terça-feira, 29 de março de 2011
Jair Bolsonaro: vergonha de existir
domingo, 13 de março de 2011
Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA se demite
Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA se demite
Por Susan Cornwell
WASHINGTON (Reuters) - O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, P.J. Crowley, demitiu-se no domingo depois que foi revelado que ele chamou o tratamento dado pelo Pentágono a um soldado dos EUA acusado de vazamento de documentos secretos ao site Wikileaks de "estúpido" e "ridículo."
A secretária de Estado Hillary Clinton disse em nota oficial que aceitou a demissão de P.J. Crowley com "pesar." Ele serviu como secretário-assistente do departamento de Relações Públicas e porta-voz chefe.
Crowley disse em nota que apresentou a sua demissão "dado o impacto das minhas observações, pelas quais assumo total responsabilidade." Sua demissão ocorreu dois dias depois que o presidente dos EUA, Barack Obama, foi questionado sobre as declarações de Crowley durante uma entrevista coletiva televisionada.
Um correspondente da BBC informou na semana passada que Crowley, coronel da reserva da Força Aérea, disse a uma pequena platéia em uma universidade de Massachusetts que o tratamento dado ao ex-analista de inteligência Bradley Manning "é ridículo, contraproducente e estúpido".
Manning, 23, está preso em uma base da Marinha no Estado da Virgínia e ficará detido durante a investigação das acusações de que ele teria vazado documentos quando servia no Iraque. Seus advogados disseram que ele está sendo maltratado na prisão militar.
Mantido sozinho em sua cela 23 horas por dia, Manning é obrigado a dormir nu e é acordado várias vezes durante a noite para garantir que está a salvo, segundo o Pentágono.
A publicação no site WikiLeaks dos documentos que Manning teria vazado foi um duro golpe para a diplomacia dos EUA, uma vez que aliados e adversários do país aparecem sendo ridicularizados ou criticados em comunicações diplomáticas secretas.
Em seu comunicado de domingo, Crowley disse que a divulgação não autorizada de informação confidencial é um "crime grave nos termos da lei dos EUA."
"Meus comentários recentes sobre as condições da prisão preventiva do soldado Bradley Manning tinham a intenção de destacar o impacto mais amplo, até mesmo estratégico de ações realizadas por agências de segurança nacionais todos os dias e seu impacto em nossa posição e liderança mundial," disse Crowley.
"O exercício do poder nos tempos desafiadores de hoje e com o ambiente sem trégua da mídia precisa ser prudente e coerente com nossas leis e valores".
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Vergonha é ter um homem desses na ativa
Da Folha. Clique aqui para ler o que foi dito no Conversa Afiada
Para Chefe da Segurança Institucional, não é vergonha existir desaparecidos políticos
O novo chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República, general José Elito Siqueira, afirmou hoje, após tomar posse no Palácio do Planalto, que a existência de desaparecidos políticos durante a ditadura militar (1964-1985) não deve ser motivo de vergonha nem de vanglorização, mas tratado como "fato histórico".
"Nós temos que ver o 31 de março de 1964 como dado histórico de nação, seja com prós e contras, mas como dado histórico de nação. Da mesma forma, os desaparecidos são história da nação, que nós não temos que nos envergonhar ou nos vangloriar. Nós temos que enfrentar, discutir, estudar como fato histórico", afirmou o general, em entrevista após receber os cumprimentos de cerca de 300 militares do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Defendendo um "olhar para a frente", Elito Siqueira se mostrou contrário à criação de uma Comissão da Verdade, como defende a nova secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário.
O governo enviou ao Congresso, em 2010, um projeto de lei que cria a comissão da verdade, "com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas" e "promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior".
SITUAÇÕES ISOLADAS
O general chamou de "situações isoladas do passado" os alvos de uma eventual Comissão da Verdade: o esclarecimento de episódios de torturas e desaparecimentos.
"Temos é que pensar pra frente, na melhoria do nosso país para as nossas gerações, e podemos estar perdendo tempo, espaço, velocidade se ficarmos sendo pontuais em situações isoladas do passado", afirmou.
O comandante do Exército, general Enzo Peri, presente à cerimônia de transmissão do cargo a Elito pelo general Jorge Armando Félix, também se mostrou contrário à criação da Comissão da Verdade, mas foi mais econômico nas palavras.
"Temos que construir o futuro, o importante é isso, não é isso?"
José Elito Siqueira negou que haja conflito entre os setores militar e de direitos humanos e, apesar de sua posição pessoal em relação a uma eventual investigação oficial sobre episódios do regime militar, afirmou que os militares são funcionários do Estado e que, portanto, as determinações do governo serão cumpridas.
"Nós somos funcionários de Estado. O que o Estado determinar, cabe a nós, funcionários do Estado, cumprir. Vamos fazer com a maior das boas intenções, porque todos nós vamos agir em benefício da nação", afirmou.