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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Assassinos do menino Juan presos no Rio de Janeiro

Do Estadão

PMs envolvidos no caso Juan são presos no Rio


Inquérito concluído nesta quarta, 20, apontou que menino de 11 anos foi morto por policiais


21 de julho de 2011 | 18h 24

Marcela Gonsalves - estadão.com.br








SÃO PAULO - Os quatro policiais militares suspeitos de envolvimento no assassinato do menino Juan de Moraes, de 11 anos, foram presos na tarde desta quinta-feira, 21. Segundo a assessoria da Polícia Militar do Rio, eles foram levados para o Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, na zona norte do Rio. Os mandados de prisão temporária foram cumpridos pela Corregedoria da PM.


Veja também:
link Inquérito conclui que Juan foi morto por policiais militares


A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense concluiu que, no dia 20 de junho, Juan foi executado pelos sargentos Isaías Souza do Carmo e Ubirani Soares e pelos cabos Edilberto Barros do Nascimento e Rubens da Silva em operação forjada - na qual não houve troca de tiros com criminosos - na Favela Danon, em Nova Iguaçu.


Na última terça-feira, 19, o Ministério Público do Rio de Janeiro havia pedido a prisão temporária dos PMs por dois homicídios duplamente qualificados, duas tentativas de homicídio e ocultação de cadáver.






quarta-feira, 6 de julho de 2011

Policiais do caso Juan mataram mais 36

Do Estadão




PMs do caso Juan estão envolvidos em 36 mortes após confronto com polícia


Somente um dos policiais acumula 18 casos; todos foram afastados dos cargos nesta quarta


06 de julho de 2011 | 18h 10

Clarissa Thomé - O Estado de S. Paulo








RIO - Os quatro policiais militares que participaram da operação em que desapareceu o menino Juan Moraes, de 11 anos, estão envolvidos em 36 autos de resistência - morte de suspeito em confronto com a polícia. Os casos ocorreram ao longo de 11 anos e todos foram registrados na Baixada Fluminense. As informações foram obtidas pelo jornal carioca Extra.


O sargento Isaías Souza do Carmo, de 48 anos, é o que mais está envolvido em episódios em que suspeitos morreram durante operações policiais - dezoito. O primeiro deles foi registrado na 54.ª Delegacia de Polícia (Belford Roxo). O mais recente é de 23 de novembro do ano passado. Três dos registros ainda não foram arquivados.


O cabo Edilberto Barros do Nascimento, de 43 anos, esteve envolvido em 13 autos de resistência. Ele ficou ainda dois meses preso por suspeita de assassinato de Julio Cesar Andrade Roberto, em Nova Iguaçu. Outros três policiais também são acusados do crime. Nascimento e os colegas foram soltos quando a prisão preventiva expirou. A audiência de instrução - quando são interrogadas testemunhas - está marcada para o próximo dia 20.


O cabo Rubens da Silva, de 33 anos, envolveu-se em quatro autos de resistência no ano passado e o Sargento Ubirani Soares, de 44 anos, envolveu-se em em um episódio de morte de suspeito durante confronto com a polícia. Os quatro foram afastados de suas funções na tarde desta quarta-feira, 6.


O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Marcelo Freixo (PSOL), questionou se o Ministério Público do Rio investigou algum dos outros autos de resistência dos policiais envolvidos no caso Juan.


"Eles só se tornaram um problema por causa do Juan? Os outros 36 casos não importaram? Eu quero saber o que o MP fez sobre cada um desses autos. Ou auto de resistência não se investiga?", indagou. / COLABOROU ALFREDO JUNQUEIRA, DE O ESTADO DE S. PAULO.






segunda-feira, 27 de junho de 2011

Onde está Juan?

Depois de um tiroteio entre traficantes e a polícia do Rio de Janeiro, o menino Juan de Moraes, de 11 anos, foi baleado e desapareceu da comunidade Danon, em Nova Iguaçu.


A grande questão é: onde está Juan? Quem levou a criança da cena do crime? O irmão dele foi ferido, mas passa bem.


Foram encontradas manchas de sangue em carros da polícia.


O @reporterdecrime, perfil do Twitter mantido pelo jornalista d'O Globo, Jorge Antonio Barros, lançou no microblog a hashtag #OndeestáJuan. A ideia é cobrar das autoridades o esclarecimento do crime e a entrega imediata dos responsáveis pelo desaparecimento da criança.


Aqui no blog já foram escritos diversos textos sobre a inumanidade de alguns membros da polícia paulista. Agora esse absurdo no Rio.


Brasileiros, devemos nos indignar com tais abusos de autoridade, combatê-los e cobrar o esclarecimento e a punição exemplar dessa escória que mancha a reputação de milhares de policiais que dão a vida para nos proteger.


Tuítem a tag #OndeestáJuan e vamos fazer parte da cobrança por um país mais justo e uma polícia mais humana.


Veja a notícia completa aqui

sexta-feira, 25 de março de 2011

PM's que matam

Da Folha

Relatório atribui a PMs 150 assassinatos


Relatório da Polícia Civil paulista aponta grupos de extermínio formados por PMs como responsáveis pelo assassinato de 150 pessoas na capital entre 2006 e 2010, informa a reportagem de André Caramante publicada na edição desta sexta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL)


Entre as vítimas, 61% não tinham antecedentes criminais. Outras 54 pessoas foram feridas em atentados em que PMs são suspeitos --69% sem passagem pela polícia.


O relatório foi produzido no ano passado e aponta motivações para os assassinatos: 20% por vingança; 13% por abuso de autoridade; 13% pelo que o relatório chama de "limpeza" (assassinato de viciados em drogas, por exemplo); 10% por cobranças ligadas ao tráfico e 5% por cobranças de jogo ilegal; 39% sem razão aparente.


Alguns PMs da lista estão presos. Eles negam os crimes. O Comando-Geral da corporação não se manifestou nem informou exatamente quantos homens já puniu.


A investigação, a cargo do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), aponta dois grupos de extermínio de PMs: um da zona norte, outro da zona leste.


Cerca de 50 PMs são suspeitos de formar e unir os grupos para assumir o controle do tráfico de drogas e explorar jogos de azar.


Editoria de Arte/Folhapress

sábado, 29 de janeiro de 2011

Brincando de Rota 66, a saga

Do Estadão - Especialmente para a @thatyns



Policiais da Rota suspeitos de execução de jovem são afastados


Ruan Araújo, de 19 anos, era suspeito de participar de arrastão em restaurante na Aclimação







SÃO PAULO - O comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo decidiu afastar a equipe das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) envolvida na morte de Ruan Rodrigo Silva Araújo, de 19 anos, suspeito de participar de um arrastão na quinta-feira, 27, no restaurante BiCol, na Aclimação, zona sul de São Paulo [qual a equipe? quem são os policiais, seus nomes completos? quais são suas patentes? o jornal não informa. O "suspeito" assassinado tem nome completo e idade revelados, só faltou o número do RG, CPF e telefone...]. Segundo a PM, os policiais permanecerão afastados "até que os fatos sejam completamente esclarecidos".

A ação no restaurante durou cinco minutos. Policiais da Rota chegaram pouco após a saída do grupo e, pelo celular de uma das vítimas, localizaram um suspeito na Rua dos Estudantes, na Sé, a cerca de dois quilômetros do restaurante.

No relato à Polícia Civil, eles disseram ter avistado Araújo em um Honda Civic preto. O jovem teria pulado do carro e atirado. Os PMs dispararam e acertaram o rapaz três vezes. Ele foi socorrido, mas não resistiu. Moradores disseram à reportagem que Araújo de fato correu, mas não tinha nenhuma arma [grifo meu*].

A PM reafirma a política de "ser implacável na apuração dos desvios de conduta" e diz que divulgará informações complementares conforme o andamento da investigação.





* Caco Barcellos, em Rota 66, comprova que o gesto "humanitário" de socorrer os "feridos", em geral, não é mais que uma tentativa de violar o local do crime dificultando o trabalho da perícia - responsável por apurar as circunstâncias do crime, podendo revelar alguma irregularidade. São casos e mais casos de jovens "socorridos": chegam ao hospital já mortos - muitos já apresentam rigidez cadavérica. Ocorre também de "a troca de tiros" e resistência à prisão serem muitas vezes forjadas pelos policiais, munidos de armas não pertencentes ao suspeito - quase sempre condenado sumariamente, sem direito a um julgamento justo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Brincando de Rota 66

Rota 66, livro-reportagem do jornalista Caco Barcellos destrincha as ações policiais de uma das forças militares urbanas mais violentas do mundo: a ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).


Por meio de um megalevantamento de dados das mortes cometidas por alguns policiais desse departamento da Polícia Militar do Estado de São Paulo (a partir de 1976), ele mostra que a maioria das situações nas quais a ROTA diz ter matado  em confronto, com reação a prisão, de bandidos foi puro e simples assassinato a sangue frio com o "requinte do preconceito social". Segundo notícia abaixo, parece que alguns policiais civis resolveram brincar de ROTA 66:


Da Folha:



Cinco policiais civis são acusados de matar e forjar tiroteio em SP



ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO


Cinco policiais civis da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes (Grande São Paulo) são acusados pela Promotoria de forjar um tiroteio para justificar um homicídio.

Antonio José Delfino, 57, foi morto às 19h30 do dia 18 de junho, quando, sem mandado de busca e apreensão, os policiais invadiram sua casa, em Mogi das Cruzes.

O delegado Fábio Moriconi Garcia, chefe dos policiais, é acusado de prevaricação. Ele concluiu o caso sem receber os laudos necroscópicos e atestou a ação dos policiais.

Os policiais civis denunciados são: Flávio Augusto de Souza Batista, chefe da equipe, Mauricy Ramos de Paiva, Emerson Roberto da Silva, Edney Barroso da Silva e Miguel Arcanjo Filho.

Na versão deles, Delfino era traficante de drogas e atirou nos policiais.

O laudo necroscópico mostrou que Delfino foi morto com sete tiros -quatro na cabeça. Para a Promotoria, seu corpo foi tirado do lugar onde caiu, uma laje acima de onde estavam os policiais.

TRAJETÓRIA

A análise da trajetória dos tiros revelou que os policiais, ao contrário do que dizem, balearam Delfino de cima para baixo, ou seja, ele não estava atirando de cima da laje.

Ao saber da conclusão da médica legista Raquel Barbosa Cintra, que examinou o corpo de Delfino, o delegado Moriconi e seus subordinados Flávio Batista e Mauricy Paiva pediram para que ela alterasse o documento.

Os policiais Emerson Silva e Mauricy Paiva mataram Sérgio Ferreira da Silva, 34, em 10 de novembro de 2009, em circunstâncias parecidas com as da morte de Antonio José Delfino.

OUTRO LADO

O investigador Flávio Augusto de Souza Batista, chefe da equipe da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes (Grande São Paulo) acusada de matar Antonio José Delfino, afirmou que ele e seus subordinados não querem falar sobre as acusações feitas pela Promotoria.

Ainda de acordo com o investigador Batista, o delegado Fábio Moriconi Garcia, acusado pelo Ministério Público de não investigar como deveria a morte de Delfino, está em férias.

A reportagem da Folha também tentou localizar o delegado Garcia, mas não o encontrou.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Jornalistas e jornalistas

Copiando a ideia da amiga Thaty Nestlehner (Eu pensei e postei), resolvi escrever sobre o tal ofício chamado jornalista. Vivo dizendo que, quando eu crescer, quero ser parecido com o Paulo Cabral, correspondente da BBC no Brasil. Adicionei mais um personagem à minha lista de admiração: Caco Barcellos. Atualmente apresentador do Profissão Repórter, da TV Globo, o jornalista, também autor de livros, como Rota 66 (o qual lerei em breve), fala com muita propriedade sobre o tema violência. Fiquei fascinado com suas opiniões e trabalhos desenvolvidos sobre o tema. Achei que suas ideias serviram para sacudir algumas pessoas que parecem nunca terem pisado fora de seus bairros de "gente rica, onde a cidadania chega". Esse chacoalhão, especialmente para alguns, serve, em certa medida a todos nós, já que "a culpa não é de quem não sabe, mas sim de quem não informa". Não citarei mais boas frases dele, você pode conferir o registro aqui.

Fica a lembrança de que o jornalista é um agente social e não como pensam alguns, inclusive Mônica Waldvogel, que o profissional se limite informar, "deixando a  mudança da sociedade para os movimentos sociais".

A essência do jornalismo reside na capacidade de efetuar transformações sociais positivas por meio do esclarecimento. Ponto.