domingo, 10 de julho de 2011

Para - deixar de - pensar no futuro

Do Diário do Centro do Mundo


Como Os Filósofos Recomendam Que Lidemos Com O Medo Do Futuro






Paulo Nogueira



Escrever sobre filosofia aplicada ao dia a dia foi uma das tarefas mais divertidas de minha carreira. Eu tinha uma coluna na revista Vida Simples. O nome era autoexplicativo: “Os Sábios e Nós: como eles podem nos ajudar”. Revi, há pouco, alguns dos textos. Publico abaixo um deles. É um elogio da imprevidência. Há aí algo de provocador, mas existe bem mais que isso. Faça sua previdência, cuide da poupança, mas não se deixe esmagar por preocupações sobre o futuro. O texto:

O sábio é um imprevidente. Vive apenas o dia de hoje. Não pensa no futuro. Não planeja nada. Não se atormenta com o que pode acontecer amanhã. Eis um conceito comum a quase todas as escolas filosóficas: o descaso pelo dia seguinte. Mesmo em situações extremas.


Conta-se que um filósofo da Antiguidade, ao ver o pânico das pessoas com as quais estava num navio que chacoalhava, sob uma tempestade, apontou para um porco impassível e disse: “Não é possível que aquele animal seja mais sábio do que todos nós.” Era possível, sim.


O futuro é fonte de inquietação permanente para a humanidade. Daí a recomendação reiterada dos filósofos para que o tiremos da cabeça para nos concentrar apenas no presente – tememos perder o emprego, tememos ser traídos numa relação amorosa, tememos perder o cabelo e ganhar rugas. Tememos, para resumir, o colapso dos nossos planos. É mais inteli-gente, portanto, dada a deletéria carga de aflições associada ao planos, simplesmente não tê-los. O medo do dia de amanhã impede que se viva o dia de hoje. A imprevidência é uma das maiores marcas da sabedoria, escreveu Epicuro.


Neste ponto a filosofia ocidental encontra eco em outras tradições. A essência do zen budismo é viver o que se consagrou como o aqui, agora. No zen, martela-se o conceito de que o passado, como ficou para trás, já não existe. E o futuro, como ainda está por chegar, também não. Vivamos o presente, então. No cristianismo essa idéia também é potente. Uma das passagens mais líricas e belas do Novo Testamento afirma que a cada dia bastam seus problemas. É nessa passagem célebre que Jesus, aos que se inquietavam com o futuro, cita os lírios do campo, tão calmos, tão calmos em sua beleza deslumbrante. E afirma que nem Salomão, “em toda a sua magnificência”, se vestiu como qualquer um deles.


Somos tanto mais serenos quanto menos pensamos no futuro. Como tantas outras coisas, é mais fácil escrever essa frase do que praticá-la. Mas um bom ponto de partida para todos nós é refletir sobre ela. Vivemos sob o império dos planos, quer na vida pessoal, quer na vida profissional, e isso traz muito mais desassossego do que realizações. O mundo neurótico em que arrastamos nossas pernas trêmulas de receios múltiplos deriva, em grande parte, do foco obsessivo no futuro. E não estamos falando num futuro paradisíaco, mas num amanhã cheio de trevas e riscos e perdas. Há um sofrimento por antecipação cuja única função é tornar a vida mais áspera do que já é.


Epicuro, como já foi dito, saudou a imprevidência como um gesto essencial de sabedoria. Volto a ele. Epicuro, numa sentença que o tempo fez antológica, disse que nunca é tarde e nem cedo demais para filosofar. Para refletir sobre a arte de viver bem, ele queria di-zer. Para buscar a tranquilidaqde da alma, sem a qual mesmo tendo tudo nada temos a não ser medo, medo e medo. Também nunca é tarde demais e nem cedo demais para lutar con-tra a presença descomunal e apavorante do futuro em nossa vida. O homem sábio cuida do dia de hoje. E basta.



sábado, 9 de julho de 2011

ESPECIAIS: Desvendando Portugal

Pouco conhecemos de Portugal. O país nos "descobriu", colonizou e empresta, além das bases fundamentais do nosso idioma, centenas de outros hábitos. Em geral, quando se pensa no país do Além-Mar, lembram sempre de duas coisas: bacalhau e padarias.


Obviamente, Portugal é muito além dos estereótipos, com seus dramas, conflitos, prazeres e especifidades quase sempre estranhos a nós que estamos do lado de cá do Atlântico. De uma conversa com meu amigo Luiz Nascimento, surgiu a ideia de criar uma série de postagens especiais que desmistifiquem, quebrem estereótipos e nos aproxime de nossa mais forte matriz europeia.


O primeiro texto falará sobre o momento atual da política pelas terras lusas. Meu agradecimento especial ao Luiz pela disposição em nos guiar por essa expedição a Portugal! Boa leitura!



O momento político de Portugal muito além das últimas eleições


Antes de tudo gostaria de agradecer ao Diego Moura - responsável pelo blog - pelo convite que recebi para escrever sobre Portugal aqui neste espaço. A idéia surgiu de uma conversa sobre o atual momento político de Portugal e algumas curiosidades que o envolvem, estranhas aos brasileiros, que não chegam até aqui, sobre o que se passa por lá e também sobre como os portugueses de cá - especialmente de São Paulo – acompanham o que se passa em sua terra natal e fazem valer sua enorme representatividade, a qual muitos brasileiros desconhecem.


Neste primeiro texto dessa série que pretendemos fazer sobre a desmistificação de Portugal, falarei exatamente sobre o atual momento político luso, talvez o assunto mais recente que logo vem à mente dos brasileiros quando se pensa em Portugal. Nessa série falaremos dos mais variados assuntos, este primeiro um pouco mais sério. Minha intenção não é a de me colocar como um analista político e nem como militante de quaisquer lados da política portuguesa, apenas pretendo tentar explicar de forma mais aprofundada – o contrário do que fez grande parte da mídia brasileira na cobertura das últimas eleições legislativas – a realidade política de Portugal, muito além dos resultados das eleições.


Eleições


A importância que a mídia brasileira deu às últimas eleições legislativas de Portugal, que elegeu um novo primeiro-ministro após a renúncia do que lá estava desde 2005, foi centrada no fato de que o povo português optou pela direita. Unindo essa interpretação superficial ao momento político do restante da Europa, que aos poucos volta a guinar à direita, deu-se muita importância a este fato de que Portugal caminha no mesmo sentido.




[caption id="attachment_2096" align="alignleft" width="420" caption="José Sócrates"][/caption]

A grande verdade não é essa. José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal desde 2005 e líder do Partido Socialista, renunciou ao seu cargo e fez que novas eleições fossem convocadas, o mesmo perdeu o pleito para Passos Coelho, líder da oposição, pertencente ao Partido Social Democrata.                              








Em primeiro lugar, há que se levar em conta que não estamos falando de extremos ideais políticos. Os dois principais partidos de Portugal são o PS e o PSD. O PS de José Sócrates representa a centro-esquerda portuguesa, mesmo porque os esquerdistas extremistas sequer o apoiaram nestas eleições. Do outro lado, há que se considerar que o PSD de Passos Coelho representa a centro-direita portuguesa, não por seus ideais, mas por haver também o CDS, que são os democratas cristãos, assumidamente direitistas. Mas o grande erro em se falar que Portugal guinou-se à direita da mesma maneira que o restante da Europa não está aí, mas sim em analisar a realidade eleitoral de Portugal.





[caption id="attachment_2097" align="alignleft" width="400" caption="Pedro Passos Coelho"][/caption]

Caminhos difíceis


Tivemos nessas eleições a maior abstenção da história democrática do país, 41,93% dos portugueses aptos a voto sequer foram às urnas, sendo que mais 4% votaram em branco ou anularam o voto. Temos aí praticamente metade do país a renunciar de seu voto, a transmitir a quem quiser analisar profundamente que não há opção viável, não há mais direita ou esquerda, não há mais partidos ou grupos confiáveis, não há mais certeza de nada, ninguém consegue conquistar a confiança dos portugueses, nem os socialistas, nem os social-democratas, muito menos os democratas cristãos.


Pedro Passos Coelho, do PSD, venceu as eleições com 38% dos votos, frente 28% de José Sócrates. O CDS, terceiro melhor colocado nas eleições, direitista assumido, registrou sim uma melhora considerável frente aos últimos anos, 11% dos votos dando ao atual governo a maioria parlamentar, já que se alia ao PSD, mesmo com algumas desavenças. A grande explicação para essa descrença do povo português não está no último mandato, nem no penúltimo, vem de mais de uma década.


Portugal foi um dos países praticamente forçados a seguir a onda do Euro na virada do século. O país, como tantos outros, já passava por uma situação econômica não muito boa. No entanto, não havia muita escolha, o Euro praticamente foi imposto e Portugal viu-se obrigado a aceitá-lo. À época, um euro representava duzentos escudos portugueses. O povo português sentiu demais essa adaptação à nova moeda. Tal mudança ocorreu no segundo mandato seguido do primeiro-ministro António Guterres, do Partido Socialista. Até por esse “baque” sentido pelo povo, o PSD conseguiu vencer as eleições seguintes, com Durão Barroso como primeiro-ministro.


Ele foi responsável pelo primeiro grande movimento no sentido de conter a dívida pública, tentando estabilizar o país após o ingresso do Euro. Os social-democratas perderam muito da aceitação do povo português exatamente por causa disso, começaram a tirar benefícios do povo para tentar estabilizar a economia. Mesmo com uma rígida contenção de despesas e, comparada às últimas, bem mais leve, o PSD não conseguiu redirecionar a economia portuguesa em um dos momentos mais cruciais, onde ainda havia escolhas a se fazer, que não drásticas como mais atualmente.         





[caption id="attachment_2102" align="aligncenter" width="640" caption="Manifestações reúnem mais de meio milhão de pessoas em diversas cidades de Portugal (março/2011)"][/caption]

Foi nesse momento que José Sócrates, do Partido Socialista, entrou em cena. Já com uma grande abstenção, venceu as eleições legislativas e assumiu o posto de primeiro-ministro em 2005. O engenheiro Sócrates pegou o período mais complicado das finanças portuguesas e também mostrou que não estava preparado para tal. Ao longo de seus dois mandatos, o último pela metade, José Sócrates cortou drasticamente as despesas públicas, reduziu os salários dos funcionários públicos em 60%, diminui o valor da aposentadoria, começou a suspender verbas de projetos sociais e até cogitou retirar dinheiro da saúde pública.


Se Portugal não estava preparado para o Euro, quiçá para a grande Crise Econômica. Este foi o cenário de José Sócrates, um país tentando se recuperar do Euro, mas tendo pela frente uma enorme crise. Unido a isso, notícias sobre corrupção envolvendo o governo socialista começaram a ser divulgadas. Sócrates já não contava com maioria parlamentar e, a partir de um determinado momento, a oposição deixou de aprovar suas medidas de austeridade fiscal. A oposição chegou a apoiar muitas medidas governistas, mas quando percebeu que a população estava descontente em praticamente sua maioria, decidiu se impor contra o governo.


Visões divergentes


Aí entra a interpretação de quem analisa. Há quem diga que o PSD aproveitou-se do momento crítico da economia portuguesa para chegar ao poder e há quem diga que o PSD apoiou tanto quanto pôde, até que se viu sem escolhas. A oposição forçou José Sócrates a pedir auxílio à UE, o que se fez. A partir daí, o engenheiro Sócrates renunciou ao cargo – como havia prometido caso fosse obrigado a recorrer a ajudas externas – e novas eleições foram convocadas.


Chegamos ao ponto em questão. Não foi a maioria do povo português que elegeu Passos Coelho, muito menos a maioria que deu votos ao CDS. A abstenção mostra que Portugal está politicamente frágil nas militâncias e nas convicções políticas, e não que está disposto a guinar à direita. Não há mais eleitores convictos de qual lado escolher. De um lado estão aqueles que implantaram o Euro e não souberam enfrentar a crise, tirando do povo tudo que podiam para estabilizar a economia e que queriam tirar ainda mais. Do outro estão aqueles que tiveram a chance de estabilizar a economia quando ainda havia escolhas a se fazer, quando tirar do povo o necessário para alavancar o país ainda não se fazia obrigatório.


Ou seja, os portugueses se mostram completamente desiludidos com a política, sem se importar com direita ou esquerda, não foi a maioria que elegeu o atual governo, que ainda sem apoio não seria a maioria dentro das próprias eleições. Não se pode analisar o atual momento político de Portugal tão superficialmente, apenas por resultados. Há que se ver que tanto os socialistas quanto os social-democratas estão desmoralizados, já tiveram seu espaço e não mostraram competência e honestidade. O povo português não dá sua confiança a nenhum dos dois e também mostra que evita a direita do CDS, que apesar do crescimento, ainda precisa de muito para ter força nacional. Na política, o povo português, em silêncio, grita no meio de um deserto de esperanças.


Luiz Nascimento – Estudante de jornalismo, brasileiro de nascimento, com nacionalidade portuguesa. Ligado à comunidade portuguesa de São Paulo, neto de imigrantes lusos e sempre em estreito contato com Portugal.

Paulistas! Às armas! A Revolução de 1932 do ponto de vista do esporte

A Revolução de 1932 do ponto de vista do esporte.


Do Paradoxos da Bola




9 de Julho: Friedenreich e a Revolução de 1932





Antes de começar a contar a história de Friedenreich e de outros atletas que foram ao campo de batalha na Revolução Constitucionalista de 1932, neste dia 9 de Julho – feriado em São Paulo – façamos uma pequena introdução…


Em 1929, em meio à República Velha, os paulistas romperam sua aliança política com os mineiros, dando fim à famosa política do café-com-leite e lançaram um candidato próprio à presidência da República, o governante do estado de São Paulo, Júlio Prestes. No dia 1º de maio de 1930, Júlio Prestes vence as eleições. No entanto, o candidato paulista não tomou posse de seu mandato. A 24 de outubro de 1930, um movimento armado composto por Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul instaurou um golpe de estado, o famoso Golpe de 1930. Júlio Prestes foi exilado e Getúlio Vargas tomou posse do chamado Governo Provisório. As primeiras grandes ações de Vargas foram a invalidação da Constituição de 1891 e a imposição de interventores sob sua escolha para governar os estados, tirando-lhes a autonomia antes garantida.


O povo paulista, de imediato, mostrou-se contrário ao governo de Getúlio Vargas e suas ações. Os paulistas exigiam que se promulgasse uma nova Constituição, que os estados voltassem a ter autonomia e que novas eleições fossem convocadas. À essa altura, não havia Congresso Nacional, Assembleia Legislativa e Câmaras Municipais. Após dois anos de governo Vargas e sem que se percebesse uma movimentação por parte do presidente da República nesse sentido, os paulistas começaram a ir às ruas para protestar. Em 23 de maio de 1932 – nome de uma das mais importantes vias da cidade de São Paulo – quatro jovens estudantes foram alvejados e mortos na Praça da República, centro da cidade, por partidários de Getúlio Vargas. O famoso M.M.D.C., iniciais dos sobrenomes dos jovens. Eram eles Mario Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Drausio Marcondes de Sousa e AntonioCamargo de Andrade. Os jovens estão sepultados no mausoléu do Obelisco do Ibirapuera, que homenageia os heróis de 1932.


Tal acontecimento foi crucial para que o povo paulista, definitivamente, se rebelasse. A 9 de julho de 1932 – atualmente dia de feriado em São Paulo – teve início a Revolução Constitucionalista. São Paulo entrou na luta armada com o apoio de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Porém, com articulações de bastidores, Vargas reconquistou o apoio dos mineiros e dos gaúchos, restando a São Paulo apenas o apoio parcial do Mato Grosso. Foi lançada a Junta Revolucionária, onde cerca de 200 mil voluntários se alistaram, tendo cerca de 60 mil deles ido à campo, tomando frente na batalha armada. Os paulistas doavam seus bens, principalmente ouro, para que se arrecadassem fundos para a Revolução. Com uma forte publicidade por parte de Vargas, São Paulo se viu contra o restante da Federação, já que era adjetivado por todos os lados de separatista.



Entre os paulistas que se alistaram para a Revolução Constitucionalista de 1932 incluíam-se muitos atletas, cerca de 1.500, vários deles jogadores de futebol. Dentre esses jogadores estava Arthur Friedenreich, talvez o primeiro jogador fora-de-série do futebol brasileiro. Friedenreich nasceu em São Paulo, no dia 18 de julho de 1892, filho de pai alemão e de mãe ex-escrava que tiveram de deixar o Rio Grande do Sul após o fim da escravidão, que culminou com uma crise nas grandes fazendas gaúchas, em busca de melhor sorte na capital paulista. O jogador começou a se destacar no futebol paulista muito cedo, a começar pelo Germânia (atual Pinheiros), Mackenzie, Ypiranga e Paulistano. Friedenreich quebrava os estigmas de preconceito da época. Fruto mestiço do casamento entre um europeu e uma escrava, o jogador de pele morena, na época chamado de mulato, era respeitado e admirado pela elite paulista.


No futebol, muitos dizem que Friedenreich foi o criador da ginga brasileira e o introdutor dos dribles curtos. No ano de 1919, Friedenreich foi convocado pela Seleção Brasileira, cuja confederação havia sido fundada apenas 5 anos antes. Naquela Copa América disputada inteiramente no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro – então chamada de Campeonato Sul-Americano – o Brasil começou a fazer história no futebol. Com duas vitórias e um empate na fase classificatória, na qual enfrentou Argentina, Chile e Uruguai, o Brasil chegou à final contra o último. Em uma final de 150 minutos, com duas prorrogações, o Brasil derrotou aquela seleção que seria bi-campeã olímpica logo em seguida, e mais a frente bi-campeã mundial, por 1 a 0 no final da segunda prorrogação, com gol de Friedenreich. Foi aí que ganhou, dos uruguaios, o apelido de El Tigre.


Friedenreich ainda jogou em vários clubes como Flamengo, Santos e São Paulo. O atleta só encerraria sua carreira em 1935, mas antes disso deixou o futebol de lado, sua gloriosa carreira em segundo plano, para engajar-se na Revolução Constitucionalista de 1932. Friedenreich doou vários de seus troféus e medalhas e alistou-se para ir ao campo de batalha, e assim se fez. O jogador colocou sua carreira e sua vida em risco para lutar por suas convicções. O futebol já era, na época, o esporte mais popular do Brasil, já carregava grandes públicos. Com sua enorme fama, Friedenreich impulsonou o alistamento de vários outros atletas. O primeiro ídolo do futebol nacional chegou a ir às rádios algumas vezes para convocar seus colegas de profissão a irem ao front de batalha. Muitos atletas abriram mão das Olímpiadas de Los Angeles, em1932, para irem àRevolução. Como os irmãos Rheder, por exemplo, destaques desse engajamento esportivo na causa paulista e brasileira, expoentes do atletismo nacional à época.



Estima-se que os atletas tiveram apenas 2 semanas de preparação militar para irem ao campo de batalha, mais precisamente no dia 2 de agosto de 1932. Historiadores afirmam que cerca de 800 atletas foram deslocados para Eleutério, fronteira com Minas Gerais. Outros 600 foram enviados para a região da Mogiana, também fronteira com território mineiro. Segundo os jornais da época, os atletas mal chegaram a seus fronts de batalha e já se depararam com fogo cruzado. Com poucas munições, passaram cerca de um mês abaixo de fogo inimigo. Muitos esportistas foram mortos durante a Revolução, não se sabe ao certo quantos.


Porém, uma falsa notícia abalou o país e principalmente o futebol nacional. Os jornais chegaram a estampar em suas capas notícias sobre a morte de Friedenreich. No entanto, ele estava vivo e acabou sendo até condecorado pelas forças militares devido aos seus atos de bravura. Fridenreich ficou no campo de batalha até o fim da Revolução, um combate que durou 87 dias. O jogador só deixou as trincheiras após a rendição dos exércitos constitucionalistas com uma negociação de paz junto às forças federais.


Muitos historiadores afirmam que, em São Paulo, a participação dos atletas na Revolução Constitucionalista de 1932 auxiliou em uma diminuição considerável do preconceito no futebol. Todo tipo de atletas, das mais variadas raças, cores e credos foram ao campo de batalha e voltaram sob a admiração do povo paulista. Assim como é sabido que a inserção das mulheres nas iniciativas sociais e civis teve na Revolução um grande impulso, o preconceito racial no esporte e na sociedade, pelo menos em São Paulo, guinou-se à uma considerável melhora.



A Revolução Constitucionalista de 1932 teve fim no dia 2 de outubro daquele ano. Os líderes paulistas foram presos. Historiadores afirmam que os constitucionalistas contavam com 10 mil combatentes, 4 aviões e 5 trens blindados em sua Força Pública Paulista. Havia também cerca de 40 mil combatentes voluntários, num total de 200 mil alistados. Já as Forças Armadas, sob o comando de Getúlio Vargas, tinha a sua disposição a totalidade do exército, da marinha e da aeronáutica, sendo que cerca de 100 mil homens foram à batalha.


Os paulistas se renderam, mas conseguiram aquilo que queriam. No fundo, a Revolução Constitucionalista de 1932 alcançou os objetivos que desejava, acabou saindo-se vitoriosa com a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte em 1933 e com a promulgação de uma nova Constituição em 1934. Não fosse aRevolução de 1932, capitaneada pelos paulistas e abraçada pelos esportistas, muito provavelmente esses objetivos não seriam alcançados. Friedenreich, que faleceu aos 77 anos em 1969, e muitos outros atletas escreveram seu nome não só na história do esporte, mas também na história do país, lutando pela liberdade e pela cidadania.


Por Luiz Nascimento



sexta-feira, 8 de julho de 2011

Um pouco de sentimentalismo não faz mal a ninguém. Ou faz?

Ergueu a tampa. O leve rangido da dobradiça, há muito gasta, denunciou a abertura da pequena e empoeirada caixa de madeira. Retirou de lá, cuidadosamente, todo o seu conteúdo. Era frágil. Ao tocar o pequeno embrulho, as mãos se aqueceram de ternura. Manuseava com cuidado o pequeno espécime. Todo enrolado em papel de arroz com uma fita de seda negra e um belo laço, estava o pequeno, mas poderoso, objeto. Envolveu-o nos braços e levou aos lábios. Beijou-o. Pousou os olhos na pequena criatura pulsante que segurava com todo o cuidado. “Como pode haver tamanha ternura em tão pequeno pedaço de vida?”, perguntava-se. Apaixonara-se. A leveza que sentia ao levantar aquilo quebrantava suas defesas, sentia-se exposto. Voltou-se para a caixa: invólucro daquilo que para ela era a Perfeição. Aos seus olhos, era perfeita. Não tinha como não ser perfeito: tudo o que mais prezava estava amarrado pela fita de seda negra. Será que o pequeno embrulho haveria de se expor de forma tão própria e profunda como ele gostaria? Um pequeno zumbido saía do embrulho. Abaixou-se e encostou o ouvido na pequena criatura. “Que palavras bonitas saem dela!”. Essa coisa é única. Não devo perdê-la. Insubstituível. Precisava ser dono daquela caixa. E de seu conteúdo. O melhor seria trancafiá-lo num cofre, passar um anel de ouro. Precisava tê-lo consigo. Nada mais importava a não ser a caixa e seu pequeno embrulho. Tomou coragem e espiou pela fresta no papel de arroz. Sim! Era um coração que batia! Uma voz feminina pulsava lá dentro. Doce, calma. Colocou junto ao seu. Pulsavam como um só ser. A alegria invadiu-o de tal forma que lágrimas vieram aos olhos, instantaneamente. Gota após gota, os pingos escorreram pela face e repousaram sobre as mãos quentes fechadas no entorno da caixinha e de seu conteúdo. O mais impressionante é que para abrir a simples caixinha não precisara esforço. Com um simples olhar, a tampa abriu-se para ele. Não havia tempo. Era só ele, a caixa, o pequeno ser e a Eternidade. Até que. Sim, até que. O que? A caixa aqueceu de tal forma que lhe queimou as mãos. Largou, de repente o embrulho. Horrorizou-se. O papel tingira-se de um vermelho morto, doentio. A voz feminina que antes sussurrava coisas belas cessou e, em seu lugar, um grito terrível. Vários gritos em sucessão. O desespero e a angústia se apoderaram do homem. Pegou a caixa novamente, o embrulho gritava, e a tampa queria fechar-se. Tentou, chorou. Mas, sem remédio, a tampa lacrou-se para sempre. A pequena criatura, que quem sabe chegara a amar, revelou-se algo terrível. Não houve opção. Foi necessário antes que aquilo corroesse sua Alma, seu próprio Ser. Mal se fechou a caixa sentiu um sopro doce. Olhou na direção do sopro e o que via ele no horizonte? Uma luz dourada. Caminhou até ela. Outra caixa. Adornada de pedras preciosas. Bastou um olhar e a tampa se abriu. A ternura retomou seu ser. E assim foi.


O tal homem ainda lá está: passa a Eternidade a encontrar e abrir caixas a procura daquela que, for fim, seja a correta e possa se fundir ao seu próprio coração.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Facebook destronará o último reino do Orkut nos próximos meses



Da BBC

[caption id="attachment_2080" align="aligncenter" width="640" caption="O mundo se curva a Zuckerberg"][/caption]

Facebook avança no Brasil e já é líder em 119 países










Camilla Costa

Da BBC Brasil em São Paulo






O Facebook, rede social online criada por Mark Zuckerberg, teve um crescimento de mais de 100% no Brasil nos últimos seis meses e já é o líder entre os sites de rede social em 119 países do mundo, segundo serviços de monitoramento de tráfego.





Um mapeamento do tráfego de sites de rede social feito pelo designer gráfico e especialista em mídias sociais italiano Vincenzo Cosenza, que analisou 134 países em todo o mundo entre 2009 e 2011, mostra que o site americano ganhou terreno nos últimos meses e caminha para a hegemonia global.


Nos últimos dois anos, além de dobrar o número de usuários no Brasil e ameaçar o último reduto do Orkut, o Facebook alcançou a liderança em 38 novos países. Atualmente, uma em cada nove pessoas utiliza o serviço no mundo.


"Em 2009, havia 17 redes sociais online entre as mais populares no mundo. Hoje, há somente 9. Sites com ambições globais como o MySpace e o Friendster foram destruídos pelo Facebook, a adesão a ele foi impressionante", disse Cosenza à BBC Brasil.


Segundo Cosenza, no final de 2009, o Facebook ultrapassou o Orkut na Índia, onde este era a rede social mais popular. E ele afirma que o mesmo deve acontecer no Brasil, último país onde o Orkut ainda é o site mais visitado do gênero, nos próximos meses.


De acordo com o Social Bakers, serviço de estatísticas do Facebook, o número de usuários brasileiros do serviço cresceu 133% nos últimos seis meses. Com 21 milhões de usuários, o Brasil se tornou o nono país do mundo e o primeiro país da América do Sul em presença no site, que já tem cerca de 750 milhões de usuários no mundo. Na América Latina, a rede social online já é líder em pelo menos 19 países.


Mas o crescimento do Facebook levanta questões entre analistas sobre o acúmulo de dados pessoais dos usuários em uma só plataforma, segundo o pesquisador Silvio Meira, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar).


“O risco que ele (o Facebook) oferece é diretamente proporcional à quantidade de oportunidades que está criando com esta facilitação de conexões”, disse Meira à BBC Brasil.


Presença do Brasil





A adesão dos brasileiros ao Facebook é confirmada pela empresa de pesquisa de dados americana ComScore. Entre maio de 2010 e maio de 2011, o número de visitantes do site cresceu 172% no Brasil, contra somente 20% do Orkut.




A visualização de páginas do Facebook também cresceu 615% em um ano, enquanto no Orkut, elas caíram 9%.


De acordo com o serviço de monitoramento de tráfego na internet Alexa, uma das fontes utilizadas por Vincenzo Cosenza em sua análise, o Facebook já é o terceiro site mais visitado no Brasil. O Orkut estaria em sétimo lugar.


No entanto, o serviço Google Trends e a comScore ainda registram o Orkut à frente do Facebook em visitas e pageviews no país.


"Os serviços de monitoramento usam metodologias diferentes, mas o que temos que considerar é a tendência principal. Acredito que, nos próximos meses, o Facebook deverá superar o Orkut no Brasil. Observei o mesmo tipo de ascensão na Índia", disse Cosenza.


Atualmente, segundo o Alexa, o Facebook é o site mais visitado em 15 países, que incluem México, Argentina, Peru, Chile Egito e Grécia. Nos Estados Unidos e na maior parte da Europa, ele fica em 2º lugar, atrás do Google.


Segundo Gustavo Pereira, gerente de operações da Bites, consultoria especializada em redes sociais, o aumento do número de brasileiros no site criou uma demanda maior de ações publicitárias e anúncios no Facebook pelas empresas.


"O Facebook está em uma curva ascendente e, por causa da maneira como é organizado, dá mais visibilidade a ações publicitárias do que o Orkut. O Orkut tem mais usuários do Brasil e é importante, mas tem uma estrutura mais engessada, que torna o trabalho das empresas mais difícil", disse Pereira à BBC Brasil.


Monopólio de informações


Silvio Meira diz que a evolução do Facebook, com uma oferta cada vez maior de aplicativos e serviços, explica a rápida escalada mundial do site, que já eliminou importantes concorrentes deste a sua criação, em 2004.


“Eles evoluíram mais rápido do que todo mundo. Vaporizaram o MySpace numa capacidade nunca vista simplesmente porque souberam criar e desenvolver uma oferta que não existia antes”, diz.


O MySpace, que chegou a ter 300 milhões de usuários e foi a rede mais popular do mundo antes do Facebook, foi uma das principais vítimas da migração de usuários e, consequentemente, de publicidade para o concorrente.


Em 2005, o serviço foi comprado pela empresa NewsCorp., do magnata da comunicação Rupert Murdoch, por US$ 580 milhões (R$ 904 milhões).


Mas a partir de 2008, o MySpace começou a sofrer o impacto do sucesso do Facebook. No início do mês de julho, com cerca de 70 milhões de usuários, o site foi vendido por US$ 35 milhões para uma empresa de publicidade.


Na última quarta-feira, Mark Zuckerberg anunciou seu novo serviço de vídeo chamadas, em associação com o Skype. A funcionalidade era um dos carros-chefe do concorrente Google+, o novo site de rede social do Google, que foi lançado na última semana.


Para Meira, os dados sobre o crescimento do Facebook no mundo indicam que ele está a caminho da hegemonia no mercado das redes sociais online. Isso pode dar à empresa, de acordo com o pesquisador, um controle sem precedentes de informações valiosas sobre os usuários.


"O Facebook sabe as redes das quais eu participo e, mesmo sem invadir a minha rede explicitamente, consegue saber exatamente quem eu sou ao analisar as conexões com pessoas e serviços que eu faço dentro dele."


“O risco é que ele (o Facebook) se torne um verdadeiro monopólio não só de informações pessoais, mas das conexões entre as pessoas. Se isso acontecer, será preciso encontrar uma maneira de fazer com que as informações sobre o usuário sejam portáteis, para que ele possa levá-las para a rede social que quiser", afirmou o pesquisador.




ABSURDO: Descaso com pacientes no Hospital Ipiranga, em São Paulo

Via Tamiris Versannio pelo Twitter







Tudo começou quando minha mãe, de 62 anos, caiu no banheiro após o banho no dia 02/07. Sem poder andar para ir ao hospital, chamamos o SAMU que não apareceu. Depois de 4h de espera, 2h da manhã, o resgate veio literalmente nos salvar.


Levaram minha mãe para o Hospital Heliópolis onde descobrimos se tratar de uma fratura no femur e da necessidade de cirurgia. Ela foi para um quarto apenas no domingo pela manhã onde começou a ser tratada e sentir melhora das dores.

Informaram que ela seria transferida, pois lá não fazem a cirurgia que ela precisa. Aguardamos a vaga. Na quarta-feira, dia 6, às 14h, ela iria para o Hospital Ipiranga. E ela foi. Mas ficou jogada em um corredor por horas aguardando qualquer orientação ou atendimento. Aliás, o corredor estava cheio de pacientes, outros mais idosos e com variados problemas.

A situação só começou a melhorar quando fizemos ameaças de enviar toda a história para a televisão. Alguns balançaram o ombro e nem ligaram. Cheguei por lá às 20h e a situação era a mesma. Saquei meu celular para filmar toda a situação e seguranças ameaçaram chamar a polícia. Disse que podiam chamar, afinal não devo nada para ninguém.

No final, eram 23h quando todos os pacientes foram para o quarto. 7h em um corredor repetindo exames que já haviam sido feitos no outro hospital sendo que a previsão de cirurgia é apenas terça-feira, 12/07.

Esse é apenas um alerta sobre a saúde pública. Eu espero que nenhum de vocês dependa dela para absolutamente nada.

Abraços,
Bárbara Franzin
http://www.twitter.com/babifranzin

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A locomotiva do Brasil

"A locomotiva do Brasil" -> O Estado mais rico da Federação etc. etc. deixa crianças morrerem por falta de medicamento.


Do Jornal da Tarde




Remédio atrasa e criança morre


TATIANA PIVA


Pelo menos 20 portadores de uma classe de doenças genéticas hereditárias chamadas mucopolissacaridoses (MPS) relataram no último mês falta ou atraso na entrega dos medicamentos necessários para controlar o problema. Na segunda-feira, dia 4, a menina Maria Gabriella Sardinha Eugenio, de 10 anos, morreu após passar três semanas sem o remédio importado Laronidase (Aldurazyme), fabricado pela Genzyme Corporation e distribuído pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.


A pasta informou ao JT que as autorizações de importação de remédios dependem da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência, por sua vez, respondeu que seu diretor presidente, Dirceu Brás Barbano, ao tomar ciência do problema, ontem, “entrou em contato por telefone com o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Giovanni Cerri, e foi informado de que não há desabastecimento”.


A doença, de caráter metabólico e hereditário, é caracterizada pela falta ou diminuição de enzimas no corpo. Essas substâncias são responsáveis pelas reações metabólicas que mantêm o funcionamento normal do organismo. A medicação para repor essas enzimas é de alto custo: no caso de Maria Gabriella, custam R$ 100 mil por semana. Há centenas de pessoas com a doença no Estado de São Paulo.


Maria Gabriella teve uma parada respiratória. “Tenho certeza de que a falta do medicamento teve total influência na morte da minha filha”, lamenta a dona de casa Eneida Maria Sardinha Eugenio, 47 anos. Quando a mãe foi buscar o remédio, em uma unidade de saúde de Campinas, conta que foi informada de que havia ocorrido um problema de distribuição. Apenas na segunda-feira, dia da morte de Gabriella, recebeu o aviso de que o medicamento estava disponível.


Pacientes com formas tratáveis de MPS conseguiram judicialmente o direito de receber do Governo medicamentos importados para a doença. Segundo os médicos, já foram identificados 11 defeitos enzimáticos que causam sete tipos diferentes de MPS. Dessas, três têm tratamento: MPS I, MPS II e MPS VI. Maria Gabriella tinha MPS I.


Assim como a mãe da menina, outras famílias relatam dificuldades, desde o início do ano, em obter os remédios nas unidades de saúde e farmácias de remédios de alto custo de São Paulo. A Associação Paulista dos Familiares e Amigos dos Portadores de Mucopolissacaridoses (APMPS) informou ter recebido pelo menos 20 queixas semelhantes no último mês.


Mãe de Tainá Carla Ribeiro, de 10 anos, a dona de casa Vilma Aparecida Valentim, que busca o remédio em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, afirma que a garota está sem a medicação desde o dia 27 de maio. “Eles dizem que o medicamento não chegou por causa de transporte”, fala. Ela conta que a filha melhorou muito desde que iniciou o tratamento, há dois anos.


Segundo a geneticista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ana Maria Martins, “é comprovado cientificamente que quando um paciente passa a receber as enzimas, na terapia de reposição enzimática, o organismo começa a funcionar e a limpar substratos, ou seja, deixa de fazer o depósito de doenças e suas complicações”. Ao parar de tomar o remédio, “o paciente pode ter complicações.”


Maria Gabriella fazia a reposição enzimática semanalmente. “Ela tomava quatro vidros por semana e cada um chega a custar R$25 mil. Teria um custo de R$100 mil por semana e R$400 mil por mês. Nunca poderia fazer o tratamento dela”, lembra Eneida.


Ana Maria explica que os portadores da doença nascem com uma aparência normal e que os pais só começam a perceber modificações por volta dos dois anos. “Eles começam a apresentar alterações na face, na cabeça. Têm dificuldade para se alimentar”. Quanto mais cedo for o tratamento, melhor é a resposta.


Policiais do caso Juan mataram mais 36

Do Estadão




PMs do caso Juan estão envolvidos em 36 mortes após confronto com polícia


Somente um dos policiais acumula 18 casos; todos foram afastados dos cargos nesta quarta


06 de julho de 2011 | 18h 10

Clarissa Thomé - O Estado de S. Paulo








RIO - Os quatro policiais militares que participaram da operação em que desapareceu o menino Juan Moraes, de 11 anos, estão envolvidos em 36 autos de resistência - morte de suspeito em confronto com a polícia. Os casos ocorreram ao longo de 11 anos e todos foram registrados na Baixada Fluminense. As informações foram obtidas pelo jornal carioca Extra.


O sargento Isaías Souza do Carmo, de 48 anos, é o que mais está envolvido em episódios em que suspeitos morreram durante operações policiais - dezoito. O primeiro deles foi registrado na 54.ª Delegacia de Polícia (Belford Roxo). O mais recente é de 23 de novembro do ano passado. Três dos registros ainda não foram arquivados.


O cabo Edilberto Barros do Nascimento, de 43 anos, esteve envolvido em 13 autos de resistência. Ele ficou ainda dois meses preso por suspeita de assassinato de Julio Cesar Andrade Roberto, em Nova Iguaçu. Outros três policiais também são acusados do crime. Nascimento e os colegas foram soltos quando a prisão preventiva expirou. A audiência de instrução - quando são interrogadas testemunhas - está marcada para o próximo dia 20.


O cabo Rubens da Silva, de 33 anos, envolveu-se em quatro autos de resistência no ano passado e o Sargento Ubirani Soares, de 44 anos, envolveu-se em em um episódio de morte de suspeito durante confronto com a polícia. Os quatro foram afastados de suas funções na tarde desta quarta-feira, 6.


O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Marcelo Freixo (PSOL), questionou se o Ministério Público do Rio investigou algum dos outros autos de resistência dos policiais envolvidos no caso Juan.


"Eles só se tornaram um problema por causa do Juan? Os outros 36 casos não importaram? Eu quero saber o que o MP fez sobre cada um desses autos. Ou auto de resistência não se investiga?", indagou. / COLABOROU ALFREDO JUNQUEIRA, DE O ESTADO DE S. PAULO.






Confirmada morte de menino Juan Moraes

A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou hoje que o menino Juan Moraes, de 12 anos, desaparecido desde 20/06, quando houve um tiroteio na comunidade em que o menino morava, em Nova Iguaçu. Seu irmão, de 19 anos, também foi baleado no episódio.



[caption id="attachment_2063" align="aligncenter" width="619" caption="Até quando a impunidade fará "Juans". Isso é no Rio. E aqui em São Paulo? Quantos "Juans" a pequena parcela de covardes que se dizem policiais já vitimou? [Foto: Portal Terra"]"][/caption]

A pergunta lançada no Twitter pelo @reporterdecrime, com a tag #ondeestaJuan, que chegou a ocupar o primeiro lugar nos termos mais comentados do microblog, foi respondida.


Agora, as perguntas que ficam: quem foram os responsáveis pelo assassinato e pela ocultação do cadáver?


E os autores do crime serão de fatos punidos de forma exemplar? Ainda mais se forem policiais militares, como os indícios apontam...

terça-feira, 5 de julho de 2011

SBT aumenta Ibope com Datena e Faccioli

O SBT no mesmo horário exibe Chaves.

Do Portal Comunique-se

Brasil Urgente + Cidade Alerta = subida do SBT no Ibope


Da Redação


A emissora de Silvio Santos beneficiou-se da recente disputa entre os jornalísticos policiais exibidos na TV Record e na Band e conseguiu aumentar o índice alcançado no Ibope. Desde que José Luiz Datena deixou o comando do Brasil Urgente para Luciano Faccioli, e assumiu o novo Cidade Alerta, a audiência do SBT subiu de 5,5 pontos para 6,1.


Com aumento na média do Ibope de 6,8 para 8,5, a Record leva vantagem no confronto direto com a Band. Antes, com Datena na emissora e na apresentação de Datena, o Brasil Urgente marcava mais 6,5, em média; hoje, sem o autor do bordão “me ajuda ai”, a emissora do Morumbi não chega a 3 pontos.


Outro efeito pós-Datena para a Band foi ter queda de 9 pontos quando avaliada a audiência diária da emissora.


Barco a caminho da Palestina é parado na Grécia

Do Twitter de Paulo Ugolini, retuitado por Carlos Latuff

Embarcação canadense que seguia para a Palestina é apreendida pela guarda costeira grega





Cinegrafista é assassinado enquanto filmava tiroteio

Do Portal Imprensa


Um vídeo perturbador: Câmera é morto enquanto registra tiroteio na Síria






Um vídeo, divulgado na última segunda-feira (4), mostra cenas chocantes em que um cinegrafista amador, enquanto registrava um tiroteio, na Síria,  é atingido por um tiro de um policial, informa o  periódico Los Angeles Times.

Gravado na última sexta-feira (1°), na cidade de Karm Shami (Síria), o filme amador, denunciava as arbitrariedades cometidas pelos oficiais do regime sírio contra a população. Durante as cenas, o câmera narra a situação rapidamente e com aparente perturbação na voz.

"As forças de segurança atiram nos companheiros sírios sem nenhuma razão, sem nenhum protesto", lamenta o câmera durante a captação das imagens, com uma voz fraca e interrompida por ruídos de tiroteios.

Podem-se ouvir barulhos de disparos e a imagem da câmera fica desfocada quando o homem que filmava é supostamente atingido. Uma pessoa que estava próxima da vítima afirma que o homem foi baleado na cabeça.

As imagens são perturbadoras:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=cp_ajN7Kqvc]



A identidade da pessoa que registrou as imagens ainda é desconhecida, mas especula-se que pode ser o ativista Diya Najjar, morto na última sexta-feira, durante protestos contra o regime sírio.




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quanto você ganha?

Quanto você ganha?


Desempregado?


Dois bons negócios, agora na Capital paulista: prefeito e secretários da administração pública.


Foi sancionado o aumento de salário para Gilberto Kassab e seus 27 secretários. De miseráveis 20 mil reais, passa a 24 mil. Já os secretários, terão um reajuste de 250%: de pouco mais de 5 mil reais, passarão a ganhar quase 20 mil.


O aumento não será só de Kassab e seus secretários, ele se estenderá às gestões futuras da Capital.


O salário médio do professor em São Paulo é de R$ 1700,00 (informação de 2010)


O salário mínimo nacional é de R$ 545,00.


Você acha isso justo?

sábado, 2 de julho de 2011

Ashton Kutcher e os "feios"

Ashton Kutcher apareceu no táxi do Luciano Huck, no programa Caldeirão do Huck.


As pessoas do lado de fora eram convidadas a entrar no carro e lá descobriam que se tratava do modelo e ator (?). Ele fazia perguntas em português aos "passageiros". O cômico era constrangê-los com questionamentos capciosos, ao aproveitar a falta de familiaridade do americano com o idioma brasileiro.


Até aí, tudo certo.


Mas, ao encostar o carro, para que duas moças paulistas muito bonitas desembarcassem, Ashton e Luciano depararam com uma mulher negra, com dentes da frente faltando, de aspecto bem humilde que trazia uma criança no colo. Ao ver a movimentação em torno do carro, ela olhou, mostrou para a criança e disse a  Kutcher que o amava muito e que era lindo [fui alertado num comentário que ela se dirigia a Luciano Huck. Vendo de novo, fico na dúvida sobre quem ela está elogiando].


Como reagiu Kutcher à aproximação da mulher? Disse a Luciano Huck: "nossa, como eles são feios". E completa com a ironia: "'ah, essa é a Garota de Ipanema'".


E Luciano Huck?


Não conseguia se aguentar de tanto rir.


Pelo que vi no Twitter, a galera achou graça no episódio - na tag que chegou aos Trends do Brasil.


Temos motivos para nos revoltarmos? Sim e não.


Atitude esdrúxula do modelo e ator (?) seguida pela risada asquerosa do apresentador.


Mas e nossa atitude? Será que não nos comportamos de forma igual ou pior?


Vejam abaixo (3 minutos):







Será que ao mesmo tempo em que repudiamos tal atitude não somos hipócritas?


E quando aplaudimos humorísticos que também não fazem outra coisa senão explorar as mazelas humanas? Somos compatriotas da mulher negra e desdentada. E não tem a menor graça ser ridicularizado.


Que pensam vocês?


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Onde está Juan?

Depois de um tiroteio entre traficantes e a polícia do Rio de Janeiro, o menino Juan de Moraes, de 11 anos, foi baleado e desapareceu da comunidade Danon, em Nova Iguaçu.


A grande questão é: onde está Juan? Quem levou a criança da cena do crime? O irmão dele foi ferido, mas passa bem.


Foram encontradas manchas de sangue em carros da polícia.


O @reporterdecrime, perfil do Twitter mantido pelo jornalista d'O Globo, Jorge Antonio Barros, lançou no microblog a hashtag #OndeestáJuan. A ideia é cobrar das autoridades o esclarecimento do crime e a entrega imediata dos responsáveis pelo desaparecimento da criança.


Aqui no blog já foram escritos diversos textos sobre a inumanidade de alguns membros da polícia paulista. Agora esse absurdo no Rio.


Brasileiros, devemos nos indignar com tais abusos de autoridade, combatê-los e cobrar o esclarecimento e a punição exemplar dessa escória que mancha a reputação de milhares de policiais que dão a vida para nos proteger.


Tuítem a tag #OndeestáJuan e vamos fazer parte da cobrança por um país mais justo e uma polícia mais humana.


Veja a notícia completa aqui

sábado, 25 de junho de 2011

Telejornais apostam em modelo "popular"

Popular não é sinônimo de porcaria. Pelo menos não deveria.


O Jornalismo televisivo tem se mexido. Ou melhor, os “donos da bola” têm movido seus pauzinhos para, dizem eles, levar mais informação de qualidade aos telespectadores. Será?


Há uma semana José Luiz Datena estava na Band e apresentava seu “Brasil Urgente”, programa da faixa das 17h que exibe as desgraças costumeiras de sempre – mortes, crianças sob escombros, marido assassino da esposa, roubos, furtos e, quando é a feliz época das enchentes a gente conta com aquelas imagens de pessoas ilhadas, barracos rolando com terra, pedras e gente, carros arrastados, gente que caiu no córrego etc. etc.. Lá, o apresentador vociferava contra o poder público e combatia as injustiças sociais e, para isso, a emissora pagava um salário-caridade de um milhão de reais por mês. Tudo ia bem, até que ele rompe seu contrato – que duraria mais cinco anos – e anuncia que vai para a Record. De novo.


Até 2003, ele estava pelas terras do bispo Edir Macedo. Saiu de lá brigado com a emissora. Processado pela emissora, Datena tinha 18 milhões de reais pendentes em multa contratual. Para a Band está devendo 20 milhões. O dono da Igreja Universal não só bancará a multa como vai “perdoar” (tão religioso que é) a dívida de 8 anos atrás.


Datena comanda o bom, velho e saudoso “Cidade Alerta”, programa da faixa das 17h que exibe as desgraças costumeiras de sempre... E assim vai. O “Brasil Urgente” fica com o também apresentador de peso Luciano Faccioli – radicado na Record. Só que Faccioli ficou sem comandante Hamilton, fiel escudeiro de Datena que foi na frente na mudança de emissora.


A Record traz de volta mais um programa extremamente sensacionalista à grade, para se juntar com o São Paulo no Ar – apresentado por Geraldo Luís, antigo âncora do falecido Balanço Geral de São Paulo -, aos boletins de notícias entre jornais, ao Hoje em Dia, de Celso Zuccateli (uma espécie de “Sônia Abrão da manhã”, que explora as mesmas desgraças de sempre e exuma casos constantemente, de Isabela Nardoni para pior, isso entre uma e outra receita de Edu Guedes e um entrevistado do reallity show A Fazenda).


Agora é a vez da Globo promover mudanças em seu jornalismo. Sai Renato Machado do Bom Dia Brasil – será correspondente em Londres – e entra o divertido Chico Pinheiro, o qual dá a vez no SPTV a César Tralli. Segundo colunas da Folha do Estadão, o motivo é “popularizar” o Bom Dia, que estaria “elitizado” demais por conta da seriedade e postura de Renato Machado. E os números mostram o porquê: um bom número de telespectadores vem migrando para a Record – no horário matutino, tem o Fala Brasil, de estilo “popular”, mais flexível e que tem sua boa pitada de apresentar desgraças humanas de forma bem aproximada – isso inclui filmar o atropelado cheio de sangue dentro da ambulância.


Segundo o Ibope, desde 2003, quando estreou o Fala Brasil, a audiência da Record apresentou aumento de 450% nessa faixa do dia. Hoje, no Estadão, o diretor de jornalismo da Globo, Carlos Henrique Schoreder, disse que é “absurdo” pensar nas mudanças como algo a tornar o jornal “popularesco” e esse não será o objetivo da emissora carioca.


Será mesmo?



Gráfico do R7


Por que apostar na morbidade dos acontecimentos e na sua exploração exaustiva? Por que não oferecer um jornalismo de qualidade ao público? Por que as pessoas preferem o jornalismo sanguinário?


Será que são as pessoas que o preferem ou a falta de opções "limpas" e tão atraentes quanto são negadas por conta da fórmula atual que é "sucesso de audiência"?


Muita vezes, o controle remoto não basta para garantir opções de qualidade. O que falta?

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Leitor sem-teto

E tem gente querendo exterminar/eliminar/vaporizar as pessoas que moram nas ruas.

Do Repórter de Crime






"Um mendigo lê sobre sociologia numa esquina do Rio. O livro é "Biblioteca geral de sociologia", de Nello Doti. Gaúcho, o rapaz está nas ruas do Rio há sete meses, sem trabalho nem abrigo. Fora do vídeo, ele criticou a ditadura do serviço social."

Visite o Palácio dos Bandeirantes nas férias

Vale visitar nas férias o Palácio dos Bandeirantes e tomar conhecimento de um dos símbolos da cidade de São Paulo. (Verificar informações no fim da página).


Bandeirantes urbanos*



Visitas ao Palácio dos Bandeirantes atraem turistas que desejam conhecer de perto o centro do poder paulista

Paulo Maluf e Orestes Quércia, joviais e sorridentes, quase lado a lado. Pode parecer ficção, mas não é. Os retratos de todos os governadores que ocuparam o cargo por pelo menos noventa dias, pendurados ao lado de duas escadarias de mármore, são uma das atrações para quem visita o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, sede oficial do governo paulista.




[caption id="attachment_2011" align="aligncenter" width="1024" caption="O quinto, de baixo pra cima, é o senhor Paulo Maluf"][/caption]

A área de 126 mil metros quadrados comporta uma série de prédios e um jardim que ocupa mais da metade do terreno com cerca de duas mil árvores. Quem informa é Abigail, guia de visitação do Palácio há mais de 20 anos. “Tem Pau-Brasil, Cerejeira-Rosa, Pau-Rosa, Ipê Amarelo, pés de café”, e, para completar, esculturas da polonesa radicada no Brasil Felícia Leirner e do brasileiro Bruno Giorgi. O tour leva em torno de duas horas, iniciando-se pontualmente às 10h.


Visitantes


Não há um número preciso sobre quantos visitantes passam pelo Palácio por mês, “pois são escolas, grupos de turistas comuns, tanto nacionais quanto estrangeiros”, informa nossa guia. Ela diz que nossos vizinhos sul-americanos são os mais presentes, mas “vem gente do mundo todo”. Encontrei um grupo de visitantes da Romênia fazendo o passeio.


Gisele Vasconcelos, coordenadora do grupo estrangeiro faz a visita pela segunda vez. “Faço parte de um grupo intitulado The friendship force [A Força da Amizade]. Então, as pessoas vêm de fora e se hospedam nas casas dos membros, daí a gente faz passeios. Pelo segundo ano estamos vindo ao Palácio. É muito bom, e eles gostam muito.”


A partir de nove pessoas, a visita requer agendamento. A marcação é feita com facilidade por telefone.


Exposição


Além das obras pertencentes à decoração do Palácio, ocorrem exposições itinerantes, que fazem parte de um intercâmbio de peças entre os outros dois palácios do Governo (o de verão, no Horto Florestal e o de inverno, em Campos do Jordão).




[caption id="attachment_2010" align="aligncenter" width="1024" caption="Turistas vindos da Romênia fazem visita guiada pelo Palácio dos Bandeirantes"][/caption]

No final do ano passado, estava disponível a mostra de quadros e esculturas “Um percurso pela História - Os salões paulistas de Belas Artes”**. O acervo compreende artistas que participaram no período entre 1934 a 2003, como Tarsila do Amaral (“Os operários”, 1933) e Camargo Freire (“Capivari”, 1946). Porém algumas das obras lá expostas, não necessariamente participaram de algum dos Salões.

[caption id="attachment_2012" align="aligncenter" width="1024" caption="Convites para as mostras nos Salões Paulistas"][/caption]

Andar pelo antigo prédio da família Matarazzo é fazer uma visita pela História oportuno para conhecer os bastidores do poder paulista.

Palácio dos Bandeirantes
Av. Morumbi, 4.500 - Portão 2 -Morumbi - São Paulo - SP
Visitas orientadas: De terça a domingo, das 10h às 17h (de hora em hora)
Fone: (0xx11) 2193-8282
Entrada franca


*Matéria feita para o jornal laboratório Acontece, no final de 2010.


** Até o final de julho, a exposição em cartaz conta a história dos 3 palácios do governo e reúne obras de arte de ambas as localidades.

terça-feira, 21 de junho de 2011

40 anos. E o senhor ainda se lembra?

Os fãs de Chaves logo de cara reconhecem a indagação que dá título a esse post. Sempre que queriam apontar os "muitissíssimos" anos de alguém- geralmente do Seu Madruga - ao lembrar um fato da juventude, utilizam-se do "e ainda se lembra?". Pois é, faz 40 anos que o grande "El Chavo del Ocho" foi criado! Exibido em 1971 e ainda hoje consegue arrancar risos de pessoas de todas as idades - inclusive de mim (já decorei 95% das falas de todos os episódios e é impressionante: choro de rir com a maioria dos episódios). Recentemente, o criador, Roberto Gomes Bolaños, fez um Twitter que já conta com mais de 720 mil seguidores.


Veja as informações completas:


Do 24 Horas News




21/06/2011 - 20h45
'Chaves', o menino eterno da TV mexicana, faz 40 anos
Da AFP






Há 40 anos estreava na televisão mexicana Chaves, um modesto programa de comédia que contava as aventuras de um menino órfão que morava em um barril, uma história que não parecia destinada ao sucesso, mas que se tornou um ícone da cultura latino-americana.

O primeiro episódio do personagem criado por Roberto Gómez Bolaños, que o interpretava, foi exibido em 20 de junho de 1971 e ficou no ar até 1995. Apesar de, desde então, não se voltarem a gravar episódios, quase "sem querer querendo" (uma de suas frases lapidares), ele se tornou um dos personagens latino-americanos mais conhecidos no mundo.

Seu autor, agora com 82 anos, recebe mensagens de cumprimento através de sua conta no microblog Twitter, aberta no fim de maio e que já tem um milhão de seguidores. Os parabéns vêm sobretudo da América Latina, mas também em holandês (dirigidas ao De Jongen van Nummer 8), e alemão (ao Der Junge aus der 8), em português (Chaves) e até em japonês.

Graças à televisão via satélite, os episódios de Chaves e outros congêneres também criados pelo prolífico Bolaños, como a paródia de super-herói Chapolim Colorado, atravessaram fronteiras.

Gómez Bolaños sempre interpretou Chaves no pátio de uma vizinhança pobre como os que abundam na Cidade do México, onde várias famílias compartilham instalações como banheiros, entrada e área de serviço, e onde o menino órfão se escondia em um barril para que ninguém o visse chorar.

Ao lado dele, seus companheiros também ganharam fama: María Antonieta de las Nieves no papel de Chiquinha; Ramón Valdez, falecido em 1988, intérprete de Seu Madruga; Carlos Villagrán como Quico; Rubén Aguirre, o professor Jirafales; Edgar Vivar, o Nhonho, e a dona Florinda, interpretada pela mulher do autor, Florinda Meza.

A popularidade do programa é demonstrada pelo fato de que é um dos mais falsificados, segundo relatório publicado em maio no México. "Os informes nos mostram que o conteúdo latino-americano que mais é pirateado, o que mais é roubado, é o de Roberto Gómez Bolaños", destacou a Motion Pictures Associated (MPA).

CChaves - no original El Chavo del ocho, assim chamado por causa do canal de televisão onde foi exibido inicialmente - arrebatava na década de 1980, 350 milhões de telespectadores por semana, com traduções para mais de 50 idiomas e transmissões em países tão longínquos como China, Japão, Coreia, Tailândia, Marrocos, Grécia e Angola.

A acolhida abriu caminho para a criação de uma revista em quadrinhos, em 1974. Em 2006, a rede Televisa reviveu os personagens em um programa de desenho animado e este ano estreou, na Cidade do México, uma peça de teatro inspirada na história.

Apesar do sucesso no exterior, Chaves, que nunca conseguiu dizer seu verdadeiro nome ou endereço porque sempre outro personagem o interrompia, desviando a conversa, nunca foi isento de críticas no México.

No começo, os setores mais abastados o consideravam pouco apto para as crianças e suspeitamente vinculado à cultura popular para ser educativo. "Mas Chaves sempre defendeu valores como a honestidade, a solidariedade, a simplicidade", defendeu-se Gómez Bolaños, em entrevista concedida em 2005.


Você sabe com quem está falando?

Vi no Não Salvo, mas o vídeo é sério. Assista até o final, vale à pena. Mais uma grande palestra de Mário Sérgio Cortella:






segunda-feira, 20 de junho de 2011

Já pensou nisso?

[numa conversa de telemarketing]

- Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?

- Não. É só isso.

- A Companhia agradece, tenha um bom dia.

- Espera!

- Pois não, senhor.

- Você percebe o que me falou?

- Disse algo de errado, senhor?

- Você me desejou um bom dia!

- Sim, senhor. Esse é o desejo da nossa empresa e...

- E qual o seu?

- Perdão, o meu o que, senhor?

- O seu desejo. Você realmente quer me desejar bom dia?

- Bem, senhor...creio, eu creio que sim.

- Então você não tem certeza?

- Senhor, desculpe, mas há outros clientes na espera. Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?

- Sim, pode.

[silêncio]

- Senhor?

- A senhora foi pelo menos um pouco sincera.

- ?

- A Companhia agradece, mas a senhora me deseja um bom dia. A troco de que? Qual é sua vontade em que eu tenha um bom dia? Eu ter um péssimo ou um bom dia é completamente indiferente. Já pensou nisso?

- Eu nunca tinha pensad...lamento, senhor. Mas se o senhor não tiver mais dúvidas, a ligação vai ser desligada. Algo mais?

- Não, obrigado.

- A Companhia agradece [clic] - [desligou e sorriu com ele mesmo]

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Surgido de uma aula no curso do inglês: quantos "obrigados" e "bons dias" indiferentes ou sem sinceridade você dá por dia? Já parou para contar?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Reformulação - Ajuda do(a)s leitore(a)s

Povo,


Ando ausente aqui. Dois são os motivos:


1 - Faculdade consumindo tempo e recursos físicos, mentais e espirituais.


2 - Falta de inspiração e de foco.


E pra resolver o problema dois preciso da ajuda de quem lê aqui.


Quero saber o que vocês, leitores e leitoras, gostariam de ver nesse humilde espaço.


Ultimamente tenho meramente republicado notícias/textos interessantes por aqui. Mas, sobre qual tema?


E material próprio, escrever sobre o que?


O que você procura quando chega aqui?

Até agosto, quero contar com sua opinião. Podem responder ao que eu propus aqui ou soltar o verbo por conta!

Na caixa de comentários desse post quero saber o que você pensa.

Até agosto não vou postar absolutamente nada. Quero saber o que vocês preferem.

Conto com a participação de qualquer desavisado pessoa que chegar aqui. [Respondam pelo Twitter, Facebook também]

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sábado, 28 de maio de 2011

Robotização

Atualíssimo (dica do Prof. Toni). Desculpem a ausência, mas é encerramento de semestre: provas e trabalhos (alguns intragáveis). Breve, retorno com frequência.

Kraftwerk - The Robots






quinta-feira, 12 de maio de 2011

Da Folha

Promotoria vai investigar o fim da estação Angélica do metrô




O Ministério Público de São Paulo vai apurar se a desistência do Metrô de construir uma estação na avenida Angélica, em Higienópolis, bairro da elite paulistana na região central, foi motivada por questões técnicas ou por pressão de moradores e comerciantes.


Mudança do metrô em SP cai na rede e internautas marcam churrasco
Após protestos, governo de SP desiste de metrô na Angélica
Moradores de Higienópolis se mobilizam contra estação


O promotor Mauricio Antonio Ribeiro Lopes pediu ontem esclarecimentos ao secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. "Quero saber se ele cedeu a uma pressão da elite ou se a questão foi técnica. Se a questão foi de quem pode mais chora menos, é um absurdo para a cidade."


A Folha revelou ontem (11) que o Metrô retirou a estação Angélica do projeto da linha 6-laranja (Brasilândia-Liberdade), que será substituída por outro terminal na região do estádio do Pacaembu.


A decisão veio após protestos liderados pela Associação Defenda Higienópolis, que temia o aumento do fluxo de pessoas na região e a instalação de camelôs, além de questionar a escolha do local para a estação --na esquina da Angélica com a rua Sergipe, onde hoje há um supermercado Pão de Açúcar.


Segundo o promotor, o governo pode ser denunciado por desrespeito à Constituição, que garante tratamento igual a todos os cidadãos.

















Rodrigo Capote/Folhapress
Esquina da avenida Angélica com rua Sergipe, na rgião de Higienópolis. Local iria receber estação do metrô.
Esquina da avenida Angélica com rua Sergipe, na região de Higienópolis; local iria receber estação do metrô

A investigação também focará a conveniência da estação no Pacaembu. Um problema seria o fluxo em dias de shows e jogos. Para o coronel Carlos Savioli, comandante do batalhão especializado em policiamento de estádios, a estação não será problema. "A PM tem condições de garantir a segurança."


Anna Claudia de Salles, presidente do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) de Perdizes/Pacaembu, prevê mais furtos e roubos no entorno. "Infelizmente, seremos mais abordados por pessoas flutuantes."


Em nota oficial, o Metrô reafirmou ontem que a decisão de reavaliar o local onde ficará a estação na região foi técnica e que vai colaborar com o Ministério Público.


A companhia diz que a estação Angélica ficaria a apenas 610 m da futura estação Higienópolis/Mackenzie e a 1.500 m da PUC-Cardoso de Almeida. "Essa reavaliação tem caráter exclusivamente técnico, em nada motivada por pressão dos moradores da região de Higienópolis."


A companhia voltou a dizer que a localização exata da nova estação ainda depende da conclusão de estudos técnicos de solo, mas ela deve ficar situada no entorno do Pacaembu.