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quarta-feira, 23 de março de 2011

Detalhes do 'Profissão Repórter'

Do Portal Comunique-se

Os bastidores da reportagem. Caco Barcellos conta detalhes do "Profissão Repórter"


Renan Justi


Em sua terceira temporada na TV Globo, o jornalístico "Profissão Repórter" retornará de férias no dia 5/4. Entre as reportagens investigativas que irão ao ar, uma abordará a música popular brasileira, reportagem que quase obrigou o jornalista Caco Barcellos, apresentador e repórter do programa, a largar a pauta. "Passei duas noites sem dormir, estava quase desistindo, mas, de repente, estava na casa deles (família que relutava em atendê-lo)", revela Caco, idealizador do projeto "Profissão Repórter", em Simpósio realizado nesta terça-feira (22/3) na USP, em parceria com o Globo Universidade.


A respeito das diferentes técnicas de produzir e editar as reportagens, o editor Caio Cavechini, ex-aluno de jornalismo da ECA, enfatiza a necessidade da matéria final ser “muito mais do repórter do que editor”,  e que o estilo de reportagem exibida pelo programa depende muito da proximidade entre repórter e câmera. “Nós sempre privilegiamos a narração genuína do repórter, com BG (som de fundo) e as entrevistas em ação”, explica Cavechini, que está no programa desde o início e também exerce o papel de repórter.


Cracolândia
Caco Barcellos entrevistou usuários de crack no centro de São Paulo por duas vezes. No entanto, sua última visita foi marcada por ameaças e apedrejamento ao carro da TV Globo, que foi atingido por crianças viciadas. “Ficamos marcados pela cobertura do crack. Nessa matéria, três moleques chegaram para tentar me apunhalar, mas bastava você encostar o braço neles para afastá-los, tamanha era a fraqueza daquelas pessoas”, relembra Caco, que anteriormente visitou o mesmo local pelo programa "Globo Repórter".


“Driblar assessores”
A denúncia de que treze trabalhadores morreram por exposição excessiva ao sol em um canavial exigiu práticas incomuns à equipe do ”Profissão Repórter”. Caio e Caco lembram que duas reportagens foram feitas para abordar aquele tema, uma delas acompanhada pela assessoria de imprensa da empresa responsável pelos funcionários do canavial, e outra sem a “parceria” dos assessores e com uma microcâmera escondida.


“Quando visitamos o canavial com a assessoria de imprensa, a reportagem ‘funcionou’ porque havia ambulância médica para atender os cortadores de cana, eles estavam vestidos com roupas próprias para trabalhar e tinham sombra para comer no almoço”, conta Caco que, na sequência, pediu para parte da sua equipe se “enfiar no canavial” e mostrar, sem o acompanhamento dos assessores, que nada daquilo mostrado na primeira reportagem representava o cotidiano daquele canavial.


‘Aquela’ reportagem
Questionado sobre qual foi a matéria mais marcante da sua carreira no "Profissão Repórter", Caco escolhe a recente história dos policias do BOPE, vistos, por grande parte da sociedade, como ídolos, mas que tiravam vidas. “Foi corajoso porque foi contra a corrente majoritária”, destacando a abertura da Rede Globo ao veicular um material que desagradaria “84% dos cidadãos que acham os capitães Nascimento os novos heróis da sociedade”, conclui Caco.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Jornalistas e jornalistas

Copiando a ideia da amiga Thaty Nestlehner (Eu pensei e postei), resolvi escrever sobre o tal ofício chamado jornalista. Vivo dizendo que, quando eu crescer, quero ser parecido com o Paulo Cabral, correspondente da BBC no Brasil. Adicionei mais um personagem à minha lista de admiração: Caco Barcellos. Atualmente apresentador do Profissão Repórter, da TV Globo, o jornalista, também autor de livros, como Rota 66 (o qual lerei em breve), fala com muita propriedade sobre o tema violência. Fiquei fascinado com suas opiniões e trabalhos desenvolvidos sobre o tema. Achei que suas ideias serviram para sacudir algumas pessoas que parecem nunca terem pisado fora de seus bairros de "gente rica, onde a cidadania chega". Esse chacoalhão, especialmente para alguns, serve, em certa medida a todos nós, já que "a culpa não é de quem não sabe, mas sim de quem não informa". Não citarei mais boas frases dele, você pode conferir o registro aqui.

Fica a lembrança de que o jornalista é um agente social e não como pensam alguns, inclusive Mônica Waldvogel, que o profissional se limite informar, "deixando a  mudança da sociedade para os movimentos sociais".

A essência do jornalismo reside na capacidade de efetuar transformações sociais positivas por meio do esclarecimento. Ponto.