Nós temos que enfrentar, discutir, estudar como fato histórico", afirmou o general, em entrevista após receber os cumprimentos de cerca de 300 militares do Exército, Marinha e Aeronáutica.


Defendendo um "olhar para a frente", Elito Siqueira se mostrou contrário à criação de uma Comissão da Verdade, como defende a nova secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário.


O governo enviou ao Congresso, em 2010, um projeto de lei que cria a comissão da verdade, "com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas" e "promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior".


SITUAÇÕES ISOLADAS


O general chamou de "situações isoladas do passado" os alvos de uma eventual Comissão da Verdade: o esclarecimento de episódios de torturas e desaparecimentos.


"Temos é que pensar pra frente, na melhoria do nosso país para as nossas gerações, e podemos estar perdendo tempo, espaço, velocidade se ficarmos sendo pontuais em situações isoladas do passado", afirmou.


O comandante do Exército, general Enzo Peri, presente à cerimônia de transmissão do cargo a Elito pelo general Jorge Armando Félix, também se mostrou contrário à criação da Comissão da Verdade, mas foi mais econômico nas palavras.


"Temos que construir o futuro, o importante é isso, não é isso?"


José Elito Siqueira negou que haja conflito entre os setores militar e de direitos humanos e, apesar de sua posição pessoal em relação a uma eventual investigação oficial sobre episódios do regime militar, afirmou que os militares são funcionários do Estado e que, portanto, as determinações do governo serão cumpridas.


"Nós somos funcionários de Estado. O que o Estado determinar, cabe a nós, funcionários do Estado, cumprir. Vamos fazer com a maior das boas intenções, porque todos nós vamos agir em benefício da nação", afirmou.







segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sobre o Bolsa Família

Trabalho longo, complexo e, acima de tudo, humano. Retirado do Maria Frô. É longo, mas a leitura completa vale à pena.


Bolsa-Família: Efeitos Colaterais


Por: Daniel Jorge Caetano em seu blog


28/09/2010


Não gosto muito de tratar assuntos políticos aqui; a razão para isso é que gosto de estimular a reflexão sobre o que observo no dia-a-dia e, acredito, falar sobre política sai um pouco desta linha, dado que nela o mote principal não é a razão e reflexão, mas a negociação de interesses.


Vou abrir uma exceção desta vez, devido a uma conversa que ouvi ontem.
Conversavam sobre a ineficiência, ineficácia do “bolsa-esmola” e toda a falácia que supostamente cerca o referido programa (positivas e negativas). O que me permite abrir essa exceção é o fato de que todos os candidatos parecem estar apoiando esta iniciativa – ainda que, em alguns casos, esse apoio seja motivo de riso para muitos.


Sou uma pessoa técnica, não gosto de fazer política. Minha experiência no campo político me proporcionou muita angustia pessoal; foi quando descobri que não tenho fígado para isso1. Assim, há algum tempo, seguindo a minha visão técnica e sem conhecer muita coisa da realidade brasileira, eu questionava muito o tal do Bolsa Família; em especial, quanto à sua eficácia.



Avaliando superficialmente, o Bolsa Família é “um programa assistencialista e populista, uma forma legal de compra de votos”, como ouvi alguém colocar.


Não há como negar que é possível – e alguns diriam provável – que essa é a índole do programa, isto é, que essa é a motivação primordial por trás do programa. Por outro lado, vem a dúvida: será que esta é a característica mais relevante em uma análise mais ampla?


Depois de viajar pelo interior do Brasil, por lugares como o Vale do Jequitinhonha no norte de Minas Gerais ou o interior da Bahia, regiões extremamente mais pobres que a em que vivo – São Paulo -, conversar com os habitantes destes lugares e ouvir da boca deles como a vida da comunidade melhorou (e não apenas das famílias diretamente beneficiadas pelo programa), me convenci que a avaliação ”rasa” do programa era falha, e comecei a procurar entender melhor suas consequências.


A conclusão a que cheguei é que ele tem efeitos muito mais relevantes do que aqueles normalmente explicitados. Aqueles que consideram que se trata apenas de um programa eleitoreiro, podem considerar que esses “efeitos”, na verdade, são apenas “efeitos colaterais”. Mas isso não invalida, de forma alguma, as conclusões sobre a validade do programa.


Antes de mais nada, gostaria de dizer que, me parece, o segredo por trás do sucesso do programa é o valor que foi definido para a bolsa, além dos critérios para sua concessão. Os critérios são relevantes, mas dependem de controle – algo difícil de se conseguir, dada a amplitude de programa. O valor da bolsa, entretanto, tem um efeito auto-regulador interessante, que dispensa controle ativo.


Que efeito auto-regulador é esse? É o efeito de ser uma bolsa de um valor alto o suficiente para permitir que as famílias saiam da miséria absoluta, mas baixo o suficiente para que, assim que a situação melhora, seja para a pessoa ou para a comunidade em que ela vive, a bolsa se torna desprezível.


Para entender essa afirmação, é preciso avaliar os efeitos todos do programa, o que tentarei apresentar em diversos níveis, sempre com foco nos benefícios sociais que ele proporciona (e não nos ganhos políticos decorrentes).



Efeitos de Primeira Ordem


Os efeitos de primeira ordem são aqueles diretos, ou seja, uma melhoria da qualidade de vida dos mais miseráveis. Em tese, os beneficiários diretos são apenas as famílias que recebem a bolsa e é este tipo de efeito que leva a uma definição, talvez precipitada, de que se trata de um programa ”populista e eleitoreiro”.2



Efeitos de Segunda Ordem


Os efeitos de segunda ordem são aqueles observados na sociedade, em um curto intervalo de tempo, após a implementação do programa.



Na economia


As pessoas que recebem o bolsa família tem, proporcionalmente, um grande aumento em seu poder de compra; essas pessoas, entretanto, não estão em um patamar de consumo em que aumentar o poder de compra significa comprar supérfluos (celulares, carros etc.), mas sim em um patamar onde existe necessidade reprimida por alimentos e insumos básicos para a vida digna (água, limpeza, material escolar, dentre outros).



Como a maioria destas pessoas vivem em lugares muito pobres3, estes produtos, em geral, não são adquiridos em grandes supermercados, mas em pequenas vendas e pequenos comércios locais.


Ora, a “vendinha” da esquina, ao ganhar novos consumidores e ter um aumento substancial do consumo, pode crescer. Se cresce, não apenas pode vir a gerar empregos, mas também movimenta a economia local: o dono da vendinha e seus funcionários também vão comprar em outras lojas.


Adicionalmente, o dono da vendinha tem como negócio o comércio, ou seja, ele não produz o que vende. Se aumentou a venda, ele tem que comprar mais.
Isso movimenta a agricultura e produção local e, em estágios mais avançados, até mesmo aumenta o consumo em outros mercados, de onde o dono da vedinha tem que ir buscar produtos, “na cidade grande”. Em outras palavras, trata-se do surgimento de novos mercados produtores e consumidores, possibilitando inclusive a indução de emprego e melhoria das condições de vida em outras regiões.


Além do efeito óbvio que isso tem para o aumento da qualidade de vida local, a maior parte dessas operações geram impostos para o governo e, embora seja difícil precisar o valor que “volta” para o governo de cada Real gasto com o Bolsa Família, o certo é que uma parte volta. Como são mercados novos, isso significa que o imposto que volta tem o efeito de diminuir o custo do programa, o que para o governo – e para o povo que o financia – é ótimo.


Agora, uma outra coisa que acontece com o aquecimento da economia local é, em geral, uma inflação local. É comum que nas regiões mais pobres tudo custe muito barato, porque as pessoas não têm dinheiro para consumir. Com o dinheiro e a melhoria inicial das condições de vida das pessoas, ocorre um aumento do consumo e, com isso, é normal que exista uma pequena inflação local. Bizarramente, isso é positivo, proporcionando um dos instrumentos de auto-regulação do benefício.


Quando alguém diz que “o cara vai receber a bolsa e não vai mais querer trabalhar”, está ignorando que a economia é dinâmica: com a inflação local  e o aumento do seu padrão de consumo, o poder de compra da bolsa para uma dada família vai cair com o tempo. Como o indivíduo pode trabalhar e receber a bolsa, com o tempo se torna mais interessante manter o emprego - que com o aquecimento da economia local tende a pagar melhor – do que a manutenção da bolsa – que tem valor fixo nacionalmente, não levando em conta as questões locais.


Isso pode acabar se tornando um caminho natural para a “porta de saída” da bolsa, depois de ter estimulado o desenvolvimento local.4



Na política


Uma consquência curiosa – e que só me atentei para ela conversando com pessoas de local onde o coronelismo era muito forte – é que o Bolsa Família tirou poder das oligarquias locais, vulgarmente conhecidas como ”famílias de coronéis”.


Historicamente estas famílias dominavam a política local através da compra do voto com coisas pequenas e baratas: pares de chinelos, sacos de farinha, coisas que não lhes custavam nada, mas que lhes permitiam governar uma cidade ou estado, receber verbas federais e desviar recursos à vontade, pois o povo – mantido ignorante e necessitado – via neles salvadores que lhes permitiam beber água da chuva – captada em um açude construído em propriedade particular de político, usando verba pública – a um pequeno custo… ou até mesmo de graça… “como é bom nosso governante!”


Obviamente este problema não acabou com o Bolsa Família, mas aparentemente vem se reduzindo. A razão para isso é que, com aquela pequena ajuda, nestes locais muito pobres onde se comprava um voto com um par de chinelos, as pessoas não têm mais interesse em vender seus votos por essas coisas – agora elas conseguem comprar o saco de farinha, sem precisar implorar ou trocar favores – ou seja, sobrevivem de maneira mais digna.


Assim, comprar o voto tornou-se uma prática naturalmente mais cara – ou seja, o Bolsa Família inflacionou a compra de votos, dificultando ou até mesmo impossibilitando a prática. Com isso, abre-se espaço para uma possível diversificação no espectro político em várias localidades. Surgem novas lideranças locais, municipais, mudando a dinâmica política da região.


Ainda que isso pareça um pouco distante, de médio prazo ao menos, novas lideranças locais têm assumido no lugar de velhas famílias oligárquicas em muitos lugares, o que pode ter como um de seus fatores de influência justamente o Bolsa Família (embora dificilmente seja o único, é claro!)


Alguns podem alegar que deixou-se de vender votos localmente para se vender nacionalmente, uma vez que com o benefício o governo federal estaria comprando votos também. Mas é questionável a validade de se falar em um “coronelismo federal”, dada o baixo contato entre povo e governo federal.5



Na educação


Como o foco do Bolsa Família é na alimentação (faz parte do Programa Fome Zero) e a concessão da Bolsa exige a presença das crianças na escola6, ele contribui para uma melhoria na educação, embora não a garanta.


A combinação da presença e alimentação é importante porque ninguém aprende nada sem ir para a escola e, mesmo indo, não aprende se estiver com fome.
Os efeitos da desnutrição na capacidade de aprendizado são vastos.


Infelizmente isso não é garantia, porque a educação básica em nosso país ainda é extremamente deficiente e, até o momento, por ser competência estadual e municipal, não há nada que o Governo Federal possa fazer a respeito.7




Na saúde


Outra exigência para a concessão da Bolsa são os cuidados com a saúde da criança, regulamentado como exigência de vacinação, por exemplo. Bem alimentada e com orientações mínimas, as pessoas se mantém mais saudáveis e dependem menos do deficiente sistema público de saúde. Isso leva também a uma vida mais digna e traz mais motivação às pessoas.




Efeitos de Terceira Ordem


Os efeitos de terceira ordem são aqueles que decorrem da combinação dos efeitos de segunda ordem, além da universalização destes efeitos com o passar do tempo. Analisarei alguns deles.



Na sociedade


Com todos os efeitos de segunda ordem citados, em especial a geração de condições de vida mais dignas nos mercados locais – dado o seu desenvolvimento -, ocorre a formação de uma consciência de cultura local e, também, a fixação das pessoas onde elas estão, gerando novos pólos de desenvolvimento, produção e consumo.


Essa fixação é fundamental, uma vez que os grandes centros atuais não comportam mais crescimento populacional, já vivendo em uma condição de esgotamento de recursos (congestionamentos, falta de água, alto custo da alimentação, poluição, etc).


Fixando as pessoas em seu local de origem proporciona uma sociedade melhor distribuída, tornando a ocupação e o desenvolvimento nacional menos desigual, possibilitando acesso melhor distribuído aos recursos naturais de todas as regiões do país.



Na política


Com o passar do tempo, as novas lideranças locais podem ser tornar novas lideranças regionais ou até mesmo nacionais. Essa renovação nas lideranças políticas é saudável para a democracia, proporcionando seu amadurecimento.8



Na educação


Um efeito já apontado em algumas análises é que, à medida que as condições de vida das pessoas melhoram, com um crescimento do rendimento per-capita, quando a renda do Bolsa Família passa a não se mais tão importante na alimentação – mas ainda antes de se tornar dispensável -, ela passa a ser utilizada na aquisição de livros e material escolar.


Este efeito, já constatado em alguns locais9, proporciona, juntamente com outros fatores de segunda ordem, um grande ganho na capacidade de aprendizado dos estudantes, contribuindo para a formação de gerações mais formalmente educadas.



Na saúde


Com alimentação, estudo e cuidados médicos básicos, temos um povo mais saudável; e um povo mais saudável é mais feliz, produz melhor e consome mais. Isso tudo já é ótimo para a nação.


Mais que isso, entretanto, os efeitos de longo prazo de políticas da mudança da cultura da população mais pobre – proporcionadas pelas exigências de concessão de bolsas do Bolsa Família -, podem formar gerações não apenas mais saudáveis, mas mais conscientes de sua própria saúde. E pessoas mais conscientes de sua saúde, em geral, cuidam dela, em um nível muito mais alto, como melhor alimentação, atividades físicas etc.



Efeitos de Quarta Ordem


Os efeitos de quarta ordem são os benefícios intrínsecos da universalização dos efeitos de terceira ordem. Os que imagino mais imediatos são três.


O primeiro é a influência de todos estes fatores nos gastos públicos com saúde. Esta área pode se beneficiar extremamente de uma população mais saudável e bem educada, tanto no aspecto financeiro – menos gastos com saúde pública – quando econômico – com um menor número de pessoas solicitando o sistema público de saúde, aqueles que o solicitam podem ser melhor atendidos, com um investimento público potencialmente menor.


O segundo é que, com uma melhor educação, obviamente combinadas com outras políticas que venham melhorar a cultura dos alunos, teremos uma população mais culta, capaz de escolher melhor seus representantes políticos, buscando um equilíbrio entre renovação e experiência, rumando cada vez mais em direção a uma democracia madura.


O terceiro é a influência de tudo isso nos gastos públicos com o próprio programa. Uma vez que a nossa população já ruma para uma estabilidade numérica e, com essa população cada vez mais educada, saudável e consciente, o número de famílias que precisam do Bolsa Família tende a ser cada vez menor.10



Pontos negativos


Nem tudo são flores, no entanto. Como estes efeitos só podem ser observados com a presença do programa em todo o país, os números de beneficiários são extremamente altos e, assim, o controle dos parâmetros de concessão ficam prejudicados. É praticamente impossível fazer um controle rígido sem que os custos do programa crescam demasiadamente.


Ainda que evidentemente ocorram desvios – devido ao controle precário -, é bastante possível que estes desvios representem um valor financeiro bastante inferior ao custo que teria um controle mais apurado. Esta afirmação não vem meramente de uma eventual fiscalização ter um custo alto, mas também do fato que os valores movimentados individualmente são muito baixos. Para que quantias grandes sejam de fato desviadas, grandes esquemas precisam ser armados.


Contra “grandes esquemas”, mesmo um controle menos sofisticado pode ser capaz de detectá-lo e, convém lembrar, principalmente na hipótese de ”programa eleitoreiro para compra de votos” – como dizem alguns -, o governo seria o menor interessado em que exista desvio desta verba específica.


Adicionalmente, tanto o cadastro quanto o controle atuais são feitos pelos estados e municípios, que em grande parte não estão nas mãos dos mesmos partidos que o governo federal, o que dificulta ainda mais a formação de grandes esquemas sem que ninguém tenha conhecimento.


Moral da história: se ocorre desvio, é com o consentimento de todos; isso não torna a preocupação com os desvios menos importante, mas não serve de munição eleitoral contra o programa em si.



Conclusões


Diante do apresentado, afirmar simplesmente que se trata de um programa de esmolas é limitar demais o escopo de um programa que, sendo implantado de maneira generalizada como foi, pode trazer enormes transformações para um país – e, dentro de certos limites, já me parece estar trazendo, ainda que eles sejam pouco visíveis aqui em São Paulo.11


O conjunto de efeitos que o programa traz consigo, cada um deles potencializando fatores fundamentais para o desenvolvimento do país em todos os níveis humanos, aliado ao seu custo relativamente baixo aos cofres públicos, tornam o Bolsa Família não apenas um programa de sucesso momentâneo, mas também uma proposta de estratégia de médio e longo prazo que tem, no meu entender, boas chances de, em conjunto com outras políticas, modificar positivamente a sociedade brasileira.


No fim, fica até difícil dizer qual é o efeito colateral. Seria um programa “populista e eleitoreiro” que, por acaso, melhora a condição de vida da sociedade como um todo, ou será que é um programa que, por melhorar a condição de vida da sociedade, torna-se popular e com dividendos eleitorais óbvios?



Quando ainda não observaram como isso é bom para a vida de todos, alguns dizem que nós não temos que pagar (através dos impostos) um programa como esse, observando apenas os aspectos dos dividendos eleitorais.


Entretanto, esta visão é simplesmente um reflexo da educação míope que nos foi imposta. Fomos educados de maneira bizarra, do ponto de vista social, ensinados que o importante é acumular e, portanto, dividir é mau.


A questão é que muitas vezes é preciso dividir para somar12, ainda que a nossa criação – que define nossos preconceitos e medos – possa tornar dificultosa esta percepção. Nos limitamos a analisar os efeitos diretos, de curto prazo, de primeira ordem.


Porém, é preciso ir além. Desprezar efeitos de ordens superiores pode ser desastroso quando o propósito é planejar o futuro de uma nação.





(1) Um dia eu falo mais sobre isso e, claro, explico a minha visão política. Resumidamente é isso: assuntos técnicos são importantes demais para deixar na mão de políticos e assuntos políticos são importantes demais para serem deixados nas mãos de técnicos. Cada macaco no seu galho.

(2) Em todo caso, no meu entender, é desumano dizer simplesmente que “não temos que pagar por isso”. Quem decidiu isso foi um governo democraticamente eleito pela maioria. Dizer que “não temos” que pagar (através dos impostos) os custos de uma política social do governo, é uma desrespeito ao poder democraticamente concedido. Democracia é o poder da maioria das pessoas (demos, povo), não de quem tem a maioria do dinheiro.

(3) Nos grandes centros, o valor da bolsa não tem grandes efeitos, dado o alto custo de vida.

(4) É claro que vão existir aqueles que são, sim, vagabundos e vão ficar apenas com a bolsa… mas cedo aprendi que não adianta ajudar quem não quer ser ajudado; isso não significa, porém, que não devemos de ajudar àqueles que precisam e querem ajuda, com a justificativa de existem pessoas que não querem a ajuda.

(5) Ainda que aparente uma roupagem de falta de ética, não se faz política de outra forma que não negociando benefícios a determinados grupos. E negociar com base em benefícios ao povo é tão legítimo como negociar com base em benefícios para grandes grupos estrangeiros. A escolha do grupo que o governo pretende beneficiar depende meramente do retorno que ele espera obter.

(6) Cconforme artigo 3o. da Lei No. 10.836 de 9 de Janeiro de 2004.

(7) Além de propiciar vagas em excesso nas universidades, possibilitando baixo custo do ensino superior mesmo para pessoas com deficiências de formação básica. Infelizmente isso é uma medida de curto prazo para minimizar o problema, uma vez que não há como resolver de maneira ideal a situação de centenas de milhares de brasileiros que já perderam anos e anos de sua vida em uma educação básica absolutamente inadequada e ineficiente.

(8) “Alternância de poder” não é um termo de que eu goste, por que em geral leva a uma noção errada de troca entre esquerda e direita; não acho que uma nação precise passar um tempo andando para um lado e depois passar igual período de tempo andando para outro, pouco saindo do lugar, isto é, pouco indo adiante. Mais importante do que alternância de poder entre orientações políticas diferentes é a evolução da cultura política e dos políticos. Neste sentido, a chave para a evolução da democracia são novas lideranças, mais ligadas às necessidades do futuro que aos vícios do passado, sem desprezo do valor da experiência dos políticos mais velhos.

(9) O Google é seu amigo.

(10) Como alguém já comentou, é desnecessário aumentar em demasia o programa Bolsa Família (dobrá-lo, por exemplo), porque seria um contra-senso diante de todo o exposto aqui; para que fosse razoável dobrá-lo, seria necessário que se aumentasse a pobreza e a miséria do país, que é justamente o que se pretende com o programa. Se isso acontecesse, isto é, se a pobreza e miséria aumentasse mesmo com o programa já existente, isso significaria que o programa não funciona e, portanto, também não precisaria ser aumentado. Ainda que no curto prazo talvez possam ser necessários ajustes, com um leve aumento no número de bolsas concedidas, a tendência do programa Bolsa Família deve ser apenas a de queda neste número, ao menos quando se considera um horizonte de 5 a 10 anos.

(11) Aliás, diante da exposição deste texto, a “invisibilidade” das melhorias do Bolsa Família aqui em São Paulo já devem ser óbvias, dado o alto custo de vida. Isso para não falar que o governo do estado de São Paulo e, em especial, a Prefeitura do Município de São Paulo não foram capazes de – ou não se interessaram em – organizar a estrutura necessária para a criação do cadastro de requerentes e o órgão de controle do Bolsa Família por aqui.


(12) Algo tão óbvio quanto dizer que é preciso investir para poder ter lucro.