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quinta-feira, 10 de março de 2011

sábado, 18 de dezembro de 2010

Drácula: humano, demasiado humano

Atenção: contém spoilers


Há algum tempo li Drácula, de Bram Stoker. Livro impressionante: história bem narrada - um envolvimento fantástico com o enredo, personagens bem amarrados. Um tanto quanto dramático, porém extremamente assustador. O autor se baseia em um personagem principal (o conde Drácula) e demoniza-o. Constrói um monstro, um ser sugador de sangue humano que é incapaz de amar, afinal de contas, deixou de ser humano.




[caption id="attachment_938" align="alignright" width="300" caption="O ator Bela Lugosi, na mais clássica adaptação de Drácula para o cinema, de 1931."][/caption]


O final do livro conta com o grupo heróico que toma por missão destruir a criatura triunfando, apesar de todos os percalços. A história termina de forma aberta, com o monstro virando pó. Essa forma de encerramento suscita dúvidas com relação à eliminação do vilão: será que ele morreu por completo?


Contando com essa dúvida, surgem diversas histórias de continuidade - livros e filmes. O sobrinho-neto do autor de Drácula, Dacre Stoker, conjuntamente com Ian Holt, escreve Drácula: o morto vivo - A sequência do clássico de Bram Stoker. A aposta inicial não é no conteúdo da continuação, mas sim no sobrenome Stoker e no apreço pelo livro inicial.


A obra relata como segue a vida do grupo que supostamente eliminou Drácula. Ao contrário do livro de Bram, não há nada de romance: a história é um mata-mata generalizado e cruel (no final, não sobra um daqueles que lutaram contra Drácula, pois todos têm uma morte dolorosa). O enredo se mostra confuso em sua narrativa. São planos em demasia, em um "vem e vai" desnecessário.


Além das desgraças com as personagens, o livro apela para a sexualidade, descrevendo em detalhes atos sexuais e orgias, tudo banhado a sangue fresco. Mais púdico, Bram Stoker, apenas menciona, nas entrelinhas, as "relações íntimas" que Drácula tem com Mina Harker (a protagonista).


Mas, a pior parte é a extrema humanização dada ao "príncipe das trevas". Com a inserção de uma vampira mais malévola do que Drácula (que não morreu, afinal), condessa Elizabeth Bathory, os autores insistem em humanizar o conde. Ele passa a ser a vítima, pois segundo o livro, estava caçando Bathory quando se inicia a perseguição do livro de Bram Stoker. A lógica da história original é subvertida.




[caption id="attachment_937" align="alignright" width="300" caption="Príncipe Vlad III, conhecido como o empalador e a condessa Elizabeth Bathory, que gostava de orgias regadas a muito sangue"][/caption]


Apesar desses fatos, é ressaltado um lado histórico que não aparece no Drácula inicial. No decorrer da obra e no pósfacio, são mostrados os personagens históricos Príncipe Vlad (Drácula) e Elizabeth Bathory: ambos existiram e entraram para a História por sua crueldade e sede de sangue. O caso de Jack, o estripador, conhecido assassino em Londres, que matou prostitutas e as esquartejou, é colocado como uma das peças-chave do enredo.


Com uma leitura não fluida e alguns momentos de adrenalina, a continuação de Drácula não convence. São 413 páginas de muito esforço para concluir a leitura. No Submarino, você compra por R$ 9,90. Vale à pena guardar os trocados para comprar entradas de cinema ou teatro.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vamos variar um pouquinho…

Minha ideia é ser o menos denso possível e, para isso, decidi escrever sobre temas variados com textos mais sucintos. Nessa noite chuvosa de quinta para sexta-feira, acho que estamos mais propensos a refletir (não, não estamos, pois nossa propensão é para ver filmes e dormir livremente, isso para os que estão de férias, já os árduos trabalhadores têm essa propensão, o que não têm é a possibilidade de consumá-la rsrs). Minha ideia é lançar nessa postagem:




  • Sugestões de filmes e livros;

  • Alguns pensamentos ocorridos sobre a Lei da Ficha Limpa;

  • Indicação de textos antigos do blog que são válidos para as eleições deste ano;

  • Algumas informações sobre o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas


E o vento levou (1939)

* Anteontem, assisti “E o Vento Levou” (1939 – veja aqui a sinopse e aqui o trailer). Filme muito interessante, que conta a saga de Scarlett O’Hara, a qual para salvar sua fazenda sai em busca de sucesso financeiro e, consequentemente, da felicidade. Durante o filme, revela-se que, mais do que proteger suas terras, Scarlett se lança em uma busca desenfreada por dinheiro, objeto inicial de deslumbre e alegrias, mas futuras decepções. Pouco mais de 2 horas de filme. Se gostar de histórias relativamente “paradas” (sem aquela agitação dos filmes policiais, por exemplo) é um prato cheio.









[caption id="attachment_519" align="alignright" width="216" caption="Drácula, edição de 2002"][/caption]

* Agora sobre livros, quem gosta de histórias de ficção científica vai se deliciar com “Frankenstein”, de Mary Shelley. Livro curto (L&PM Pocket, 251 p.), contém a história do jovem Victor Frankenstein. Dedicado às práticas das mais variadas ciências, obceca-se em vencer a morte, dando vida à matéria morta. Porém, seu sucesso traz um preço caro de mais a ser pago. Ele se vê enredado pelas artimanhas e exigências do monstro, o que o levará às mais profundas desgraças e angústias. O livro é um brinde à busca desenfreada, da ciência e dos industriais, pelo conhecimento à época que o livro foi escrito. A história é perfeitamente adaptável ao que vemos ainda hoje. Criadores sem responsabilidade, cujas criaturas (plataformas de petróleo, por exemplo) são negligenciadas e rebelam-se. Leitura imprescindível, assim como “Drácula”, de Bram Stocker. Esse sim é vampiro de verdade e honra as suas origens (afinal, ele não é como certos personagens sugadores de “sangue” de alfaces ou vegetarianos e sentem amor por menininhas de colégio hehe...).Em sua busca constante por sangue, o Conde aprisiona em seu castelo, o procurador, John Harker, noivo de Mina, fazendo da vidas dos personagens um verdadeiro inferno! Drácula se muda para a Inglaterra com o auxílio do pobre Harker, que no início nada sabia de malévolo sobre o anfitrião. Mais a frente, novos personagens surgem para tentar dar cabo do ser das trevas. O livro é muito bom, e a adaptação para o cinema (Dracula, 1931) é excelente também. E está disponível aqui.


* Segundo o jornal Folha de S. Paulo, os Ministérios Públicos Eleitorais de 23 estados mais o DF, até dia 13/07, protocolaram 2.308 ações de impugnação de candidaturas, isso significa que a cada 8 candidatos registrados 1 tem problemas com a Justiça. Pelo menos 220 foram devido ao descumprimento da Lei da Ficha Limpa. Lei essa, sem dúvidas, uma das maiores, se não a maior, mobilizações da população para combater a corrupção. Claro que aqueles que faltam à Lei devem ser punidos, mas seria necessária uma lei barrando suas candidaturas? A punição não seria mais efetiva se fosse feita de fato pelo povo: não votar nos “fichas-sujas”. Ao invés de primeiro torná-los inelegíveis, o mais interessante não seria que os eleitores riscassem, ou melhor, “deletassem” o nome dos bandidos da urna? Porque, suponhamos que a artimanha dos(a) sujeitos(a) em conseguir liminares e outros artifícios da Justiça o leve a conseguir lançar sua candidatura, o povo votará nele porque ele não foi enquadrado, mesmo com todos os indícios contra ele? Vale a pena pensar nisso com cuidado...


* Sugiro que os eleitores de Geraldo Alckmin deem uma olhada nesse vídeo e repensem seu voto.







* Para os blogueiros e interessados nas mídias “alternativas” de plantão. Ocorrerá em agosto (21 e 22, sábado e domingo) o 1º Encontro dos Blogueiros Progressistas. Clique aqui para conferir mais informações.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Refletindo um pouco...

Entre os meus presentes de Natal está o romance "As vinhas da ira" (vale a pena saber mais), de John Steinbeck. O retrato da "fuga" (leia-se expulsão) de milhões de pessoas de suas terras devido à seca, e principalmente, à chegada das máquinas e das grandes companhias que tomavam as pequenas propriedades, em nome do lucro a qualquer preço por dívidas, se passa nos EUA, dez anos após a crise de 1929. Entretanto, há atualidade nesse triste relato, que facilmente se adequa à realidade de muitos brasileiros.
Estou na metade do livro, e dentre o brilhante e triste relato apresentado, destaco uma frase que me fez refletir sobre o momento atual (o livro foi publicado em 1939):

"Tenha-se medo da hora em que o homem não mais queira sofrer e morrer por um ideal, pois que esta é a qualidade básica da humanidade, é a que a distingue entre tudo no universo". (As vinhas da ira - Pág.188)

Eu fiquei me perguntando: será que é chegada a hora de temer? A geração de agora, da qual eu faço parte, deixou de ter ideais? Será que estamos presos à mesmice e ao total desinteresse pelas mudanças? Não defendo a morte literal, no sentido de perder a vida, mas de defender com afinco e interesse uma ideia pela qual valha a pena viver (e não o contrário).
Trazer mudanças significativas para um grande número de pessoas - sendo duradouro - e não só a individualidade exacerbada. Obviamente, não estou sugerindo ideologias que pregam o fim do capitalismo (comunismo, anarquismo e etc.), seria trocar seis por meia dúzia, mas sim aproveitar os benefícios que o capitalismo oferece e promover mudanças. Qual é o objetivo da minha geração? Será que os livros de História daqui a 60 anos trarão os progressos conseguidos por nós, ou passaremos em branco?

Que tal honrarmos a proposta e a base desse blog, que é a reflexão? Não será hora de reavaliarmos nossa posição social? Pensemos nisso.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Alberto Caeiro e suas sensações


Hoje, assistimos à peça "Manda, Caeiro" na Universidade Anhembi-Morumbi. Interessante abordagem do heterônimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro. Desde que vímos Fernando Pessoa fiquei fascinado com sua maneira de escrever e intrigado com a capacidade de ele criar pessoas diferentes que escrevem sob aspectos antagônicos (heterônimo).

Caeiro, o poeta das sensações, não via razão em pensar. Bastava ver, sentir. Qualquer coisa que extrapolava os sentidos não valia à pena. Reproduzo trecho de uma composição polêmica, porém genial.


Num meio-dia de fim de primavera

Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte

Tornado outra vez menino,

A correr e a rolar-se pela erva

E a arrancar flores para as deitar fora

E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.

Era nosso demais para fingir

De segunda pessoa da Trindade.

No céu era tudo falso, tudo em desacordo

Com flores e árvores e pedras.

No céu tinha que estar sempre sério

E de vez em quando de se tornar outra vez homem

E subir para a cruz, e estar sempre a morrer

Com uma coroa toda à roda de espinhos

E os pés espetados por um prego com cabeça,

E até com um trapo à roda da cintura

Como os pretos nas ilustrações.

Nem sequer o deixavam ter pai e mãe

Como as outras crianças.

O seu pai era duas pessoas

Um velho chamado José, que era carpinteiro,

E que não era pai dele;

E o outro pai era uma pomba estúpida,

A única pomba feia do mundo

Porque não era do mundo nem era pomba.

E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala

Em que ele tinha vindo do céu.

E queriam que ele, que só nascera da mãe,

E nunca tivera pai para amar com respeito,

Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir

E o Espírito Santo andava a voar,

Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.

Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.

Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.

Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz

E deixou-o pregado na cruz que há no céu

E serve de modelo às outras.

Depois fugiu para o sol

E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

(...)

Diz-me muito mal de Deus.

Diz que ele é um velho estúpido e doente,

Sempre a escarrar no chão

E a dizer indecências.

A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.

E o Espírito Santo coça-se com o bico

E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.

Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.

Diz-me que Deus não percebe nada

Das coisas que criou —

"Se é que ele as criou, do que duvido" —

"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,

Mas os seres não cantam nada.

Se cantassem seriam cantores.

Os seres existem e mais nada,

E por isso se chamam seres."


Para ler este e outros poemas na íntegra clique aqui

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Leitura interessante

Peço licença para publicar excelente texto de Rodrigo Vianna (Escrevinhador).

GLOBO.COM TENTA EVITAR NOTÍCIA RUIM
MAS MÍDIA ALIADA NÃO ESCONDE MASSACRE EM GAZA


Israel é um Estado fora da lei. Não sou eu que estou dizendo. Quem afirma é Richard Falk, relator especial da ONU para a Situação dos Direitos Humanos nos Territórios Palestinos.
Durante entrevista coletiva nesta quarta-feira, em São Paulo, Falk acusou Israel de violar a Convenção de Genebra. E disse que não há precedentes, na história moderna das guerras, de um Estado impedir que a população civil se desloque para evitar os combates. Israel impede os palestinos de sair de Gaza.
A declaração de Falk, evidentemente, virou manchete. Terra e UOL deram com destaque. Mas, estranhamente, o G1 “escondeu” a notícia. O portal das Organizações (!) Globo, pouco depois das 20 horas desta quarta-feira, preferia destacar: “ONG judaica acusa PT de anti-semitismo”.
No G1, o texto sobre o relator da ONU aparecia lá embaixo no menu, e com uma manchete estranha: “Lançamento de foguetes do Hamas cria desculpa pra Israel”, diz relator da ONU. A frase de Falk, acusando Israel de atentar contra as leis internacionais, parece não ter agradado muito a turma da Globo. Então, está resolvido: tira da manchete, esconde.
Isso me lembra um outro episódio, que testemunhei há 3 anos: quando era repórter da TV Globo, fui cobrir a coletiva - em São Paulo - de um enviado da ONU para assuntos de racismo.

Ele dizia estranhar o discurso de autoridades brasileiras, que ainda defendiam a tese de que no Brasil existia a “democracia racial”. Para o representante da ONU, era evidente que havia racismo no Brasil. Fiz a matéria contando isso, mas os chefes lá na Globo não gostaram muito.
Não deixaram a matéria entrar no Jornal Nacional.
Agora, será que o G1 (portal da Globo) quer fazer o mesmo com o caso de Israel?
O G1 acha que engana a quem?


Israel contraria as convenções internacionais. Israel massacra a população civil. Israel é hoje, infelizmente, um Estado fora-da-lei.

Mas, quem constata isso vira logo “anti-semita” – como a ONG judaica afirmou sobre o PT. O Centro Simon Weishental não gostou da nota emitida pelo Partido dos Trabalhadores classificando a invasão de Gaza como um ato nazista. Ficaram ofendidos? Mantenham a calma: no Brasil há grupos de comunicação dispostos a divulgar a versão que interessa a vocês, viu?

Durante anos, a parceria de Israel com os Estados Unidos e a proximidade de Israel com importantes corporações de mídia pareciam garantir coberturas escandalosamente pró-israelenses nos conflitos com os árabes.
Israel ainda tem muitos amigos no Ocidente, gente disposta - na grande mídia - a torcer a verdade em nome da defesa dos interesses israelenses mais canhestros. No Brasil, a turma de Ratzinger está aí pra isso mesmo!

Mas, meus amigos, dessa vez a casa caiu. O massacre é cometido a olhos nus. Crianças palestinas são mortas dentro das escolas. A justificativa dessas ONGs que fazem “lobby” pró-Israel é de que Israel é uma democracia cercada por regimes bárbaros e assassinos. Isso não cola, afinal de que serve uma democracia que massacra crianças na escola?

O G1 e os amigos de Israel pelo mundo podem dizer o que quiserem. Israel, hoje, é um Estado fora-da-lei. Seus dirigentes deviam ser julgados em tribunais internacionais. E, agora, sou eu também que estou dizendo.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Dicas de leitura

Recomendo para aqueles que querem um panorama da guerra no Afeganistão e nos Bálcãs (região da Sérvia, Bósnia...) a autora norueguesa Asne Seierstad (jornalista formada pela Universidade de Oslo), que faz relatos de pessoas que vivem o cotidiano destes países, e que pariticipam diretamente do conflito, ou são afetadas diretamente. Coloca os diversos pontos de vista. Homens e mulheres, favoráveis ou desfavoráveis com o que ocorre.

O Livreiro de Cabul

Por ter vivido três meses com uma família afegã, na primavera de 2002, logo aós a queda do regime talibã, a jornalista norgueguesa Asne Seierstade pôde produzir esta narrativa ímpar que mostra aspectos do país que poucos estrangeiros testemunhariam. Como ocidental, mulher e hóspede de Sultan Khan, um livreiro de Cabul, obteve o privilégio de transitar entre o universo feminino e masculino de uma sociedade islâmica fundamentalista. Preso e torturado durante o regime comunista, dos mujahedin e dos talibãs, Sultan Khan teve sua livraira invadida e parte dos livros queimados, mas alimentava o sonho de ver seu acervo de 10 mil volumes sobre história e literatura afegã transformar-se no núcleo de uma nova Biblioteca Nacional. Apesar da situação estável, a família do livreiro, duas mulheres, cinco filhos e parentes, dividia uma casa de quatro cômodos em uma cidade que se recuperava da guerra e de trágicos refluxos políticos. Os integrantes da família acostumaram-se à presença da autora sob uma burca. Assim, ela pôde observar relatos das rixas do clã; da exploração sexual das jovens viúvas que esperam doações de alimentos das organizações de ajuda internacional; da adúltera sufocada com um travesseiro pelos três irmãos sobe as ordens da mãe; do exílio no Paquistão da primeira esposa de Sultan Khan, após um segundo casamento com uma moça de 16 anos; do filho adolescente do livreiro obrigado a trabalhar 12 horas por dia sem chance de estudar.




De costas para o mundo - Retratos da Sérvia

Asne transita entre diferentes localidades e acompanha o ponto de vista das pessoas, antes e depois da queda do Regime vigente na Sérvia - Slobodan Milosevic -, vê o que muda e como as pessoas reagem à essa mudança. Tem a opinião de jovens, velhos, mulheres, homens, políticos, jornalistas e cidadãos "comuns". Um relato impressionante da visão que há dos ocidentais. Aborda também a questão do Tribunal Internacional da ONU. Nele, a jornalista constrói uma narrativa emocionante sobre as pessoas marcadas pelo mais sangrento conflito ocorrido no coração da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial: a guerra da Bósnia, que devastou a Iugoslávia na década de 1990 e culminou em sua dissolução.Asne nos descortina um país marcado pela diversidade religiosa e cultural, habitado por católicos ortodoxos e muçulmanos. Conta como vizinhos antes pacíficos encheram-se de ódio uns pelos outros, perpetrando uma sucessão de guerras. Como repórter, Asne cobriu a guerra e os ataques aéreos da Otan contra o país. Alguns anos mais tarde, em 2000, movida pela curiosidade acerca de um povo que começou guerra após guerra, sem vencer jamais, ela retornaria a Iugoslávia. Por meio da vida de 13 sérvios - e com seu talento para capturar o cotidiano - ela consegue transmitir a essência desse povo. São fazendeiros, jornalistas, negociantes do câmbio negro, religiosos e até mesmo artistas, todos parte do mosaico de uma realidade em formação, da desintegração de um país e de uma nova ordem mundial. Com um timing perfeito, Asne desembarcou a tempo de testemunhar as manifestações contra Slobodan Milosevic. Naquele outubro, ela assistiu milhares tomarem Belgrado, o Parlamento e a emissora de TV estatal.Por meio de uma narrativa envolvente, quase literária, Asne democraticamente dá voz a todos. Do partidário de Milosevic que anseia por uma nova ditadura até os que acreditam que jamais aconteceu uma limpeza étnica em relação aos albaneses. De Costas Para o Mundo oferece um retrato único do cotidiano sérvio. Um estudo revelador da guerra e suas conseqüências.

Ambos valem à pena!

http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/2431991
http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/362707

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Apresentação

Acompanho essa "febre" com relação aos blogs. Analisando as funções que este recurso apresenta fiquei empolgado em começar a escrever também. Fiquei horas pensando em um tema, e cheguei à conclusão de escrever sobre assuntos cotidianos e expor minhas opiniões, possibilitando que outras pessoas possam discutir e expô-las também. Ao invés de fazer um diário, como a maioria dos blogs, decidi criar um espaço de discussão e publicação.
Espero que possam apreciar e discutir o que for publicado.

O caminho é longo, porém com reflexão e comedimento chegaremos aos nossos objetivos.