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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Para entender a 'guerra civil' em Londres


Do Diário do Centro do Mundo 

Como Entender Os Tumultos De Londres
9th agosto 2011 written by Paulo Nogueira

Uma pessoa salta de um prédio incendiado nos tumultos na Inglaterra

A discussão é familiar aos brasileiros. Vandalismo nas ruas: a direita afirma que os direitos humanos como que imobilizam a polícia e facilitam a ação dos meliantes. A esquerda afirma que a exclusão social é a origem dos problemas. A verdade está parcialmente contida em cada uma dessas duas visões.
Falo dos tumultos que assombram Londres desde a noite do último sábado. O que deflagrou o caos foi a morte pela polícia de um homem negro chamado Mark Duggan no bairro londrino de Tottenham. A namorada, a família e os amigos do morto dizem que ele era um homem de bem. A polícia tem outra versão: era um traficante de drogas e membro de uma gangue criminosa. Estava sendo procurado pela polícia. A página de Duggan no Facebook parece confirmar a versão policial, consideradas algumas fotos e informações, mas a controvérsia ainda está aberta. Indiscutível é que Duggan, na quinta-feira passada, foi morto pela polícia. Ele estava num minicab – um tipo de táxi de segunda linha de Londres — quando foi abordado. Foi baleado e morto – depois de atirar primeiro, conforme diz a polícia. Não há prova de que isso tenha acontecido.

          A morte de Duggan foi o estopim do caos
No sábado, um protesto pela morte de Duggan que começara pacificamente em Tottenham acabou degenerando em violência. Fogo em veículos e prédios, saques em comércio, enfrentamento com a polícia. Nos dias seguintes, o caos se espalhou por outras partes de Londres e da Inglaterra. Pode ter havido aí, sobretudo em outras cidades que não Londres, um fenômeno que em inglês é conhecido como copycat – a imitação de crimes.
Férias importantes – agosto é o mês em que as pessoas costumam sair na Inglaterra, o auge do verão – foram abortadas. O primeiro-ministro David Cameron e o prefeito de Londres Boris Johnson retornaram abruptamente à cidade. O policiamento foi substancialmente reforçado em número e em força. Era cogitado ontem o uso de balas de borracha para enfrentar as multidões vândalas. O impasse aí é que, se houver novas mortes por uma polícia mais armada, a confusão pode crescer em vez de cessar.
Por trás de tudo está um quadro de tensão social e racial que se exacerbou, nos últimos anos, por duas razões. Uma é a crise econômica que se colou na Inglaterra e na Europa já faz alguns anos. A outra é o terrorismo islâmico – que levou o inglês médio a ver com desconfiança e desagrado gente que não pareça com ele. Imigrantes e estrangeiros passaram a ser vistos como uma espécie de ameaça.
Duggan era negro. Tottenham tem uma forte comunidade negra.
Manifestantes ouvidos pelo jornal Guardian disseram que a polícia – os feds, no jargão das ruas – trata muito mal os negros. Algumas pessoas justificaram sua participação nos protestos dizendo que simplesmente “não tinham dinheiro”.
Que os negros ocupam uma posição secundária na sociedade britânica é fato. Nos Estados Unidos, movimentos combativos nos anos 50 e 60 – liderados por gente como Malcom X – ampliaram consideravelmente o espaço dos negros. Obama é fruto disso.
Na Inglaterra, apenas em 2002 um negro ocupou um ministério pela primeira vez. Hoje, no governo de Cameron, todos os ministros são brancos. O racismo na Inglaterra jamais foi tão sinistro como nos Estados Unidos. Mas em compensação os negros entre os britânicos jamais deixaram a periferia política e econômica.
Os tumultos dos últimos dias refletem exatamente um quadro de frustração que – até aqui – era quase sempre silenciosa.


domingo, 24 de julho de 2011

ESPECIAIS: Times Square

Times Square: a Praça dos Sonhos


Por Camila Savioli


Logo de cara vou falar do point de Nova York que todo mundo adora: Times Square. A primeira coisa que você quer fazer assim que coloca os pés na cidade é visitar aquela rua cheia de letreiros luminosos. Times Square fica localizada na Broadway com a 7ª avenida, em Manhattan. Lá você encontra uma variedade de lojas que encantam os olhos (essa é para as meninas rs ), restaurantes, teatros etc. Está localizada também a bolsa de valores NASDAQ, os principais estúdios de televisão como ABC, onde é gravado o programa Good Morning America, a MTV e a Virgin Records. Não posso deixar de comentar que lá também é gravado o programa do David Letterman.



Muitas pessoas gostam de passar o ano novo lá, até porque, na Times Square  se pode assistir umas das maiores e melhores festas de passagem do ano, com vários recursos visuais. Eu estou comentando tanto sobre essa avenida famosa, mas alguém sabe o que significa Times Square? “Praça do Tempo”. Até 1904, ela tinha o nome de Longacre Square que foi dado pelos colonizadores britânicos. Mudaram o nome devido à construção do edifício, One Times Square, que abrigou o jornal New York Times.


A avenida é bastante movimentada com direito a paradas turísticas. Como assim? Eu já vou explicar. Na rua você encontra personagens da Disney que você pode tirar fotos e, é claro, o famoso Cowboy Pelado! Eu não posso escrever um post sobre a Times Square sem falar dele! De longe, você encontra o cowboy, pois sempre há uma roda enorme de pessoas em volta dele! Rs. Há também a Cowgirl para vocês, rapazes, tirarem a foto (rs). Brincadeiras a parte com o caro leitor.


Caminhando pela avenida agitada, você encontra o famoso museu Madame Tussauds que fica na 42th street, entre a 7ª e 8ª avenida. Todo mundo se diverte tirando fotos com os seus artistas e personagens favoritos quase reais! Eu me diverti muito tirando fotos com o personagem Jack Sparrow. Uma pena ser de cera. O ingresso é 36 dólares, mas, como todo bom brasileiro, conseguimos sempre um desconto.


Em relação às lojas, é uma mais fofa que a outra. Meninas, lá vocês encontram a loja de maquiagens MAC e Sephora. É um paraíso. Há também a loja da Disney, GAP, Forever 21, mas as que mais me chamaram a atenção foram duas: uma loja de brinquedos, infelizmente eu não lembro o nome, que tem uma roda gigante dentro da loja! Isso mesmo, leitor surpreso, uma roda gigante! Linda! A outra foi a loja da M&M. Com dois andares, ela é repleta de chocolates, brinquedos e lembrancinhas. Uma graça!


Eu sei que você está quase dormindo na frente do computador, leitor sonolento. Então eu vou parar por aqui e no próximo post vou comentar sobre as peças de teatro na Broadway e a famosa 5ª avenida. Espero que eu tenha deixado vocês com vontade de comer M&M rs!



segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Egito pós-Mubarak ainda ferve

Do Global Voices




Egito: Por que 8 de julho?



Tradução publicada em 11 Julho, 2011 23:38 GMT · Veja o post original [en]





Escrito porTarek Amr




Este artigo é parte de nossa cobertura especial da Revolução no Egito em 2011.






Os egípcios voltaram com força total à Praça Tahrir, o epicentro de sua revolução, mais uma vez no dia 8. Mas por que eles ainda protestam mesmo depois de sua revolução ter terminado, de Mubarak não estar mais no poder e de muitos de seus correligionários estarem atrás das grades? Bem, não é tão simples, e muitos blogueiros discutiram por que milhões de pessoas que estiveram na Praça Tahrir em janeiro estão de volta às ruas.


Colocando a deposição de Mubarak de lado, muitas das demandas de janeiro ainda não foram atendidas. Sama Singer (@Sama_Singer) resumiu o que ela acredita que sejam as demandas do 8 de julho [ar] num artigo em seu blog.



حد ادنى للأجور 1200 جنيه ، وحد اقصى للأجور ، مع مراقبة الاسعار حتى تتوافق مع محدودى الدخل
المحاكمات العلنية والسريعة لمبارك واولاده ووزراءه وحاشيته الفاسدة ، وكل من افسدوا علينا الحياة السياسية
تكريم الشهداء وتعويض اهالى الشهداء ، وسرعة محاكمة قتلة الشهداء
تكريم المصابين ، وعلاجهم على نفقة الدولة ، وتعويضهم
حرمان أعضاء الحزب الوطني السابق من حق الممارسة السياسية لمدة 5 سنوات على الأقل
الافراج الفورى و التام عن كل المعتقلين السياسيين واصحاب الرأي من يوم 25 يناير وما قبلها الى يومنا هذا
الوقف الفوري للمحاكمات العسكرية للمدنيين ، واعادة محاكمة من تم محاكمتهم عسكريا من المدنيين امام محاكم مدنية

1.200 libras egípicias de salário mínimo, bem como de salário máximo, enquanto monitora-se o processo para se ter certeza de que o dinheiro vá aos bolsos dos pobres.
Julgamentos públicos e imediatos para Mubarak, seus filhos, seu regime corrupto e todos aqueles que corromperam nossa cena política.
Honras aos mártires, compensações para suas famílias e julgamentos imediatos para os responsáveis por seus assassinatos.
Honras aos feridos, compensando-os e tratando-os às custas do Estado.
Proibição aos membros do Partido Democrático Nacional de participarem de qualquer processo político por no mínimo cinco anos.
A soltura imediata dos prisioneiros políticos e daqueles presos por seus pensamentos desde do 25 de janeiro e desde antes disso, até hoje.
A cessão imediata dos julgamentos militares e a alocação dos julgados em juris civis.

Ela também escreveu sobre a limpeza das “organizações corruptas”, como a polícia, a mídia e o sistema judiciário.


Mina Naguib (@MinaNaguib90) escreveu sobre notícias recentes [ar] que ele ouviu e que fizeram-no ainda mais interessado em participar.



صحيت أول إمبارح و كالعادة بشوف الأخبار و كانت الأخبار كالآتى … سوزان مبارك بتشتكى حراس قصر شرم الشيخ عشان موقفوش لجناب حرم المخلوع و هى داخلة القصر!! و تم تغيير الحرس … ثم خبر تأجيل محاكمة المتهمين بقتل الثوار و رجوعهم لوظايفهم حتى 3 سبتمبر … مبقتش عارف أعمل إيه!!

Eu estava assistindo ao noticiário alguns dias atrás e as notícias eram: Suzan Mubarak reclamava que os guardas de seu palácio em Sharm não se levantavam quando ela entrava no palácio, e eles foram trocados. Então vieram as notícias de adiamento dos julgamentos daqueles acusados de assassinar os revolucionários e de que estes estão de volta às suas posições a partir de agora e até o dia 3 de setembro. Então fiquei tão confuso que não sabia o que fazer ou dizer!

Ele então continuou:



ثم جاء اليوم خبر عن النائب العام إنه طعن على الحكم ببرائة المغربى و الفقى و غالى و فضلى …. بقيت مش عارف أتكلم خالص عشان مش فاهم هم إزاى أخدوا برائة و هل إنه طعن يبقى دة حاجة كويسة ولا دة إيه دة؟؟ يعنى هو إزاى أصلاً ياخدوا برائة من الأول؟؟ لو دول معملوش حاجة يبقى مين اللى عمل؟ أمى؟
كله كوم طبعاً و والدة الشهيد اللى إبنها التانى اللى باقلها إتحاكم عسكرى بعد القبض عليه عند مسرح البالون!

Então vieram as notícias da apelação do Promotor Geral contra a libertação de El-Maghraby, de El-Fiki Ghali e de Foudly. Isto me deixou sem palavras e sem poder entender como eles puderam ser libertos, nem sem entender se a apelação era boa ou ruim! Como pode eles terem sido libertos? Se aquelas pessoas não fizeram nada, então quem é o responsável por tudo isso? Minha mãe?
Tudo isso vem depois da mãe de um dos mártires cujo outro e único filho vivo está passando por um julgamento militar por conta dos eventos no Teatro El-Balloon alguns dias atrás.

Mohamed El-Sarty [Ar] and Ahmad Taha [Ar], por outro lado, preferiram usar a ironia e ponderaram por que as pessoas deveriam voltar a Tahrir se a polícia está agindo de maneira perfeitamente pacífica, a justiça fora servida aos mártires, a Corte Suprema das Forças Armadas julga civis em cortes militares e a polícia e os militares do antigo regime são julgados em cortes civis. Taha também compartilhou uma foto de um policial mostrando o dedo do meio aos protestantes há alguns dias.



E finalmente Assemism tem um ponto de vista diferente [ar], escrevendo sobre como, apesar de tudo isso e em sua opinião, algumas forças políticas ainda estarem usando os mártires sem um senso de patriotismo. Ele citou um amigo chamado Kareem Mounir, dizendo:



” أنا النهاردة كنت باتكلم مع أم لشهيد و كنت حاعيط ! و اللي ضايقني اكتر اني عارف انها صادقة و كل حاجة لكن للأسف الناس اللي حواليها بيستغلوها “

“Hoje, eu estava conversando com a mãe de um dos mártires e eu estava prestes a chorar. Eu estava certo de que ela estava sendo honesta no que dizia, mas infelizmente as pessoas ao redor dela a estão usando.”

Ele então comentou em cima do que o amigo dizia.



طبعاً الناس اللي حواليها .. هي بكل أسف قوى سياسية المفروض انها مسؤوله لكنها للأسف بتقوم بدور الزبالين حاليأً .. بتلم أكبر قدر من الوطنية من على الأرض و أحياناً استغلال للشهداء كمان

Com certeza aqueles ao redor dela, infelizmente, são forças políticas que deveriam ser responsáveis, porém eles agem como coletores de lixo, eles pegam o senso de patriotismo do chão e o usam tão bem quanto os mártires em seu próprio benefício.



segunda-feira, 21 de março de 2011

Obama e Obama e Obama


Da BBC Brasil



O prisioneiro Bradley Manning








Ivan Lessa

Colunista da BBC Brasil



Soldado americano. Pai, idem. Mãe do País de Gales. 23 anos. 1,57 de altura. Fosse na Brasil teria o apelido de “Tampinha”. Mas é e foi nos Estados Unidos da América do Norte.





Vocês conhecem. Aquele do Obama no Municipal no Rio, no Iraque, no Afeganistão e na prisão de Guantánamo, que ele prometeu fechar e não fechou. Obama não é uma pessoa coerente. Obama nesses seus anos de mandato não tem uma única frase ou feito memorável. O mesmo não acontece com o soldado Bradley Manning.


Bradley Manning está preso desde maio do ano passado em condições dignas daquilo que eles mesmos, americanos, chamavam de Terceiro Mundo. Por que Bradley Manning está detido no que é chamado lá por eles de “prisão provisória”? Porque foi o homem que passou para o messiânico “demônio louro” (se não for uma contradição em termos) Julian Assange 250 mil comunicados diplomáticos contando, entre eles, com o notório, e mais que divulgado (conferir no YouTube), vídeo da – não há outra palavra – execução de oito civis iraquianos, entre os quais duas crianças, por soldados americanos sob instruções de um helicóptero. Foram-se oito iraquianos de maior idade ao todo.


A cena, com legendas, foi mostrada pela televisão britânica num documentário da televisão comercial, a ITV, preparado pelo esplêndido jornalista e escritor australiano John Pilger. A horripilante sequência abria o filme. Legendas nas cenas de “combate”, para ficar bem claro. Lá estão aqueles maneirismos militares a que estamos acostumados, graças ao cinema e à televisão. Tudo em meio a muita galhofa. Roger, over, out, copy that e, na ordem vital, ou letal, a sentença vinda dos ares : “Light 'em all up. Shoot.” (Mais ou menos, “Acendam eles todos. Atirem.”) Atiraram. Foram acesos os iraquianos e as duas crianças.


Bradley Manning não negou ter sido a fonte do vazamento. Sofreu a tal sentença provisória que já dura bom tempo. Não sem antes o porta-voz P.J. Crowley, da secretária de Estado, Hillary Clinton, ter declarado sabiamente que Manning não fora declarado culpado de crime algum e que sua prisão era “contraprodutiva e estúpida”. Crowley foi forçado a se demitir. Claro. Bradley Manning está preso em condições mais que divulgadas, todas dignas da mais cruenta das ditaduras.


Abaixo, a frio e a seco, o seu dia a dia. Sublinho que, se alguém conferir no YouTube, verá nos comentários uma vasta proporção a favor do regime de prisão imposto a Manning.


O soldado americano Bradley Manning, detido em Quantico, onde está situado também o FBI, sem julgamento ou condenação, não tem permissão para se exercitar em sua cela durante o dia. Não tem o direito à posse de coisa alguma.


É proibido de conversar com os guardas seus carcereiros. A cada cinco minutos, é obrigado a responder se se encontra bem e em forma. Se voltar a face para a parede durante o sono é prontamente acordado.


Bradley Manning, que, incrivelmente, ainda mantém um senso de humor, apontou para o fato de que ele poderia, se quisesse, se injuriar com suas cuecas, no que estas foram de imediato retiradas.


Só lhe são permitidas, por uns poucos minutos, visitas aos sábados e domingos. O resto da semana são 23 horas por dia de cela. Recebe ainda uma dose diária de antidepressivos.


O presidente Barack Obama não visitou qualquer delegacia ou prisão no Rio ou em Brasília. Sua senhora, a primeira-dama Michelle Obama, lidera uma campanha contra a obesidade entre crianças.




sábado, 19 de março de 2011

Os verdadeiros interesses na invasão da Líbia

Texto longo, mas que fornece alguns "poréns" da invasão da Líbia e seus interesses. Contempla fatos históricos e contradições. Vale à pena.


Do Opera Mundi


19/03/2011 - 18:16 | Max Altman | São Paulo



Líbia: hipocrisia, dupla moral, dois pesos e duas medidas


O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a resolução que autoriza a imposição de uma zona de exclusão aérea em território líbio, salvo os voos de natureza humanitária, e inclui "todas as medidas que sejam necessárias" para a proteção da população civil, excluindo, porém, a ocupação militar de qualquer porção da Líbia. Além disso, endurece o embargo de armas à Líbia e reforça as sanções impostas no mês passado a Kadafi e seu círculo mais próximo de colaboradores.


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Paris e Londres encabeçaram a arremetida contra a Líbia numa corrida contra o relógio a fim de que a ONU se pronunciasse antes que o último reduto rebelde, Benghazi, fosse recuperado pelas forças leais a Kadafi.

O documento recebeu a aprovação de 10 países (Inglaterra, França, Estados Unidos, Líbano, Colômbia, Nigéria, Portugal, Bósnia e Herzegovina, África do Sul e Gabão), nenhum voto contra e cinco abstenções (Brasil, Rússia, China, Índia e Alemanha).

A Rússia exigiu a inclusão de um cessar-fogo imediato, medida atendida por Trípoli, e a China insistiu numa solução pacífica da crise ao reiterar suas sérias reservas quanto à zona de exclusão aérea, ao mesmo tempo em que rechaçava o uso da força nas relações internacionais. Estranhamente, Moscou e Pequim, que detêm poder de veto, não o utilizaram para barrar aspectos da resolução com os quais não concordavam.

Diferentemente da Tunísia e do Egito, quando massas de centenas de milhares, desarmadas, saíram às ruas erguendo as bandeiras de pão, emprego, justiça social, progresso, liberdade e democracia, derrubando por força de seus protestos e pressão os ditadores apoiados pelas potências ocidentais, Ben Ali e Mubarak, na Líbia facções armadas com armamento blindado, artilharia antiaérea, armas individuais modernas e até alguma força aérea ocuparam o leste do país e algumas cidades do oeste determinadas a tomar Trípoli e acabar com o ditador Muamar Kadafi. Estabeleceu-se com isto uma franca guerra civil.

Quando, no curso dos combates, as tropas fieis a Kadafi avançaram sobre os bastiões rebeldes, o chamado Conselho Nacional Líbio de Transição passou a reclamar com insistência o apoio do Ocidente em armas e logística e a exclusão aérea. Ou bem os oposicionistas contavam desde o início com o respaldo dos países hegemônicos e estes estavam roendo a corda ou calcularam mal a capacidade de resistência de Kadafi e o apoio de grande parte da população líbia com que conta. A verdade é que a insurgência armada no leste da Libia é apoiada diretamente por potências estrangeiras. A insurreição em Benghazi ergueu imediatamente a bandeira vermelha, negra e verde com a meia lua e a estrela, a bandeira da monarquía do rei Idris, que simbolizava o domínio dos antigos poderes coloniais.

A imensa campanha de distorções, omissões e mentiras desencadeada pelos meios maciços de comunicação abriu espaço para uma enorme confusão no seio da opinião pública mundial. Levará tempo antes que se possa estabelecer a verdade do que ocorreu na Líbia e distinguir os fatos reais das falsidades publicadas.

Alguns fatos concretos, porém, merecem atenção. A Líbia ocupa o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da África e tem a mais alta esperança de vida do continente. A educação e a saúde recebem especial atenção do Estado. O PIB per capita é de 13,8 mil dólares, o crescimento em 2010 foi de 10,6%, a inflação de 4,5%, a pobreza de 7,4% e a colocação no IDH é 53º (Brasil é 73º), todos esses índices melhores que o do nosso país.

Seus problemas são de outra natureza. De alimentos e serviços sociais básicos o país não carecia. Nação de pequena população - 6,5 milhões de habitantes -, necessitava de força de trabalho estrangeira em boa proporção para levar a termos ambiciosos planos de produção e desenvolvimento social. Milhares de trabalhadores chineses, egípcios tunisianos, sudaneses e de outras nacionalidades labutam em solo líbio.

A Líbia também dispunha de vultosos ingressos, provenientes da venda de petróleo de alta qualidade, e de grandes reservas em divisas depositadas em bancos das potências europeias e Estados Unidos, e com isso podiam adquirir bens de consumo e até armamento sofisticado, fornecido exatamente pelos mesmos países que hoje planejam invadi-lo em nome dos direitos humanos.

O tirano, que durante quase três décadas foi considerado o "cachorro louco", o "inimigo número um" do Ocidente para logo converter-se no vistoso aliado de seus inimigos de agora, voltou ao seu estatuto original.

Ao se aproximar das potências ocidentais, Kadafi cumpriu rigorosamente suas promessas de desarmamento e ambições nucleares. Com isso, a partir de outubro de 2002, iniciou-se uma maratona de visitas a Trípoli: Berlusconi, em outubro de 2002; Aznar, em setembro de 2003; Berlusconi de novo em fevereiro, agosto e outubro de 2004; Blair, em março de 2004; Schröeder, em outubro de 2004; Chirac, em novembro de 2004.

Todos exultantes, garantindo o recebimento de petróleo e a exportação de bens e serviços. Kadafi, de seu lado, percorreu triunfante a Europa. Recebido em Bruxelas em abril de 2004 por Prodi, presidente d União Europeia; em agosto de 2004 convidou Bush a visitar seu país; Exxon Mobil, Chevron Texaco e Conoco Philips realizavam os últimos acertos para exploração do óleo por meio de "joint ventures". Em maio de 2006, os Estados Unidos anunciaram a retirada da Líbia dos países terroristas e o estabelecimento de relações diplomáticas.

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Em 2006 e 2007, a França e os Estados Unidos subscreveram acordos de cooperação nuclear para fins pacíficos; em maio de 2007, Blair voltou a visitar Kadafi. A British Petroleum assinou um contrato "extremamente importante" para a exploração de jazidas de gás.

Em dezembro de 2007, Kadafi empreendeu duas visitas à França e firmou contratos de equipamentos militares de 10 bilhões de euros. Contratos milionários foram subscritos com importantes países membros da OTAN.

Dentre as companhias petrolíferas estrangeiras que operavam antes da insurreição na Líbia incluem-se a Total da França, a ENI da Itália, a China National Petroleum Corp (CNPC), British Petroleum, o consórcio espanhol REPSOL, ExxonMobil, Chevron, Occidental Petroleum, Hess, Conoco Phillips.

O que se passou para que o "cachorro louco", que se transformara em grande amigo, volte a ser o "cachorro louco"?

De um lado, a evidência de que as potências hegemônicas tudo farão para não perder o controle dessa vital fonte de energia, o petróleo. De outro, fatores geo-estratégicos. Diante da revolta por mudanças democráticas dos países árabes do Norte da África e do Oriente Médio, é fundamental, no caso da Líbia, ter um governo absolutamente confiável, pressionando o vizinho oriental Egito para manter o tratado com Israel e não partir para políticas que desarrumem todo o contexto regional.

Antes de partir para o Brasil, o presidente Obama declarou que o "cessar-fogo tem que ser implementado imediatamente e isto significa que todos os ataques contra civis têm que parar. (...) Esses termos não são negociáveis. (...) Se Kadafi não cooperar haverá consequências".

Entrementes, as agências de notícias informam que no Bahrein, ocupado por tropas Arábia Saudita, com prévio conhecimento e anuência de Washington, e debaixo de lei marcial, milhares de pessoas desarmadas são reprimidas violentamente por forças militares que destruíram o monumento da praça Pérola, ponto de encontro de manifestantes.

Sabe-se que a V Frota norte-americana está estacionada neste país, distante 25 quilômetros da Arábia Saudita, e funciona como posto de vigilância dos vastos poços de petróleo do Golfo Pérsico. Gravíssima é a situação no Iêmen, aliado incondicional da Arábia Saudita e dos Estados Unidos. Dezenas de civis, desarmados, foram assassinados nas últimas horas. Nem a França nem a Inglaterra, tampouco Washington ou a Liga Árabe propuseram "todas as medidas necessárias" para proteger a população civil. Obama, Sarkozy e Cameron não falaram grosso com o Bahrein e Iêmen. A ONU não autorizou uma zona de exclusão aérea contra o Iêmen e Bahrein, nem acha que os direitos humanos de bareinitas e iemenitas mereçam ser respeitados.

Nesse caso, só falatório, hipocrisia e dupla moral.

Toda e qualquer intervenção na Líbia terá repercussões graves. Cabe ao povo líbio, e apenas a ele, resolver o problema líbio. A comunidade internacional deve manifestar solidariedade e agir unida para conter a guerra civil e facilitar uma via de transição pacífica para o conflito líbio. Os governos ocidentais, no afã de manter o seu domínio, usam diferentes padrões de avaliação, caso a caso, conforme o país, e, ao não reconhecer os levantes populares, são atropelados pelo curso da História. Os regimes árabes despóticos, fundamentalistas e absolutistas têm de saber que não podem resistir às mudanças. É simples questão de tempo, e todos os que resistirem serão varridos do mapa político.

Setores de esquerda vêm dando interpretações disparatadas sobre os acontecimentos. A mais esdrúxula reside em que "desqualificar a revolta das massas populares líbias porque o regime é inimigo aparente de nosso inimigo, não é um critério muito saudável".

Mas analistas de esquerda não podem fechar os olhos à realidade do mundo de hoje, desconhecer as forças em confronto e seus objetivos estratégicos, deixar-se levar pelas informações da mídia que tem um claro viés em favor dos interesses neocoloniais e imperialistas. Uma intervenção militar aberta implica que os Estados Unidos, Inglaterra, França e demais países optaram por um dos lados da guerra civil líbia, como aumentará brutalmente os riscos sobre a população civil que, cinicamente, anunciam que pretendem proteger."

sábado, 12 de março de 2011

Metade da população de cidade japonesa está desaparecida

Do Opera Mundi

Metade da população de cidade japonesa arrasada por tsunami está desaparecida


Cerca de 9,5 mil pessoas, metade da população da localidade de Minamisanriku, na província de Miyagi, continuam desaparecidas na sequência do violento terremoto e do tsunami que se seguiu ocorridos sexta-feira (11/03) no Japão, segundo informaram as autoridades do país. Minamisanriku tem 17 mil habitantes.


As equipes de socorro, que já resgataram 3 mil moradores, procuram sobreviventes em casas destruídas, águas lamacentas e incêndios provocados pelo sismo de 8,8 graus na escala Richter e pelo consequente tsunami que varreu bairros inteiros ao longo da costa nordeste japonesa.


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A cadeia de televisão pública NHK anunciou que 900 pessoas morreram e mais de 700 estão desaparecidas, números que devem aumentar à medida que os trabalhos de resgate avançam.

Além do desastre ter afetado estradas de ferro, rodovias e o transporte marítimo, mais de 23 mil pessoas ficaram bloqueadas no aeroporto de Tóquio. Cerca de 6 milhões de casas, mais de 10% das habitações do país, ficaram sem eletricidade.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Gaddafi ataca seu próprio exército

Vídeo obtido pela Al Jazeera supostamente mostra oficiais do exército líbio assassinados por se negarem a abrirem fogo contra os rebeldes.


Da Al Jazeera





terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Relações promíscuas" às claras e às escuras

Em um novo cable do WikiLeaks, Hugo Chávez  e o ditador da Líbia, Gaddafi - sim, aquele que manda bombardear civis -, cumprimentaram-se por suas "revoluções" em encontro de discussões sobre acordos biltaterais.


O presidente venezuelano condecorou o Gaddafi com a "Orden del Libertador" e disse que "o que Simon Bolivar é para o povo venezuelano, Gaddafi é para o povo líbio".


O ditador da Líbia, no poder há quase quatro décadas, e o presidente da Venezuela, são classificados pelo embaixador Robin D. Mayer como "irmãos revolucionários".


"Nós compartilhamos o mesmo destino, uma mesma batalha na mesma trincheira, contra um inimigo comum [colonialismo, segundo o texto] e vamos vencer", finaliza o ditador.


Nesse apertar de mãos, não podemos esquecer da forte relação - às claras - dos EUA com o destronado Hosni Mubarak no Egito.


Para ler o documento na íntegra, clique aqui

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Egito inspira protestos no Iraque

Da Al-Jazeera

O povo vai às ruas no Iraque revoltado com a falta de seviços públicos e corrupção desenfreada.
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"Guerra" matou 2 crianças por dia em 2010 no Afeganistão

Do Estadão

Guerra no Afeganistão matou 2 crianças por dia em 2010, diz ONG


Entre 2.421 mortes de civis relacionadas ao conflito , 739 foram de menores de 18 anos




MATT ROBINSON - REUTERS



Menino afegão tenta cruzar fronteira para o Paquistão. Foto: Anja Niedringhaus/AP

CABUL - Duas crianças foram mortas em média a cada dia no ano passado no Afeganistão, e áreas outrora pacíficas do norte estão agora entre as mais perigosas, disse nesta quarta-feira uma entidade independente de proteção dos direitos humanos no país.

O relatório da Afghanistan Rights Monitor (ARM) diz que, entre 2.421 mortes de civis registradas em incidentes relacionados ao conflito no ano passado, 739 foram de menores de 18 anos.

Quase dois terços dessas mortes de menores de idade foram atribuídas a "grupos armados de oposição" (ou insurgentes), enquanto as tropas estrangeiras sob comando dos EUA e Otan teriam causado 17 por cento delas.

A ARM disse que muitas mortes de menores ocorreram nas violentas províncias meridionais de Kandahar e Helmand, tradicionais redutos da insurgência, mas que Kunar (leste) e Kunduz (norte) também estão entre as regiões mais perigosas para crianças e adolescentes.

As mortes de militares e civis atingiram em 2010 seus piores níveis desde que os EUA invadiram o Afeganistão e ajudaram a derrubar o regime islâmico do Taliban, em 2001.

Mas o número de menores mortos pela guerra caiu no ano passado em relação a 2009, quando houve 1.050 vítimas, segundo o ARM.

A entidade alertou, no entanto, que "as crianças estiveram altamente vulneráveis aos males da guerra, mas pouca coisa foi feita pelas partes combatentes, particularmente os grupos armados de oposição, para assegurar a segurança infantil durante incidentes militares e de segurança".

Um relatório divulgado no final do ano passado pela ONU estimava que o número de vítimas civis no Afeganistão havia aumentado 20 por cento nos primeiros dez meses do ano, em relação ao mesmo período de 2009, e que mais de três quartos eram mortos ou feridos por insurgentes.

O relatório do ARM diz que a maioria das crianças e adolescentes que morrem são vitimadas por bombas caseiras. Em seguida na lista vêm os ataques suicidas, os bombardeios aéreos e os morteiros.

Na segunda-feira, a Isaf (força internacional sob comando da Otan) informou que uma criança foi morta acidentalmente num bombardeio na província de Helmand.





 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O bom, o mau, o feio e o estadunidense

Do Opera Mundi


Wikileaks: Documento revela como Consulado dos EUA em SP classifica brasileiro


Durante o processo de triagem para obtenção de vistos temporários de trabalho nos Estados Unidos, o Consulado norte-americano em São Paulo usa uma classificação interna que compara os solicitantes a bandoleiros e golpistas do cinema, segundo um documento divulgado pelo Wikileaks ao jornal Folha de S.Paulo.


Em uma mensagem enviado em dezembro de 2005 consta que o ex-cônsul-geral dos EUA em São Paulo Christopher J. McMullen divide os candidatos em “bons”, “maus” e “feios”, em referência ao filme The Good, The Bad and The Ugly, de 1966 (na versão brasileira, Três Homens em Conflito).





No carta do filme, o bom, o mau e o feio, respectivamente

No filme, o personagem “bom” é um pistoleiro de modos refinados que, mesmo dando pequenos golpes, é o mais ético do grupo. No consulado, os “bons” são jovens de classe média e de boa escolaridade que tentam ir aos EUA para trabalhar em hotéis, estações de esqui e cassinos para ganhar dinheiro, melhorar o inglês, mas planejam voltar ao Brasil.

Já o “mau” é desprovido de ética. Na avaliação do consulado, são parentes ou amigos de imigrantes ilegais brasileiros em busca de emprego em lavanderias e peixarias e representam grande risco porque muitos, com o visto, não voltam para o Brasil. O “feio” é rude e tem aparência descuidada. Para o consulado, são pessoas “desqualificadas, pobres e desesperadas”, descreve o documento.

No despacho, o consulado relata ter entrevistado 1.515 candidatos a visto de trabalho de janeiro a novembro de 2005, com índice de negação de 49% em relação ao ano anterior.

"Da próxima vez que estiver apostando em Connecticut ou subir numa cadeira de teleférico em alguma estação de esqui, sugiro que cumprimente os empregados com "bom dia" [assim, em português]", afirmou o cônsul Christopher J. McMullen, em referência ao alto número de brasileiros que viaja aos EUA a trabalho.

O consulado diz que, em vez de pagar para atravessar ilegalmente a fronteira pelo México para conseguir entrar nos EUA, os candidatos têm conseguido petições de trabalho fraudulentas por 3 mil reais.

"Invariavelmente, os candidatos pedem dinheiro emprestado ou vendem o carro para conseguir o dinheiro do visto. Com frequência, quem conseguiu o visto no ano anterior desaparece na imensa população de imigrantes ilegais brasileiros em Massachusetts", segundo o documento.

Imigrantes pagam aos “coiotes” para cruzar ilegalmente a fronteira sob condições precárias, seja por túneis clandestinos, em cima de trens ou pelo rio, conforme mostrou reportagem especial do correspondente do Opera Mundi no México.