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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Educação fora dos trilhos

Da Folha



Alunos filmam suposta agressão de professor no RS




Um grupo de alunos da 5ª série filmou o momento em que um professor, que aparenta estar nervoso, segura uma colega e a empurra até a carteira em uma escola em Passo Fundo (292 km de Porto Alegre), no RS.


O caso ocorreu nesta quarta-feira (13) pela manhã na escola estadual Anna Luísa Ferrão Teixeira. O vídeo da suposta agressão foi publicado no YouTube.


A menina, de 11 anos, afirma que havia muita conversa na sala de aula e que o problema ocorreu depois que uma colega falou que chamaria a diretora. Segundo a aluna, o professor, que dá aula de ciências naturais, estava irritado com a bagunça.


"Eu estava indo até o lixo e minha colega falou que ia lá na direção. Nisso, ela abriu a porta e o professor pensou que era eu, começou a me sacudir e pegou pelo pescoço. Ele já estava aflito por causa da turma e pegou o primeiro que viu pela frente. Era eu quem estava mais perto", diz.


A aluna conta que o vídeo foi feito escondido pelo celular e que, após o incidente, o professor ficou em frente à porta por cerca de cinco minutos para que nenhum aluno saísse. Ela diz que também foi ofendida pelo professor. "Ele disse que minha mãe não me dava educação."


Ao ver o vídeo, a mãe da menina foi à polícia e registrou um boletim de ocorrência. Segundo Rosali Facco, 38, essa não é a primeira vez que o professor agride a filha e outros alunos. "Ele já tinha dado um tapa no rosto dela um mês antes e puxado a orelha de outros alunos. Fomos chamados no colégio, mas ele disse que jamais faria isso e que também tinha filhos dessa idade. Ficou a nossa palavra contra a dele."


O caso está sendo investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.


Folha tentou localizar o professor, mas não conseguiu contato. De acordo com o delegado Mário Pezzi, responsável pelo caso, ele deve prestar depoimento na próxima semana.


A direção da escola não quis se manifestar. A Secretaria Estadual de Educação afirmou, por meio de nota, que está instaurando uma sindicância para avaliar a conduta do professor. Ele foi afastado de sua função até o fim das investigações.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Gestão paulista e as enchentes

Do Blog do Nassif

A responsabilidade de Serra nas enchentes


Finalmente, a Folha rompe com o maior tabu da mídia: a responsabilidade objetiva do governo José Serra na maior tragédia urbana de São Paulo, as enchentes dos últimos anos. Na época, jogou-se a responsabilidade no prefeito Kassab e na própria população. Serra chegou a acusar os paulistanos de responsáveis por jogar lixo na rua.




Nos meios técnicos - e nos blogs - sabia-se que a responsabilidade era toda de Serra, ao cortar todas as verbas destinadas ao desassoreamento do rio.

Qualquer gestor minimamente responsável teria à mão o mapa das vulnerabilidades do estado, aqueles pontos centrais que merecem atenção absoluta. E a vazão do rio Tietê era um deles, devido à própria geografia da cidade. Qualquer problema de transbordamento afetaria os afluentes, a rede pluvial.

Durante anos, o saneamento pouco avançou no país porque feito de obras subterâneas, sem visibilidade. E a grande crítica às obras populistas e faraônicas de Paulo Maluf vinha justamente dos quadros do PSDB de Covas e Montoro. Era esse o discurso brandido pelo próprio Serra, nos períodos em que se limitava a ser estilingue, sem o desafio de ser o protagonista.

Como o desassoreamento não rendia votos, nem dividendos, Serra subtraiu os recursos para aplicar em publicidade, no Rodoanel de Paulo Preto e em outras obras com visibilidade.

Caberia uma ação de responsabvilidade civil contra ele.

Por Gustavo Belic Cherubine

Nassif, nesse novo momento político, será inadmissível aceitar governos e gestores que sonegam, mentem e manipulam dados.



http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/03/25/governo-de-sp-deixou-de-...

25/03/2011 - 07h00
Rio Tietê ficou sem limpeza por quase três anos em SP
Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Comentários [18]

Para tirar o atraso, governo Alckmin dobrou metas de limpeza e anunciou aporte de R$ 558 milhões

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Destino do equivalente a cerca de 400 piscinas olímpicas de lixo e resíduos todo ano, o trecho metropolitano do rio Tietê ficou sem limpeza entre 2006, 2007 e parte de 2008.

O governo estadual assumiu nesta semana, em resposta a questionamento feito há 24 dias pelo UOL Notícias, que por mais de 1.000 dias não foi feito o serviço de desassoreamento do leito que corta São Paulo e cujos transbordamentos, em dias de forte chuva na capital, interrompem o tráfego na marginal e trazem o caos aos paulistanos. Só nos primeiros três meses deste ano, foram registrados três episódios do tipo.

Nota oficial emitida em 22 de março pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão vinculado à secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, confirma que houve uma suspensão no serviço de escavação, recolhimento e transporte dos dejetos que se acumulam no fundo do leito do rio.

“A obra de aprofundamento da calha do rio Tietê possibilitou condições de escoamento das vazões que dispensaram a necessidade de realização do serviço de desassoreamento em 2006 e 2007”, afirma o texto, acrescentando que a tarefa só foi retomada no final de 2008.

Na análise de especialistas, no entanto, tal suspensão é temerária e pode, inclusive, ter prejudicado os ganhos obtidos com o rebaixamento da calha do Tietê, obra entregue em 2005, sob o custo de R$ 2 bilhões, e que alargou o rio em até 30 metros e o aprofundou em 2,5 metros.

Como apontam engenheiros e geólogos, o Tietê é um rio plano, com baixa velocidade da água e limitada capacidade de autolimpeza. Por isso, precisaria ser desassoreado sempre –apesar de essa ser uma tarefa cara (retirar 1 milhão de metros cúbicos custa R$ 64 milhões) e com pouca visibilidade política.

Aluisio Canholi, doutor em engenharia e coordenador do Plano de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê (1998), afirma que a suspensão no serviço é "menos grave" por ter sido concentrada no período imediatamente posterior à entrega da obra de rebaixamento da calha.

Como ele explica, o revestimento de concreto aplicado em 2005 nas paredes do leito, em tese, fez com que os resíduos se acumulassem em menor escala nos anos seguintes à inauguração. Além disso, as intervenções aumentaram a vazão do rio e sua velocidade, facilitando a dispersão dos dejetos. "Se eram poucos os resíduos, não teria tanto problema em suspender a limpeza. De toda forma, todo rio urbano precisa ser desassoreado constantemente", pondera.

Segundo o especialista, no entanto, só é possível saber a extensão exata do problema –e suas reais consequências– se fosse feita uma análise dos resultados das medições do Tietê em 2006, 2007 e 2008. "É necessário ver o que apontam os relatórios de batimetria (técnica que mede a profundidade do rio) e vazão. Se o assoreamento estava de fato interferindo significativamente na vazão do rio, a questão é gravíssima."

Guardião de tais relatórios, o DAEE foi solicitado em 1º de março deste ano a fornecer os resultados dos estudos de batimetria e vazão. O órgão não havia respondido o pedido até ontem (23 dias depois), quando foi cobrado novamente. Por meio de sua assessoria de imprensa, o DAEE informou que não iria fornecer à imprensa tais informações.
Histórico de idas e vindas

A necessidade de continuar o trabalho de limpeza foi lembrada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), no dia da cerimônia de entrega da obra de rebaixamento da calha, em 19 de março de 2006.

Na ocasião, além de prometer que o Tietê não voltaria e encher tão cedo, o então postulante ao Planalto anunciou aos presentes que uma Parceria Público Privada (PPP) seria lançada para garantir a manutenção da obra recém-inaugurada, enquanto outras empresas governamentais –Sabesp, Nossa Caixa, Cetesb e Cesp – cuidariam dos 50 quilômetros de jardim na marginal. “A manutenção já começa imediatamente. Começamos com quatro empresas do governo e pretendemos ampliar com a iniciativa privada”, disse na ocasião.

Apesar do corte da vegetação marginal ter sido feito, a PPP nunca foi adiante no Palácio dos Bandeirantes, que passou a ser comandado em março de 2006 por Claudio Lembo. Foi somente no final de 2008, na gestão José Serra (PSDB), que o serviço foi retomado, em contratação anunciada no dia 14 de outubro na página 129 do Diário Oficial do Estado.

R$ 2,1 bilhões/mês
É o prejuízo estimado causado pelas enchentes às empresas de São Paulo, segundo dados da Fiesp

Segundo o DAEE, no ano da assinatura do contrato, máquinas removeram 117 mil metros cúbicos de sedimentos (contra o 1 milhão que chega anualmente) em pontos mais críticos do rio Tietê (como a foz dos rios Tamanduateí e Aricanduva), o que representou um investimento de R$ 7 milhões.

Na temporada de chuvas do ano passado, no entanto, após ser alvo de críticas quando a marginal encheu e interrompeu o trânsito novamente, Serra anunciou que o volume de resíduos que voltou a ser retirado precisava ser ampliado. Em fevereiro de 2010, ele afirmou que aumentaria o serviço: passaria de 400 mil metros cúbicos para 1 milhão de metros cúbicos anuais.

Desde então, o contrato foi várias vezes aditado. Foi somente neste ano, quando Alckmin retornou ao poder, que o governo resolveu fazer novas licitações para o setor. Assim que enfrentou a primeira leva de críticas após o caos visto em São Paulo com a chuva de 10 de janeiro de 2011, o tucano lançou um novo programa de contenção de enchentes.

Alckmin, que mudou o rumo de vários projetos do antecessor, incluiu no pacote uma revisão do que se vinha fazendo com o Tietê. Na primeira ação anunciada, ele disse que passaria a retirar 2,1 milhões de metros cúbicos de resíduos do rio neste ano, contra meta anterior de 1 milhão de metros cúbicos.

No total, entre todos os pacotes anunciados, o governador afirmou que irá investir cerca de R$ 558 milhões em ações contra as enchentes. O governo estadual calcula que, hoje, o rio tenha cerca de 2 milhões de metros cúbicos de resíduos.
Outro lado

O ex-governador José Serra foi procurado para se posicionar sobre a reportagem. Apesar do contato feito com sua assessora de imprensa e das perguntas enviadas, não houve retorno até a publicação deste texto.

O DAEE, que desde o começo do mês é solicitado a passar ao UOL Notícias dados sobre a questão, enviou apenas um texto em que elenca de forma genérica os principais projetos e as promessas do órgão.

Mesmo sendo solicitado diversas vezes a detalhar os dados que forneceu, o DAEE não divulgou mais informações e não agendou entrevistas com os técnicos do órgão, como foi solicitado pela reportagem.


 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Delegado batendo em cadeirante. Fundo do poço?

No primeiro semestre de 2010, desenvolvemos uma pesquisa sobre as dificuldades diárias enfrentadas pelos cadeirantes na cidade de São Paulo. Pudemos confirmar e acompanhar de perto os absurdos e adversidades que pessoas com mobilidade reduzida precisam superar (ou tentar) para viver de forma digna.


É profundamente revoltante ler que um cadeirante apanhou para assegurar um direito, garantido em lei. Aquele que deveria dar o exemplo, o homem público, defensor das leis cometendo o que julgo um ato de barbárie.


Da Folha.com



Delegado bate em cadeirante em briga por vaga especial em São José dos Campos (SP)


Um advogado cadeirante apanhou de um delegado em São José dos Campos (91 km de São Paulo), em briga por estacionamento em vaga pública reservada para pessoas com deficiência.


Já o delegado Damasio Marino, por meio de seu advogado, afirma que não o bateu com arma de fogo, mas que lhe deu "dois tapas".


A briga começou quando Morandini flagrou o delegado, que não tem deficiência, estacionado na vaga especial, em frente a um cartório na região central de São José, e foi tomar satisfações.


"Ele [delegado] me chamou de aleijado filho da puta. Eu fiquei enojado, e a única coisa que consegui fazer foi cuspir no carro dele, porque me senti desrespeitado."


Ainda segundo Morandini, o delegado do 6º Distrito Policial da cidade, além de lhe dar coronhadas, também bateu em seu rosto com a ponta da arma.


Ele mostrou à reportagem uma camiseta com manchas de sangue, que diz ser consequência da agressão. Uma funcionária do cartório também diz que viu Morandini sangrando após a briga.


"Ele apontou a arma, fez mira. A única coisa que eu fiz foi virar o rosto devido ao trauma que já tenho", contou o advogado, referindo-se ao tiro que levou durante um assalto, aos 17 anos, e que o deixou paraplégico.


Já o defensor do delegado diz que ele é que foi intimidado e que estava parado na vaga especial porque sua mulher está grávida.


A corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito para apurar a suspeita de lesão corporal dolosa (quando há intenção ou se assume o risco de cometer o crime).


OUTRO LADO


O advogado Luiz Antonio Lourenço da Silva, que representa o delegado Damasio Marino, negou que seu cliente tenha agredido com coronhadas o também advogado e cadeirante Anatole Magalhães Macedo Morandini.


Silva diz que Damasio deu "dois tapas" em Morandini, mas só depois de ser xingado e receber uma cusparada. Para Silva, "esse cadeirante procurou o confronto."


O advogado também negou que Damasio tenha xingado Morandini ao ser repreendido. Segundo Silva, o delegado reagiu após Morandini cuspir em sua cara.


"Ele [delegado] não entendeu o que estava acontecendo. Desceu do carro e o cara veio com a cadeira de rodas para cima dele. [Morandini] cuspiu de novo e o xingou, então ele [delegado] pegou e deu dois tapas no cara."

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vergonha é ter um homem desses na ativa

Da Folha. Clique aqui para ler o que foi dito no Conversa Afiada



Para Chefe da Segurança Institucional, não é vergonha existir desaparecidos políticos




O novo chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República, general José Elito Siqueira, afirmou hoje, após tomar posse no Palácio do Planalto, que a existência de desaparecidos políticos durante a ditadura militar (1964-1985) não deve ser motivo de vergonha nem de vanglorização, mas tratado como "fato histórico".


"Nós temos que ver o 31 de março de 1964 como dado histórico de nação, seja com prós e contras, mas como dado histórico de nação. Da mesma forma, os desaparecidos são história da nação, que nós não temos que nos envergonhar ou nos vangloriar. Nós temos que enfrentar, discutir, estudar como fato histórico", afirmou o general, em entrevista após receber os cumprimentos de cerca de 300 militares do Exército, Marinha e Aeronáutica.


Defendendo um "olhar para a frente", Elito Siqueira se mostrou contrário à criação de uma Comissão da Verdade, como defende a nova secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário.


O governo enviou ao Congresso, em 2010, um projeto de lei que cria a comissão da verdade, "com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas" e "promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior".


SITUAÇÕES ISOLADAS


O general chamou de "situações isoladas do passado" os alvos de uma eventual Comissão da Verdade: o esclarecimento de episódios de torturas e desaparecimentos.


"Temos é que pensar pra frente, na melhoria do nosso país para as nossas gerações, e podemos estar perdendo tempo, espaço, velocidade se ficarmos sendo pontuais em situações isoladas do passado", afirmou.


O comandante do Exército, general Enzo Peri, presente à cerimônia de transmissão do cargo a Elito pelo general Jorge Armando Félix, também se mostrou contrário à criação da Comissão da Verdade, mas foi mais econômico nas palavras.


"Temos que construir o futuro, o importante é isso, não é isso?"


José Elito Siqueira negou que haja conflito entre os setores militar e de direitos humanos e, apesar de sua posição pessoal em relação a uma eventual investigação oficial sobre episódios do regime militar, afirmou que os militares são funcionários do Estado e que, portanto, as determinações do governo serão cumpridas.


"Nós somos funcionários de Estado. O que o Estado determinar, cabe a nós, funcionários do Estado, cumprir. Vamos fazer com a maior das boas intenções, porque todos nós vamos agir em benefício da nação", afirmou.