segunda-feira, 14 de março de 2011
No dia da Poesia
Nosso Tempo -V
Escuta a hora formidável do almoço
na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.
Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
Os subterrâneos da tome choram caldo de sopa,
olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,
mais tarde será o de amor.
Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.
O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.
Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro.
Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,
vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,
toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.
Escuta a hora espandongada da volta.
Homem depois de homem, mulher, criança, homem,
roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,
homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem
imaginam esperar qualquer coisa,
e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,
últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,
já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam.
Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia,
o corpo ao lado do corpo, afinal distendido,
com as calças despido o incômodo pensamento de escravo,
escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir,
errar em objetos remotos e, sob eles soterrado sem dor,
confiar-se ao que-bem-me-importa
do sono.
Escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana,
a falsificação das palavras pingando nos jornais,
o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,
a constelação das formigas e usurários,
a má poesia, o mau romance,
os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
o homem feio, de mortal feiúra,
passeando de bote
num sinistro crepúsculo de sábado.
Greve no transporte
Da Carta Capital, via Daniela Machado
Cooperativas de micro-ônibus prometem greve para esta terça-feira em São Paulo
Rede Brasil Atual14 de março de 2011 às 17:13h
Empreendimentos afirmam que, em quatro anos, repasse da prefeitura subiu 9,4%, ante reajustes de 30% na passagem
Por Jéssica Santos de Souza*
As cooperativas de transporte coletivo da cidade de São Paulo prometem greve a partir da 00h desta terça-feira (15), por tempo indeterminado. A decisão foi votada em assembleia na sexta-feira (11) que reuniu trabalhadores ligados ao Sindilotação – entidade que representa transportadores autônomos, da Federação das Cooperativas de Transporte do Estado de São Paulo e lideranças das operadoras.
O motivo da paralisação é um impasse em torno da correção de valores repassados aos operadores pelo transporte dos passageiros. As cooperativas reivindicam 12%, enquanto a prefeitura de São Paulo aceita dar um reajuste de 4,5%.
Segundo o presidente do Sindilotação, Senival Moura, caso a gestão municipal apresente disposição de dialogar com a categoria, a greve será suspensa. “Estamos operando no vermelho. Desde 2007, tivemos uma aumento de 9,4%, enquanto a passagem para o usuário teve reajuste de 30,43%”, afirma Moura.
As cooperativas operam principalmente micro-ônibus em todas as regiões da capital paulista. São cerca de 6 mil veículos que transportam 3,5 milhões de passageiros por dia. As nove cooperativas são responsáveis por atender 43% do sistema de transporte rodoviário da cidade.
O valor médio repassado às operadoras é de R$ 1,28 por passageiro. Com o aumento reivindicado, passaria a R$ 1,44. As empresas privadas que têm concessão do serviço em São Paulo recebem esse repasse de acordo com o gasto real de cada passageiro que embarca nos veículos.
*Publicada originalmente na Rede Brasil Atual
domingo, 13 de março de 2011
Visões sobre os benditos slides
Abaixo, dois comentários com visões interessantes sobre o uso dos slides em sala de aula. Foram feitos sobre o texto Parem de ler slides! Somos alfabetizados, postado nos comentários do Blog do Nassif.
André:
De fato, também sou contra o uso de PowerPoint como ferramenta primeira para aulas. Mandar o PPT por e-mail é pedir que as pessoas não os abram, seja pelo abuso no uso desse recurso (vide correntes de e-mail), seja por aquele ser apenas um conteúdo a mais dentre os muitos que você recebe.
Sobre alfabetização, infelizmente tenho notado um emburrecimento progressivo das pessoas, a ponto de elas se tornarem incapazes de interpretar textos ou levar em conta o contexto e a intenção do autor. E, acredite, há analfabetos funcionais com diploma superior, algo que tem agravante ainda maior. Ainda que possamos falar de política iletrogênica, é injusto e ridículo externarmos todas as causas do analfabetismo funcional de alguém, ainda mais se virmos que da mesma escola podre de onde saiu esse analfabeto funcional vemos alguém que passa em faculdade de ponta. Por que o último passou em faculdade de ponta, sendo que recebeu a mesma educação podre do colega analfabeto funcional? Não seria a coisa óbvia e que ninguém quer ver (ou, se vê, coitadizar o analfabeto funcional dizendo que ele é vítima da sociedade) de que, enquanto o incapaz de ler qualquer coisa mais complexa (e, se perigar, funcionalmente analfabetizando até no ônibus ou no metrô) cabulava aula para jogar sinuca e contava com a aprovação automática, seu colega orgulho do lar levava a sério o esforço daquele professor desrespeitado por alunos folgados, bem como lia algum livro (mesmo que emprestado de uma biblioteca) e também aproveitava a mesma internet que alguns usam só para ver Orkut para pegar conhecimento?
Claro que o uso de PPT não deve de todo ser demonizado, uma vez que é apenas um instrumento e, como tal, com mais de um uso. Já vi , em cursos de aperfeiçoamento profissional que fiz, professores que usavam o PPT de forma sábia, leia-se aproveitá-lo como algo já pronto com o conteúdo que será passado e dispensar o ato de ter de escrever a mesma coisa sempre. Portanto, ele não é intrinsecamente bom ou ruim, apenas é.
Ebrantino:
André, concordo inteiramente com você. É preciso entender que um curso não militar, é sempre algo optativo. O aluno, discente, pupilo, discípulo ou seja lá qual for a palavra usada hoje para o que está lá para aprender algo, tem a inteira liberdade de aproveitar bem, aproveitar mal ou nada aprender. De modo geral pode concluir o curso no prazo,ou se quiser virar aluno profissional, multiplicar o tempo de permanencia várias vezes. Até hoje a experiencia mostra que há os alunos de ótimo aproveitamento, os de aproveitamento médio, e os de máu aproveitamento. Não depende da capacidade mental do aluno. Depende de muitos fatores, sendo que, eu ligando o achômetro, palpito que o principal fator é o empenho, a vontade de aproveitar. Isso explica porque um professor ineficiente pode formar um aluno brilhannte; e vice versa, um professor absolutamente brilhante solta verdadeiras nulidades. Assim como podem sair brilhantes profissionais de faculdades ou cursos sofriveis, e pode sair uma nulidade de uma renomada faculdade. Quanto ao analfabetismo funcional, cada vez mais generalizado, no meu entender, merece todo um estudo dos especialistas, das autoridades, e de todos os interessados.
NECESSÁRIO DAR ATRATIVO À LEITURA, FAZER PROMOLÇÕES, GINKANAS, CONCURSOS, INSTITUIR MEDALHAS, PREMIAÇÕES, ENFIM USAR TODOS OS ESTÍMULOS, para incentivar a leitura desde a 1a. série do fundamental, e nunca parar, nem mesmo nos cursos de pos-graduação. Realmente, é de estarrecer a falta de capacidade de interpretar textos, e, especialmentre, de formular textos. É cada vez mais raro encontra alguem que senta em frente ao teclado e sai "mandando bala", como diz o Nassif. E, paradoxalmente, vemos pessoas com apenas 2, 3 anos de escola perfeitamente capazes de interpretar, sustentar a sua interpretação, e até escrever coisa própria. O Assunto é para especialistas, mas o Ministério da Educção poderia começar instituindo uma campanha nacional, e um prêmio honroso ao mestre que apresentasse o melhor trabalho para sanar esse PROBLEMA. Prometo não participar, por velho, e por leigo. Ebrantino
Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA se demite
Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA se demite
Por Susan Cornwell
WASHINGTON (Reuters) - O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, P.J. Crowley, demitiu-se no domingo depois que foi revelado que ele chamou o tratamento dado pelo Pentágono a um soldado dos EUA acusado de vazamento de documentos secretos ao site Wikileaks de "estúpido" e "ridículo."
A secretária de Estado Hillary Clinton disse em nota oficial que aceitou a demissão de P.J. Crowley com "pesar." Ele serviu como secretário-assistente do departamento de Relações Públicas e porta-voz chefe.
Crowley disse em nota que apresentou a sua demissão "dado o impacto das minhas observações, pelas quais assumo total responsabilidade." Sua demissão ocorreu dois dias depois que o presidente dos EUA, Barack Obama, foi questionado sobre as declarações de Crowley durante uma entrevista coletiva televisionada.
Um correspondente da BBC informou na semana passada que Crowley, coronel da reserva da Força Aérea, disse a uma pequena platéia em uma universidade de Massachusetts que o tratamento dado ao ex-analista de inteligência Bradley Manning "é ridículo, contraproducente e estúpido".
Manning, 23, está preso em uma base da Marinha no Estado da Virgínia e ficará detido durante a investigação das acusações de que ele teria vazado documentos quando servia no Iraque. Seus advogados disseram que ele está sendo maltratado na prisão militar.
Mantido sozinho em sua cela 23 horas por dia, Manning é obrigado a dormir nu e é acordado várias vezes durante a noite para garantir que está a salvo, segundo o Pentágono.
A publicação no site WikiLeaks dos documentos que Manning teria vazado foi um duro golpe para a diplomacia dos EUA, uma vez que aliados e adversários do país aparecem sendo ridicularizados ou criticados em comunicações diplomáticas secretas.
Em seu comunicado de domingo, Crowley disse que a divulgação não autorizada de informação confidencial é um "crime grave nos termos da lei dos EUA."
"Meus comentários recentes sobre as condições da prisão preventiva do soldado Bradley Manning tinham a intenção de destacar o impacto mais amplo, até mesmo estratégico de ações realizadas por agências de segurança nacionais todos os dias e seu impacto em nossa posição e liderança mundial," disse Crowley.
"O exercício do poder nos tempos desafiadores de hoje e com o ambiente sem trégua da mídia precisa ser prudente e coerente com nossas leis e valores".
Homem espancado por policiais em Registro - SP
O art. 5º, II da CF - dispõe: "II -- ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante".
sábado, 12 de março de 2011
Rio de Janeiro é sinônimo de carnaval
Na Globo, folia do Rio teve tempo 400% maior que BA e PE
Claudio Leal
Na cobertura pré-carnavalesca, de 13 de fevereiro a 3 de março, a Rede Globo privilegiou o Carnaval do Rio de Janeiro em detrimento das festas em Salvador, Recife e São Paulo. Uma pesquisa realizada pela empresa MidiaClip, da Bahia, demonstra o desequilíbrio nos espaços jornalísticos da emissora. Os telejornais das redes Band, SBT, Record e TV Brasil também foram monitorados no mesmo período.
A Globo dedicou 60 minutos para a folia no Rio, 17min39s para São Paulo, 06min34s para Recife, 05min46s para Salvador, e 11min23s para outras praças. Estados com os maiores carnavais de rua do País, Bahia e Pernambuco foram desidratados no Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Fantástico, Jornal Nacional e Jornal da Globo.
O Rio ganhou, aproximadamente, um tempo 400% maior que Recife e Salvador. Quando se inclui São Paulo no cálculo, o carnaval carioca teve duas vezes mais tempo que os carnavais baiano, pernambucano e paulista somados.
Noutras palavras, o jornalismo da Globo "nacionalizou" apenas a folia carioca. A pesquisa não contabilizou as vinhetas promocionais das escolas de samba nos intervalos da emissora.
Na estatal TV Brasil, o Rio de Janeiro volta a vencer no tempo de promoção do Carnaval: 25min34s. Salvador mereceu 07min14s.
Segundo o monitoramento da MidiaClip, o SBT e a Band "foram as duas redes que deram mais primazia ao Carnaval de outros estados em detrimento do Rio. A TV de Silvio Santos ofereceu folgados 14 minutos e 11 segundos à cobertura do pré-carnaval baiano, enquanto a Band utilizou 06min57 segundos de sua cobertura para as escolas de samba de São Paulo".
A Band tem se destacado pelo investimento na cobertura do carnaval baiano. Em 2011, ela e o SBT montaram camarotes próprios em Salvador.
Quer ter opinião? Compre um portal
A frase do título é uma adaptação da frase que Assis Chateaubriand, magnata brasileiro das comunicações, dizia a quem quisesse dizer o que pensava nas páginas de seus diários: "Quer ter opinião? Que compre um jornal!".
Rede TV! demite 22 jornalistas do portal, após equipe questionar gerência do site
O Portal da Rede TV! demitiu na tarde desta quinta-feira (10/3) 22 dos 23 jornalistas que pertenciam à equipe do canal online da emissora. O único profissional que não foi dispensado está de férias e voltará a trabalhar, ou também sairá da empresa, na semana que vem. Entre a equipe que foi demitida, existe a informação que a direção preferiu tirar do seu quadro de funcionários as pessoas que questionaram o modo de trabalho da gerência do RedeTV.com.br.
Conforme notícia publicada pelo site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJ-SP), e confirmada por fontes que estavam trabalhando no site da emissora, a demissão do grupo formado por 22 jornalistas aconteceu em decorrência de uma carta que a equipe enviou para a direção da empresa, expondo problemas de gestão.
"Desde que o portal existe, mais de 50 pessoas não aguentaram esse problema com a gerência, que é a mesma desde que o site foi criado, e pediram demissão. Nos reunimos e expomos tudo o que estava acontecendo, até questão de assédio moral e racismo", disse um dos jornalistas que foi demitido ontem.
"Motim"
De acordo com algumas fontes que estavam no site, a direção daRede TV! não se importou em ajudar o ambiente de trabalho da equipe do portal. Pelo contrário, houve uma "revolta" contra os jornalistas e a emissora preferiu "renovar a equipe".
"A direção encarou a carta que fizemos como um motim contra a empresa", diz outro profissional dispensado pela Rede TV!.
"Reestruturação"
Após o Comunique-se questionar o motivo das demissões e se todas as vagas serão ocupadas por novos contratados, a direção da Rede TV!, por meio do departamento de comunicação, informou que as saídas desses jornalistas são "parte de uma reestruturação" feita na equipe do site da emissora e que oRedeTV.com.br passa a fazer parte de um outro núcleo da empresa.
"A partir de agora o portal será integrado a equipe da Superintendência de Jornalismo e Esportes da Rede TV!, que é dirigida, gerida por Américo Martins", informou a emissora. O jornalista Américo Martins assumiu o cargo da superintendência durante o mês passado.
Atualizada em 11/3/2011 às 14h50.
Metade da população de cidade japonesa está desaparecida
Metade da população de cidade japonesa arrasada por tsunami está desaparecida
Cerca de 9,5 mil pessoas, metade da população da localidade de Minamisanriku, na província de Miyagi, continuam desaparecidas na sequência do violento terremoto e do tsunami que se seguiu ocorridos sexta-feira (11/03) no Japão, segundo informaram as autoridades do país. Minamisanriku tem 17 mil habitantes.
As equipes de socorro, que já resgataram 3 mil moradores, procuram sobreviventes em casas destruídas, águas lamacentas e incêndios provocados pelo sismo de 8,8 graus na escala Richter e pelo consequente tsunami que varreu bairros inteiros ao longo da costa nordeste japonesa.
Leia mais:
Forte explosão em usina nuclear de Fukushima deixa quatro feridos
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Japão é sacudido por novo tremor de 6,6 graus na escala Richter
Galeria de imagens: Terremoto de magnitude 8,9 e tsunami atingem costa do Japão
Em nota, Itamaraty informa que não há brasileiros mortos ou feridos no Japão
Comunidade japonesa no Brasil busca informações sobre parentes
Terremoto do Japão pode ter deslocado eixo da Terra, diz estudo
Sétimo pior terremoto da história mundial atinge o Japão
'Parecia o fim do mundo', diz brasileira no Japão que viu prédios tremerem como 'se fossem de papel'
A cadeia de televisão pública NHK anunciou que 900 pessoas morreram e mais de 700 estão desaparecidas, números que devem aumentar à medida que os trabalhos de resgate avançam.
Além do desastre ter afetado estradas de ferro, rodovias e o transporte marítimo, mais de 23 mil pessoas ficaram bloqueadas no aeroporto de Tóquio. Cerca de 6 milhões de casas, mais de 10% das habitações do país, ficaram sem eletricidade.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Foto contraste do dia
Depois de uma manhã às margens do fétido rio Tietê, na altura do Pq. Ecológico, visitando as obras de desassoreamento, com os pés na lama, a foto - . Em breve, mais informações:
[caption id="attachment_1739" align="aligncenter" width="1024" caption="Barcaça no Rio Tietê. Não notam nada?"]
Vamos aproximar!
[caption id="attachment_1740" align="aligncenter" width="1024" caption="Quantos purificadores Europa são necessários para devolver a vida ao Tietê?"]
quarta-feira, 9 de março de 2011
Desmistificando o carnaval de Salvador
Do Terra Magazine
Pesquisa: 77% dos moradores de Salvador fogem do carnaval
Reinaldo Marques/Terra Negros são maioria entre os trabalhadores e os foliões "pipocas" do carnaval de Salvador |
Claudio Leal
Os exageros númericos e outros pecados ufanistas costumam colorir a participação dos moradores de Salvador no Carnaval. Na contracorrente, uma pesquisa da Secretaria de Cultura (Secult) e da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI/Seplan) ajuda a medir o grau de envolvimento dos soteropolitanos e a esvaziar os clichês midiáticos sobre a festividade dos baianos.
Realizada em maio, junho e julho de 2009, a sondagem coletou informações da folia daquele ano, com entrevistados de 14 anos ou mais. Foram aplicados 6.677 questionários. De início, identifica-se um baixo de grau de envolvimento: 77% dos soteropolitanos (1,93 milhão) não comparecem a nenhum dos seis dias do evento; desses resistentes, 62,7% ficaram em casa e 14,3% viajaram. Isso não significa que tenham se livrado totalmente do impacto do Carnaval - seja pela montagem (e transtornos) da estrutura, seja pelas transmissões das TVs (7,3% assistem à cobertura).
Apenas 19% se divertiram em blocos, em camarotes e na "pipoca" (como são enquadrados os foliões que preferem curtir sem pagar nada pelas atrações musicais). Traduzindo, 478 mil almas baianas vão atrás do trio elétrico; 100 mil (4%) ficam do outro lado do balcão e trabalham durante o Carnaval. Nessa categoria de raladores estão as famílias de ambulantes que armam suas barracas nas franjas dos três circuitos momescos de Salvador.
"Ainda que o formato do Carnaval da Bahia priorize a faixa de público jovem, boa parte dos entrevistados (48,6%) entre 14 e 39 anos afirmou não ter ido à festa em 2009. Nesse grupo, viajar para outras cidades foi opção para 58,7%. Já entre a população acima de 40 anos (51,4%), a decisão de ficar em casa (53,7%) prevaleceu sobre a de viajar", revela a pesquisa. O Litoral Norte, a Ilha de Itaparica e as cidades do interior da Bahia são os principais destinos dos fujões.
Cores e letras
O abismo social é mais perceptível nas bordas das avenidas, ao se radiografar os foliões espremidos pelos blocos de corda e pelos camarotes. Entre os "pipocas", registra-se a maior taxa de analfabetismo e 1º grau incompleto (23,1%); 47,1% declararam ter 2º completo e 3º grau incompleto. Para efeito comparativo, os iletrados representam cerca de 3% dos habitués dos camarotes.
Você não estará errado se apontar a insegurança como a principal queixa dos que fugiram do bate-barriga. "Para justificar esse comportamento, diversas razões foram apontadas: falta de segurança (47,1%), desgosto pelas atrações (8,9%), falta de dinheiro (7,9%) e diversos outros motivos (34,3%). Nesse caso, foram citadas cinco principais razões, por ordem de importância: limitações familiares diversas, proibição religiosa, problemas de saúde, oportunidade para descansar e desgosto pela festa", diz o relatório "Comportamento dos residentes em Salvador no Carnaval 2009".
No corte étnico, nenhuma surpresa: 85,1% dos foliões pipocas são negros; 14,9%, brancos. No andar de cima - o camarote -, a parcela de brancos sobe para 40,9%. Numa cidade de maioria negra ou parda, 59,1% dos frequentadores dos camarotes são negros. Uma lembrança, apenas: a pesquisa contabiliza os residentes em Salvador, e não os turistas, predominantemente brancos e usuários contumazes dos espaços VIPs, sub-VIPs ou quase VIPs.
Na viração dos trabalhadores da festa - de servidores públicos e cordeiros a seguranças particulares e ambulantes -, a conformação Casa Grande & Senzala predomina. De quem são as mãos? 88,7% de negros. "Buscando traçar o perfil do trabalhador do Carnaval, verifica-se que este indivíduo é principalmente homem, de cor negra, com idade superior a 25 anos e não migrante".
Agora, as patacas, os caraminguás. O gasto diário médio de um pipoca estaciona em R$ 31,11; nos blocos, os baianos desembolsam R$ 162; nos camarotes, um pouco menos: R$ 112,62. E não se deve esquecer dos drinks e petiscos livres em camarotes como o "Daniela Mercury" e o "2222", pilotado por Flora Gil (neste último, o orçamento chegou a R$ 5 milhões; 1.200 convidados). Em 2009, o gasto total dos foliões beirou os 127,7 milhões. Há os camarotes pagos e os "de grátis", cujos convites são disputados por classes de A a Z.
"Vale salientar que nem sempre a renda mensal dos indivíduos está diretamente relacionada aos valores aplicados na festa. De um lado, o crédito disponibilizado por empresas, a exemplo da Central do Carnaval, ou via internet, possibilita à população de menor poder aquisitivo acesso aos blocos caros. De outro, a rede de relacionamentos dos indivíduos de maior nível de renda favorece a participação gratuita em blocos e camarotes patrocinados", descreve o relatório.
Em 2011, o governo da Bahia aplicou cerca de R$ 53 milhões no Carnaval de Salvador. Desse total, algo em torno de R$ 23 milhões para garantir a segurança.
A prefeitura da capital arrecadou R$ 15 milhões com a venda das cotas de publicidade em espaços públicos para as empresas Samsung, Petrobras, Itaú e Schin, além do governo estadual (lotes superiores a R$ 3 milhões). Outros patrocinadores menores, em geral empresas de mídia, investiram cada um R$ 150 mil. A prefeitura terceiriza a passagem do chapéu. As agências do consórcio OCP/Mago abocanharam uma comissão de 20% - em grana, um trocadinho de R$ 3 milhões.
Os números milionários da festa e a pesquisa do governo baiano não condensam toda a realidade, mas ajudam a entender as nuances de poder no maior carnaval brasileiro. Quem manda, e como manda, exige uma outra radiografia.
Veja e Globo: promiscuidade, a gente vê por aqui
O interessante é ver a gritaria por "liberdades de imprensa e de expressão". O candidato José Serra agia diretamente sobre a coluna de alguém que se diz jornalista na Veja. Como levar uma imprensa a sério dessa forma?
Do Gonzum - Via Diego Calazans, pelo Twitter
Marina era a grande aposta de Serra
Mensagens do consulado do Rio de Janeiro vazadas pelo Wikileaks revelam que Serra apostava em Marina Silva, do PV, como seu grande trunfo para vencer Dilma Rousseff nas eleições de outubro de 2010. O cônsul americano informa ter mantido produtivo bate-papo com o colunista da Veja, Diogo Mainardi, que lhe contou acerca de uma conversa dele com o então governador de São Paulo, José Serra.
Diz o cônsul, logo no sumário de nota vazada, de fevereiro de 2010: “Observadores políticos e representantes partidários argumentam que há possibilidade do provável candidato do PSDB, José Serra, pedir à candidata do Partido Verde, Marina Silva, para ser a sua vice. Enquanto parece improvável que Marina Silva aceite tal papel, a maioria acredita que ela iria, no mínimo, apoiar José Serra no pleito.”
As mensagens da embaixada americana revelam que os representantes diplomáticos dos Estados Unidos monitoravam muito atentamente o desenrolar dos acontecimentos políticos e partidários no Brasil, e seus interlocutores são representantes do tucanato e colunistas da Veja e do Globo.
A nota em questão relata um almoço do cônsul com o “proeminente colunista político da Veja, Diogo Mainardi [que] contou-lhe que sua recente coluna em que propunha aliança entre Serra e Marina nas eleições havia sido fruto de uma conversa entre Mainardi e Serra, na qual o tucano havia dito que ‘Marina era seu vice dos sonhos’. Serra expressou, na conversa com Mainardi, os mesmos argumentos que este usou em seu artigo, que a biografia de Marina Silva e suas credenciais esquerdistas ajudariam a reduzir o impacto do carisma de Lula sobre os mais pobres e deixar Dilma em desvantagem junto ao eleitorado de esquerda, ao mesmo tempo em que minimizaria a associação de Serra ao governo de Fernando Henrique, que Lula/Dilma esperavam usar na campanha.”
Passada as eleições, vemos que, de fato, Marina ajudou Serra, embora não da maneira completa que ele esperava, mas simplesmente dividindo o eleitorado de Dilma Rousseff. Animal político astuto que é, o tucano sabia que a verde era talvez a única maneira de roubar votos do eleitorado lulista/dilmista. Quantas articulações e promessas e ofertas não devem ter sido feitas para tentar seduzir Marina?
Mainardi e Serra, relata o cônsul, acreditavam que Marina fosse apoiar o PSDB.
O colunista não achava que Marina aceitasse o papel de vice, mas que daria apoio ao tucano no segundo turno. Mainardi, que como sempre não acertou uma, diz ainda que, uma hipótese mais realista era Aécio Neves aceitar a vaga de vice de José Serra.
Outro interlocutor do cônsul é o colunista do Globo, Merval Pereira, com quem ele manteve uma conversa no dia 21 de janeiro. Merval diz ao cônsul que conversou com Aécio Neves e que o mineiro afirmou estar “disposto a tudo” para ajudar Serra, inclusive ser vice. Eh cônsul bem articulado, héin? Eh turminha unida! Merval Pereira, Mainardi, Serra, Aécio e diplomatas norte-americanos, lutando juntos por um Brasil mais justo!
Merval Pereira, agora um Imortal da filosofia, disse ao cônsul que “não só acreditava que Aécio Neves toparia ser vice de Serra, como Marina Silva também o apoiaria na disputa”. Ô maravilha de cenário!
Os americanos, no entanto, não são tão bobos quanto Merval. Os diplomatas consultaram outras fontes, não tão otimistas (pro lado do Serra) quanto os colunistas da grande mídia. Falaram com Rodrigo Maia, por exemplo, que naturalmente não achava nada maravilhoso uma chapa puro-sangue do PSDB, nem apreciava tanto uma aliança triunfal com Marina Silva. O próprio cônsul faz observações semelhantes.
O cônsul conversa ainda com os tucanos Otávio Leite (RJ), Antonio Carlos Mendes (SP), Clovis Carvalho, e Marcelo Itagiba. Troca também umas ideias com o senador Agripino Maia. Ao cabo, vê-se que o serviço diplomático americano obtém um conjunto de informações bastante razoável, embora se restrinja a dialogar com as forças de oposição.
Confira a íntegra do documento.
Leia também, sobre o mesmo tema:
- Wikileaks campanha 2010: Serra promete fidelidade canina aos EUA (na mariafro).
- Wikileaks campanha 2010: Bolsa família é direito sacrossanto (no futepoca).
segunda-feira, 7 de março de 2011
Gaddafi ataca seu próprio exército
Vídeo obtido pela Al Jazeera supostamente mostra oficiais do exército líbio assassinados por se negarem a abrirem fogo contra os rebeldes.
Da Al Jazeera
A História bem na Foto
Surpreso com a brutalidade da imagem, fui ler a história dela. Nessa leitura, descobri um blog interessantíssimo com fotos marcantes e suas respectivas histórias.
A tese de mestrado, apresentada e aprovada na UFRJ, intitulada A História bem na Foto: fotojornalistas e a consciência da História traz em uma série de oito blogs com diversas fotos impactantes tiradas no Rio de Janeiro na década de oitenta.
Para conferir o endereço inicial, clique aqui. De lá, você acessa os outros. Uma das que mais me chamou a atenção foi "pulo para morte", uma fotografia de Sergio Araujo que registra o momento do pulo de uma senhora desesperada em um incêndio que atingiu o edifício Andorinhas, no Rio.
domingo, 6 de março de 2011
Pato Donald: desenho banido
"A face do führer": desenho da Disney (1943) de crítica ao nazismo e propaganda aliada na 2ª Guerra Mundial.
sábado, 5 de março de 2011
Comentário de Rachel Sheherazade sobre o Carnaval
Comentário de Rachel Sheherazade sobre o Carnaval:
sexta-feira, 4 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Aos cinéfilos e nerds de plantão
'Guerra nas Estrelas' em 3D chegará nos cinemas em fevereiro de 2012
Se a bilheteria responder positivamente, o filme será seguido pelos outros cinco capítulos
A produtora Lucasfilm e o estúdio 20th Century Fox anunciaram nesta quinta-feira, 3, a data do relançamento em 3D da saga Guerras nas Estrelas, que estreará Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma no novo formato no dia 10 de fevereiro de 2012 nos Estados Unidos.
Segundo The Hollywood Reporter, Lucasfilm acredita que o retorno da saga aos cinemas em três dimensões contribua para aumentar significativamente a procura pelos artigos da coleção de Guerra nas Estrelas.
A saga foi assistida pela primeira vez nos cinemas em 1977 com Guerra nas Estrelas e se transformou em trilogia com o lançamento de O Império Contra-Ataca (1980) e O Retorno do Jedi (1983).
Dezesseis anos mais tarde, Lucasfilm decidiu retornar a esse mundo de ficção científica com outros três filmes, Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma (1999), Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones (2002) e Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith(2005).
quarta-feira, 2 de março de 2011
São Paulo é a mais atrasada nas obras da Copa
Natal tem proposta única para Copa; SP é mais atrasada--estudo
A construtora OAS, que já está empenhada na reforma da Fonte Nova em Salvador, entregou a documentação exigida para erguer o novo estádio de 400 milhões de reais, com capacidade para 45 mil torcedores, na capital do Rio Grande do Norte. O governo agora deve finalizar a licitação até abril, para finalmente começar as obras.
"A documentação da única participante começou a ser analisada imediatamente após a sessão de recebimento das propostas. Até 15 de abril serão concluídas as análises", informou o governo do RN em nota. O prazo de conclusão da arena é dezembro de 2013.
Com o andamento dos preparativos em Natal, São Paulo fica como a cidade mais atrasada entre as sedes, de acordo com avaliação de progresso dos 12 estádios divulgada também nesta quarta pelo Portal 2014 (www.copa2014.org.br) -- site do Sindicato Nacional da Arquitetura e Construção que acompanha o ritmo de todas as obras relacionadas ao Mundial.
"Em São Paulo, maior cidade brasileira, capital do Estado que gera 34 por cento do PIB do Brasil e candidata a sediar a abertura da Copa, a situação permanece indefinida: o Corinthians promete iniciar as obras de seu estádio, mas nem o projeto está completo e tampouco foram liberadas as licenças necessárias para a construção", disse o relatório.
Mesmo diante do impasse, o estádio a ser construído pelo Corinthians foi oficializado na terça-feira pelo comitê organizador como a sede de São Paulo para a Copa. O clube paulista diz ter verba para levantar uma arena de 48 mil torcedores, mas precisa de financiamento para ampliar a capacidade até 65 mil -- o mínimo exigido pela Fifa para uma partida de abertura de Mundial.
O clube também ainda precisa resolver um problema no terreno escolhido para a arena, que é cruzado por dutos da Transpetro, de acordo com o Portal 2014.
Palco da final da Copa, o Maracanã está com a arquibancada praticamente toda demolida, e a reconstrução quase total está programada para começar ainda este mês. No entanto, o estádio, que já é o mais caro do Mundial ao custo de 705 milhões de reais, pode sofrer um aumento de gastos depois que foram identificados possíveis problemas estruturais na cobertura.
"O Maracanã é um estádio de 60 anos... a cobertura tem um nível de resistência dos últimos 60 anos, e a gente tem um momento em que você vai perdendo resistência", disse à Reuters nesta quarta a secretária estadual de Esportes do Rio, Márcia Lins, em entrevista no Maracanã.
"Agora está se analisando através de tecnologia que não existia antes, para que a gente tenha certeza que todo esse processo de obra de preparação de 2014 está sendo feito da melhor forma possível para durar muitos anos mais depois de sua conclusão", acrescentou.
Entre as outras arenas que serão construídas ou reformadas para a Copa, apenas quatro -- Cuiabá, Fortaleza, Salvador e Manaus -- já receberam os empréstimos do BNDES para as obras. O Beira Rio, em Porto Alegre, está com obras em andamento, mas o Internacional, dono do estádio, trava uma disputa com a Fifa, que exige um investimento maior dos que os 155 milhões estipulados inicialmente.
(Por Pedro Fonseca)
Dá-lhe sujeira
Contra enchentes, água do Pinheiros será bombeada mais rápido à Billings
Mas plano do governo do Estado, que inclui a compra de mais três bombas, é criticado por ambientalistas e secretário de São Bernardo
O governo de São Paulo quer aumentar de 12 para 15 o número de equipamentos que bombeiam água dos Rios Tietê e Pinheiros para a Represa Billings. Hoje os existentes nas Usinas Elevatórias de Traição e Pedreira jogam 675 metros cúbicos por segundo. O plano é aumentar em 200 m³/s. Mas essa alternativa da administração estadual para minimizar enchentes na capital já desperta polêmica: além de ineficaz, especialistas dizem que ela pode aumentar o volume de sujeira no manancial que abastece quase 30% da Região Metropolitana de São Paulo.
O bombeamento de águas do Pinheiros para a Billings foi proibido em 5 de outubro de 1992. O despejo pode ocorrer apenas em situações de emergência: para evitar enchentes na capital ou falta de água nas indústrias da Baixada Santista. Fora disso, a prioridade é não poluir as águas, utilizadas para abastecimento.
"É proibido pela Constituição paulista bombear o Pinheiros para a Billings. Agora, na enchente, eu não vejo problema", disse ontem o governador Geraldo Alckmin (PSDB). "No caso do Pinheiros, estamos estudando aumentar ainda mais o bombeamento. À medida que você bombear com mais eficiência para a Billings, fizer a reversão do Pinheiros, você ajuda o Tietê a passar mais depressa."
A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), responsável pelo bombeamento, informou que a instalação de três novas bombas aumentará a disponibilidade e a confiabilidade do sistema, que deve estar apto a atuar em momentos de chuva intensa, com risco de enchentes. Mas não aumentará o volume de água bombeada, "que continuará sendo análogo aos volumes provocados pelas cheias atuais". A justificativa para ampliar a quantidade de equipamentos é bombear em um tempo menor, drenando rapidamente regiões de várzea dos Rios Pinheiros e Tietê, para evitar transbordamento.
A previsão para compra das três bombas, fabricação, obras civis e instalação é dezembro de 2013. E o custo será de R$ 190 milhões, segundo a Emae. Alckmin aposta que os investimentos em coleta a tratamento de esgoto na terceira etapa do Projeto Tietê também vão melhorar a qualidade da água dos rios, minimizando impactos ambientais do bombeamento na Billings. "Vai melhorar muito o Pinheiros, que pode ficar até no mesmo nível ou melhor que a Billings."
Mas o tema causa controvérsias. "Não estou convencido de que não haverá aumento de água bombeada para a Billings. Mais bombas significam mais tempo de bombeamento e aumento de águas contaminadas para a Billings. A resposta do governo é uma falácia. Não se pode jogar o esgoto na casa do vizinho. São Bernardo não é a latrina de São Paulo", reclama o secretário de Gestão Ambiental de São Bernardo do Campo, Gilberto Marson. Para ele, a proposta é inconstitucional, pois a consulta aos municípios afetados é obrigatória por lei. "São Bernardo não foi consultado." Reunião com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente está agendada para o dia 10.
"O bombeamento desde 1992 é feito sem estudo de impacto ambiental e sem licenciamento. As novas bombas precisam de estudos e licenciamento. Não vi nada até agora", afirma Virgílio Alcides de Farias, presidente do Movimento em Defesa da Vida do ABC. Ele considera "papo furado" o argumento de que bombeamento mais rápido das águas do Pinheiros ajudará a minimizar enchentes. "Sempre que chove forte, São Paulo inunda. E desde 1992 isso não funciona."
A Emae informou que atenderá a todas as exigências ambientais e as 12 bombas em funcionamento não têm estudos ambientais, porque "são instalações anteriores à necessidade de elaboração de EIA-Rima".
Para o professor do Laboratório de Hidrologia e Hidrometria da Unesp de Ilha Solteira, Jefferson Nascimento de Oliveira, mais bombas são eficazes em um primeiro momento. "A solução passa pela readequação do sistema de drenagem, com mais piscinões e parques lineares." / COLABOROU RENATO MACHADO
terça-feira, 1 de março de 2011
Sobre a imprensa internacional na Líbia
Interessante entrevista sobre a situação na imprensa internacional na cobertura dos conflitos na Líbia.
Reprodução
Villegas assumiu a presidência da TeleSur em janeiro, substituindo o atual ministro da
Comunicação venezuelano, Andrés Izarra
Segundo Patricia Villegas, presidente da rede de notícias, a TeleSur está comprometida a realizar uma cobertura jornalística fiel aos fatos, enfrentando as dificuldades impostas pela situação: Rodríguez e seu cinegrafista só podem trabalhar com autorização e acompanhados de um funcionário do Ministério de Comunicações, por exemplo. Em entrevista ao Opera Mundi, Villegas conta detalhes sobre os bastidores e sobre a situação do país relatada pelos repórteres que comanda.
Como foi a operação de envio dos correspondentes da TeleSur para a Líbia?
Nós enviamos o jornalista Jordán Rodriguéz e um câmera para Roma que, de lá, partiriam para Trípoli. Durante dois dias, eles dormiram no aeroporto de Roma para esperar um voo disponível. Quando o voo foi aberto, pegaram o avião e foram direto à capital líbia, onde procuraram um hotel para ficar. Ao saírem para gravar, foram impedidos por forças de segurança locais, que exigiram uma permissão governamental para realizar a cobertura.
Na volta ao hotel, o jornalista e o câmera viram todos os seus pertences na recepção. A pessoa encarregada do hotel então lhes informou que eles não poderiam ficar hospedados, pois, com os conflitos, a gerência não queria se responsabilizar pelos turistas. Diante da situação, a equipe daTeleSur foi buscar ajuda na embaixada da Venezuela em Trípoli, que tem proteção nesse momento. No dia seguinte, a embaixada nos ajudou a conseguir a exigida permissão governamental, que chegou apenas depois de quatro dias. Outros veículos de comunicação e agências de notícias internacionais também estavam à espera da mesma permissão e sem aval de hotéis para hospedarem-se. Todos então foram encaminhados para o mesmo hotel, onde estão hospedados.
Desde então, mesmo com a permissão em mãos, os jornalistas só podem sair às ruas acompanhados de um funcionário do Ministério de Comunicação da Líbia. Segundo nosso correspondente, todas as reportagens, entrevistas e tomadas só podem ser realizadas na companhia de um responsável do ministério.
Os correspondentes sofreram algum tipo de censura ou repressão?
Depois de se alojar e deixar as coisas no hotel, a equipe saiu para gravar, quando sofreu a primeira retenção pelas forças de segurança do governo, que exigiram a permissão governamental para gravar na cidade, uma permissão que eles não tinham. Por isso, ficaram cerca de quatro horas retidos, tiveram de deixar as câmeras e os outros instrumentos de trabalho e só foram soltos depois de advertidos novamente que estavam proibidos de sair às ruas para fazer a cobertura sem essa permissão oficial.
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Durante os quatro dias em que aguardavam a permissão chegar, os jornalistas foram às ruas para acompanhar os protestos de perto, mas voltaram a ser retidos pelas forças de segurança do governo. Os celulares, em que gravavam imagens e entrevistas, foram confiscados. Também foram agredidos com coronhadas. Foram liberados, mas advertidos novamente sobre a mesma situação. Um dia depois, porém, um funcionário do Ministério de Comunicação informou que a permissão já havia sido dada e a entregou aos jornalistas.
Com a permissão em mãos, a equipe não sofreu mais nenhum tipo de repressão nem censura, apenas foram obrigados a submeter-se à presença do funcionário do ministério o que, para mim, é uma forma de controle. É importante enfatizar que todos os veículos internacionais que chegaram junto ou depois com a equipe da TeleSur estão sendo obrigados a ser acompanhados por um funcionário do ministério.
E como está a situação atual?
De acordo com as informações do enviado especial da TeleSur em Trípoli, em um primeiro momento não havia protestos massivos pela cidade. A situação estava mais tensa antes de a equipe chegar, e parte da cidade chegou até mesmo a ser bombardeada. Agora a tensão está principalmente nas cidades próximas da capital, onde manifestantes contra e a favor da Kadafi estão nas ruas. Assim mesmo, segundo Rodriguéz, a Praça Verde, no centro da capital, se mantém sem manifestações. Segundo os correspondentes da TeleSur e de outros veículos de comunicação internacionais, a vida na cidade chega até a parecer normal: há carros nas ruas, lojas abertas, bancos funcionando e pessoas transitando.
Já em Benghazi, onde enviamos outra equipe, capitaneada pelo jornalista Reed Lindsay, a situação é totalmente oposta. A cidade está tomada por opositores. Os dois correspondentes observaram, durante vários dias, que milhares de pessoas têm tentado deixar a cidade, principalmente pela fronteira com a Tunísia, em decorrência da atual situação do país.
Nesta segunda-feira (28/02), Kadafi acusou os meios de comunicação internacionais de não transmitirem o que realmente está acontecendo no país. Isso é verdade?
Não tenho essas informações, recebemos por meio de satélite as informações dos correspondentes, mas não sei como os meios de comunicação líbios estão se posicionando. Posso te dizer que a TeleSurestá comprometida em reportar exatamente o que está acontecendo na Líbia, em ser fiel aos fatos que ocorrem.
Portanto a acusação de Kadafi, pelo menos no que diz respeito à TeleSur, é infundada? Você acredita que ele tem algum interesse em omitir fatos recentes?
Eu não tenho como afirmar que o governo tente esconder os fatos, não tenho propriedade para isso. Não estou lá e, realmente, não conheço a atuação da imprensa líbia, apenas coordeno a cobertura à distância, de nossa sede principal. Não tenho como opinar sobre as pretensões dos atores políticos. Quanto à nossa cobertura, garanto que eles estão registrando os acontecimentos, as ações e tudo o que realmente está acontecendo.
Qual é a percepção do enviado especial em relação à população?
Rodriguéz, em Trípoli, disse que se viu diante de uma população com muita expectativa em relação ao futuro do país, uma população esperançosa, persistente e que exige dos jornalistas que transmitam ao mundo os fatos exatamente como estão acontecendo. Isso acontece também em Benghazi. Os correspondentes das duas cidades relataram que todas as vezes em que se apresentaram como jornalistas à população ouviram pedidos para que fossem fieis aos fatos e transmitissem os reais acontecimentos atuais na Líbia.
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Em Benghazi, além disso, há uma sensação de euforia com a chegada dos opositores ao poder, a população se sente livre do regime de Kadafi, mesmo sem sua renúncia. Já em Trípoli, a situação é completamente diferente na perspectiva de que é uma cidade onde ainda há o controle das autoridades.
Em sua opinião, qual é a importância de esta cobertura ser fiel aos fatos reais, como os líbios vêm exigindo?
Nos quatro cantos do planeta sempre se espera que os jornalistas contem exatamente o que está acontecendo, que contemos a verdade. Com a verdade, como dizemos, não se ofende nem se defende ninguém. Muitas pessoas podem não gostar da verdade, mas é a verdade e este tem que ser um princípio fundamental de qualquer cobertura jornalística, de qualquer meio que enfrente qualquer situação. É isso que a TeleSur está fazendo. Este é o maior compromisso que qualquer meio de comunicação tem que ter com seus usuários: dizer a verdade e registrar os acontecimentos.
Qual é a diferença entre os protestos na Líbia e as revoluções na Tunísia e no Egito? A cobertura está sendo diferente em algum aspecto?
São processos e momentos distintos. Inclusive alguns analistas dizem que o que aconteceu na Tunísia e no Egito não diretamente relacionado o que está acontecendo na Líbia, mas isso é uma das várias interpretações de especialistas. Ao mesmo tempo, algumas semelhanças são nítidas, os três países passaram por fortes protestos organizados pelo próprio povo e enfrentamentos entre forças de um estado contra a população.
Do ponto de vista jornalístico também são ambientes totalmente distintos. Na praça Tahrir, no Cairo, por exemplo, havia inúmeras agências de notícias que se mantiveram ao lado dos manifestantes para reportar exatamente o que estava acontecendo, muitas vezes até mesmo ao vivo. Na Líbia, porém, não há essa possibilidade, não há segurança para os jornalistas ficarem 24 horas nas ruas, nem permissão para isso. Só o fato das equipes serem obrigadas a acompanhar um funcionário do ministerio das Comunicações já faz a cobertura ser diferente, já que assim estão restritos as exigências e proibições do encarregado.
Em Benghazi, uma vez que a cidade foi tomada pelos opositores, a situação para os correspondentes é um pouco mais favorável. Mesmo assim, são dois tipos de cobertura fudamentalmente diferentes.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Justificar o injustificável
Motorista que atropelou ciclistas em Porto Alegre se diz 'ameaçado'
Tanto os ciclistas quanto o motorista se acusam mutuamente pelo início das agressões
O incidente (o crime, o repórter quer dizer) ocorreu na sexta-feira à noite na Rua José do Patrocínio, no bairro Cidade Baixa. Mais de cem integrantes do movimento Massa Crítica faziam um passeio para estimular o uso de bicicletas no trânsito. Alguns deles, da parte retardatária do grupo, teriam discutido com o motorista Ricardo Neis, bancário, de 47 anos, que abriu caminho à força, acelerando seu Golf preto e atropelando alguns ciclistas até ultrapassar todos e seguir para a zona leste da cidade. Os ciclistas feridos foram atendidos no Hospital de Pronto-Socorro e liberados na mesma noite. (além da selvageria, o repórter tenta justificar e atenuar a barbárie: "alguns ciclistas", que saíram na mesma noite, ou seja, não foi nada grave)
Tanto os ciclistas quanto o motorista se acusam mutuamente pelo início das agressões. A defesa do bancário vai alegar que as imagens que foram para a internet e percorreram o mundo com cenas do atropelamento não mostram os primeiros momentos do conflito, quando o carro teria sido cercado e parcialmente depredado (nem que ele tivesse sido ameaçado, "agredido", deveria ter atacado aquelas pessoas: ali havia CICLISTAS. Bicicletas são inofensivas, perto do poder destrutivo que um automóvel com uma besta na direção em alta velocidade).
Os participantes do passeio afirmam que se limitaram a sinalizar e pedir que o motorista se mantivesse atrás do grupo por mais algumas quadras. O bancário sustenta que vários ciclistas cercaram e bateram insistentemente no carro. "Houve uma brecha e eu passei alguns deles", narrou. "Eles se enfureceram e quebraram o espelho, deram vários socos, jogaram as bicicletas por cima (do carro)", prosseguiu. "Naquela situação eu tinha que sair o mais rapidamente possível para evitar o linchamento." (eles deram várias narigadas na mão do motorista também; jogaram até bolinha de papel, que horror!)
O delegado Montenegro não deu entrevistas e avisou que só vai falar no caso ao final do inquérito, em 30 dias. As hipóteses para o caso vão de tentativa de homicídio qualificado, como querem alguns ciclistas, a legítima defesa, como vai alegar o advogado do bancário. O motorista (?) aguarda a conclusão das investigações em liberdade.
Call centers: o inferno contra-ataca
Empresas não pagam por problema em call
Mais de dois anos após terem sido anunciadas, as regras para melhorar o atendimento nos serviços de call centers continuam sendo descumpridas, agora com um agravante: multadas, as empresas não pagaram nenhum real por isso até agora.
Só na esfera federal, as empresas reguladas de setores como telefonia, financeiro e transporte aéreo e terrestre foram multadas em R$ 18,6 milhões por desrespeitar o decreto que regulamentou o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), informa a reportagem de Lorenna Rodrigues publicada na edição desta segunda-feira da Folha(íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
Levantamento feito a pedido da Folha pelo DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor), do Ministério da Justiça, mostra que nada foi pago até agora.
Amparadas pela legislação, as empresas recorrem administrativamente dentro do ministério, onde invariavelmente não encontram sucesso, e depois à Justiça, protelando o pagamento.
As regras mais rígidas anunciadas em dezembro de 2008 prometiam o fim das esperas intermináveis dos consumidores e o cancelamento imediato dos serviços.
Leia a reportagem completa na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.