quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O diabo e a política

Texto de Carlos Heitor Cony - publicado na Folha de S. Paulo em 29/11/2005.

O diabo e a política

Sempre que leio os jornais, lembro uma historinha que nem sei mais quem me contou. Naquela aldeia, todos roubavam de todos, matava-se, fornicava-se, jurava-se em falso, todos caluniavam todos. Horrorizado com os baixos costumes, o frade da aldeia resolveu dar o fora, pegou as sandálias, o bordão e se mandou.

Pouco adiante, já fora dos muros da aldeia, encontrou o Diabo encostado numa árvore, chapéu de palha cobrindo seus chifres. Tomava água de coco por um canudinho, na mais completa sombra e água fresca desde que se revoltara contra o Senhor, no início dos tempos.

O frade ficou admirado e interpelou o Diabo:

- O que está fazendo aí nesta boa vida? Eu sempre pensei que você estaria lá na aldeia, infernizando a vida dos outros. Tudo de ruim que anda por lá era obra sua - assim eu pensava até agora. Vejo que estava enganado. Você não quer nada com o trabalho. Além de Diabo, você é um vagabundo!

Sem pressa, acabando de tomar o seu coco pelo canudinho, o Diabo olhou para o frade com pena:

- Para quê? Trabalho desde o início dos tempos para desgraçar os homens e confesso que ando cansado. Mas não tinha outro jeito. Obrigação é obrigação, sempre procurei dar conta do recado. Mas agora, lá na aldeia, o pessoal resolveu se politizar. É partido pra lá, partido pra cá, todos têm razão, denúncias, inquéritos, invocam a ética, a transparência, é um pega-pra-capar generalizado, eu estava sobrando, não precisavam mais de mim para serem o que são, viverem no inferno em que vivem.

Jogou o coco fora e botou um charuto na boca. Não precisou de fósforo, bastou dar uma baforada e de suas entranhas saiu o fogo que acendeu o charuto:

- Tem sido assim em todas as aldeias. Quando entra a política eu dou o fora, não precisam mais de mim.

Original aqui

Minha paciência abortou

Já estou cansado (e imagino que não só eu) do púlpito no qual essa campanha presidencial se tornou. No ritmo que vão as coisas, no lugar de mesários verificando os títulos, as seções eleitorais terão padres conferindo se a carteirinha de sócio da igreja está em dia  (mas, atenção: só vale documento com foto, porque nem em nome do pai, do filho e do espírito santo, será aceito para votar se não tiver foto) , se o "fiel-eleitor" está comungando direitinho; no lugar de urnas eletrônicas, pequenas embalagens para você contribuir com uma pequena "doação de campanha". E, no final, ao invés de comprovante, você receberá um terço de bolso e uma pequena bíblia.


Convenhamos, candidatos, há temas mais importantes para ser discutidos do que essa lenga-lenga religiosa - vivemos num país laico (?) - portanto, o que me importa se o candidato é devoto, ateu ou satanista? Isso fará dele um melhor presidente?


Meu recado aos padres: que tal se dedicarem à investigação e punição de abusos cometidos por membros da sua igreja contra "criancinhas" inocentes? Seria de mais validade para a "ética e todos os valores de defesa da vida".


Já abortaram com minha paciência. Se Deus existe ou está com muita raiva de como têm sido usados seus instrumentos - politicamente- , ou ele está rindo muito, mas muito mesmo.

Privatizações

Um dos editoriais da Folha de São Paulo de hoje (13/10) critica o que teria se tornado a empresa brasileira de Correios e enaltece o que achama de "benéficas privatizações de setores ineficientes da economia brasileira". Seriam dessas boas privatizações, a Telefonica um exemplo?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aborto, privatizações e ‘calúnias’ esquentam debate entre Serra e Dilma

Da BBC Brasil

Em um embate acalorado, marcado pela troca de acusações, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) se enfrentaram neste domingo no primeiro debate presidencial do segundo turno.

No evento, promovido pela TV Bandeirantes em São Paulo (SP), os candidatos puderam fazer perguntas diretamente um ao outro e abordaram inúmeros temas polêmicos, como a questão do aborto e as privatizações.

Já a partir de sua primeira pergunta, Dilma acusou Serra de realizar uma campanha “caluniosa” contra ela, acusando pessoas próximas do candidato de espalharem mentiras a respeito da petista.

“Eu acho que a sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações”, disse a petista. “(Essa campanha) usa contra mim algo que o Brasil não tem: o ódio.”

Serra disse também ser alvo de calúnias, mas fez uma ressalva. “Vocês confundem verdades ou reportagens, matérias de jornal, com ataques”, disse.

Aborto

Serra acusou a adversária de ter “duas caras” no tocante ao aborto, alegando que ela era a favor, depois mudou de ideia.

“Você defendeu (a liberação do aborto) e, de repente, passa a outra coisa”, disse. “Com relação a Deus, a mesma coisa. Tem entrevistas suas que dizem que você não sabe bem se acredita, se não acredita... depois, vira uma devota.”

A candidata petista lembrou que o adversário, quando era ministro da Saúde, normatizou a prática do aborto prevista em lei no Sistema Único de Saúde.

“Ele normatizou, sim, e eu concordo (com a normatização). A questão que se coloca é se nós vamos para a hipocrisia de fingir que não vemos que milhares de mulheres, 3,5 milhões de mulheres, praticam o aborto em condições precárias e recorrem ao SUS, e eu me pergunto: vão prender essas mulheres ou vão atender?”

Privatizações

Em duas perguntas no segundo bloco e em uma no terceiro, a candidata petista insistiu em debater com o adversário seu posicionamento em relação às privatizações.

Dilma citou uma entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à revista Veja em que ele disse que Serra foi um dos que mais lutaram pela privatização da Vale do Rio Doce e sugeriu que Serra seria a favor da privatização da Petrobras.

Serra rebateu dizendo que o governo Lula privatizou dois bancos e que o PT ataca as privatizações em eleições, mas na prática adota o mesmo procedimento.

Segundo ele, fundos de pensão de empresas estatais, “muitos deles liderados por petistas”, se beneficiaram ao adquirir ações de estatais vendidas.

A petista disse que, até recentemente, Serra procurou avançar com privatizações no Estado de São Paulo, tentando vender o banco Nossa Caixa - uma acusação falsa, segundo o tucano.

Segurança e saúde

Se Dilma insistiu em discutir as privatizações, Serra decidiu concentrar suas perguntas em dois temas principais – segurança e saúde.

Em uma das duas perguntas que fez à adversária sobre saúde, Serra perguntou por que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tem “atrasado” a liberação da venda de medicamentos genéricos.

Dilma disse que o governo Lula ampliou a oferta de genéricos, que começaram a ser vendidos quando Serra era ministro da Saúde.

Serra disse que a candidata não respondeu à sua pergunta e acusou o governo Lula de “lotear” a Anvisa, “politizando” seu funcionamento.

Sobre segurança, Serra voltou a defender a criação de uma Guarda Nacional, que teria entre suas atribuições a defesa das fronteiras, e de um Ministério da Segurança.

“Não se resolve o problema criando Ministério”, afirmou Dilma, que disse acreditar que “o processo de resolução da segurança é de longo prazo”.

O tom de Dilma durante o debate pareceu surpreender o candidato tucano, que no final do quarto bloco se disse “surpreso” com a “agressividade” da adversária, que o questionou sobre a possibilidade de ele não dar prosseguimento a programas sociais do governo Lula.

“Eu vou continuar tudo o que deve ser continuado”, afirmou o candidato do PSDB.

domingo, 10 de outubro de 2010

Foto dos candidatos do 2º turno

Pesquisas eleitoreiras

As pesquisas eleitorais mudaram o rumo dessas eleições. Marina Silva tinha condições de ultrapassar José Serra e fazer um segundo turno contra Dilma Rousseff. Não fossem as pesquisas eleitoreiras. Ouvi muita gente dizendo: "ah, eu ia votar na Marina, mas ela não vai ganhar...". Portanto, o humilde autor desse blog não considera mais nenhum tipo de pesquisa que venha falar sobre as eleições. Pode ser um pouco radical, mas a vitória e derrota não são mostrados na frieza de números, mas sim no calor das urnas.

Para 'Economist', ida de Dilma ao 2º turno mostra 'limites' do poder de Lula

Da BBC


Atualizado em  8 de outubro, 2010 - 06:15 (Brasília) 09:15 GMT


Em edição publicada nesta quinta-feira, a revista britânica The Economist afirma que a ida de Dilma Rousseff (PT) ao segundo turno da disputa presidencial mostra que o poder de Lula em transformá-la numa “rainha” tem limites. No entanto, a revista prevê que, “no fim, é provável que ele (Lula) vença”.


A Economist atribui o segundo turno ao “impressionante” desempenho da candidata do PV à Presidência, Marina Silva, e diz que os 19,3% que ela obteve a tornam a “terceira colocada mais bem sucedida em todas as seis corridas presidenciais após a ditadura”.


A revista cita a repercussão que houve na Europa por “uma candidata verde ganhar um quinto dos votos presidenciais”, mas pondera que muitos eleitores optaram por Marina não por suas posições sobre o meio ambiente, mas sim por sua crença evangélica e por sua “serenidade”, que teria agradado aos que buscavam “uma alternativa aos pouco carismáticos líderes da disputa”.


A reportagem diz que a transferência de votos de Dilma a Marina na última hora pode ter sido causada por uma polêmica sobre as leis brasileiras sobre aborto. “A sra. Rousseff tentou contornar suas falas anteriores em favor da escolha (da mulher) ao dizer que ela era ‘pessoalmente’ contra o aborto, mas alguns bispos católicos e pastores evangélicos aconselharam os seus rebanhos a votar em outros (candidatos)”, diz a revista.


Apesar do crescimento de Marina, a Economist afirma que o apoio da ex-candidata no segundo turno pode não fazer muita diferença, argumentando que quem vota em terceiros colocados tende a decidir o voto de forma independente.


Novo líder


Antecipando os desdobramentos da derrota que prevê para o candidato tucano José Serra, a revista diz que o PSDB, ainda que continue a controlar São Paulo e Minas Gerais, terá de “encontrar um novo líder (flag-bearer)”, citando o senador eleito e ex-governador de Minas Aécio Neves como o “provável candidato” do partido às próximas eleições presidenciais.


Em outro texto sobre as eleições brasileiras, a publicação elogia o sucesso no uso das urnas eletrônicas, que fez com que “a maioria dos resultados fosse anunciada antes do horário de dormir” no dia da votação. No entanto, diz que “nenhuma tecnologia pode acelerar as cortes do país”, referindo-se à lentidão da Justiça em julgar os casos de candidaturas impugnadas.


A revista cita o Pará, onde dois dos três líderes da corrida ao Senado tiveram as candidaturas contestadas, e registra a vitória de Tiririca, “um palhaço conhecido por uma música de sucesso”. Diz que ele ainda precisará provar que sabe ler e escrever, mas que, mesmo que falhe, elegerá três aliados, graças à lei eleitoral que faz com que candidatos bem votados transfiram votos para colegas de coalizão.

Paradoxos da Bola





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Jornalistas e jornalistas

Copiando a ideia da amiga Thaty Nestlehner (Eu pensei e postei), resolvi escrever sobre o tal ofício chamado jornalista. Vivo dizendo que, quando eu crescer, quero ser parecido com o Paulo Cabral, correspondente da BBC no Brasil. Adicionei mais um personagem à minha lista de admiração: Caco Barcellos. Atualmente apresentador do Profissão Repórter, da TV Globo, o jornalista, também autor de livros, como Rota 66 (o qual lerei em breve), fala com muita propriedade sobre o tema violência. Fiquei fascinado com suas opiniões e trabalhos desenvolvidos sobre o tema. Achei que suas ideias serviram para sacudir algumas pessoas que parecem nunca terem pisado fora de seus bairros de "gente rica, onde a cidadania chega". Esse chacoalhão, especialmente para alguns, serve, em certa medida a todos nós, já que "a culpa não é de quem não sabe, mas sim de quem não informa". Não citarei mais boas frases dele, você pode conferir o registro aqui.

Fica a lembrança de que o jornalista é um agente social e não como pensam alguns, inclusive Mônica Waldvogel, que o profissional se limite informar, "deixando a  mudança da sociedade para os movimentos sociais".

A essência do jornalismo reside na capacidade de efetuar transformações sociais positivas por meio do esclarecimento. Ponto.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

Praticar também ensina, e muito

O conhecimento que estou adquirindo durante a universidade é gigantesco. E, apesar da boa teoria ensinada, a prática conta muito. E é por meio de trabalhos práticos que essa preciosa instrução vem, pois conseguimos aliar ambas as formas de conhecimento citadas acima.


Esse post é curtinho e reflexo de um final de semana dedicado exclusivamente à diversão. Como disse a um amigo agora há pouco: sábado e domingo foram intelectualmente imprestáveis. Mas, brincadeiras à parte, gostaria de dividir com vocês uma experiência muito interessante que ocorreu na sexta-feira à tarde.


Eu e minha dupla estamos escrevendo uma reportagem para uma de nossas disciplinas, a qual selecionará textos que farão parte de um jornal laboratório. Nossa pauta prevê a entrevista com comerciantes ambulantes do entorno do Mackenzie.


Como já tínhamos fotografado alguns deles para outra disciplina, soubemos quais deles seriam mais receptivos a responder perguntas. O grande receio deles era que fôssemos da prefeitura, e eles se mostravam extremamente retraídos com a câmera, esperando que saíssemos correndo dali e chamássemos o "rapa".


Adotamos "procedimento-padrão": com um bloco em mãos saímos para perguntar e registrar as respostas. O primeiro ambulante não quis responder, o segundo respondeu secamente. Então chegamos à seguinte conclusão: o papel e tomar notas intimida os entrevistados nesse caso específico. Fomos fazer a prova: conversamos com a funcionária de um carro de cachorros-quentes. Primeiro com o papel na mão, ela não quis responder nada (disse que só com o dono); lamentamos com ela, guardei o bloco e começamos a perguntar aquilo que era necessário saber e registramos mentalmente tudo o que ela disse na "conversa informal".


Ou seja, fica a dica: muitas vezes, um bate-papo informal vale muito mais do que rígidas entrevistas com papel e caneta intimidando o entrevistado e, afinal de contas, são pessoas, você se surpreende com as respostas que elas dão. E o mais importante é não pensar nas pessoas como meros números para colocar em uma reportagem: avaliar toda a carga sentimental trazida à tona do entrevistado dá um ar mais emocional à matéria, consequentemente mais humano.

sábado, 4 de setembro de 2010

Quando Abutres ganham Poderes

Saliento dois filmes que dizem muito sobre a imprensa, especialmente a brasileira dos últimos tempos: "O Quarto Poder" (Mad City, 1997) e "A Montanha dos Sete Abutres" (Ace in the Hole, 1951). Ambos tratam dos mesmos temas: o excesso de sensacionalismo  - digo excesso, pois todo formato de jornalismo é sensacionalista, ou seja, visa atingir o público por meio de sensações, porém o condenável é o abuso desmedido dessa prática - na cobertura de assuntos críticos, dilemas éticos e até que ponto o jornalista tem o poder de intervir (e controlar) situações em nome da cobertura jornalística.


N'O Quarto Poder, de Costa Gravas, o repórter Max Brackett (Dustin Hoffman, Todos os Homens do Presidente), após se desentender com um colega no ar, é mandado para o noticiário local. Passado algum tempo, Max é mandado a um museu para cobrir a possibilidade de fechamento por problemas financeiros.





[caption id="attachment_654" align="alignleft" width="300" caption="Max Brackett fala com a emissora e inicia a cobertura interna e em tempo real do sequestro"][/caption]

Ele só não contava que um dos seguranças demitidos, Sam Baily (John Travolta, Grease) por conta da redução de gastos entrará no prédio armado e fará a diretora do museu, um grupo de crianças e sua professora reféns. O repórter, que estava dentro do banheiro, começa a transmitir, ao vivo, o sequestro, auxiliado por sua assistente, a qual está fora do local. Após alguns acontecimentos, Max Brackett se vê auxiliando Sam a como lidar com a situação.


Ele quer mais que isso: fazer com que a opinião pública fique a favor do ex-segurança.




[caption id="attachment_655" align="alignright" width="300" caption="Brackett entrevista Sam Baily, de dentro do museu onde o sequestro está em andamento"][/caption]

O circo é armado fora do museu, câmeras e muitos repórteres tentam cobrir o "evento", mas somente Max tem passe livre dentro e fora do museu. Ele entrevista, durante o sequestro, Baily. Para conseguir sua posição privilegiada, é um toma-lá-dá-cá com o chefe comandante das operações. A busca incessante pelo furo, pelo exclusivo, termina drasticamente: o jornalista virou notícia.



Em A Montanha dos Sete Abutres, de Billy Wilder, a situação não é muito diferente. Um repórter mal-caráter, Chuck Tatum (Kirk Douglas), após ser demitido de vários jornais, vai bater à porta de um pequeno jornal local de Albuquerque. Após um ano de trabalho, seu chefe, Sr. Jacob Boot (Porter Hall), designa-o para cobrir uma festa de caça às serpentes.




[caption id="attachment_657" align="alignright" width="300" caption="Desde o início, Chuck Tatum se incomoda com a frase do quadro: "Fale a Verdade"."][/caption]

Porém, no caminho do evento, Chuck e seu assistente se deparam com uma situação que promete render uma boa história: um homem caçador de antiguidades, Leo Minosa (Richard Benedict) fica soterrado no desabamento de parte da ruína indígena na qual ele trabalha.



O repórter sem escrúpulos publica a história, o que começa a atrair curiosos para a local. Mas ele não para por aí. Faz um acordo com o Xerife (Ray Teal) e consegue acesso exclusivo ao lugar no qual Leo está preso.




[caption id="attachment_658" align="alignleft" width="300" caption="A multidão que canta e consome diferentes artigos em volta das ruínas onde Leo Minosa está soterrado"][/caption]

Ele também convence o coordenador da equipe de resgates a executar o procedimento mais longo para retirada do homem dos escombros (ao invés do mais simples de 16 horas, optam pelo mais demorado, de 7 dias). Enquanto isso, a mulher de Minosa, Lorraine (Jan Sterling), ganha dinheiro com a multidão que chega para acompanhar o drama de perto. A visita da reserva era gratuita, mas ao final do filme, ela custa um dólar por carro. Mais uma vez, o filme tem desfecho trágico e o jornalista cai em desgraça.


Nem preciso relacionar aqui os casos de cobertura excessivamente sensacionalista da mídia brasileira nos últimos tempos. Assistir a esses filmes é praticar um exercício de análise e reflexão profunda sobre a imprensa que temos e se ela é nosso desejo, enquanto cidadãos e jornalistas.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Encontro com Ricardo Boechat

Palestra não é o nome correto para o evento. Encontro. Esse termo cabe perfeitamente.





[caption id="attachment_647" align="alignleft" width="254" caption="Ricardo Boechat: passou por jornais impressos, revistas e está, atualmente na TV e no Rádio."][/caption]

O bate-bapo, ontem pela manhã, com o jornalista Ricardo Boechat, atualmente apresentador do Jornal da Band e integrante de programas da rádio BandNews, foi descontraído e proveitoso. Simpático e muito engraçado, o "rapaz" de 41 anos de profissão,  e que chegou carregando uma pilha de cinco jornais, contou detalhes de sua formação profissional e peculiaridades do "ser jornalista".

De camiseta e jeans, Boechat contagiou os estudantes, em maior quantidade de Jornalismo, com sua animação e informalidade. Discutiu aspectos jornalísticos atuais, criticando inclusive os telejornais. Disse que é o tipo mais "ralo" de fazer notícias e o mais "roteirizado". Criticou a padronização das atitudes gestuais dos repórters além das obviedades presentes nesse modo noticioso. E revelou que sua grande paixão é o rádio. Segundo ele, por conta da proximidade com o espectador.


Apesar de gostar da interatividade proporcionada pelo meio radiofônico, Ricardo Boechat não esconde seu desgosto pelas novas tecnologias de informação. Contou dois episódios engraçados envolvendo Twitter e o rádio Nextel. No primeiro, disseram a ele que mandasse algo para o Twitter de alguém. Ele perguntou qual seria. Responderam "@" e o nome. Ele se indignou: deveria ter outro complemento de endereço. No caso do rádio, ele pensou que a senhora se enganara ao colocar um asterisco em meio aos números. Não sabia da necessidade de haver um sinal desses no "número de telefone".


O momento máximo foi quando Boechat mostrou seu "computador": um caderno antigo, caindo aos pedaços (mesmo!) com telefones de todas as pessoas que você possa imaginar (desde Dercy Gonçalves até Oscar Niemayer). Quarenta e um anos de trabalho para construir, além de credibilidade, uma lista telefônica - e de emails - daquele tamanho.


Ricardo Boechat não tem diploma, mas considera importante uma formação acadêmica. Porém, diz não saber o que se ensina nas escolas de jornalismo, pois, segundo ele, aprendeu tudo na prática. Comentou o fechamento da versão impressa do Jornal do Brasil e suas experiências na Copa da África do Sul.


Em breve, selecionarei alguns trechos "radiofônicos" do evento e postarei por aqui. Aguardem!


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Política se discute sim, e muito!



[caption id="attachment_644" align="alignleft" width="300" caption="Política: quem disse que não se discute?"][/caption]


Reza o senso comum que "religião, política e futebol não se discute". Discordo totalmente, aliás discordamos . É só uma maneira de manter tudo como está. Agora, algo muito questionável é a maneira de se fazer os debates. Longe das baixarias, da troca de farpas e ofensas entre os candidatos, especialmente à presidência da República, gostaria de parabenizar alguns colegas de sala, em torno dos quais, nossas conversas têm caído, de forma recorrente, no tema eleições. É louvável e de motivo de orgulho que, apesar de apresentarmos posições politicas completamente diferentes, sabemos discutir sem brigas ou tentativas de ser "o dono da verdade". São discussões pautadas pelo respeito e pelo reconhecimento de que não há candidato perfeito. Sabemos apontar falhas partidárias, e de membros dos famigerados partidos, de ambos os lados da questão. E o ponto-chave do nosso entusiasmo político é justamente pela política, e não pela politicagem barata ou militâncias extremistas.


Cada um sabe defender seu ponto de vista de forma civilizada e um tema o qual, geralmente, os jovens não gostam se torna motivo de conversas, teorias e sugestões para mudar o país por meio do voto. E daqui algum tempo, lembraremos das fervorosas discussões acerca de Paulo Maluf e suas "grandes obras", Tiririca, Raul Gil Jr., as mulheres-fruta, família Sarney, o uso da mídia tradicional pelo Serra, o mensalão do PT e do DEM, as gracinhas de Plínio de Arruda...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

BBC Brasil e CBN realizam série de debates 'O Futuro do Brasil'

Da BBC Brasil



A BBC Brasil e a rádio CBN realizam neste mês de setembro uma série de três debates com especialistas de diversas áreas com o objetivo de analisar os principais desafios a serem enfrentados pelo Brasil nos próximos anos.

Abordando quatro grandes temas – economia, educação, política externa e meio ambiente – os encontros do ciclo ‘O futuro do Brasil’ acontecerão em São Paulo e também contarão com a presença de jornalistas da BBC Brasil e da CBN.

Todos os debates serão realizados entre 20h e 21h30 no Espaço Reserva Cultural (Av. Paulista, 900, São Paulo). Os interessados em participar da plateia devem se inscrever neste Clique link. As vagas são limitadas.

Encontros

O primeiro debate, marcado para o dia 13, terá como tema ‘A Riqueza do Brasil – Os Desafios da Economia’ e trará entre os debatedores o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, além dos economistas Fabio Giambiagi, Antônio Corrêa Lacerda e Paulo Francini.

Participam também a correspondente da BBC Brasil em Brasília, Fabricia Peixoto, e o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, da CBN.

‘A Capacidade do Brasil – O Papel da Educação’ é o tema do segundo encontro, que acontece no dia 20 de setembro e contará com a presença dos economistas Gustavo Ioschpe e Naércio Menezes Filho, de Ilona Becskeházy, diretora-executiva da Fundação Lemann, e de Mozart Neves Ramos, da ONG Todos pela Educação.

O subeditor da BBC Brasil, Diego Toledo, e o jornalista da CBN, Milton Jung, também participam do encontro.

O último debate acontece no dia 27 de setembro e terá como tema ‘O Brasil no Mundo – Política Externa e a Defesa do Meio Ambiente’.

Participam do encontro Ricardo Seitenfus, representante da OEA no Haiti, o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia, José Eli da Veiga, professor da Faculdade de Economia da USP, e Sérgio Besserman, professor de Economia da PUC-RJ.

O encontro também terá a presença de Rogério Simões, diretor da BBC Brasil, e do jornalista Heródoto Barbeiro, da CBN.

Os debates estarão disponíveis nos sites da BBC Brasil e da CBN (www.cbn.com.br) e também serão transmitidos pela rádio no final de semana seguinte à sua realização.


sábado, 28 de agosto de 2010

Músicos que tocam com a alma

Não basta saber tocar bem. É necessário, como bem disse minha amiga Fernanda Toyomoto, "tocar com a alma". Foi isso que Chico Esperança e sua banda fizeram, na noite de ontem, no Bar Lua Nova, região do Bixiga, em São Paulo. O lugar, ao contrário do que alguns disseram, é sensacional. Aconchegante e muito familiar, serviu de inspiração para que os músicos emocionassem a plateia, com canções próprias e de outros autores.


A música, tipicamente nordestina, fez aqueles que assistiam a viajar. Numa mistura de apitos imitando sons de aves, violão, violino, violoncelo, uma série de tambores, flauta tranversal e outros tantos instrumentos, Chico e amigos conseguiram a atenção dos espectadores. No show, denominado Cantos, Contos e Cantoria, o que não faltou foi alegria. O evento não parou ao cessar das canções, mas foi madrugada adentro. Conversas animadas dominaram as mesas.


Uma pequena amostra de Chico Esperança.






sábado, 21 de agosto de 2010

Sobre o 1º Encontro dos Blogueiros

[O post está longo, mas o assunto compensa, vão por mim!]


Ocorreu hoje, das 9h às 19h, no Sindicatos dos Engenheiros de São Paulo, o  dia inicial do chamado 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, o qual reuniu mais de 300 blogueiros de 19 estados do Brasil. Contou-se com a presença de Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha e uma série de outros profissionais gabaritados. A discussão que permeou a reunião foi o papel preponderante exercido pelos blogs enquanto alternativa à mídia tradicional brasileira. Foram levantados temas atuais, como as mudanças bruscas na TV Cultura de SP e assuntos pontuais referentes, diretamente, às páginas online: ferramentas complementares, discussões acerca do Twitter, questões jurídicas (ameaças fundamentadas ou não de processos, responsabilidade na postagem de conteúdo) e, como não poderia deixar de ser, muita política.





[caption id="attachment_617" align="alignleft" width="300" caption="Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, no 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Foto: Lambujja"][/caption]

O Encontro, sem sombra de dúvidas, foi muito positivo para a melhor organização das ações da Blogosfera. Porém, antes de prosseguir, devo fazer algumas ressalvas sobre acontecimentos do evento e o "movimento" em torno da rede de blogs.


O primeiro deles propõe que o "organismo" seja apartidário: não foi o ocorrido por lá. Militantes do PT e de outros partidos ditos de esquerda, com camisetas de Dilma Roussef (inclusive, o ator José de Abreu). Até o Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, passou pelo evento. Havia também o candidato a deputado federal e blogueiro, Brizola Neto. Oras, cadê o apartidarismo?


Outro ponto celebrado no encontro foi a diversidade, o respeito ao diferente a pluralidade de opiniões. Claro, a diversidade cultural fervilhou, já a de opiniões nem tanto. Por duas vezes, a manifestação contrária foi criticada. Em uma, o participante perguntou se os blogueiros mais "importantes" não substuiriam a grande mídia no controle da informação nesse processo e criticou a mentalidade do governo de Lula. Segundo o blogueiro, o governo federal tem mentalidade tucana. A plateia ficou incomodada e ouviram-se comentários dispersos. Na segunda vez, quando a blogueira Conceição Oliveira falava sobre o Twitter, mostrou-se claramente a favor da candidata petista ao Planalto. Uma voz na plateia pediu que ela se concentrasse na ferramenta e deixasse o "proselitismo partidário" de lado. As pessoas que assitiram, mais uma vez, ficaram irrequietas, com gemidos e assobios cochichados. Achei ambas as intervenções dos questionadores muito válidas.





[caption id="attachment_618" align="alignright" width="300" caption="Abertura do Encontro. Foto: Lambujja"][/caption]

Criticar as políticas de José Serra, sim. Apontar os erros, claro, agora não esqueçamos que os outros candidatos não são perfeitos. E que a proposta é não ter um partido. Não vi ninguém por lá fazendo propagandas de Marina Silva, Rui Costa Pimenta ou Levy Fidelix.


Quero ressaltar que a organização não tomou parte das críticas manifestadas pela plateia, mas um organismo é feito de membros, os quais, nesse caso, majoritariamente expressaram-se, e pensam, dessa maneira ruim. Onde está o espírito crítico que diferencia os blogs, da "velha" imprensa tão criticada por nós? Essa questão, me fez rever, inclusive, meus votos.


Imaginei que a plateia estaria lotada de jovens. Eu vi muito mais gente de cabelos brancos do que com espinhas no rosto.


Fora esses acontecimentos, uma série de grandes ideias são muito pertinentes, podem (e vão) colocar os blogs na linha de frente da informação, combatendo excessos e abusos promovidos pelos grandes oligopólios de comunicação.





[caption id="attachment_619" align="alignleft" width="300" caption="Da esquerda pra direita: Altamiro Borges, Rodrigo Vianna, Débora da Silva e Luís Nassif. Foto: Altamiro Borges"][/caption]

Chamaram-me a atenção dois casos, um dos quais não conhecia. As palavras de Débora da Silva me comoveram profundamente. Ela é colaboradora do blog Mães de Maio. Pessoa humilde e muito batalhadora. Impressiona sua força de vontade. Como mãe, atua na luta para o esclarecimento da matança indiscriminada promovida pela polícia paulista nos episódios do PCC, em 2006. O segundo caso, é o do blogueiro Mosquito, do Tijoladas do Mosquito, o qual denunciou o crime bárbaro de estupro de uma garota de 14 anos por três jovens, incluindo o filho de um dos diretores da RBS, afiliada da Rede Globo, em Santa Catarina. A "grande" mídia abafou o caso. Mosquito não. Inclusive, sofre ações na justiça (?) por conta dessa denúncia.




[caption id="attachment_620" align="alignleft" width="300" caption="Plateia acompanha atenta, e conectada, o 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Foto: Altamiro Borges"][/caption]

Foram muito esclarecedoras as exposições sobre a parte de ganho financeiro com os blogs (Geórgia Pinheiro, do Conversa Afiada e Leandro Guedes, da Agência Café Azul) e as questões judiciais (principalmente com, Diego Casaes, do Global Voices, Túlio Vianna, professor da UFMG na área do Direito e Marcel Leonardi, professor da FGV). Sérgio Amadeu levantou o perigo do fim da "neutralidade da rede". O que é isso? Em suma: quem paga mais, abre seus endereços com mais rapidez do que os que pagam menos. Por exemplo: o site da Veja abriria muito mais rápido que meu blog, pois eles comprariam mais pacotes das empresas de comunicação da Internet. Algo extremamente perigoso. Se levado a cabo, pode trazer graves consequências.



Sem dúvidas está sendo um grande passo adiante. Amanhã será o encerramento. Trarei notícias a vocês sobre. Desde já agradecendo e parabenizando os membros da organização do evento, sem os quais seria impossivel viabilizar esse marco, não só para a imprensa brasileira, mas para todo o Brasil.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

1º Encontro dos Blogueiros Progressistas

Amanhã tem início uma experiência extremamente interessante e que ilustra um novo momento da mídia no Brasil: o 1º Encontro dos Blogueiros Progressistas. São grandes as minhas expectativas para o acontecimento. Com nomes conhecidos e reconhecidos no cenário atual do Jornalismo brasileiro, como Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna, esse final de semana representa uma outra voz aos acontecimentos, especialmente políticos, que são tratados de forma diferente pela mídia tradicional.

Os resultados serão divulgados por aqui. Acompanhem e façam parte dessa alternativa. Há muitas pessoas se dedicando para construir um novo Jornalismo por aqui.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Enterrado vivo

[O vídeo do post era pra ter ficado melhor, porém o programa de edição não colaborou]

Gente se espremendo para conseguir chegar em casa. É a rotina do paulistano. Devem estar pensando: "putz, que cara chato, não sabe falar de outra coisa, só transporte". Aproveitei sugestão do amigo e leitor Marcelo Albuquerque e da barbárie da qual, involuntariamente, participei: entrar no trem que faz a linha Osasco-Grajaú às 18h30 de hoje. O vídeo não contempla tudo o que vi. Pessoas se espremendo para caber no trem, empurrando uns aos outros de forma brutal, animalesca. E tenho consciência de que isso não é o pior: tem gente enfrentando animalidades maiores por ai. Mas, hoje, fui enterrado vivo no meio da multidão naquele trem.


As eleições já estão, segundo as pesquisas, praticamente definidas. Quem estava aí, até agora, não fez quase nada pra amenizar a situação dos transportes (e o pouco feito é insuficiente). E quem está por vir, tampouco se preocupará, qualquer que seja a legenda, afinal de contas, essa corja tem helicóptero. Pra que se espremer, não?


Vejam os vídeos abaixo. O primeiro é de minha autoria. Os na sequência são flagrantes piores.







Nesse, algumas pessoas paracem gostar do perigo e da falta de trens. Acham que é um Hopi Hari às margens do Rio Pinheiros.







[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=S-5SFIE48VI&feature=related}

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A day without rain

A sky without clouds

A life without darkness

Is it possible?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Recomeço indigno

Quarta-feira (04), voltei às aulas da faculdade. Já estava sentindo falta dos amigos Mackenzistas. Apesar de voltar com todo o gás e energia para mergulhar nas obrigações, prometo às viv'almas que leem este singelo blog que não deixarei de postar com a religiosidade, todas as sextas-feiras. Hoje, terminei a leitura da grande obra 1984, de Geogre Orwell e já adianto, em breve, haver um post exclusivo sobre o assunto.


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Com o frio de lascar, retornamos às aulas e com elas, vem o megatransporte público de São Paulo. Hoje o ônibus lotou tanto, mas tanto, que eu gostaria de colocar ali, naquele espaço apertado e desconfortável, Serra, Kassab, Alckmin, Marta Suplicy, Maluf e toda a corja de vereadores, deputados e senadores demagogos e pregadores de promessas de melhorar o transporte e que não fazem absolutamente nada. Vangloriam-se de ter feito uma micharia de metrô e melhorias nos corredores de coletivos. Se fôssemos montados em jumentos, chegaríamos mais rápido aos nossos destinos. Aí, na hora que o povo se revolta e fecha avenidas, queima pneus e depreda os veículos, dá-lhes borrachadas, afinal é tudo pobre mesmo. Borrachada têm que dar os eleitores nesses bandidos de terno, utilzadores da educação apenas na hora de pedir votos.







O pior de tudo é que nas eleições, ao invés de se priorizar a discussão de propostas efetivas, para resolver os problemas, não, ficam apenas trocando farpas e apontando erros do coleguinha de profissão (político). Chega! Fazer política, não é fazer politicagem. Ontem, no ônibus, estive conversando com um trabalhador, senhor humilde, atuante na construção civil, pedreiro, mora em Itapecerica da Serra, a 50 km de onde trabalha. Pega ônibus, trem e metrô para chegar no serviço. Gasta mais de 6 horas no trajeto de ida e volta, 6 dias por semana. No transporte, consome 1/4 de seu dia. Semanalmente são 36 horas dentro de coletivos. Num mês, ele perde 144 horas, ou 1 semana de vida. Quando ele e todos nós poderemos usufruir do nosso direito como cidadãos de forma digna? Quando?