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terça-feira, 3 de maio de 2011

Osama morto é irrelevante

Dica do Prof. Toni por email


O veterano jornalista Robert Fisk, que entrevistou Osama Bin Laden em três ocasiões, disse que a notícia da morte de Bin Laden é muito menos importante que os levantamentos populares que acontecem no mundo árabe.


Por Redação [02.05.2011 10h50]


O veterano jornalista Robert Fisk, que entrevistou Osama Bin Laden em três ocasiões, disse que a notícia da morte de Bin Laden é muito menos importante que os levantamentos populares que acontecem no mundo árabe. “Já venho dizendo há algum tempo que acho o fato de ele estar ou não estar morto bem irrelevante”, diz o correspondente do jornal inglês The Independent no Oriente Médio. “Ele fundou a Al Qaeda e essa foi, a seus olhos, sua realização”.


O premiado jornalista diz que Osama Bin Laden não estava em condições de realmente dirigir operações da Al Qaeda. “Ele não estava sentado numa caverna com teclas de computador e dizendo 'aperte o botão B, é a operação 52'”, diz Robert Fisk.


Fisk, que ultimamente esteve noticiando os acontecimentos na Síria, diz que o mundo mudou de várias formas desde o 11 de setembro. “Nos últimos meses vimos um despertar árabe no qual milhões de árabes muçulmanos derrubaram suas próprias lideranças”, ele diz.


“Bin Laden sempre quis acabar com Mubarak e Ben Ali e Kaddafi e os demais, argumentando que eles eram infiéis que serviam à América e, na realidade, foram milhões de pessoas comuns que, pacificamente — bem, mais ou menos, e com certeza no caso da Tunísia e do Egito — , se livraram deles. Bin Laden não, ele fracassou nessa tarefa”.


“Você tem que se lembrar que esses regimes sempre disseram aos americanos: 'continuem nos apoiando, porque senão a Al Qaeda toma o poder' — e na verdade a Al Qaeda não tomou poder nenhum”.


É interessante que, depois da derrubada de Mubarak, a primeira coisa que se ouviu da Al Qaeda, uma semana depois, foi um chamado para a derrubada de Mubarak, uma semana depois que ele havia caído. Foi patético”.


Fisk diz que as comemorações da morte de Bin Laden nos Estados Unidos são insignificantes. “Acho que Osama Bin Laden perdeu a relevância há muito tempo, na verdade. Se eles tivessem matado Bin Laden um ou dois anos depois do 11 de setembro, uma parte dessa bateção no peito poderia ter tido alguma relevância. Esses punhos no ar nos Estados Unidos, celebrando vitória, são boas imagens, mas acredito que elas não significam nada”, diz ele.


“O fato real que temos no mundo hoje, o que é importante, é um levante de massas e um despertar de milhões de árabes muçulmanos para derrubar ditadores”.


Robert Fisk diz que esses levantes são “muito, muito mais importantes que um homem de meia-idade sendo morto no Paquistão”.


Original: http://www.abc.net.au/local/stories/2011/05/02/3205479.htm.
Tradução de Idelber Avelar. Foto por http://www.flickr.com/photos/nycmarines/.
Fonte: http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9260

segunda-feira, 28 de março de 2011

Os guardiões da democracia

Ou melhor: os carniceiros da democracia.

Da Folha

Revista denuncia assassinato e mutilação de civis por soldados dos EUA





Em meio à guerra contra o grupo islâmico Taleban, um comando de infantaria das Forças Armadas americanas cometeu atrocidades contra civis, assassinando crianças, mutilando corpos e exibindo suas ações em fotografias. A denúncia foi feita pela revista "Rolling Stone", em reportagem divulgada neste domingo em seu site.


Leia o artigo, em inglês, no site da revista


Os crimes teriam sido cometidos pelos homens do 3º Pelotão da Companhia Bravo, alocada na província afegã de Kandahar, uma das mais violentas do país.


A revista relata que, em 15 de janeiro de 2010, eles deixaram a base de Ramrod em um comboio em busca de militantes do Taleban --mas dispostos a matar qualquer um.


Eles chegaram então à vila de La Mohammad Kalay, localizada perto de plantações de ópio. Lá, encontraram apenas fazendeiros desarmados e nenhum inimigo evidente.


"Enquanto os oficiais do 3º Pelotão conversavam com um ancião dentro de um armazém, dois soldados [Jeremy Morlock e Andrew Holmes] se distanciaram da unidade até chegar ao extremo da vila. Lá, em uma plantação de ópio, eles começaram a procurar alguém para matar", conta a revista, que cita dados de uma investigação das Forças Armadas.


O escolhido, ainda segundo a revista, foi um jovem de cerca de 15 anos, desarmado. O próprio soldado Morlock confessaria mais tarde que o jovem, identificado como Gul Mudin, não era uma ameaça.


De qualquer forma, os americanos o chamaram em pashtu e ordenaram que parasse. O garoto ficou imóvel. Os soldados então atiraram uma granada e, em seguida, abriram fogo com uma metralhadora.


Quando os demais soldados chegaram para ver o que ocorrera, Morlock disse que o garoto iria atacá-los com uma granada e eles tiveram que atirar nele. Depois de cumprir o protocolo de identificação dos militares americanos, os dois soldados começaram a tirar fotos com o corpo. Holmes posou segurando a cabeça do jovem.


As fotos, graficamente muito fortes, estão disponíveis no site da "Rolling Stone".


Holmes chegou, ainda segundo a revista, a levar um dedo do garoto afegão. Um colega disse que ele queria um troféu e esperava que o dedo secasse, para guardá-lo para sempre.


Os soldados nunca foram punidos pelo assassinato e o mesmo pelotão matou ao menos três outros civis inocentes nos últimos quatro meses. Quando as mortes se tornaram públicas, o Exército tentou enquadrá-las como resultado de uma unidade indisciplinada e que operava sob suas próprias regras.


Os militares chegaram a condenar cinco soldados por assassinato, mas as informações foram vetadas pelo Pentágono. A revista diz que os soldados da Companhia Bravo foram proibidos de dar entrevista.


Mas uma investigação interna a qual a "Rolling Stone" disse ter acesso mostra que dezenas de homens da infantaria faziam parte desta equipe de assassinatos e que agiam abertamente, sem se esconder dos colegas de companhia.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Obama e Obama e Obama


Da BBC Brasil



O prisioneiro Bradley Manning








Ivan Lessa

Colunista da BBC Brasil



Soldado americano. Pai, idem. Mãe do País de Gales. 23 anos. 1,57 de altura. Fosse na Brasil teria o apelido de “Tampinha”. Mas é e foi nos Estados Unidos da América do Norte.





Vocês conhecem. Aquele do Obama no Municipal no Rio, no Iraque, no Afeganistão e na prisão de Guantánamo, que ele prometeu fechar e não fechou. Obama não é uma pessoa coerente. Obama nesses seus anos de mandato não tem uma única frase ou feito memorável. O mesmo não acontece com o soldado Bradley Manning.


Bradley Manning está preso desde maio do ano passado em condições dignas daquilo que eles mesmos, americanos, chamavam de Terceiro Mundo. Por que Bradley Manning está detido no que é chamado lá por eles de “prisão provisória”? Porque foi o homem que passou para o messiânico “demônio louro” (se não for uma contradição em termos) Julian Assange 250 mil comunicados diplomáticos contando, entre eles, com o notório, e mais que divulgado (conferir no YouTube), vídeo da – não há outra palavra – execução de oito civis iraquianos, entre os quais duas crianças, por soldados americanos sob instruções de um helicóptero. Foram-se oito iraquianos de maior idade ao todo.


A cena, com legendas, foi mostrada pela televisão britânica num documentário da televisão comercial, a ITV, preparado pelo esplêndido jornalista e escritor australiano John Pilger. A horripilante sequência abria o filme. Legendas nas cenas de “combate”, para ficar bem claro. Lá estão aqueles maneirismos militares a que estamos acostumados, graças ao cinema e à televisão. Tudo em meio a muita galhofa. Roger, over, out, copy that e, na ordem vital, ou letal, a sentença vinda dos ares : “Light 'em all up. Shoot.” (Mais ou menos, “Acendam eles todos. Atirem.”) Atiraram. Foram acesos os iraquianos e as duas crianças.


Bradley Manning não negou ter sido a fonte do vazamento. Sofreu a tal sentença provisória que já dura bom tempo. Não sem antes o porta-voz P.J. Crowley, da secretária de Estado, Hillary Clinton, ter declarado sabiamente que Manning não fora declarado culpado de crime algum e que sua prisão era “contraprodutiva e estúpida”. Crowley foi forçado a se demitir. Claro. Bradley Manning está preso em condições mais que divulgadas, todas dignas da mais cruenta das ditaduras.


Abaixo, a frio e a seco, o seu dia a dia. Sublinho que, se alguém conferir no YouTube, verá nos comentários uma vasta proporção a favor do regime de prisão imposto a Manning.


O soldado americano Bradley Manning, detido em Quantico, onde está situado também o FBI, sem julgamento ou condenação, não tem permissão para se exercitar em sua cela durante o dia. Não tem o direito à posse de coisa alguma.


É proibido de conversar com os guardas seus carcereiros. A cada cinco minutos, é obrigado a responder se se encontra bem e em forma. Se voltar a face para a parede durante o sono é prontamente acordado.


Bradley Manning, que, incrivelmente, ainda mantém um senso de humor, apontou para o fato de que ele poderia, se quisesse, se injuriar com suas cuecas, no que estas foram de imediato retiradas.


Só lhe são permitidas, por uns poucos minutos, visitas aos sábados e domingos. O resto da semana são 23 horas por dia de cela. Recebe ainda uma dose diária de antidepressivos.


O presidente Barack Obama não visitou qualquer delegacia ou prisão no Rio ou em Brasília. Sua senhora, a primeira-dama Michelle Obama, lidera uma campanha contra a obesidade entre crianças.




domingo, 13 de março de 2011

Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA se demite

Da Reuters



Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA se demite



Por Susan Cornwell


WASHINGTON (Reuters) - O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, P.J. Crowley, demitiu-se no domingo depois que foi revelado que ele chamou o tratamento dado pelo Pentágono a um soldado dos EUA acusado de vazamento de documentos secretos ao site Wikileaks de "estúpido" e "ridículo."


A secretária de Estado Hillary Clinton disse em nota oficial que aceitou a demissão de P.J. Crowley com "pesar." Ele serviu como secretário-assistente do departamento de Relações Públicas e porta-voz chefe.


Crowley disse em nota que apresentou a sua demissão "dado o impacto das minhas observações, pelas quais assumo total responsabilidade." Sua demissão ocorreu dois dias depois que o presidente dos EUA, Barack Obama, foi questionado sobre as declarações de Crowley durante uma entrevista coletiva televisionada.


Um correspondente da BBC informou na semana passada que Crowley, coronel da reserva da Força Aérea, disse a uma pequena platéia em uma universidade de Massachusetts que o tratamento dado ao ex-analista de inteligência Bradley Manning "é ridículo, contraproducente e estúpido".


Manning, 23, está preso em uma base da Marinha no Estado da Virgínia e ficará detido durante a investigação das acusações de que ele teria vazado documentos quando servia no Iraque. Seus advogados disseram que ele está sendo maltratado na prisão militar.


Mantido sozinho em sua cela 23 horas por dia, Manning é obrigado a dormir nu e é acordado várias vezes durante a noite para garantir que está a salvo, segundo o Pentágono.


A publicação no site WikiLeaks dos documentos que Manning teria vazado foi um duro golpe para a diplomacia dos EUA, uma vez que aliados e adversários do país aparecem sendo ridicularizados ou criticados em comunicações diplomáticas secretas.


Em seu comunicado de domingo, Crowley disse que a divulgação não autorizada de informação confidencial é um "crime grave nos termos da lei dos EUA."


"Meus comentários recentes sobre as condições da prisão preventiva do soldado Bradley Manning tinham a intenção de destacar o impacto mais amplo, até mesmo estratégico de ações realizadas por agências de segurança nacionais todos os dias e seu impacto em nossa posição e liderança mundial," disse Crowley.


"O exercício do poder nos tempos desafiadores de hoje e com o ambiente sem trégua da mídia precisa ser prudente e coerente com nossas leis e valores".