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sexta-feira, 25 de março de 2011

Gestão paulista e as enchentes

Do Blog do Nassif

A responsabilidade de Serra nas enchentes


Finalmente, a Folha rompe com o maior tabu da mídia: a responsabilidade objetiva do governo José Serra na maior tragédia urbana de São Paulo, as enchentes dos últimos anos. Na época, jogou-se a responsabilidade no prefeito Kassab e na própria população. Serra chegou a acusar os paulistanos de responsáveis por jogar lixo na rua.




Nos meios técnicos - e nos blogs - sabia-se que a responsabilidade era toda de Serra, ao cortar todas as verbas destinadas ao desassoreamento do rio.

Qualquer gestor minimamente responsável teria à mão o mapa das vulnerabilidades do estado, aqueles pontos centrais que merecem atenção absoluta. E a vazão do rio Tietê era um deles, devido à própria geografia da cidade. Qualquer problema de transbordamento afetaria os afluentes, a rede pluvial.

Durante anos, o saneamento pouco avançou no país porque feito de obras subterâneas, sem visibilidade. E a grande crítica às obras populistas e faraônicas de Paulo Maluf vinha justamente dos quadros do PSDB de Covas e Montoro. Era esse o discurso brandido pelo próprio Serra, nos períodos em que se limitava a ser estilingue, sem o desafio de ser o protagonista.

Como o desassoreamento não rendia votos, nem dividendos, Serra subtraiu os recursos para aplicar em publicidade, no Rodoanel de Paulo Preto e em outras obras com visibilidade.

Caberia uma ação de responsabvilidade civil contra ele.

Por Gustavo Belic Cherubine

Nassif, nesse novo momento político, será inadmissível aceitar governos e gestores que sonegam, mentem e manipulam dados.



http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/03/25/governo-de-sp-deixou-de-...

25/03/2011 - 07h00
Rio Tietê ficou sem limpeza por quase três anos em SP
Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Comentários [18]

Para tirar o atraso, governo Alckmin dobrou metas de limpeza e anunciou aporte de R$ 558 milhões

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Destino do equivalente a cerca de 400 piscinas olímpicas de lixo e resíduos todo ano, o trecho metropolitano do rio Tietê ficou sem limpeza entre 2006, 2007 e parte de 2008.

O governo estadual assumiu nesta semana, em resposta a questionamento feito há 24 dias pelo UOL Notícias, que por mais de 1.000 dias não foi feito o serviço de desassoreamento do leito que corta São Paulo e cujos transbordamentos, em dias de forte chuva na capital, interrompem o tráfego na marginal e trazem o caos aos paulistanos. Só nos primeiros três meses deste ano, foram registrados três episódios do tipo.

Nota oficial emitida em 22 de março pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão vinculado à secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, confirma que houve uma suspensão no serviço de escavação, recolhimento e transporte dos dejetos que se acumulam no fundo do leito do rio.

“A obra de aprofundamento da calha do rio Tietê possibilitou condições de escoamento das vazões que dispensaram a necessidade de realização do serviço de desassoreamento em 2006 e 2007”, afirma o texto, acrescentando que a tarefa só foi retomada no final de 2008.

Na análise de especialistas, no entanto, tal suspensão é temerária e pode, inclusive, ter prejudicado os ganhos obtidos com o rebaixamento da calha do Tietê, obra entregue em 2005, sob o custo de R$ 2 bilhões, e que alargou o rio em até 30 metros e o aprofundou em 2,5 metros.

Como apontam engenheiros e geólogos, o Tietê é um rio plano, com baixa velocidade da água e limitada capacidade de autolimpeza. Por isso, precisaria ser desassoreado sempre –apesar de essa ser uma tarefa cara (retirar 1 milhão de metros cúbicos custa R$ 64 milhões) e com pouca visibilidade política.

Aluisio Canholi, doutor em engenharia e coordenador do Plano de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê (1998), afirma que a suspensão no serviço é "menos grave" por ter sido concentrada no período imediatamente posterior à entrega da obra de rebaixamento da calha.

Como ele explica, o revestimento de concreto aplicado em 2005 nas paredes do leito, em tese, fez com que os resíduos se acumulassem em menor escala nos anos seguintes à inauguração. Além disso, as intervenções aumentaram a vazão do rio e sua velocidade, facilitando a dispersão dos dejetos. "Se eram poucos os resíduos, não teria tanto problema em suspender a limpeza. De toda forma, todo rio urbano precisa ser desassoreado constantemente", pondera.

Segundo o especialista, no entanto, só é possível saber a extensão exata do problema –e suas reais consequências– se fosse feita uma análise dos resultados das medições do Tietê em 2006, 2007 e 2008. "É necessário ver o que apontam os relatórios de batimetria (técnica que mede a profundidade do rio) e vazão. Se o assoreamento estava de fato interferindo significativamente na vazão do rio, a questão é gravíssima."

Guardião de tais relatórios, o DAEE foi solicitado em 1º de março deste ano a fornecer os resultados dos estudos de batimetria e vazão. O órgão não havia respondido o pedido até ontem (23 dias depois), quando foi cobrado novamente. Por meio de sua assessoria de imprensa, o DAEE informou que não iria fornecer à imprensa tais informações.
Histórico de idas e vindas

A necessidade de continuar o trabalho de limpeza foi lembrada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), no dia da cerimônia de entrega da obra de rebaixamento da calha, em 19 de março de 2006.

Na ocasião, além de prometer que o Tietê não voltaria e encher tão cedo, o então postulante ao Planalto anunciou aos presentes que uma Parceria Público Privada (PPP) seria lançada para garantir a manutenção da obra recém-inaugurada, enquanto outras empresas governamentais –Sabesp, Nossa Caixa, Cetesb e Cesp – cuidariam dos 50 quilômetros de jardim na marginal. “A manutenção já começa imediatamente. Começamos com quatro empresas do governo e pretendemos ampliar com a iniciativa privada”, disse na ocasião.

Apesar do corte da vegetação marginal ter sido feito, a PPP nunca foi adiante no Palácio dos Bandeirantes, que passou a ser comandado em março de 2006 por Claudio Lembo. Foi somente no final de 2008, na gestão José Serra (PSDB), que o serviço foi retomado, em contratação anunciada no dia 14 de outubro na página 129 do Diário Oficial do Estado.

R$ 2,1 bilhões/mês
É o prejuízo estimado causado pelas enchentes às empresas de São Paulo, segundo dados da Fiesp

Segundo o DAEE, no ano da assinatura do contrato, máquinas removeram 117 mil metros cúbicos de sedimentos (contra o 1 milhão que chega anualmente) em pontos mais críticos do rio Tietê (como a foz dos rios Tamanduateí e Aricanduva), o que representou um investimento de R$ 7 milhões.

Na temporada de chuvas do ano passado, no entanto, após ser alvo de críticas quando a marginal encheu e interrompeu o trânsito novamente, Serra anunciou que o volume de resíduos que voltou a ser retirado precisava ser ampliado. Em fevereiro de 2010, ele afirmou que aumentaria o serviço: passaria de 400 mil metros cúbicos para 1 milhão de metros cúbicos anuais.

Desde então, o contrato foi várias vezes aditado. Foi somente neste ano, quando Alckmin retornou ao poder, que o governo resolveu fazer novas licitações para o setor. Assim que enfrentou a primeira leva de críticas após o caos visto em São Paulo com a chuva de 10 de janeiro de 2011, o tucano lançou um novo programa de contenção de enchentes.

Alckmin, que mudou o rumo de vários projetos do antecessor, incluiu no pacote uma revisão do que se vinha fazendo com o Tietê. Na primeira ação anunciada, ele disse que passaria a retirar 2,1 milhões de metros cúbicos de resíduos do rio neste ano, contra meta anterior de 1 milhão de metros cúbicos.

No total, entre todos os pacotes anunciados, o governador afirmou que irá investir cerca de R$ 558 milhões em ações contra as enchentes. O governo estadual calcula que, hoje, o rio tenha cerca de 2 milhões de metros cúbicos de resíduos.
Outro lado

O ex-governador José Serra foi procurado para se posicionar sobre a reportagem. Apesar do contato feito com sua assessora de imprensa e das perguntas enviadas, não houve retorno até a publicação deste texto.

O DAEE, que desde o começo do mês é solicitado a passar ao UOL Notícias dados sobre a questão, enviou apenas um texto em que elenca de forma genérica os principais projetos e as promessas do órgão.

Mesmo sendo solicitado diversas vezes a detalhar os dados que forneceu, o DAEE não divulgou mais informações e não agendou entrevistas com os técnicos do órgão, como foi solicitado pela reportagem.


 

terça-feira, 22 de março de 2011

Matéria sobre dragagem do Tietê

Postei a matéria que fizemos para o jornal Comum, jornal-laboratório do 3º semestre da disciplina de Redação e Edição, do Mackenzie, no "Fora de Pauta" (sugestão de matérias) no Blog do Nassif. Ele publicou e ainda comentou:


"A matéria abaixo foi escrita para um jornal-laboratório. Tem mais informações do que toda a cobertura da velha mídia sobre os efeitos da interrupção da dragagem do Tietê - na gestão Serra - sobre as enchentes do rio."


Clique aqui e leia lá a matéria e os comentários dos leitores do blog dele.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dragagem do Tietê segue inativa até abril

Diego Moura e Thiago de Oliveira



Engenheiro diz que se espera um novo modelo de licitação até o final do mês de abril. O objetivo, segundo ele, é tornar a gestão das obras mais eficiente. Enquanto isso, operários realizam manutenção em barcaças, dragas e outros equipamentos.


“Isso aqui é que nem serviço de casa: não acaba nunca”. Dessa forma o engenheiro Dráuzio Agianotto, do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo), classifica o trabalho de contenção de águas do rio Tietê que se encontra parado desde novembro. Ele considera ideal uma manutenção mais aprofundada a cada dois anos, no mínimo. A interrupção do serviço se deve ao período de chuvas e a mudanças contratuais na licitação para realizar as obras.


Pelo fato do nível do rio ultrapassar o normal, as barcaças e dragas, usadas no desassoreamento, não  tem estrutura para alcançar o leito do rio. No caso da licitação, Dráuzio informa que houve uma mudança de gestão dos contratos: a concessão do serviço para a realização das obras passa de 12 para cinco anos. Isso representa vantagem à empresa e ao governo, pois proporciona um rompimento contratual mais ágil em caso de ineficiência nas obras.


A eficiência do modelo de contrato e das operações é colocada à prova, principalmente, nesses últimos meses. Segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo, os pontos de alagamento praticamente triplicaram em quatro anos às margens do Tietê. Considerando apenas o bimestre inicial de cada ano, foram 36 pontos em 2008 e 101 neste ano. E com isso, os transtornos aos moradores da região se intensificaram. “Na época de chuva não dá para ficar tranquila em casa: é sempre em estado de alerta para levantar móveis e tirar o carro da garagem para não perder. E com essa pausa das obras, essa preocupação não vai acabar tão cedo”, conta Monica Meira, estudante do Mackenzie, que mora próximo à Marginal do Tietê. Sobre a pesquisa, Drauzio é enfático: “a imprensa é muito sensacionalista”.



Barcaças e dragas estacionadas: chuvas e contratos

“A responsabilidade é do regime de chuvas, muito intensas nesse ano, das ocupações irregulares, do  aquecimento solar (sic)”, segundo Agianotto. Apesar de apontar fatores externos, o engenheiro reconhece que o DAEE é inteiramente responsável por controlar a quantidade de água aceitável no rio. Cabe à SABESP e à CETESB cuidarem dos níveis de poluição.


Em meio às margens atulhadas de lama e lixo, o rio Tietê enche sem controle. E, enquanto esperam equipamentos e contratos mais eficientes, quem sofre é a população que não tem como escapar dessa selva urbana negligenciada por tantos anos.


[texto para disciplina de Redação e Edição, jornal laboratório Comum. Palpitem!!]

sábado, 8 de janeiro de 2011

Enchentes escondidas na Folha

É ridículo ver como a grande imprensa paulista, nesse caso a Folha de S. Paulo, trata determinados assuntos. É óbvia a prioridade para destruir certo governo e esconder as falhas e omissões gravíssimas daqueles que administram nossa cidade e nosso estado.


As enchentes em São Paulo ganharam, na primeira página, o destaque de um pé de página, unicamente acima da tal árvore acorrentada no Centro que a Folha cismou nesses tempos. Já no caderno de Cotidiano, pouco mais de meia página - C4 (página par, ou seja, menos visível do que a ímpar e, portanto, mais desvalorizada para anúncios).


Ah se fosse a Dilma a responsável por manutenção de córregos e demais aparatos para evitar as enchentes...


PS.: Enquanto uns falam de menos, outros, como o bom e velho Datena, insistem em falar demais, de forma desmedida e também descomprometida com o jornalismo de fato.