Confiram abaixo a nossa primeira video reportagem. Totalmente gravada em celular.
Diego Moura, Paula Suenny, Paulo Gervino e Thiago de Oliveira
Breve, haverá uma votação para eleger as melhores. Assim que sair o link, disponibilizo aqui!
http://www.youtube.com/watch?v=6H8Kon4iihM
segunda-feira, 17 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Mundo ônibus
19h02 - Parada da Av. Faria Lima - São Paulo - SP
Frio lá fora. Calçada cheia. Pessoas expostas ao vento e à garoa. Objetivo: entrar num ônibus e chegar em casa. Preço da passagem: R$ 2,70. Estudante paga meia. Dois reais e setenta centavos para subir a bordo de um veículo para viajar de pé. Todos têm essa oportunidade? Não.
Um fiscal da SPTrans aparece na janela do lado de fora do ônibus. Tem a aparência de uns 30, 40 anos. Gordo. Mal-humorado, porém educado:
- Pode descer. Você não pediu. Pode sair.
Ele se dirige a um garoto. Treze, catorze anos no máximo. Roupas inteiras, sem rasgos. Sujo. Cor da pele: acentuamente, escura.
- Não vou sair. Ele me disse que eu podia pegar uma carona lá.
- Vai sim! Faz favor! Você não pediu. Entrou por trás sem falar nada.
Uma mulher diz:
- Não sai não.
Murmúrios dentro do ônibus.
Um rapaz próximo à mulher:
- Amiguinho, é melhor você sair. Tá atrapalhando todo mundo. Ou você sai, ou a gente te põe pra fora.
O fiscal chega próximo à porta. O cobrador pede, educadamente, para que o garoto se retire. Este reluta, mas resolve sair. Derrotado. Certamente, como em tudo o que tem feito ultimamente. Onde desceria? Para onde estava indo? Por que estava sem dinheiro e completamente só? Nunca saberemos. Após a descida, o rapaz e uma outra mulher que falava ao celular começaram a debater o caso.
"Ah, se eu não tivesse falando no celular...eu tinha pago a passagem dele" (M)
"A senhora nem sabe...já estive num ônibus em que aconteceu isso e o moleque assaltou" (H)
"O fiscal humilhou ele."
"O moleque mesmo se humilhou quando subiu. Tá errado."
"Mas ele não tem dinheiro. Vai fazer o que?"
"Então por que tá na rua? Tem que defender o trabalhador brasileiro."
"Cada caso é um caso."
"É tudo igual."
"Não custava nada ter deixado ele subir. Uma vez ou outra."
"Eles tem que fazer o trabalho deles. O menino tá errado. Se não para ele, nunca corrige. Sempre vai fazer isso. Você gostaria que chegassem e bagunçassem o seu trabalho pra você ser demitida?"
"O que tem o meu trabalho a ver com isso?"
Após a discussão, a mulher perdeu seus argumentos e foi grossa com o rapaz. Silêncio. O homem desce. Ela e sua amiga continuam o assunto; desconfio que seja por que perceberam que estou tomando notas a respeito.
Pior do que expressar seus preconceitos e estereótipos, como o fez o homem, é agir de forma esquiva: "ah, se eu não tivesse isso", ou "ah...se eu estivesse aquilo". Ao invés de ficar no "e se", por que não agir?
E mais uma pro livro "aconteceu no ônibus".
Frio lá fora. Calçada cheia. Pessoas expostas ao vento e à garoa. Objetivo: entrar num ônibus e chegar em casa. Preço da passagem: R$ 2,70. Estudante paga meia. Dois reais e setenta centavos para subir a bordo de um veículo para viajar de pé. Todos têm essa oportunidade? Não.
Um fiscal da SPTrans aparece na janela do lado de fora do ônibus. Tem a aparência de uns 30, 40 anos. Gordo. Mal-humorado, porém educado:
- Pode descer. Você não pediu. Pode sair.
Ele se dirige a um garoto. Treze, catorze anos no máximo. Roupas inteiras, sem rasgos. Sujo. Cor da pele: acentuamente, escura.
- Não vou sair. Ele me disse que eu podia pegar uma carona lá.
- Vai sim! Faz favor! Você não pediu. Entrou por trás sem falar nada.
Uma mulher diz:
- Não sai não.
Murmúrios dentro do ônibus.
Um rapaz próximo à mulher:
- Amiguinho, é melhor você sair. Tá atrapalhando todo mundo. Ou você sai, ou a gente te põe pra fora.
O fiscal chega próximo à porta. O cobrador pede, educadamente, para que o garoto se retire. Este reluta, mas resolve sair. Derrotado. Certamente, como em tudo o que tem feito ultimamente. Onde desceria? Para onde estava indo? Por que estava sem dinheiro e completamente só? Nunca saberemos. Após a descida, o rapaz e uma outra mulher que falava ao celular começaram a debater o caso.
"Ah, se eu não tivesse falando no celular...eu tinha pago a passagem dele" (M)
"A senhora nem sabe...já estive num ônibus em que aconteceu isso e o moleque assaltou" (H)
"O fiscal humilhou ele."
"O moleque mesmo se humilhou quando subiu. Tá errado."
"Mas ele não tem dinheiro. Vai fazer o que?"
"Então por que tá na rua? Tem que defender o trabalhador brasileiro."
"Cada caso é um caso."
"É tudo igual."
"Não custava nada ter deixado ele subir. Uma vez ou outra."
"Eles tem que fazer o trabalho deles. O menino tá errado. Se não para ele, nunca corrige. Sempre vai fazer isso. Você gostaria que chegassem e bagunçassem o seu trabalho pra você ser demitida?"
"O que tem o meu trabalho a ver com isso?"
Após a discussão, a mulher perdeu seus argumentos e foi grossa com o rapaz. Silêncio. O homem desce. Ela e sua amiga continuam o assunto; desconfio que seja por que perceberam que estou tomando notas a respeito.
Pior do que expressar seus preconceitos e estereótipos, como o fez o homem, é agir de forma esquiva: "ah, se eu não tivesse isso", ou "ah...se eu estivesse aquilo". Ao invés de ficar no "e se", por que não agir?
E mais uma pro livro "aconteceu no ônibus".
terça-feira, 4 de maio de 2010
Fácil?
Por que as pessoas preferem os caminhos mais fáceis? Afinal de contas, nem sempre o atalho é a melhor alternativa. Fico profundamente chateado quando optam pelo mais simples em detrimento de algo mais analítico, reflexivo e até subliminar. Ficar no comum ou na superfície, como diria meu ex-professor de História. Brevemente, na minha profissão extrapolar aquilo que é o básico será a regra, e não a exceção. Mas, feliz ou infelizmente, é assim que conhecemos as pessoas que nos cercam. Sabemos o que esperar de cada uma delas. Sim, é um desabafo.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
É cada uma…
Que "Brasil Urgente" que nada! "Programa do Ratinho"? Já faz parte do passado! Confiram esse super-programa da TV Vila Velha, emissora a cabo de Ponta Grossa, no Paraná. Notem o requinte do programa e de seu majestoso apresentador...
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Novo mundo
Boa noite, pessoas! Estive ausente, mas voltei (espero que tenham notado minha ausência...). Peço desculpas aos leitores. Além de tempo, estive buscando inspiração para escrever. Notem que mudei novamente o "template" - a cara - do blog. Acho que ficou mais agradável de ler.
Mas vamos à substância. Apesar de estarmos quase chegando na metade do primeiro semestre de 2010 não descrevi com maiores detalhes minha entrada na Universidade. Os amigos mais antigos (leia-se: colégio) e familiares souberam com grande detalhamento. No primeiro dia o Trote Solidário: atividade promovida pelo Mackenzie para integrar os "bixos". Segundo dia apresentação do curso, inclusive conhecemos os figurões, aqueles que realmente comandam a Universidade. Oficialmente as aulas se iniciaram dia 10 de fevereiro. Mas esta quarta feira que seria como outra qualquer, foi o dia do trote por parte dos veteranos. O resultado já é conhecido: sujeira e roupa rasgada. Dia inesquecível. Raspei minha cabeça inclusive.
Alguém pode se perguntar o por quê dessa introdução, de fatos que aconteceram em fevereiro, ou seja, há dois meses. É necessária para que eu explique meu sentimento atual. Ao chegar lá, no primeiro dia de aula, me senti pequeno e envergonhado. Tal como no mesmo mês de 1999, quando entrei na primeira série. Muitas pessoas diferentes, nenhum conhecido de longa data - amigo ou professor. Um mundo totalmente novo. As lembranças do colégio ainda muito vivas na mente.
Nesse momento, as lembranças que tenho da minha escola, que foi meu mundo por onze anos, já estão mais distantes. Só restaram na minha mente os fatos mais marcantes, as pessoas inesquecíveis - amigos e amigos-professores. O típico dia-a-dia escolar se foi. Os grandes amigos e os belíssimos momentos permaneceram. As apostilas foram substituídas por inúmeros livros, textos "xerocados". Os trabalhos estão cada vez mais complicados, e a quantidade é cada vez maior. Sem contar as provas.
Nesses dois meses, passei de um aluno recém saído do ensino médio a universitário. Mas as complicações só trouxeram benefícios: mais amigos. Não tão de longa data, mas já tão queridos quanto. Um novo universo. Por meio dos inúmeros trabalhos e das aulas podemos compartilhar pensamentos, risadas, conhecimento. Posso dizer que é como se já os conhecesse há muito!
O sentimento de meus amigos de longa data que também passaram por esse choque na transição é o mesmo que o meu: sinto que sempre estive fazendo isso, apenas isso. O mundo da Universidade parece ter feito parte da minha vida desde...sempre!
Mas vamos à substância. Apesar de estarmos quase chegando na metade do primeiro semestre de 2010 não descrevi com maiores detalhes minha entrada na Universidade. Os amigos mais antigos (leia-se: colégio) e familiares souberam com grande detalhamento. No primeiro dia o Trote Solidário: atividade promovida pelo Mackenzie para integrar os "bixos". Segundo dia apresentação do curso, inclusive conhecemos os figurões, aqueles que realmente comandam a Universidade. Oficialmente as aulas se iniciaram dia 10 de fevereiro. Mas esta quarta feira que seria como outra qualquer, foi o dia do trote por parte dos veteranos. O resultado já é conhecido: sujeira e roupa rasgada. Dia inesquecível. Raspei minha cabeça inclusive.
Alguém pode se perguntar o por quê dessa introdução, de fatos que aconteceram em fevereiro, ou seja, há dois meses. É necessária para que eu explique meu sentimento atual. Ao chegar lá, no primeiro dia de aula, me senti pequeno e envergonhado. Tal como no mesmo mês de 1999, quando entrei na primeira série. Muitas pessoas diferentes, nenhum conhecido de longa data - amigo ou professor. Um mundo totalmente novo. As lembranças do colégio ainda muito vivas na mente.
Nesse momento, as lembranças que tenho da minha escola, que foi meu mundo por onze anos, já estão mais distantes. Só restaram na minha mente os fatos mais marcantes, as pessoas inesquecíveis - amigos e amigos-professores. O típico dia-a-dia escolar se foi. Os grandes amigos e os belíssimos momentos permaneceram. As apostilas foram substituídas por inúmeros livros, textos "xerocados". Os trabalhos estão cada vez mais complicados, e a quantidade é cada vez maior. Sem contar as provas.
Nesses dois meses, passei de um aluno recém saído do ensino médio a universitário. Mas as complicações só trouxeram benefícios: mais amigos. Não tão de longa data, mas já tão queridos quanto. Um novo universo. Por meio dos inúmeros trabalhos e das aulas podemos compartilhar pensamentos, risadas, conhecimento. Posso dizer que é como se já os conhecesse há muito!
O sentimento de meus amigos de longa data que também passaram por esse choque na transição é o mesmo que o meu: sinto que sempre estive fazendo isso, apenas isso. O mundo da Universidade parece ter feito parte da minha vida desde...sempre!
quarta-feira, 3 de março de 2010
A exploração da mídia sobre o Haiti
Entender o Haiti não é simples. O que vemos nos telejornais ou impressos é o resultado de séculos de exploração sob o manto da colonização. Qual a primeira imagem que vem à mente quando se menciona o Haiti? Extrema miséria, pessoas, em sua maioria negras, vivendo em condições desumanas, tropas de paz lideradas pelo Brasil, Caribe, turismo e etc. Não se investiga mais a fundo as causas que levaram a esse quadro desastroso. Algumas pessoas acham que esse país fica na África, seja pela degradação econômica e social dos cidadãos, ou pela cor de pele dos haitianos. Poucos sabem que a independência haitiana foi conquistada com uma luta que durou 12 anos e foi empreendida pelos negros escravos. Derrotaram os colonizadores franceses, que perderam seu maior mercado de venda de cativos (na época, contavam com meio milhão de pessoas trabalhando em regime de escravidão), os britânicos e espanhóis que tentaram assumir o controle da ilha. A Revolução Francesa cruzou o atlântico e inspirou o movimento revoltoso. Esse fato surtiu efeito inclusive no Brasil, levando os governantes a acelerar a abolição da escravatura em solo brasileiro e às políticas de embranquecimento da população, com o intuito de evitar que algo semelhante ao Haiti ocorresse aqui.
Já assolado por todas as calamidades impostas por séculos de colonização, recentemente mais uma provação foi imposta ao povo haitiano: um terremoto de proporções gigantescas atingiu a ilha caribenha. As tropas de paz da ONU coordenadas pelo Brasil estão presentes no Haiti desde 2004 para auxiliar na segurança interna e garantir, por exemplo, que as eleições ocorram sem incidentes. Essa mobilização internacional, residente no país, possibilitou o início dos trabalhos de resgate de pessoas afetadas pelo terremoto com imensa rapidez. Porém, dada a precariedade das construções e total despreparo da população para lidar com um tremor tão devastador o número de mortos ultrapassou os 200 mil.
Oras, e qual foi o papel da imprensa? Encontrou-se um assunto que atrai enorme quantidade de pessoas para a frente da televisão, ou para as bancas de jornal e revistas: sangue, morte e destruição. Faltou sensibilidade jornalística para cobrir o assunto com cautela. Fotos de cadáveres foram feitas e veiculadas com grande velocidade pela mídia. Enfocaram com destaque e grandiosidade a ajuda (?) financeira oferecida pelos países ricos ao Haiti. Foi dado um tom de generosidade para migalhas. Jornalistas (?) competiram para conseguir a imagem mais chocante, impactar o público a qualquer preço. Será essa a verdadeira missão da imprensa? Talvez não haja exagero em algumas abordagens? Afinal de contas, não é todo o dia que acontece uma catástrofe como essa, portanto se deve aproveitar ao máximo, extrair todo e qualquer conteúdo da notícia, mesmo que ela fira aquele que sofre. A ideia é mostrar um país de selvagens, mais ainda após esse terremoto, e não procurar mostrar que aqueles que oferecem migalhas são tão responsáveis por todas essas mortes (por meio dos séculos de dominação e empobrecimento do Haiti) quanto a Terra revolta.
Sugestão de Prof. Toni
Já assolado por todas as calamidades impostas por séculos de colonização, recentemente mais uma provação foi imposta ao povo haitiano: um terremoto de proporções gigantescas atingiu a ilha caribenha. As tropas de paz da ONU coordenadas pelo Brasil estão presentes no Haiti desde 2004 para auxiliar na segurança interna e garantir, por exemplo, que as eleições ocorram sem incidentes. Essa mobilização internacional, residente no país, possibilitou o início dos trabalhos de resgate de pessoas afetadas pelo terremoto com imensa rapidez. Porém, dada a precariedade das construções e total despreparo da população para lidar com um tremor tão devastador o número de mortos ultrapassou os 200 mil.
Oras, e qual foi o papel da imprensa? Encontrou-se um assunto que atrai enorme quantidade de pessoas para a frente da televisão, ou para as bancas de jornal e revistas: sangue, morte e destruição. Faltou sensibilidade jornalística para cobrir o assunto com cautela. Fotos de cadáveres foram feitas e veiculadas com grande velocidade pela mídia. Enfocaram com destaque e grandiosidade a ajuda (?) financeira oferecida pelos países ricos ao Haiti. Foi dado um tom de generosidade para migalhas. Jornalistas (?) competiram para conseguir a imagem mais chocante, impactar o público a qualquer preço. Será essa a verdadeira missão da imprensa? Talvez não haja exagero em algumas abordagens? Afinal de contas, não é todo o dia que acontece uma catástrofe como essa, portanto se deve aproveitar ao máximo, extrair todo e qualquer conteúdo da notícia, mesmo que ela fira aquele que sofre. A ideia é mostrar um país de selvagens, mais ainda após esse terremoto, e não procurar mostrar que aqueles que oferecem migalhas são tão responsáveis por todas essas mortes (por meio dos séculos de dominação e empobrecimento do Haiti) quanto a Terra revolta.
Sugestão de Prof. Toni
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Terremotos e terremotos
A mais recente notícia é sobre o tremor de 8,8 graus na escala Richter que atingiu majoritariamente o Chile e com menor intensidade os países vizinhos. Sem dúvida, uma catástrofe que gerou perdas econômicas e, principalmente, de vidas. A outra grande manchete de 2010 foi o terremoto que destruiu (ainda mais) o Haiti, gerando mais de 200 mil mortos. Meu temor é que o Haiti seja esquecido e as atenções de voltem exclusivamente para o Chile. Ambos os tremores destruiram e vitimaram pessoas, mas o que não podemos esquecer é que o Haiti é o país mais pobre das Américas e já não contava com grande estrutura social e política adequadas.
Alguns aspectos técnicos ilustram as diferenças entre os tremores. Apesar de ter tido o valor mais alto na escala Richter, o tremor chileno foi mais profundo, e seu epicentro (local de origem) foi no mar. No caso haitiano, o terremoto (de intensidade 7) foi gerado sob uma cidade e numa profundidade menor.
Além disso, as construções do Haiti eram mais precárias e menos estruturadas do que as chilenas.
O Chile é um país estável e com grande quantidade de recursos para garantir a sua plena recuperação. A ilha caribenha necessita muito mais do apoio internacional. Repito: não estou minimizando a tragédia chilena, mas sim propondo que o Haiti não caia no esquecimento dos demais Estados novamente, desde sua independência.
Para saber mais, a BBC fez uma apresentação ilustrando como se processam os terremotos, clique aqui para ver. Os grandes veículos de comunicação online fazem a cobertura dos desdobramentos do tremor no Chile e no Haiti, basta escolher qual a mídia mais completa no "cardápio".
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Andar de ônibus em São Paulo
Após dias seguidos de um calor abominável, cai a chuva sobre a grande capital. O indivíduo está no ônibus. Em uma posição desconfortável, escora-se de forma precária sobre as grades de apoio de antes da catraca, imediatamente ao lado do cobrador. Mais um dia comum. A cada ponto que vai passando, o veículo enche cada vez mais. Pessoas retornando de seus trabalhos, estudos, passeios. A chuva aumenta. Os grandes pingos de água açoitam as janelas e começam a entrar no ônibus. Reação unânime e imediata: começa-se a lacrar as janelas. Todos os temores de epidemias de gripes suínas parecem ter sido afastados da vista do grande público: no jornal não fala mais, portanto acabou. A temperatura dentro da abominável lata de sardinhas vai subindo: são mais de sessenta aquecedores-humanos a uma temperatura de 36,5 °C. Os vidros começam a embaçar. Os vapores de muitas respirações se misturam. Há um cheiro no ar. Pior do que sujeira, o odor é do descaso, penetra até o ponto mais fundo da alma. Ali, naquele local, seres humanos que pagam um alto valor para circularem por vias esburacadas e cheias de água são obrigados a permacerem de pé, desconfortáveis, imundos, respirando um ar quente, pesado, opressor. O indivíduo observa seus semelhantes. Até que ponto toleram? Cada um com seus pares de fones de ouvido. Alguém atende o celular. Há uma conversa entre dois conhecidos. A chuva vira uma garoa. Mesmo após cessada a queda de água algumas pessoas não abrem as janelas que lacraram. A apatia é tamanha que nem o calor horroroso parece incomodar mais. O indivíduo observa atônito, sem poder fazer coisa alguma. Sua mochila pesa. Ao seu lado há alguns idosos, cujos lugares garantidos por lei estão ocupados por alguém que se julga mais cansado do que aqueles que trabalharam durante muitos e muitos anos. Entra uma mulher com uma criança de colo. O cobrador se levanta:
- Alguém, por favor, podia dar o lugar pra senhora com a criança?
Há um banco ocupado por um homem e uma mulher. A mulher se levanta e dá lugar à sua companheira que traz nos braços um pedacinho de gente que ainda não pode compreender como funcionam as coisas por aqui. O homem que ocupa o lugar preferencial e que não fez menção alguma de ceder o seu lugar finge que não ouve o cobrador:
- De preferência o homem, né?
Chegamos ao destino final. Cada um desembarca e segue solitário, sem se revoltar ou ter qualquer atitude de indignação. O indivíduo que pensou durante sua viagem desce também. O que fazer? Por ora, não há nada o que fazer. Disse bem: por ora.
- Alguém, por favor, podia dar o lugar pra senhora com a criança?
Há um banco ocupado por um homem e uma mulher. A mulher se levanta e dá lugar à sua companheira que traz nos braços um pedacinho de gente que ainda não pode compreender como funcionam as coisas por aqui. O homem que ocupa o lugar preferencial e que não fez menção alguma de ceder o seu lugar finge que não ouve o cobrador:
- De preferência o homem, né?
Chegamos ao destino final. Cada um desembarca e segue solitário, sem se revoltar ou ter qualquer atitude de indignação. O indivíduo que pensou durante sua viagem desce também. O que fazer? Por ora, não há nada o que fazer. Disse bem: por ora.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Brevemente
Amigos e amigas, peço desculpas pela ausência. Agora esse é um Blog universitário. Brevemente de um jornalista graduado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Peço paciência, pois esse período inicial na universidade está um pouco conturbado. Brevemente, voltarei a escrever.
Grandes abraços!
Grandes abraços!
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Nem só de belezas vive São Paulo
Se por um lado viver em São Paulo traz muitas comodidades e uma vida artística-cultural repleta de shows, opções de turismo, música para todos os gostos, além dos inúmeros prédios históricos e museus, a agitada rotina paulistana carrega com ela inúmeros males. Além de problemas sócio-econômicos, os índices de doenças relacionadas ao estresse decorrentes das agitações por se viver na cidade grande vêm aumentando significativamente ao longo dos anos. A poluição ocasionada, em grande parte, pelos veículos vitima todos os anos milhares de paulistanos. O excesso de automóveis, caminhões, ônibus e motos contribuem tanto para os problemas já citados, quanto para o trânsito caótico na metrópole. Já virou rotina acompanhar os índices alarmantes de cem, duzentos e, se duvidar, até trezentos quilômetros de vias entupidas de veículos com pessoas desesperadas tentando chegar a algum lugar a qualquer preço. No primeiro texto sobre a cidade de São Paulo falei de uma pesquisa sobre a opinião dos habitantes dessa cidade a respeito da qualidade de vida, e como foi visto, o resultado foi catastrófico.
A falta de segurança é assustadora. A qualquer momento, pode-se morrer vítima de assaltos e demais atividades criminosas. Porém, a violência não se fecha nela mesma. Começa pela falta de oportunidades de emprego, afinal o indivíduo não recebeu a educação qualificada do Estado. Contenta-se com o mínimo, que muitas vezes está abaixo do necessário para se sobreviver. Ao invés de integrar esse indivíduo à sociedade, o que ocorre é justamente o contrário: grades são construídas, e isola-se o "marginal" na parte mais distante possível, para garantir que não haja incômodo. E, de fato, a pobreza tem cor no Brasil: a escravidão negra foi abolida sem nenhum caráter de reparação, o que fez com que a enorme massa de ex-escravos não tivesse o mínimo, sem condições de sobreviver foram postos à margem da sociedade. Isso é notório, especialmente se você resolver passear próximo às favelas. Sem saneamento básico, morando em morros e à beira de rios e córregos, essas pessoas vão sobrevivendo. E o que acontece quando vem chuva? O morro desliza, o barranco cede, rio a baixo. Vidas ceifadas, mas quem se importa afinal de contas? Indignação? Não chega a tanto. Já virou rotina.
As ruas alagadas também já fazem parte do cotidiano. O alto número de moradores de rua é normal. E assim, o paulistano vai assumindo um olhar de indiferença à paisagem. Entremeados nas belas construções, a sujeira está ali. Pessoas são reduzidas a trapos imundos, que devem ser jogados fora, como o lixo pela capital paulista.
A pobreza, não só em São Paulo, já virou banalidade. E assim vai seguindo a vida na grande metrópole, e os contrastes sociais aumentam, quando deveriam diminuir.

Talvez esse ano tudo mude: 2010 é ano de eleição. O prefeito vai inaugurar obras e mais obras, e os candidatos opositores vão mostrar o quão defeituosa foi sua gestão. E mais, vão fazer promessas e traçar planos e rotas para os problemas paulistanos. A partir de 2011 as obras param. Os problemas persistirão, até 2014, quando uma nova eleição ocorrerá, e a mesma situação acontecer. É um ciclo vicioso. Quem nos libertará dele?
A falta de segurança é assustadora. A qualquer momento, pode-se morrer vítima de assaltos e demais atividades criminosas. Porém, a violência não se fecha nela mesma. Começa pela falta de oportunidades de emprego, afinal o indivíduo não recebeu a educação qualificada do Estado. Contenta-se com o mínimo, que muitas vezes está abaixo do necessário para se sobreviver. Ao invés de integrar esse indivíduo à sociedade, o que ocorre é justamente o contrário: grades são construídas, e isola-se o "marginal" na parte mais distante possível, para garantir que não haja incômodo. E, de fato, a pobreza tem cor no Brasil: a escravidão negra foi abolida sem nenhum caráter de reparação, o que fez com que a enorme massa de ex-escravos não tivesse o mínimo, sem condições de sobreviver foram postos à margem da sociedade. Isso é notório, especialmente se você resolver passear próximo às favelas. Sem saneamento básico, morando em morros e à beira de rios e córregos, essas pessoas vão sobrevivendo. E o que acontece quando vem chuva? O morro desliza, o barranco cede, rio a baixo. Vidas ceifadas, mas quem se importa afinal de contas? Indignação? Não chega a tanto. Já virou rotina.
A pobreza, não só em São Paulo, já virou banalidade. E assim vai seguindo a vida na grande metrópole, e os contrastes sociais aumentam, quando deveriam diminuir.
Talvez esse ano tudo mude: 2010 é ano de eleição. O prefeito vai inaugurar obras e mais obras, e os candidatos opositores vão mostrar o quão defeituosa foi sua gestão. E mais, vão fazer promessas e traçar planos e rotas para os problemas paulistanos. A partir de 2011 as obras param. Os problemas persistirão, até 2014, quando uma nova eleição ocorrerá, e a mesma situação acontecer. É um ciclo vicioso. Quem nos libertará dele?
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Comemoração do aniversário de São Paulo
Os sites dos grandes jornais e portais de notícias trazem inúmeras dicas para aproveitar não só o feriado mas também a semana que se segue. No Guia da Folha você confere inúmeras atrações de homenagem à cidade de São Paulo; o Estadão Online traz a programação em formato de lista/calendário; o Terra, além da data dos eventos, traz uma pequena descrição sobre eles. Agora, se você está afim de conhecer São Paulo, opções turísticas não faltam também. O site Cidade de São Paulo é o maior portal turístico de Sampa, trazendo inclusive um calendário de eventos para o ano todo. Seja para descobrir ou redescobrir pontos da cidade sempre vale à pena sair, desde que seja para visitar museus, ou para andar descompromissado pelo Centro Antigo contemplando as construções que resistiram ao tempo e fazendo um exame da realidade social. Todo o dia é dia de comemorar o aniversário da maior cidade do país: afinal, fazemos parte da construção diária de São Paulo. O que ocorre aqui reflete direta ou indiretamente em nossas vidas. Parabéns São Paulo!
Indico um texto de uma paulistana que ama São Paulo, tanto quanto eu, no Blog Café e cookies: clique aqui para ler
Indico um texto de uma paulistana que ama São Paulo, tanto quanto eu, no Blog Café e cookies: clique aqui para ler
A comida popular paulistana
Inicialmente pensei em fazer um texto expondo sete motivos pelos quais vale à pena morar em São Paulo, e sete pelos quais você fugiria daqui. Resolvi estender um pouco, na verdade bastante. Normalmente, as pessoas começariam contando a história de São Paulo, fazendo uma longa e detalhada biografia dos fundadores com uma sequência enorme de datas de eventos, porém o objetivo não é esse. Não que a História não tenha importância, mas nesse caso o foco é outro, portanto haverá um post com o resumo da parte “técnica” com as informações sobre a fundação de Sampa e "links" de aprofundamento.
O que seria de nós sem alimentação? A comida é a essência da nossa vida, por isso resolvi falar sobre os sabores da gastronomia paulistana. E não falarei de Fasano, Vento Aragano ou Fogo de Chão, mas sim da chamada “baixa” gastronomia, aquela que não é feita nas requintadas cozinhas pelos “chefs” internacionais, nem custam uma fortuna. É da comida popular: churrasco grego, o “dogão”, batatas fritas, pipoca, sanduíche de pernil, churrascos em espetinho e até o carro da tapioca que passa na sua rua, sem contar é claro o yakisoba. O grande pólo da alimentação popular tradicional de São Paulo é o centro antigo, sendo que ano após ano, houve uma expansão para as zonas periféricas e introdução de novos sabores na gastronomia popular paulistana.
Não só as barraquinhas fazem sucesso, mas a grande quantidade de “botecos” que servem iguarias é tremenda.
Quem disse que para comer bem se precisa gastar muito? Por R$ 1,00 você pede um churrasco grego ou kebab (um pão, com ou sem vinagrete, com carne assada em um espeto giratório) e ainda ganha um suco. Pelo mesmo valor você pede um “dogão” – cachorro quente – com inúmeros adereços: purê de batata,
Não podemos esquecer tradicionalmente do Mercado Municipal: sanduíches de mortadela, pastel de bacalhau, uma infinidade de frutas, às vezes nem a preço tão popular assim, queijos e muitas variedades.
Apesar de ser um símbolo nacional, as comidas vendidas nas ruas são mais sujeitas à falta de higiene do que em ambientes fechados, e observar se o local é limpo e o funcionário trabalha em condições adequadas é importante na hora de apreciar esses requintes feitos a valores tão acessíveis.
No início do século XX, os redutos de comida, hoje, considerada exclusivamente do povo eram freqüentados pela elite da época na região central de São Paulo. Eu estou devendo comer um churrasco grego, falha minha. É comer para crer. E, como eu aprendi, é importante provar do alimento antes de criticar e criar preconceitos.
Para saber mais sobre a história do churrasco grego clique aqui.
domingo, 24 de janeiro de 2010
São Paulo de antigamente em fotos
Apresentação baseada em SampaArt. Site com inúmeras informações sobre São Paulo. Confira para saber mais sobre a cidade.
Especial da semana - Aniversário de São Paulo
Amanhã, 25 de janeiro de 2010, a cidade de São Paulo completa 456 anos. A maior cidade do país tem muito o que comemorar, porém inúmeros aspectos ainda precisam ser melhorados com urgência. Recentemente foi divulgada uma pesquisa do Ibope, encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo, que mostra o grau de satisfação dos paulistanos com a cidade de São Paulo. Resultado: 57% dos entrevistados deixaria a capital paulista se pudesse, 87% considera uma cidade insegura e a nota - em uma escala de 0 a 10 - que a metrópole onde tudo acontece recebeu da população foi de 4,8. Um sinal de que a insatisfação vem aumentando. A má administração parece ser o causador dos problemas que levam ao desgosto com a cidade. Para ler a reportagem completa sobre essa pesquisa sobre São Paulo clique aqui e para ter acesso à esta e outras pesquisas na íntegra clique aqui.
Pois bem, essa semana o Blog será dedicado ao aniversário de São Paulo. Serão publicados textos com curiosidades, História, fotos e motivos pelos quais vale ou não a pena viver aqui, na maior cidade do Brasil.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Selva de automóveis
Essa "pichação" está na avenida Morumbi. Nunca concordei tanto com um desenho colocado em um muro. Hoje voltamos de viagem. Vindo de Ubatuba, pela rodovia dos Tamoios, gastamos pouco menos de 2 horas. Inúmeros pontos da estrada com quedas de barreiras, e aquela apreensão sobre deslizamentos de terra. Agora, gastamos quase 3 horas para percorrer uma distância inferior dentro de São Paulo. Ao chegarmos à cidade fomos recepcionados por uma Marginal Tietê inteiramente congestionada. Justificativa: obras de ampliação. Tá certo, então. Tudo bem que ela está sempre assim. Olhando aquele mundo de carros à frente bateu um arrependimento: talvez tivesse sido melhor votar no Maluf, que prometeu construir pistas sobre o rio Tietê (a freeway), ou ainda em Levi Fidélix e o seu aerotrem. Mas largando as piadas de lado, ficamos nesse anda-e-para por longas 3 horas e alguns 30 minutos. Para onde correr? (difícil imaginar uma corrida àquela hora, mas enfim...). Todas as "alternativas" paradas. Por todas as vias, carros e caminhões. Isso porque estava garoando, imaginemos se a chuva resolve cair com toda a sua força como nos últimos dias, o que seria de nós? Hoje, o paulistano tem que contar com a sorte (se é que ela existe) para trafegar em São Paulo, seja excesso de veículos ou de água. Em breve, será impossível se locomover na maior cidade do Brasil. De quem é a culpa? Além dos governos irresponsáveis que não buscaram as alternativas corretas para não deixar surgir o problema, ou solucioná-lo (melhores transportes coletivos, por exemplo), é o próprio povo, afinal de contas é uma democracia, não? Ser "escravo do trânsito" é culpa, e escolha, dos eleitores. Que tal pensar nos candidatos antes de simplesmente elegê-los?
sábado, 16 de janeiro de 2010
Falha dos comentários
Algumas pessoas me disseram que os comentários que postaram não estão aparecendo. Eu ativei e a moderação de comentários, e não sei porque vários comentários não aparecem para que eu possa os ler e aceitá-los. A falha é do Blogger, então peço, encarecidamente, que ao postar um comentário, vocês façam mais de uma vez no mesmo post. Fico chateado por que já devo ter perdido inúmeras boas opiniões por causa da incompetência desse servidor.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Refletindo um pouco...
Entre os meus presentes de Natal está o romance "As vinhas da ira" (vale a pena saber mais), de John Steinbeck. O retrato da "fuga" (leia-se expulsão) de milhões de pessoas de suas terras devido à seca, e principalmente, à chegada das máquinas e das grandes companhias que tomavam as pequenas propriedades, em nome do lucro a qualquer preço por dívidas, se passa nos EUA, dez anos após a crise de 1929. Entretanto, há atualidade nesse triste relato, que facilmente se adequa à realidade de muitos brasileiros.
Estou na metade do livro, e dentre o brilhante e triste relato apresentado, destaco uma frase que me fez refletir sobre o momento atual (o livro foi publicado em 1939):
"Tenha-se medo da hora em que o homem não mais queira sofrer e morrer por um ideal, pois que esta é a qualidade básica da humanidade, é a que a distingue entre tudo no universo". (As vinhas da ira - Pág.188)
Eu fiquei me perguntando: será que é chegada a hora de temer? A geração de agora, da qual eu faço parte, deixou de ter ideais? Será que estamos presos à mesmice e ao total desinteresse pelas mudanças? Não defendo a morte literal, no sentido de perder a vida, mas de defender com afinco e interesse uma ideia pela qual valha a pena viver (e não o contrário).
Trazer mudanças significativas para um grande número de pessoas - sendo duradouro - e não só a individualidade exacerbada. Obviamente, não estou sugerindo ideologias que pregam o fim do capitalismo (comunismo, anarquismo e etc.), seria trocar seis por meia dúzia, mas sim aproveitar os benefícios que o capitalismo oferece e promover mudanças. Qual é o objetivo da minha geração? Será que os livros de História daqui a 60 anos trarão os progressos conseguidos por nós, ou passaremos em branco?
Que tal honrarmos a proposta e a base desse blog, que é a reflexão? Não será hora de reavaliarmos nossa posição social? Pensemos nisso.
Estou na metade do livro, e dentre o brilhante e triste relato apresentado, destaco uma frase que me fez refletir sobre o momento atual (o livro foi publicado em 1939):
"Tenha-se medo da hora em que o homem não mais queira sofrer e morrer por um ideal, pois que esta é a qualidade básica da humanidade, é a que a distingue entre tudo no universo". (As vinhas da ira - Pág.188)
Eu fiquei me perguntando: será que é chegada a hora de temer? A geração de agora, da qual eu faço parte, deixou de ter ideais? Será que estamos presos à mesmice e ao total desinteresse pelas mudanças? Não defendo a morte literal, no sentido de perder a vida, mas de defender com afinco e interesse uma ideia pela qual valha a pena viver (e não o contrário).
Trazer mudanças significativas para um grande número de pessoas - sendo duradouro - e não só a individualidade exacerbada. Obviamente, não estou sugerindo ideologias que pregam o fim do capitalismo (comunismo, anarquismo e etc.), seria trocar seis por meia dúzia, mas sim aproveitar os benefícios que o capitalismo oferece e promover mudanças. Qual é o objetivo da minha geração? Será que os livros de História daqui a 60 anos trarão os progressos conseguidos por nós, ou passaremos em branco?
Que tal honrarmos a proposta e a base desse blog, que é a reflexão? Não será hora de reavaliarmos nossa posição social? Pensemos nisso.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Dica de filme
A nova versão do livro de Oscar Wilde, "O Retrato de Dorian Gray", é fantástica. Vale a pena assistir e perceber até onde a vaidade excessiva pode comprometer a alma e a consciência do indivíduo, ainda mais se você relacionar com a nossa sociedade que busca "bela" aparência e jovialidade eterna. Confiram o trailer:
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Sobrevivi à FUVEST
Dia 3, 4 e 5 de janeiro de 2010: segunda fase da FUVEST. Já imaginava que a prova seria difícil, porém o segundo dia superou minhas expectativas. Extensa demais e o tempo curto. Já a prova de Português foi tranquila, tirando o tema da redação: algo totalmente abstrato. E o 3º dia, Geografia e História, foram em um nível de dificuldade médio, mais cansativo do que propriamente difícil.
Agora, para os que prestaram cursos que envolviam Física, Matemática, Química e Biologia, meus parabéns, porque enfrentar provas como essas que a FUVEST fez é só para heróis. O grau de dificuldade estava extremo.
Mas, o importante agora é ter calma e paciência para esperar os resultados.
Confira as provas aqui
Agora, para os que prestaram cursos que envolviam Física, Matemática, Química e Biologia, meus parabéns, porque enfrentar provas como essas que a FUVEST fez é só para heróis. O grau de dificuldade estava extremo.
Mas, o importante agora é ter calma e paciência para esperar os resultados.
Confira as provas aqui
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Onde o calo aperta
Por que não querem investigar? Logicamente, porque grande parte do alto escalão do exército tem ligações com esse passado escabroso, portanto querem esquecer as atrocidades praticadas no período. Há muitos políticos ainda na ativa também. A justificativa é que isso alteraria a lei de anistia (que "perdoou" todos os crimes cometidos, por motivações políticas, no citado momento - tanto do lado militar no governo, quanto a "guerrilha" civil). O setor militar classifica isso como "reabrir feridas já cicatrizadas". Para quem teve parentes e amigos torturados, mortos ou desaparecidos nos porões da ditadura em nome de uma suposta "ordem" não tem nada curado. Muito pelo contrário.
Os arquivos da ditadura devem ser abertos, as agressões investigadas e os culpados punidos. Tanto no lado militar, quanto na parte civil. Solucionar não significa esquecer, mas sim realizar justiça, ainda que tardia.
Que venha 2010!
Amigos e amigas, novamente aqui estou. É estranho ver como os anos passam e pouco se altera. Todos os anos os poderosos desejam um feliz ano novo. As personalidades da música, da tv, das revistas e etc. exibem suas mensagens de "por um mundo melhor", "por menos pobreza", "lutar contra a desigualdade". Na maioria dos casos apenas palavras vazias, pobres de qualquer ação prática.
Pedem que haja a mudança para que tudo permaneça igual. Quem lucrou em 2009, 2008 e em todos os anos anteriores continuará lucrando, agora em 2010. E em 2011. E em 2012. E certamente seguirão assim (se o mundo não acabar em 2012).
Lotam os carros de pessoas. Tudo isso para passarem o ano novo em qualquer lugar que seja longe de casa. Resultado: estradas lotadas e acidentes. Muitos não chegam a comemorar o Natal e ano novo.
Enquanto estamos reunidos com nossas famílias, assistindo à queima de fogos, ou comendo chester, pessoas estão com suas casas com 2 metros de água pútrida e lama. E os "governantes"? Não fazem nada, pois o que está com água é o Jardim Pantanal, cheio de pobres à margem do Tietê e da sociedade. E se fosse o Morumbi? Qual seria a postura?
Chuva e mais chuva.
Mas esse ano a coisa muda de figura: eleições. Milhões de reais em obras e outro tanto de dinheiro (público) para mostrar os feitos milagrosos dos desgovernos que administram (?) por aqui.
Mas há a São Silvestre, o Reveillon em Copacabana e na Paulista. Pra que queremos mais alguma coisa?
Que venha 2010...e com ele tudo o que nos está reservado: de ruim, e principalmente que mudanças boas ocorram!
Pedem que haja a mudança para que tudo permaneça igual. Quem lucrou em 2009, 2008 e em todos os anos anteriores continuará lucrando, agora em 2010. E em 2011. E em 2012. E certamente seguirão assim (se o mundo não acabar em 2012).
Lotam os carros de pessoas. Tudo isso para passarem o ano novo em qualquer lugar que seja longe de casa. Resultado: estradas lotadas e acidentes. Muitos não chegam a comemorar o Natal e ano novo.
Enquanto estamos reunidos com nossas famílias, assistindo à queima de fogos, ou comendo chester, pessoas estão com suas casas com 2 metros de água pútrida e lama. E os "governantes"? Não fazem nada, pois o que está com água é o Jardim Pantanal, cheio de pobres à margem do Tietê e da sociedade. E se fosse o Morumbi? Qual seria a postura?
Chuva e mais chuva.
Mas esse ano a coisa muda de figura: eleições. Milhões de reais em obras e outro tanto de dinheiro (público) para mostrar os feitos milagrosos dos desgovernos que administram (?) por aqui.
Mas há a São Silvestre, o Reveillon em Copacabana e na Paulista. Pra que queremos mais alguma coisa?
Que venha 2010...e com ele tudo o que nos está reservado: de ruim, e principalmente que mudanças boas ocorram!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Mensagens de fim de ano
Queridos amigos do Terceirão B, vocês estarão sempre na minha lembrança. Fiquei extremamente feliz e honrado por poder representar nossa sala durante a formatura. Uma noite de Glória. Encerramos em grande estilo, e foi merecido.
Amigos professores, se consegui grande êxito na maratona de vestibulares que eu fiz (e ainda vou fazer, contando a segunda fase da FUVEST), boa parte do mérito cabe a vocês. A capacidade e a competência de vocês foram fundamentais para um bom desempenho nas provas. Sentirei grandes saudades de todos, porém na memória carrego os ensinamentos(que não são poucos).
Aos meus familiares, meus grandes agradecimentos também, pois sem eles não poderia trilhar o caminho com todas as provações impostas por ele. Agora começa uma nova etapa que vocês acompanharão de perto.
Aos leitores do Blog, meu muito obrigado pelos textos lidos, pela paciência e pelas visitas. Afinal de contas, um espaço de divulgação de informações não é nada sem os leitores.
No dia 19 de Dezembro, comemoramos 1 ano que o Blog está no ar. Não estarei aqui durante essa "comemoração". Dia 16 embarco no navio Soberano para a viagem de formatura, que encerra o meu ano com chave de ouro. Todas as conquistas celebradas em alto mar, e com grande estilo.
Oficialmente, essa é a última postagem do ano. Ao longo de 2009, as postagens foram esparsas e inconstantes, tentarei para 2010 melhorar, pois um futuro profissional da área do Jornalismo deve zelar por sua imagem! =)
Um bom Natal e excelente Ano Novo para todos. Espero que 2010 traga mais realizações do que 2009, e que venha com menos promessas e mais ações de todas as partes.
Grandes abraços e até janeiro de 2010!
Disimo
Amigos professores, se consegui grande êxito na maratona de vestibulares que eu fiz (e ainda vou fazer, contando a segunda fase da FUVEST), boa parte do mérito cabe a vocês. A capacidade e a competência de vocês foram fundamentais para um bom desempenho nas provas. Sentirei grandes saudades de todos, porém na memória carrego os ensinamentos(que não são poucos).
Aos meus familiares, meus grandes agradecimentos também, pois sem eles não poderia trilhar o caminho com todas as provações impostas por ele. Agora começa uma nova etapa que vocês acompanharão de perto.
Aos leitores do Blog, meu muito obrigado pelos textos lidos, pela paciência e pelas visitas. Afinal de contas, um espaço de divulgação de informações não é nada sem os leitores.
No dia 19 de Dezembro, comemoramos 1 ano que o Blog está no ar. Não estarei aqui durante essa "comemoração". Dia 16 embarco no navio Soberano para a viagem de formatura, que encerra o meu ano com chave de ouro. Todas as conquistas celebradas em alto mar, e com grande estilo.
Oficialmente, essa é a última postagem do ano. Ao longo de 2009, as postagens foram esparsas e inconstantes, tentarei para 2010 melhorar, pois um futuro profissional da área do Jornalismo deve zelar por sua imagem! =)
Um bom Natal e excelente Ano Novo para todos. Espero que 2010 traga mais realizações do que 2009, e que venha com menos promessas e mais ações de todas as partes.
Grandes abraços e até janeiro de 2010!
Disimo
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Sigamos em frente
Sinto-me a bordo de um barco prestes a entrar em um oceano revolto pela tempestade no horizonte. Estou no comando do barco: o timão é controlado por mim, e o leme, agora, segue a direção precisada. Será que mapeei bem a viagem, ou estou indo às cegas para o grande maremoto à frente? Passei por um já, e talvez siga em frente. Passei com um abalo menor do que o esperado. No prazo de quatro e seis dias o barco chegará à tempestade. O que ocorrerá? Um naufrágio sem precedentes? Ou uma saída triunfal? Certamente, a glória estará esperando no final desse tortuoso caminho marítimo. Recoberto com a roupa de gala e com os louros dessa vitória, me encaminharei para a noite máxima. O ápice de 11 anos de espera. O encerramento da etapa será em grande estilo. Em alto mar eu estarei. Sabem-se lá quais e quantas serão as surpresas pelo trajeto. Períodos de calmaria e de tempestade. Marolas e ondas catastróficas. Tenho certeza que meu barco estará preparado para enfrentar as adversidades que virão. Quem me acompanhará nessa viagem? Não sei. Aí é que está a grande maravilha da eterna jornada: a dúvida sobre os caminhos e pessoas que virão. A vida é imprevisível. Não há a necessidade de preocupar-se com o que acontecerá, se isso foge ao seu controle. Controle sua vida, e não deixe que ela controle você. Amigos e amigas, naveguemos por mares desconhecidos, e que a proteção nos acompanhe, enchendo nosso barco com o mais valioso tesouro: o sucesso que se aproxima.
sábado, 5 de dezembro de 2009
ENEM
Para esse ano, a prova do ENEM não me adianta, pois as universidades em que eu me inscrevi para o vestibular não vão mais usá-lo devido ao vazamento. O "Terra" ainda escreve dizendo que o cancelamento ajudou os estudantes. Sem dúvida quem escreveu essa idiotice não tem a menor idéia do que o cancelamento causou para a maioria das pessoas.
Paguei os 35 reais, se escolhesse não fazer a prova poderia ter um reembolso do pagamento. De que forma? Mandando uma CARTA ao Ministério da Educação, ou seja, não querem fazer a devolução (obviamente). Por que não colocaram algo online?
As primeiras impressões que eu tive hoje com a parte 1 do ENEM foram as piores possíveis.
Uma prova com enunciados longos e extremamente cansativa. Quando comparada com a prova "vazada" estava bem mais rigorosa, em termos de conteúdo. Uma prova densa, em que o conteúdo prevaleceu, em detrimento da tão pregada interpretação de texto. Não achei a prova tão interdisciplinar também...
O conhecimento não foi avaliado, mas sim a resistência física do aluno. Esperamos amanhã o "golpe" final.
Paguei os 35 reais, se escolhesse não fazer a prova poderia ter um reembolso do pagamento. De que forma? Mandando uma CARTA ao Ministério da Educação, ou seja, não querem fazer a devolução (obviamente). Por que não colocaram algo online?
As primeiras impressões que eu tive hoje com a parte 1 do ENEM foram as piores possíveis.
Uma prova com enunciados longos e extremamente cansativa. Quando comparada com a prova "vazada" estava bem mais rigorosa, em termos de conteúdo. Uma prova densa, em que o conteúdo prevaleceu, em detrimento da tão pregada interpretação de texto. Não achei a prova tão interdisciplinar também...
O conhecimento não foi avaliado, mas sim a resistência física do aluno. Esperamos amanhã o "golpe" final.
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