quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Jornalistas e jornalistas

Copiando a ideia da amiga Thaty Nestlehner (Eu pensei e postei), resolvi escrever sobre o tal ofício chamado jornalista. Vivo dizendo que, quando eu crescer, quero ser parecido com o Paulo Cabral, correspondente da BBC no Brasil. Adicionei mais um personagem à minha lista de admiração: Caco Barcellos. Atualmente apresentador do Profissão Repórter, da TV Globo, o jornalista, também autor de livros, como Rota 66 (o qual lerei em breve), fala com muita propriedade sobre o tema violência. Fiquei fascinado com suas opiniões e trabalhos desenvolvidos sobre o tema. Achei que suas ideias serviram para sacudir algumas pessoas que parecem nunca terem pisado fora de seus bairros de "gente rica, onde a cidadania chega". Esse chacoalhão, especialmente para alguns, serve, em certa medida a todos nós, já que "a culpa não é de quem não sabe, mas sim de quem não informa". Não citarei mais boas frases dele, você pode conferir o registro aqui.

Fica a lembrança de que o jornalista é um agente social e não como pensam alguns, inclusive Mônica Waldvogel, que o profissional se limite informar, "deixando a  mudança da sociedade para os movimentos sociais".

A essência do jornalismo reside na capacidade de efetuar transformações sociais positivas por meio do esclarecimento. Ponto.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

Praticar também ensina, e muito

O conhecimento que estou adquirindo durante a universidade é gigantesco. E, apesar da boa teoria ensinada, a prática conta muito. E é por meio de trabalhos práticos que essa preciosa instrução vem, pois conseguimos aliar ambas as formas de conhecimento citadas acima.


Esse post é curtinho e reflexo de um final de semana dedicado exclusivamente à diversão. Como disse a um amigo agora há pouco: sábado e domingo foram intelectualmente imprestáveis. Mas, brincadeiras à parte, gostaria de dividir com vocês uma experiência muito interessante que ocorreu na sexta-feira à tarde.


Eu e minha dupla estamos escrevendo uma reportagem para uma de nossas disciplinas, a qual selecionará textos que farão parte de um jornal laboratório. Nossa pauta prevê a entrevista com comerciantes ambulantes do entorno do Mackenzie.


Como já tínhamos fotografado alguns deles para outra disciplina, soubemos quais deles seriam mais receptivos a responder perguntas. O grande receio deles era que fôssemos da prefeitura, e eles se mostravam extremamente retraídos com a câmera, esperando que saíssemos correndo dali e chamássemos o "rapa".


Adotamos "procedimento-padrão": com um bloco em mãos saímos para perguntar e registrar as respostas. O primeiro ambulante não quis responder, o segundo respondeu secamente. Então chegamos à seguinte conclusão: o papel e tomar notas intimida os entrevistados nesse caso específico. Fomos fazer a prova: conversamos com a funcionária de um carro de cachorros-quentes. Primeiro com o papel na mão, ela não quis responder nada (disse que só com o dono); lamentamos com ela, guardei o bloco e começamos a perguntar aquilo que era necessário saber e registramos mentalmente tudo o que ela disse na "conversa informal".


Ou seja, fica a dica: muitas vezes, um bate-papo informal vale muito mais do que rígidas entrevistas com papel e caneta intimidando o entrevistado e, afinal de contas, são pessoas, você se surpreende com as respostas que elas dão. E o mais importante é não pensar nas pessoas como meros números para colocar em uma reportagem: avaliar toda a carga sentimental trazida à tona do entrevistado dá um ar mais emocional à matéria, consequentemente mais humano.

sábado, 4 de setembro de 2010

Quando Abutres ganham Poderes

Saliento dois filmes que dizem muito sobre a imprensa, especialmente a brasileira dos últimos tempos: "O Quarto Poder" (Mad City, 1997) e "A Montanha dos Sete Abutres" (Ace in the Hole, 1951). Ambos tratam dos mesmos temas: o excesso de sensacionalismo  - digo excesso, pois todo formato de jornalismo é sensacionalista, ou seja, visa atingir o público por meio de sensações, porém o condenável é o abuso desmedido dessa prática - na cobertura de assuntos críticos, dilemas éticos e até que ponto o jornalista tem o poder de intervir (e controlar) situações em nome da cobertura jornalística.


N'O Quarto Poder, de Costa Gravas, o repórter Max Brackett (Dustin Hoffman, Todos os Homens do Presidente), após se desentender com um colega no ar, é mandado para o noticiário local. Passado algum tempo, Max é mandado a um museu para cobrir a possibilidade de fechamento por problemas financeiros.





[caption id="attachment_654" align="alignleft" width="300" caption="Max Brackett fala com a emissora e inicia a cobertura interna e em tempo real do sequestro"][/caption]

Ele só não contava que um dos seguranças demitidos, Sam Baily (John Travolta, Grease) por conta da redução de gastos entrará no prédio armado e fará a diretora do museu, um grupo de crianças e sua professora reféns. O repórter, que estava dentro do banheiro, começa a transmitir, ao vivo, o sequestro, auxiliado por sua assistente, a qual está fora do local. Após alguns acontecimentos, Max Brackett se vê auxiliando Sam a como lidar com a situação.


Ele quer mais que isso: fazer com que a opinião pública fique a favor do ex-segurança.




[caption id="attachment_655" align="alignright" width="300" caption="Brackett entrevista Sam Baily, de dentro do museu onde o sequestro está em andamento"][/caption]

O circo é armado fora do museu, câmeras e muitos repórteres tentam cobrir o "evento", mas somente Max tem passe livre dentro e fora do museu. Ele entrevista, durante o sequestro, Baily. Para conseguir sua posição privilegiada, é um toma-lá-dá-cá com o chefe comandante das operações. A busca incessante pelo furo, pelo exclusivo, termina drasticamente: o jornalista virou notícia.



Em A Montanha dos Sete Abutres, de Billy Wilder, a situação não é muito diferente. Um repórter mal-caráter, Chuck Tatum (Kirk Douglas), após ser demitido de vários jornais, vai bater à porta de um pequeno jornal local de Albuquerque. Após um ano de trabalho, seu chefe, Sr. Jacob Boot (Porter Hall), designa-o para cobrir uma festa de caça às serpentes.




[caption id="attachment_657" align="alignright" width="300" caption="Desde o início, Chuck Tatum se incomoda com a frase do quadro: "Fale a Verdade"."][/caption]

Porém, no caminho do evento, Chuck e seu assistente se deparam com uma situação que promete render uma boa história: um homem caçador de antiguidades, Leo Minosa (Richard Benedict) fica soterrado no desabamento de parte da ruína indígena na qual ele trabalha.



O repórter sem escrúpulos publica a história, o que começa a atrair curiosos para a local. Mas ele não para por aí. Faz um acordo com o Xerife (Ray Teal) e consegue acesso exclusivo ao lugar no qual Leo está preso.




[caption id="attachment_658" align="alignleft" width="300" caption="A multidão que canta e consome diferentes artigos em volta das ruínas onde Leo Minosa está soterrado"][/caption]

Ele também convence o coordenador da equipe de resgates a executar o procedimento mais longo para retirada do homem dos escombros (ao invés do mais simples de 16 horas, optam pelo mais demorado, de 7 dias). Enquanto isso, a mulher de Minosa, Lorraine (Jan Sterling), ganha dinheiro com a multidão que chega para acompanhar o drama de perto. A visita da reserva era gratuita, mas ao final do filme, ela custa um dólar por carro. Mais uma vez, o filme tem desfecho trágico e o jornalista cai em desgraça.


Nem preciso relacionar aqui os casos de cobertura excessivamente sensacionalista da mídia brasileira nos últimos tempos. Assistir a esses filmes é praticar um exercício de análise e reflexão profunda sobre a imprensa que temos e se ela é nosso desejo, enquanto cidadãos e jornalistas.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Encontro com Ricardo Boechat

Palestra não é o nome correto para o evento. Encontro. Esse termo cabe perfeitamente.





[caption id="attachment_647" align="alignleft" width="254" caption="Ricardo Boechat: passou por jornais impressos, revistas e está, atualmente na TV e no Rádio."][/caption]

O bate-bapo, ontem pela manhã, com o jornalista Ricardo Boechat, atualmente apresentador do Jornal da Band e integrante de programas da rádio BandNews, foi descontraído e proveitoso. Simpático e muito engraçado, o "rapaz" de 41 anos de profissão,  e que chegou carregando uma pilha de cinco jornais, contou detalhes de sua formação profissional e peculiaridades do "ser jornalista".

De camiseta e jeans, Boechat contagiou os estudantes, em maior quantidade de Jornalismo, com sua animação e informalidade. Discutiu aspectos jornalísticos atuais, criticando inclusive os telejornais. Disse que é o tipo mais "ralo" de fazer notícias e o mais "roteirizado". Criticou a padronização das atitudes gestuais dos repórters além das obviedades presentes nesse modo noticioso. E revelou que sua grande paixão é o rádio. Segundo ele, por conta da proximidade com o espectador.


Apesar de gostar da interatividade proporcionada pelo meio radiofônico, Ricardo Boechat não esconde seu desgosto pelas novas tecnologias de informação. Contou dois episódios engraçados envolvendo Twitter e o rádio Nextel. No primeiro, disseram a ele que mandasse algo para o Twitter de alguém. Ele perguntou qual seria. Responderam "@" e o nome. Ele se indignou: deveria ter outro complemento de endereço. No caso do rádio, ele pensou que a senhora se enganara ao colocar um asterisco em meio aos números. Não sabia da necessidade de haver um sinal desses no "número de telefone".


O momento máximo foi quando Boechat mostrou seu "computador": um caderno antigo, caindo aos pedaços (mesmo!) com telefones de todas as pessoas que você possa imaginar (desde Dercy Gonçalves até Oscar Niemayer). Quarenta e um anos de trabalho para construir, além de credibilidade, uma lista telefônica - e de emails - daquele tamanho.


Ricardo Boechat não tem diploma, mas considera importante uma formação acadêmica. Porém, diz não saber o que se ensina nas escolas de jornalismo, pois, segundo ele, aprendeu tudo na prática. Comentou o fechamento da versão impressa do Jornal do Brasil e suas experiências na Copa da África do Sul.


Em breve, selecionarei alguns trechos "radiofônicos" do evento e postarei por aqui. Aguardem!


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Política se discute sim, e muito!



[caption id="attachment_644" align="alignleft" width="300" caption="Política: quem disse que não se discute?"][/caption]


Reza o senso comum que "religião, política e futebol não se discute". Discordo totalmente, aliás discordamos . É só uma maneira de manter tudo como está. Agora, algo muito questionável é a maneira de se fazer os debates. Longe das baixarias, da troca de farpas e ofensas entre os candidatos, especialmente à presidência da República, gostaria de parabenizar alguns colegas de sala, em torno dos quais, nossas conversas têm caído, de forma recorrente, no tema eleições. É louvável e de motivo de orgulho que, apesar de apresentarmos posições politicas completamente diferentes, sabemos discutir sem brigas ou tentativas de ser "o dono da verdade". São discussões pautadas pelo respeito e pelo reconhecimento de que não há candidato perfeito. Sabemos apontar falhas partidárias, e de membros dos famigerados partidos, de ambos os lados da questão. E o ponto-chave do nosso entusiasmo político é justamente pela política, e não pela politicagem barata ou militâncias extremistas.


Cada um sabe defender seu ponto de vista de forma civilizada e um tema o qual, geralmente, os jovens não gostam se torna motivo de conversas, teorias e sugestões para mudar o país por meio do voto. E daqui algum tempo, lembraremos das fervorosas discussões acerca de Paulo Maluf e suas "grandes obras", Tiririca, Raul Gil Jr., as mulheres-fruta, família Sarney, o uso da mídia tradicional pelo Serra, o mensalão do PT e do DEM, as gracinhas de Plínio de Arruda...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

BBC Brasil e CBN realizam série de debates 'O Futuro do Brasil'

Da BBC Brasil



A BBC Brasil e a rádio CBN realizam neste mês de setembro uma série de três debates com especialistas de diversas áreas com o objetivo de analisar os principais desafios a serem enfrentados pelo Brasil nos próximos anos.

Abordando quatro grandes temas – economia, educação, política externa e meio ambiente – os encontros do ciclo ‘O futuro do Brasil’ acontecerão em São Paulo e também contarão com a presença de jornalistas da BBC Brasil e da CBN.

Todos os debates serão realizados entre 20h e 21h30 no Espaço Reserva Cultural (Av. Paulista, 900, São Paulo). Os interessados em participar da plateia devem se inscrever neste Clique link. As vagas são limitadas.

Encontros

O primeiro debate, marcado para o dia 13, terá como tema ‘A Riqueza do Brasil – Os Desafios da Economia’ e trará entre os debatedores o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, além dos economistas Fabio Giambiagi, Antônio Corrêa Lacerda e Paulo Francini.

Participam também a correspondente da BBC Brasil em Brasília, Fabricia Peixoto, e o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, da CBN.

‘A Capacidade do Brasil – O Papel da Educação’ é o tema do segundo encontro, que acontece no dia 20 de setembro e contará com a presença dos economistas Gustavo Ioschpe e Naércio Menezes Filho, de Ilona Becskeházy, diretora-executiva da Fundação Lemann, e de Mozart Neves Ramos, da ONG Todos pela Educação.

O subeditor da BBC Brasil, Diego Toledo, e o jornalista da CBN, Milton Jung, também participam do encontro.

O último debate acontece no dia 27 de setembro e terá como tema ‘O Brasil no Mundo – Política Externa e a Defesa do Meio Ambiente’.

Participam do encontro Ricardo Seitenfus, representante da OEA no Haiti, o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia, José Eli da Veiga, professor da Faculdade de Economia da USP, e Sérgio Besserman, professor de Economia da PUC-RJ.

O encontro também terá a presença de Rogério Simões, diretor da BBC Brasil, e do jornalista Heródoto Barbeiro, da CBN.

Os debates estarão disponíveis nos sites da BBC Brasil e da CBN (www.cbn.com.br) e também serão transmitidos pela rádio no final de semana seguinte à sua realização.


sábado, 28 de agosto de 2010

Músicos que tocam com a alma

Não basta saber tocar bem. É necessário, como bem disse minha amiga Fernanda Toyomoto, "tocar com a alma". Foi isso que Chico Esperança e sua banda fizeram, na noite de ontem, no Bar Lua Nova, região do Bixiga, em São Paulo. O lugar, ao contrário do que alguns disseram, é sensacional. Aconchegante e muito familiar, serviu de inspiração para que os músicos emocionassem a plateia, com canções próprias e de outros autores.


A música, tipicamente nordestina, fez aqueles que assistiam a viajar. Numa mistura de apitos imitando sons de aves, violão, violino, violoncelo, uma série de tambores, flauta tranversal e outros tantos instrumentos, Chico e amigos conseguiram a atenção dos espectadores. No show, denominado Cantos, Contos e Cantoria, o que não faltou foi alegria. O evento não parou ao cessar das canções, mas foi madrugada adentro. Conversas animadas dominaram as mesas.


Uma pequena amostra de Chico Esperança.






sábado, 21 de agosto de 2010

Sobre o 1º Encontro dos Blogueiros

[O post está longo, mas o assunto compensa, vão por mim!]


Ocorreu hoje, das 9h às 19h, no Sindicatos dos Engenheiros de São Paulo, o  dia inicial do chamado 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, o qual reuniu mais de 300 blogueiros de 19 estados do Brasil. Contou-se com a presença de Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha e uma série de outros profissionais gabaritados. A discussão que permeou a reunião foi o papel preponderante exercido pelos blogs enquanto alternativa à mídia tradicional brasileira. Foram levantados temas atuais, como as mudanças bruscas na TV Cultura de SP e assuntos pontuais referentes, diretamente, às páginas online: ferramentas complementares, discussões acerca do Twitter, questões jurídicas (ameaças fundamentadas ou não de processos, responsabilidade na postagem de conteúdo) e, como não poderia deixar de ser, muita política.





[caption id="attachment_617" align="alignleft" width="300" caption="Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, no 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Foto: Lambujja"][/caption]

O Encontro, sem sombra de dúvidas, foi muito positivo para a melhor organização das ações da Blogosfera. Porém, antes de prosseguir, devo fazer algumas ressalvas sobre acontecimentos do evento e o "movimento" em torno da rede de blogs.


O primeiro deles propõe que o "organismo" seja apartidário: não foi o ocorrido por lá. Militantes do PT e de outros partidos ditos de esquerda, com camisetas de Dilma Roussef (inclusive, o ator José de Abreu). Até o Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, passou pelo evento. Havia também o candidato a deputado federal e blogueiro, Brizola Neto. Oras, cadê o apartidarismo?


Outro ponto celebrado no encontro foi a diversidade, o respeito ao diferente a pluralidade de opiniões. Claro, a diversidade cultural fervilhou, já a de opiniões nem tanto. Por duas vezes, a manifestação contrária foi criticada. Em uma, o participante perguntou se os blogueiros mais "importantes" não substuiriam a grande mídia no controle da informação nesse processo e criticou a mentalidade do governo de Lula. Segundo o blogueiro, o governo federal tem mentalidade tucana. A plateia ficou incomodada e ouviram-se comentários dispersos. Na segunda vez, quando a blogueira Conceição Oliveira falava sobre o Twitter, mostrou-se claramente a favor da candidata petista ao Planalto. Uma voz na plateia pediu que ela se concentrasse na ferramenta e deixasse o "proselitismo partidário" de lado. As pessoas que assitiram, mais uma vez, ficaram irrequietas, com gemidos e assobios cochichados. Achei ambas as intervenções dos questionadores muito válidas.





[caption id="attachment_618" align="alignright" width="300" caption="Abertura do Encontro. Foto: Lambujja"][/caption]

Criticar as políticas de José Serra, sim. Apontar os erros, claro, agora não esqueçamos que os outros candidatos não são perfeitos. E que a proposta é não ter um partido. Não vi ninguém por lá fazendo propagandas de Marina Silva, Rui Costa Pimenta ou Levy Fidelix.


Quero ressaltar que a organização não tomou parte das críticas manifestadas pela plateia, mas um organismo é feito de membros, os quais, nesse caso, majoritariamente expressaram-se, e pensam, dessa maneira ruim. Onde está o espírito crítico que diferencia os blogs, da "velha" imprensa tão criticada por nós? Essa questão, me fez rever, inclusive, meus votos.


Imaginei que a plateia estaria lotada de jovens. Eu vi muito mais gente de cabelos brancos do que com espinhas no rosto.


Fora esses acontecimentos, uma série de grandes ideias são muito pertinentes, podem (e vão) colocar os blogs na linha de frente da informação, combatendo excessos e abusos promovidos pelos grandes oligopólios de comunicação.





[caption id="attachment_619" align="alignleft" width="300" caption="Da esquerda pra direita: Altamiro Borges, Rodrigo Vianna, Débora da Silva e Luís Nassif. Foto: Altamiro Borges"][/caption]

Chamaram-me a atenção dois casos, um dos quais não conhecia. As palavras de Débora da Silva me comoveram profundamente. Ela é colaboradora do blog Mães de Maio. Pessoa humilde e muito batalhadora. Impressiona sua força de vontade. Como mãe, atua na luta para o esclarecimento da matança indiscriminada promovida pela polícia paulista nos episódios do PCC, em 2006. O segundo caso, é o do blogueiro Mosquito, do Tijoladas do Mosquito, o qual denunciou o crime bárbaro de estupro de uma garota de 14 anos por três jovens, incluindo o filho de um dos diretores da RBS, afiliada da Rede Globo, em Santa Catarina. A "grande" mídia abafou o caso. Mosquito não. Inclusive, sofre ações na justiça (?) por conta dessa denúncia.




[caption id="attachment_620" align="alignleft" width="300" caption="Plateia acompanha atenta, e conectada, o 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Foto: Altamiro Borges"][/caption]

Foram muito esclarecedoras as exposições sobre a parte de ganho financeiro com os blogs (Geórgia Pinheiro, do Conversa Afiada e Leandro Guedes, da Agência Café Azul) e as questões judiciais (principalmente com, Diego Casaes, do Global Voices, Túlio Vianna, professor da UFMG na área do Direito e Marcel Leonardi, professor da FGV). Sérgio Amadeu levantou o perigo do fim da "neutralidade da rede". O que é isso? Em suma: quem paga mais, abre seus endereços com mais rapidez do que os que pagam menos. Por exemplo: o site da Veja abriria muito mais rápido que meu blog, pois eles comprariam mais pacotes das empresas de comunicação da Internet. Algo extremamente perigoso. Se levado a cabo, pode trazer graves consequências.



Sem dúvidas está sendo um grande passo adiante. Amanhã será o encerramento. Trarei notícias a vocês sobre. Desde já agradecendo e parabenizando os membros da organização do evento, sem os quais seria impossivel viabilizar esse marco, não só para a imprensa brasileira, mas para todo o Brasil.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

1º Encontro dos Blogueiros Progressistas

Amanhã tem início uma experiência extremamente interessante e que ilustra um novo momento da mídia no Brasil: o 1º Encontro dos Blogueiros Progressistas. São grandes as minhas expectativas para o acontecimento. Com nomes conhecidos e reconhecidos no cenário atual do Jornalismo brasileiro, como Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna, esse final de semana representa uma outra voz aos acontecimentos, especialmente políticos, que são tratados de forma diferente pela mídia tradicional.

Os resultados serão divulgados por aqui. Acompanhem e façam parte dessa alternativa. Há muitas pessoas se dedicando para construir um novo Jornalismo por aqui.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Enterrado vivo

[O vídeo do post era pra ter ficado melhor, porém o programa de edição não colaborou]

Gente se espremendo para conseguir chegar em casa. É a rotina do paulistano. Devem estar pensando: "putz, que cara chato, não sabe falar de outra coisa, só transporte". Aproveitei sugestão do amigo e leitor Marcelo Albuquerque e da barbárie da qual, involuntariamente, participei: entrar no trem que faz a linha Osasco-Grajaú às 18h30 de hoje. O vídeo não contempla tudo o que vi. Pessoas se espremendo para caber no trem, empurrando uns aos outros de forma brutal, animalesca. E tenho consciência de que isso não é o pior: tem gente enfrentando animalidades maiores por ai. Mas, hoje, fui enterrado vivo no meio da multidão naquele trem.


As eleições já estão, segundo as pesquisas, praticamente definidas. Quem estava aí, até agora, não fez quase nada pra amenizar a situação dos transportes (e o pouco feito é insuficiente). E quem está por vir, tampouco se preocupará, qualquer que seja a legenda, afinal de contas, essa corja tem helicóptero. Pra que se espremer, não?


Vejam os vídeos abaixo. O primeiro é de minha autoria. Os na sequência são flagrantes piores.







Nesse, algumas pessoas paracem gostar do perigo e da falta de trens. Acham que é um Hopi Hari às margens do Rio Pinheiros.







[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=S-5SFIE48VI&feature=related}

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A day without rain

A sky without clouds

A life without darkness

Is it possible?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Recomeço indigno

Quarta-feira (04), voltei às aulas da faculdade. Já estava sentindo falta dos amigos Mackenzistas. Apesar de voltar com todo o gás e energia para mergulhar nas obrigações, prometo às viv'almas que leem este singelo blog que não deixarei de postar com a religiosidade, todas as sextas-feiras. Hoje, terminei a leitura da grande obra 1984, de Geogre Orwell e já adianto, em breve, haver um post exclusivo sobre o assunto.


*


Com o frio de lascar, retornamos às aulas e com elas, vem o megatransporte público de São Paulo. Hoje o ônibus lotou tanto, mas tanto, que eu gostaria de colocar ali, naquele espaço apertado e desconfortável, Serra, Kassab, Alckmin, Marta Suplicy, Maluf e toda a corja de vereadores, deputados e senadores demagogos e pregadores de promessas de melhorar o transporte e que não fazem absolutamente nada. Vangloriam-se de ter feito uma micharia de metrô e melhorias nos corredores de coletivos. Se fôssemos montados em jumentos, chegaríamos mais rápido aos nossos destinos. Aí, na hora que o povo se revolta e fecha avenidas, queima pneus e depreda os veículos, dá-lhes borrachadas, afinal é tudo pobre mesmo. Borrachada têm que dar os eleitores nesses bandidos de terno, utilzadores da educação apenas na hora de pedir votos.







O pior de tudo é que nas eleições, ao invés de se priorizar a discussão de propostas efetivas, para resolver os problemas, não, ficam apenas trocando farpas e apontando erros do coleguinha de profissão (político). Chega! Fazer política, não é fazer politicagem. Ontem, no ônibus, estive conversando com um trabalhador, senhor humilde, atuante na construção civil, pedreiro, mora em Itapecerica da Serra, a 50 km de onde trabalha. Pega ônibus, trem e metrô para chegar no serviço. Gasta mais de 6 horas no trajeto de ida e volta, 6 dias por semana. No transporte, consome 1/4 de seu dia. Semanalmente são 36 horas dentro de coletivos. Num mês, ele perde 144 horas, ou 1 semana de vida. Quando ele e todos nós poderemos usufruir do nosso direito como cidadãos de forma digna? Quando?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Análise comparativa dos candidatos ao governo de SP

Para ler sobre a sabatina de Mercadante e Alckmin clique aqui e aqui, respectivamente.

Antes de partir para a análise propriamente dita, devo fazer algumas observações:




[caption id="attachment_581" align="alignleft" width="300" caption="Celso Russomano, do PP, na sabatina. Foto: Folha/UOL"][/caption]

- As sabatinas foram feitas com os 3 candidatos mais bem colocados nas últimas pesquisas de intenção de voto - Celso Russomano (PP), Aloizio Mercadante (PT) e Geraldo Alckmim (PSDB). Não assisti ao evento com o candidato do PP, mas se você quiser saber mais a respeito e assistir na íntegra, clique aqui. O folclórico Paulo Maluf, que teve a candidatura impugnada essa semana, estava lá, sentado na primeira fila apoiando seu candidato.


- A frase título do texto que trata só sobre a sabatina de Geraldo Alckmin foi proferida por ele duas vezes quando se referiu a conquistas durante o seu mandato (se é plus, já é mais, oras!)


Bem, alguns aspectos observados são interessantes. Na sabatina do tucano, o teatro estava mais cheio do que de Mercadante, tanto de plateia, quanto dos apoiadores do partido e da candidatura. As pessoas de mais idade eram a maior parte do público hoje, o que não ocorreu na sabatina do petista.


Com relação aos jornalistas, a mais incisiva e provocadora, certamente, foi Monica Bergamo. Os demais também fizeram ótimas perguntas. E o mais importante: não teve proteção ou exploração excessiva desse ou daquele tema para beneficar ou destruir determinado candidato. Os questionamentos foram precisos e certeiros e até, em alguns momentos, com pitadas de humor. Porém, no evento de Mercadante, os aspectos abordados extrapolaram em demasia o estado, passando para questões nacionais, em detrimento do foco estadual.


Mercadante bateu mais em Alckmin, talvez tenha exagerado no tom. O tucano fez menos referências negativas ao governo Lula. Já o candidato do PT não poupou críticas, usando palavras como "oligarquia" para se referir à gestão tucana do Estado, mas como disse Fernando Rodrigues foram resultados frutos de um processo democrático.


Sobre eventos externos, o candidato do PT afirmou que Alckmin está escondido. Ao final da sabatina, o tucano foi tomar café na Casa do Pão de Queijo. Belo evento público. Caminhar sob ar-condicionado é moleza. Agora, faltou isso a Mercadante. Termianado o evento , ele cumprimentou pessoas e foi embora sem café. Talvez um maior contato com os passantes teria sido proveitoso para sua campanha. Aproveitando o quesito "receptividade popular" e carisma, Aloizio foi mais simpático e demonstrou mais força de personalidade do que Geraldo, que com seu sorriso amarelo, meio "picolé de chuchu" foi passando.




[caption id="attachment_580" align="alignleft" width="300" caption="Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT) ao deixarem a sabatina; Celso Russomano também participou do evento "][/caption]

É mal de candidatos do PSDB se atrasarem! Mercadante chegou com quinze minutos de antecedência, Alckmin com quinze de atraso. Na sabatina de José Serra, este chegou atrasado em 1 hora. Alguém que pretende alcançar o Planalto ou o Palácio dos Bandeirantes e governar um país ou o Estado economicamente mais rico da Nação deveria ter, no mínimo, respeito com as pessoas que estão lá só para assistí-los e ouvir suas propostas.


Importante ressaltar a diferença dos candidatos no trato da educação e esclarecer um ponto da fala de Alckmin. O ex-governador, questionado sobre a progressão continuada, defendeu o modelo atual e disse que foi criada pelo PT, com Paulo Freire na secretaria de Educação de Luiza Erundina. Necessita-se discernir sobre progressão continuada e aprovação automática. O último é o que ocorre em São Paulo, fato que gera prejuízos incalculáveis à educação das crianças frequentadoras das escolas públicas. O educador Paulo Freire propôs um modelo, cuja implementação não gerasse perdas aos educandos (leia aqui, para mais informações sobre o tema). Alckmin quis jogar a responsabilidade da incompetência tucana ao gerir a educação sobre Paulo Freire, ao ignorar esses conceitos. O candidato do PT é categórico e diz que se eleito acabará com a aprovação automática.


Por último gostaria de ressaltar um ponto de me chamou a atenção, aliás, dois. O primeiro refere-se à segurança pública. Achei o tema pouco explorado por ambos os candidatos, que apostam na modernização das polícias Civil e Militar. Mas, na questão do PCC, por exemplo, Alckmin não garantiu que não voltarão a ocorrer ataques da facção contra o estado e escorregou demais para fugir e não responder de forma satisfatória sobre esse tema (assim como sobre os pedágios). O outro ponto é a publicidade governamental. Alckmin diz que não vai gastar muito com anúncios de feitos de seu eventual governo, pois segundo ele, você mostra o que faz fazendo um bom governo. Pois sua resposta é exatamente o contrário de seu colega de partido José Serra (clique aqui, para ler sobre os gastos de Serra com publicidade). Ou seja, o próprio "amigo do Serra a 30 anos" não considera o governo dele bom. Pelo menos, quando questionado sobre temas espinhosos, Geraldo Alckmin não age com truculência. Mercadante apresentou propostas mais consistentes.

"Dei um plus a mais", afirma Alckmin

Amanhã: uma análise comparativa do desempenho no evento e das propostas de Aloizio Mercadante e de Geraldo Alckmin




[caption id="attachment_571" align="alignleft" width="300" caption="O candidato Geraldo Alckmin responde as perguntas de jornalistas e da plateia na última sabatina da Folha"][/caption]

Encerrando a série de sabatinas promovidas pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo UOL com os candidatos ao governo do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, compareceu ao Teatro Folha para responder as perguntas dos jornalistas convidados e da plateia (tanto a presencial, quanto a online).


O evento, que começou com quase meia hora de atraso - o candidato chegou às 11h15; o horário de início da sabatina era às 11h -, abordou os temas gerais, e era esperado mais ênfase nas questões relativas à  segurança pública. Entre as muitas figuras políticas na plateia, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o candidato ao Senado pelo PMDB, Orestes Quércia.


Logo de cara, Alckmin foi perguntado sobre supostamente estar se escondendo do eleitor ao realizar menos caminhadas e eventos abertos do que seus adversários (especialmente Aloizio Mercadante). Ele contestou, disse ter feito caminhadas,  e até um comício, nas últimas cidades visitadas. Afirmou também estar ouvindo a sociedade e que a população está muito madura, reconhecendo a eficiência e honestidade do governo PSDB, e completou: "Padrinho ajuda, mas não é suficiente nas eleições".


Ao falar dos pedágios, escorregou e não respondeu se os pedágios, principalmente o da Imigrantes, não são caros. Disse haver dois modelos de concessão de estradas e que o atual dá certo, mas disse rever "caso a caso" os contratos com as concessionárias das estradas paulistas. Afirmou ainda ser "a favor da redução da carga tributária".


Além disso, para todas as obras de infraestrutura, considera fundamental o que chamou de PPP (Parceria Público-Privada). Monica Bergamo perguntou se os resultados alcançados pelo metrô até agora não são "muita fanfarra para pouca coisa inaugurada". O tucano disse que os avanços são enormes, não só na rede metroviária, mas nos trens metroplitanos, e  afirmando não haver "um centavo" da União, criticou: "O governo federal é bom pra atacar".


A expectativa maior (pelo menos a minha) era na questão da segurança pública, já que São Paulo sofreu aquela onda de ataques do PCC dois meses depois que Alckmin deixou o comando do estado para concorrer à presidência do Brasil. O candidato disse que vai reajustar os salários de policiais, informatizar viaturas e investir no setor de inteligência e investigação.




[caption id="attachment_573" align="alignleft" width="300" caption="O tucano dá entrevista após o evento"][/caption]

Classificou a violência como "uma guerra" a ser vencida diariamente. A plateia (e eu fui um deles) enviou perguntas sobre os ataques e questionando a respeito de uma garantia de que não mais ocorressem. O ex-governador só respondeu que a segurança pública melhorou muito e apresentou dados estatísticos da redução de determinados crimes.



O evento já se encaminhava para as considerações finais quando um sujeito usando um chapéu de couro nordestino, só que adornado com faixas de apoio a Geraldo Alckmin, ergueu-se no fundo do teatro e perguntou se podia fazer um "questionamento" ao "doutor Geraldo". A situação foi contornada com habilidade pelo jornalista Fernado Canzian: "se o senhor queria fazer alguma pergunta deveria ter enviado por escrito".


Para ver a íntegra da sabatina com o tucano, clique aqui



Fotos: Disimo

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"A população quer respostas", diz Mercadante




[caption id="attachment_563" align="alignleft" width="300" caption="Aloizio Mercadante durante as duas horas de sabatina no Teatro Folha, em Higienópolis"]Foto: Disimo[/caption]

O candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante, participou hoje pela manhã, no Teatro Folha, da sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo portal de notícias UOL. Com aproximadamente quinze minutos de antecedência, chegou sorrindo e cumprimentando aliados políticos, jornalistas, funcionários do teatro e pessoas que passavam pelo local. Pontualmente, às 11h, deu-se início ao evento com Fernando Canzian, repórter especial da Folha, Mônica Bergamo, colunista da Folha, Denise Chiarato, editora do caderno Cotidiano, e Irineu Machado, editor-executivo do UOL Notícias fazendo perguntas. Na plateia, assinantes do jornal e do provedor e políticos, como o senador Eduardo Suplicy e Arselino Tatto. Após a primeira hora, o candidato respondeu a perguntas formuladas pela plateia e enviadas por internautas.


PSDB, alternância de poder e Lula


Mercadante criticou o atual governo paulista e as gestões anteriores, disse que o estado de  São Paulo já está esgotado dos tucanos e o povo quer a mudança. Defendeu a alternância de poder, pois a classifica como "saudável para o Estado", ainda mais onde "a oligarquia mais longa é a do PSDB". Para ele, a vontade popular está na militância de rua e na receptividade que encontra junto ao povo durante as caminhadas. "Saio mais às ruas que outros candidatos", referindo-se a  Geraldo Alckmin, o qual não tem feito caminhadas e eventos em locais abertos.


Durante todo o evento, citou inúmeras vezes Lula e as conquistas do governo federal nesses últimos 8 anos, procurando "colar" sua imagem à do presidente. Questionado sobre  isso, rebateu: "minha história é indissociável de Lula e do PT".


Educação


O candidato petista não vê educação sem tecnologia. Para ele, é necessário, modernizar radicalmente esse setor. Propõe a inclusão digital nas escolas, distribuindo lap tops e criando um portal para professores. De forma ambiciosa, diz querer implantar o recebimento de boletins escolares dos alunos pelos pais por "sms" e  sugere que a presença do estudante seja comprovada por um cartão eletrônico contendo um chip. Sobre os professores, afirma que "não serão tratados com cacetetes e borrachada, mas sim, com diálogo". Crê no fim da aprovação automática e em avaliações "reais" para estudantes e professores. "Não é reprovar. É ver onde estão as falhas e recuperar o aluno".


Transportes


Criticou o número e as tarifas de pedágios das rodovias estaduais, propondo uma revisão dos contratos. Classificou, também, o sistema ferroviário paulista como "abandonado" e afirmou serem necessárias parcerias para restaurar as ferrovias estaduais, de vital importância para a economia e "interiorização do desenvolvimento". Segundo Mercadante, o interior do Estado é muito mais do que um lugar para se instalar pedágios. Além disso, defendeu o TAV (Trem de Alta Velocidade) e que o alto custo da obra é um investimento válido.


Segurança pública


Defende a aproximação da Polícia Militar com a população, e melhorias no setor de inteligência da Polícia Civil. Divide os presos em quatro graus de periculosidade. Os detentos menos perigosos poderiam trabalhar e cumprir penas alternativas, que reduzem a reincidência.


Economia


Questionado sobre a venda do banco estadual Nossa Caixa, disse ser necessário ter uma instituição bancária gerida pelo Estado para intermediar com outros organismos, como o BNDES e BIRD, por exemplo. "Não necessariamente um banco comercial, mas de fomento". Disse que durante a crise financeira, o papel dos órgãos bancários públicos foi "fundamental" na saída da turbulência econômica e que "subestimaram a reação do Brasil".


O candidato se saiu bem nos questionamentos. Respondeu todas as perguntas e não destratou nenhum jornalista, pelo contrário, foi extremamente simpático e cortez, em




[caption id="attachment_564" align="alignright" width="300" caption="Mercadante deixando a sabatina"][/caption]

especial, quando falou da abertura da Copa em São Paulo, afirmando falta de ação do estado e da cidade de São Paulo. "A melhor alternativa é o Morumbi. Isso porque sou santista. Por mim a abertura seria na Vila Belmiro", brincou. Algumas propostas muito ambiciosas, outras nem tanto: aplicáveis e necessárias.

Para saber mais sobre as iniciativas de inclusão digital de Aloizio Mercadante, clique aqui

Para assistir, na íntegra,  a sabatina, clique aqui



Fotos: Disimo

sábado, 24 de julho de 2010

Admirável mundo novo?

Há pouco postei sobre matéria publicada na Folha que fala a respeito de uma peça teatral feita sem atores presentes. Explico: as imagens em 3D de apenas dois atores formavam diversos rostos flutuantes à frente de um fundo negro (nem palco havia). Seria isso considerado teatro? O diretor da “peça” diz que sim.

[caption id="attachment_556" align="alignright" width="178" caption="Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley"][/caption]

Coincidentemente, hoje, terminei de ler a obra Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Um livro excepcional. Em meio a diversas citações de Shakespeare, a história se passa em uma sociedade humana no futuro, em que Deus foi substituído por Ford (do “fordismo”- produção em série). Nesse “novo mundo”, não há doenças, tristezas ou desapontamentos. Por meio de avançadas técnicas científicas, o envelhecimento foi vencido, e a morte é agradabilíssima. Não há famílias (pai e mãe são consideradas palavras obscenas e engraçadas) e o Estado “produz” seres humanos, condicionando-os de acordo com as funções que exercerão no sistema. As castas vão de Alfa-mais, o topo social, a Ýpsilon, a base da pirâmide social. Livros e outras formas de arte não fazem parte do cotidiano social, mas sim, perfumes, músicas “sintéticas”, cinemas sensíveis e uma enorme quantidade de esportes tecnológicos. A base social é a estabilidade e o consumo. Vê-se muito da crítica ao sistema da época em que o livro foi publicado (1930, um ano após a quebra da Bolsa de Nova Iorque), contudo se levarmos em conta inúmeros aspectos tratados nos livros, a atualidade impressiona e faz pensar, principalmente os conceitos da moralidade vigente no meio social. Tudo vai bem, até que alguns acontecimentos ameaçam por em risco a tão cultuada estabilidade (“toda mudança é perigosa”). Será que esse mundo novo é realmente admirável?


A substituição daquilo que é humano, físico pelo sintético seria necessariamente benéfica às pessoas? Será que vale a pena substituir os atores de uma peçapor meras representações geradas por uma máquina? Não se estariaindo longe demais? São boas intenções, dizem. Mas, delas, o inferno está cheio.

Peça de teatro sem atores

Breve farei uma postagem sobre o livro "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley


Da Folha de S. Paulo


Festival exibe peça de teatro sem atores


Palco também é eliminado no espetáculo da companhia canadense UBU Théâtre, que realiza projeção em 3D


Diretor afirma ter feito um "objeto teatral não identificado"; no final, público fica em dúvida se deve aplaudir ou não


MARCOS GRINSPUM FERRAZ
ENVIADO ESPECIAL A SÃO JOSÉ DO RIO PRETO


Um espetáculo sem palco e sem a presença de atores pode ser considerado teatro? Para o diretor canadense Denis Marleau, da Cia. UBU Théâtre, a resposta é "sim". Tanto é assim que sua releitura de "Os Cegos", do autor simbolista Maurice Maeterlinck (1862-1949), tem apenas imagens em 3D.
A montagem estreou no Festival de Rio Preto, anteontem, provocando discussões sobre os caminhos do teatro. "O ator não está em cena, mas a sua ausência instala a questão sobre sua presença", afirma Marleau.
Segundo ele, dessa forma o espetáculo se torna uma obra híbrida entre instalação de vídeo e teatro. "Talvez possamos chamá-la de objeto teatral não identificado", arrisca uma definição.
Na experiência sensorial proposta por Marleau, entra-se numa sala escura. No lugar do palco, 12 rostos "flutuam" sob fundo negro, sem que se veja o projetor. A partir daí, somente com movimentos de bocas e olhos desses personagens -seis homens e seis mulheres interpretados por apenas dois atores-, desenrola-se a trama da fábula criada em 1889 por Maeterlinck. Leia a matéria na íntegra aqui (disponível somente para assinantes)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Recordar é viver

Já que esse é um ano eleitoral, resolvi vasculhar o Youtube a procura de momentos que entraram para o folclore da política nacional. É meio que um "vale a pena ver de novo" dos ringues envolvendo políticos. Selecionei 10 vídeos, mas acreditem, há muito mais por ai, é só ter muita força de vontade - e estômago - para procurar e assistir. E é aquela velha máxima: "seria cômico, se não fosse trágico".


10º Lugar - Renan Calheiros e Tasso Jereissati discutem no Senado







9º Lugar - Renan Calheiros, Pedro Simon e Fernando Collor batem-boca sobre a renúncia de José Sarney. É nesse episódio que Collor manda o companheiro senador Simon engolir.







8º Lugar - Debate dos presidenciáveis de 1989. Ocorre o atrito entre o folclórico Paulo Maluf e Leonel Brizola.







7º Lugar - Em 2000, Marta Suplicy manda Paulo Maluf se calar







6º Lugar - Bate-boca no STF. Ministro Gilmar Mendes provoca e Joaquim Barbosa responde.







5º Lugar - Quércia "remixado": mentiroso, caluniador







4º Lugar - Mensalão do DEM - Membros da Câmara do DF recebendo dinheiro do contribuinte







3º Lugar - Dança da impunidade: Deputada do PT comemorando a absolvição de envolvido no escândalo do mensalão







2º Lugar - Gilberto Kassab chamando o trabalhador pobre de vagabundo







1º Lugar - José Serra desce a lenha em Heródoto Barbeiro após ser questionado sobre os pedágios absurdos em SP.









sábado, 17 de julho de 2010

A sepultura dos incômodos

Esse post trata de um assunto sepultado pela mídia brasileira – especialmente a paulista – e, espero, trazido à tona quando o horário eleitoral começar pra valer.

Era dia 12 de maio de 2006. Seria uma sexta-feira como outra qualquer. O dia das mães se aproximava. Mas, mal sabíamos a onda de violência, medo e pânico que se instauraria, principalmente, em São Paulo.

Ataques a bases policiais e do corpo de bombeiros; coquetéis Molotov arremessados contra agências bancárias; agentes de segurança alvejados por bandidos com pesadas armas de fogo; passageiros em pânico expulsos dos ônibus, que instantes depois ardiam nas chamas criminosas, labaredas reveladoras da incompetência e descaso do Estado com relação à segurança pública.

Quem não se lembra daqueles dias? O medo rondando as casas. Pessoas deixando de sair de casa para trabalhar e estudar, pois se saíssem poderiam não retornar. Onde estava o governo? Aonde fora o governador? Geraldo Alckmin, do PSDB, o tal partido político que hoje se vangloria de estar a 16 anos no poder em São Paulo, renunciara ao governo do estado para disputar as eleições presidenciais pouco tempo antes da onda de violência. Assume em seu lugar o vice, Cláudio Lembo, do antigo PFL, atual DEM. O vice revelou uma extrema incapacidade de resposta ao crime organizado (mais organizado do que as próprias forças governamentais). Negou ajuda federal por diversas vezes, se atrevendo a dizer que estava tudo sob controle. Bandidos organizando seus atos criminosos dentro e fora dos presídios (estes, ditos de segurança!)

Esse é o modelo de governar do PSDB e seus compinchas. Negligência e omissão ao povo e a seus próprios servidores (dezenas de policiais e até um bombeiro não escaparam dos assassinatos promovidos pela organização criminosa que age dentro e fora dos presídios). Então, recentemente, chega o candidato José Serra e afirma querer criar um “Ministério da Segurança Pública”, e Alckmin, que largou a cidade nas mãos de um vice impotente, novamente, quer galgar o posto de governador do Estado de São Paulo. Olhem bem em quem vão votar, e não esqueçam do vice.

O “mensalão”, aquele evento de corrupção que envolveu integrantes do governo Lula, é, constantemente, ressuscitado pela imprensa nesses tempos eleitorais. Agora, episódios como os ataques do PCC, a cratera do metrô que engoliu pessoas, rua e uma lotação e os péssimos índices de educação estadual são de forma bem conveniente sepultados pela grande mídia. Que coisa esquisita, não é? Defender quem amordaça jornalistas não parece ser lá muito “defensor da democracia e da liberdade de expressão”.

Para recordar o episódio, confira o especial da Folha sobre o PCC, de 2006, o Observatório da Segurança, o documentário da Discovery Channel “São Paulo sob Ataque” e a reação de Geraldo Alckmin a questionamento do Dateline.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vamos variar um pouquinho…

Minha ideia é ser o menos denso possível e, para isso, decidi escrever sobre temas variados com textos mais sucintos. Nessa noite chuvosa de quinta para sexta-feira, acho que estamos mais propensos a refletir (não, não estamos, pois nossa propensão é para ver filmes e dormir livremente, isso para os que estão de férias, já os árduos trabalhadores têm essa propensão, o que não têm é a possibilidade de consumá-la rsrs). Minha ideia é lançar nessa postagem:




  • Sugestões de filmes e livros;

  • Alguns pensamentos ocorridos sobre a Lei da Ficha Limpa;

  • Indicação de textos antigos do blog que são válidos para as eleições deste ano;

  • Algumas informações sobre o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas


E o vento levou (1939)

* Anteontem, assisti “E o Vento Levou” (1939 – veja aqui a sinopse e aqui o trailer). Filme muito interessante, que conta a saga de Scarlett O’Hara, a qual para salvar sua fazenda sai em busca de sucesso financeiro e, consequentemente, da felicidade. Durante o filme, revela-se que, mais do que proteger suas terras, Scarlett se lança em uma busca desenfreada por dinheiro, objeto inicial de deslumbre e alegrias, mas futuras decepções. Pouco mais de 2 horas de filme. Se gostar de histórias relativamente “paradas” (sem aquela agitação dos filmes policiais, por exemplo) é um prato cheio.









[caption id="attachment_519" align="alignright" width="216" caption="Drácula, edição de 2002"][/caption]

* Agora sobre livros, quem gosta de histórias de ficção científica vai se deliciar com “Frankenstein”, de Mary Shelley. Livro curto (L&PM Pocket, 251 p.), contém a história do jovem Victor Frankenstein. Dedicado às práticas das mais variadas ciências, obceca-se em vencer a morte, dando vida à matéria morta. Porém, seu sucesso traz um preço caro de mais a ser pago. Ele se vê enredado pelas artimanhas e exigências do monstro, o que o levará às mais profundas desgraças e angústias. O livro é um brinde à busca desenfreada, da ciência e dos industriais, pelo conhecimento à época que o livro foi escrito. A história é perfeitamente adaptável ao que vemos ainda hoje. Criadores sem responsabilidade, cujas criaturas (plataformas de petróleo, por exemplo) são negligenciadas e rebelam-se. Leitura imprescindível, assim como “Drácula”, de Bram Stocker. Esse sim é vampiro de verdade e honra as suas origens (afinal, ele não é como certos personagens sugadores de “sangue” de alfaces ou vegetarianos e sentem amor por menininhas de colégio hehe...).Em sua busca constante por sangue, o Conde aprisiona em seu castelo, o procurador, John Harker, noivo de Mina, fazendo da vidas dos personagens um verdadeiro inferno! Drácula se muda para a Inglaterra com o auxílio do pobre Harker, que no início nada sabia de malévolo sobre o anfitrião. Mais a frente, novos personagens surgem para tentar dar cabo do ser das trevas. O livro é muito bom, e a adaptação para o cinema (Dracula, 1931) é excelente também. E está disponível aqui.


* Segundo o jornal Folha de S. Paulo, os Ministérios Públicos Eleitorais de 23 estados mais o DF, até dia 13/07, protocolaram 2.308 ações de impugnação de candidaturas, isso significa que a cada 8 candidatos registrados 1 tem problemas com a Justiça. Pelo menos 220 foram devido ao descumprimento da Lei da Ficha Limpa. Lei essa, sem dúvidas, uma das maiores, se não a maior, mobilizações da população para combater a corrupção. Claro que aqueles que faltam à Lei devem ser punidos, mas seria necessária uma lei barrando suas candidaturas? A punição não seria mais efetiva se fosse feita de fato pelo povo: não votar nos “fichas-sujas”. Ao invés de primeiro torná-los inelegíveis, o mais interessante não seria que os eleitores riscassem, ou melhor, “deletassem” o nome dos bandidos da urna? Porque, suponhamos que a artimanha dos(a) sujeitos(a) em conseguir liminares e outros artifícios da Justiça o leve a conseguir lançar sua candidatura, o povo votará nele porque ele não foi enquadrado, mesmo com todos os indícios contra ele? Vale a pena pensar nisso com cuidado...


* Sugiro que os eleitores de Geraldo Alckmin deem uma olhada nesse vídeo e repensem seu voto.







* Para os blogueiros e interessados nas mídias “alternativas” de plantão. Ocorrerá em agosto (21 e 22, sábado e domingo) o 1º Encontro dos Blogueiros Progressistas. Clique aqui para conferir mais informações.