segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Qualquer semelhança com a realidade...
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Jornalismo B, Dialógico e Diário Gauche debatem cobertura eleitoral
Post do blog Jornalismo B
Jornalismo B, Dialógico e Diário Gauche debatem cobertura eleitoral
20 outubro 2010
Na tarde desta quarta-feira participei de uma mesa redonda sobre a cobertura das eleições, na Semana Acadêmica da Faculdade de Comunicação da UFRGS. Junto comigo, estiveram Claudia Cardoso, do blog Dialógico, e Cristóvão Feil, do Diário Gauche. Cerca de 30 estudantes assistiram ao debate, no auditório da faculdade. Gostaria de explicar aqui o que os outros dois participantes falaram, mas creio que nada melhor do que a leitura de seus blogs para entender como pensam, e o espaço aqui seria curto para tudo o que foi levantado. Por isso, vou resumir aqui rapidamente o que falei, destacando a importância desse tipo de encontro para que aconteça a fundamental troca entre estudantes e palestrantes e entre os próprios debatedores.
São três os eixos principais da disputa midiática no Brasil: a mídia hegemônica, a mídia contra-hegemônica, e o governo. A questão que se impõe a partir da cobertura eleitoral que está para se encerrar é o que acontecerá daqui pra frente.
Nesta campanha, vimos a imprensa dominante organizar-se contra o governo Lula e a candidatura de Dilma Rousseff (PT) principalmente a partir de três dos seus jornais (Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo), de duas de suas revistas (Veja e Época) e de uma emissora de TV aberta (TV Globo). Através de acusações constantes em reportagens e ataques diretos em editoriais, os jornais cumpriram um papel forte na despolitização da campanha, pautando o que se coloca em debate com temas que pouco ou nada tem a ver com projetos amplos para o país.
A TV Globo atuou mais na pré-campanha, mas suas entrevistas com os candidatos no primeiro turno, em especial no Jornal da Globo, mostraram jornalistas preocupados em atacar Lula e Dilma e defender José Serra (PSDB). Outros exemplos também podem ser encontrados em posts anteriores do Jornalismo B.
Em relação às revistas, vimos Veja e Época com atuações de baixo nível contra o PT, enquanto Carta Capital e Isto É alinharam-se aos petistas, sinalização de que o Partido dos Trabalhadores vem deixando de ser contra-hegemônico para transformar-se definitivamente em mais uma elite.
Outro eixo é a mídia alternativa, representadas especialmente pelos blogs. Muitos blogueiros tiveram uma atitude de alinhamento automático à campanha de Dilma, calando perante qualquer possibilidade de crítica ao PT, mas, ainda assim, tivemos uma boa quantidade de comunicadores que se mantiveram independentes, questionadores, mesmo que defendendo candidaturas específicas, como a da própria Dilma. É saudável e natural que assumamos posições, mesmo partidárias, mas não se pode perder de vista que a militância política precisa se dar também fora da esfera partidária, e que, se a imprensa alternativa perde a preocupação com o questionamento, transforma-se em mídia oficial.
O terceiro eixo é o governo. O que se pode esperar de Serra, caso vença? Nada, a não ser a piora das relações com os movimentos sociais e o fim inequívoco de qualquer possibilidade de diálogo. Como vimos em outros governos do PSDB, a lógica é a da repressão, mobilizações são sempre caso de polícia, nada mais. A mídia entra nesse mesmo saco, e qualquer avanço torna-se muito mais difícil. Com Dilma na presidência a perspectiva não é muito melhor. Foram oito anos de governo do PT sem qualquer tentativa de modificar os marcos de mídia no Brasil, como acertada e democraticamente vem sendo feito em outros países da América Latina. A democratização da comunicação é uma necessidade, mas Lula não quis, e Dilma tende a não querer, enfrentar os donos da mídia brasileira para buscá-la. Ainda assim, é claro que a possibilidade de diálogo é maior do que com Serra, e as pressões de movimentos organizados têm mais chances (ainda que remotas) de surtir algum efeito.
Dentro desse cenário, o futuro que espreita é duvidoso. É preciso, em primeiro lugar, que, passadas as eleições, os comunicadores contra-hegemônicas voltem a ser predominantemente independentes, críticos a qualquer governo que assuma. A pressão sobre as entidades governamentais é uma das duas funções essenciais que devemos assumir. A segunda é o enfrentamento à mídia dominante, unido à busca por mobilizar e esclarecer a sociedade sobre a necessidade de repensar a comunicação brasileira.
Postado por Alexandre Haubrich
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
O diabo e a política
O diabo e a política
Sempre que leio os jornais, lembro uma historinha que nem sei mais quem me contou. Naquela aldeia, todos roubavam de todos, matava-se, fornicava-se, jurava-se em falso, todos caluniavam todos. Horrorizado com os baixos costumes, o frade da aldeia resolveu dar o fora, pegou as sandálias, o bordão e se mandou.
Pouco adiante, já fora dos muros da aldeia, encontrou o Diabo encostado numa árvore, chapéu de palha cobrindo seus chifres. Tomava água de coco por um canudinho, na mais completa sombra e água fresca desde que se revoltara contra o Senhor, no início dos tempos.
O frade ficou admirado e interpelou o Diabo:
- O que está fazendo aí nesta boa vida? Eu sempre pensei que você estaria lá na aldeia, infernizando a vida dos outros. Tudo de ruim que anda por lá era obra sua - assim eu pensava até agora. Vejo que estava enganado. Você não quer nada com o trabalho. Além de Diabo, você é um vagabundo!
Sem pressa, acabando de tomar o seu coco pelo canudinho, o Diabo olhou para o frade com pena:
- Para quê? Trabalho desde o início dos tempos para desgraçar os homens e confesso que ando cansado. Mas não tinha outro jeito. Obrigação é obrigação, sempre procurei dar conta do recado. Mas agora, lá na aldeia, o pessoal resolveu se politizar. É partido pra lá, partido pra cá, todos têm razão, denúncias, inquéritos, invocam a ética, a transparência, é um pega-pra-capar generalizado, eu estava sobrando, não precisavam mais de mim para serem o que são, viverem no inferno em que vivem.
Jogou o coco fora e botou um charuto na boca. Não precisou de fósforo, bastou dar uma baforada e de suas entranhas saiu o fogo que acendeu o charuto:
- Tem sido assim em todas as aldeias. Quando entra a política eu dou o fora, não precisam mais de mim.
Original aqui
Minha paciência abortou
Já estou cansado (e imagino que não só eu) do púlpito no qual essa campanha presidencial se tornou. No ritmo que vão as coisas, no lugar de mesários verificando os títulos, as seções eleitorais terão padres conferindo se a carteirinha de sócio da igreja está em dia (mas, atenção: só vale documento com foto, porque nem em nome do pai, do filho e do espírito santo, será aceito para votar se não tiver foto) , se o "fiel-eleitor" está comungando direitinho; no lugar de urnas eletrônicas, pequenas embalagens para você contribuir com uma pequena "doação de campanha". E, no final, ao invés de comprovante, você receberá um terço de bolso e uma pequena bíblia.
Convenhamos, candidatos, há temas mais importantes para ser discutidos do que essa lenga-lenga religiosa - vivemos num país laico (?) - portanto, o que me importa se o candidato é devoto, ateu ou satanista? Isso fará dele um melhor presidente?
Meu recado aos padres: que tal se dedicarem à investigação e punição de abusos cometidos por membros da sua igreja contra "criancinhas" inocentes? Seria de mais validade para a "ética e todos os valores de defesa da vida".
Já abortaram com minha paciência. Se Deus existe ou está com muita raiva de como têm sido usados seus instrumentos - politicamente- , ou ele está rindo muito, mas muito mesmo.