domingo, 27 de junho de 2010

Jornais ou partidos políticos?

Revista Família Cristã - Ed. 06/2010



Por Laurindo Leal Filho

Jornais ou partidos políticos?


"Cidadãos têm votos. Jornais não. Contudo, se o Guardian votasse nas eleições gerais de 2010 o faria entusiasticamente nos Liberal-Democratas." Com essa frase o tradicional jornal britânico The Guardian abriu seu editorial no sábado, em 1ºde maio, cinco dias antes das eleições para a Câmara dos Comuns britânica, correspondente à nossa Câmara dos Deputados.


Trata-se de uma prática habitual na Europa, essa de os jornais revelarem claramente sua posição antes das eleições. Aqui isso ainda é raro. Só recentemente duas publicações inovaram: o jornal O Estado de S. Paulo, apoiando candidatos do PSDB, e a revista Carta Capital, os do PT. As demais seguem mudas, insistindo numa neutralidade que se revela falsa a cada dia, tornando-se verdadeiros partidos clandestinos.


Antes do golpe de 1964, quando o número de jornais existentes era muito maior, praticamente todos se alinhavam com correntes político-eleitorais específicas. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Correio da Manhã acompanhava o PSD; o Diário de Notícias, a UDN; e O Globo filiava-se às posições ainda mais à direita. Por sua vez o Jornal do Brasil caminhava pela centro-direita, restando ao jornal Última Hora a defesa das causas populares, acompanhando o PTB. Havia um leque com vários, aberto à escolha do leitor. E ninguém comprava gato por lebre.


Papel da oposição - Hoje é diferente. O leque fechou e as escolhas, quando existem, são feitas entre veículos que praticamente não se diferenciam. No Rio de Janeiro, reina O Globo, com a mesma linha presente desde suas origens. Em São Paulo, quantas vezes Estado e Folha de S. Paulo aparecem com manchetes quase iguais, fotos idênticas na primeira página e um alinhamento político semelhante? Ambos assumem o papel da oposição ao atual governo, com o mérito de o Estadão pelo menos deixar isso explícito.


Essa partidarização foi revelada pela própria Maria Judith Brito, presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), entidade que reúne as grandes empresas jornalísticas brasileiras. Para ela, "os meios de comunicação estão fazendo, de fato, a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada". Ou seja, se antes de 1964 os jornais eram porta-vozes dos partidos, agora ocupam o lugar dos próprios partidos.


Dessa forma, o processo democrático se fragiliza. Além de os veículos de comunicação deixarem claras suas posições, é necessária uma oferta maior de opções para o público. É preciso mais jornais e revistas que deem voz aos que hoje não têm voz. Pena que não há como setores politicamente fortes, vinculados às camadas populares, mas economicamente frágeis, estabelecerem algum tipo de concorrência com as grandes empresas de comunicação.


A saída é a presença do Estado, ainda que de maneira apenas indutiva, estimulando a comunicação alternativa. A asfixia do debate público não é sentida apenas por aqui. Até na Alemanha, um pensador como Jürgen Habermas, partidário da ideia do espaço público como arena do debate democrático, diz, por exemplo, que "quando se trata do gás, da eletricidade ou da água, o Estado tem a obrigação de prover as necessidades energéticas da população. Por que não seria igualmente obrigado a prover essa outra espécie de 'energia', sem a qual o próprio Estado acabaria avariado?". Por que não?


Laurindo Lalo Leal Filho é sociólogo e jornalista, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo). É ouvidor-geral da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), gestora da TV Brasil, e apresentador do programa VerTv, transmitido pela TV Brasil e pela TV Câmara.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Regularidade

A partir de primeiro de julho, todas as sextas-feiras , haverá um novo texto aqui. Não percam. A propósito, na migração o blog já tinha recebido quase 8000 visitas. Só ontem, recebemos 200. Aguardem!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Nova alocação do Textos para pensar

Caros leitores e leitoras,

Migrei o nosso blog para o Wordpress, assim, finalmente, passo a receber os comentários de vocês, que o Blogger não publicava. Aproveitem o novo espaço. Em breve, o blog trará novidades! Aguardem!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sabatina na Folha de S. Paulo


Ocorreu hoje, no Teatro Folha, a sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo portal UOL com o candidato à presidência do Brasil José Serra. O evento, que estava marcado para às 11h, começou por volta de 11h45, devido ao atraso do sabatinado. A plateia era composta por assinantes do jornal e do portal e estudantes do Mackenzie. Em uma área na primeira e segunda fileiras, estavam nomes significativos do cenário político atual, como o prefeito da capital paulista Gilberto Kassab (DEM), Geraldo Alckmin (PSDB), Orestes Quércia (PMDB) e Afif Domingos (DEM). A presença de políticos do Democratas gerou mais expectativa ainda sobre o vice de José Serra, que foi o tema inicial abordado no evento.





Temas polêmicos foram abordados, como o pré-sal, reforma tributária e a continuidade de programas do governo Lula, especificamente, do Bolsa Família. Porém, temas importantes deixaram de ser enfocados com mais profundidade, ou sequer foram citados, como saúde, e principalmente transportes. O conceito de participação da plateia no evento também é questionável, já que as perguntas foram feitas basicamente pelos jornalistas Fernando Rodrigues, colunista da Folha e do UOL, Renata Lo Prete, editora do Painel, Vera Magalhães, editora do caderno Poder, e Rodrigo Flores, gerente geral de Notícias do UOL. Os internautas e os presentes tiveram pouco destaque nos questionamentos. Mas, segundo Rodrigues, todas as perguntas serão entregues ao candidato e sua equipe. As respostas, que eram enviadas por escrito a um mediador, serão publicadas no UOL e no Folha.com. As perguntas dos usuários online foram enviadas em vídeos de até 20 segundos.


O foco econômico dado ao evento foi ruim. Além disso, José Serra cometeu duas gafes. A primeira, referindo-se à precariedade das estradas federais em Mato Grosso do Sul, foi dizer que "a soja que sai daquela região, de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso do Norte enfrenta dificuldades (...)". Instantes depois se corrigiu. Já a segunda, é tão ou mais grave, e diz respeito a subestimar a capacidade intelectual dos eleitores. Ao ser indagado por Renata Lo Prete se os eleitores entederam a comparação de Luís XIV a Lula, ele foi enfático: "não, é claro que não", com um sorriso de desdém.


Um papel ridículo fez a trupe dos apoiadores de Serra que estavam nas primeiras fileiras. Quando Serra disse que Lula chamava o Bolsa Família de Bolsa Esmola, seus colegas partidários aplaudiram efusivamente e gritaram vivas ao tucano. Mas, o evento teve situações engraçadas também. Um internauta perguntaria a Serra sobre a massiva entrada de produtos chineses no Brasil, e ao invés de no telão aparecer essa pergunta, entra no ar uma adolescente questionando o candidato sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo. Erro, este, que rendeu muitas risadas diante do embaraço gerado aos jornalistas e ao presidenciável.


Um evento muito interessante. Porém, uma das perguntas que eu fiz não teve o tema sequer citado: ela tratava do fato de São Paulo ter sido o Estado que mais gastou com publicidade. Perguntei se esses gastos seriam justificáveis.


Gostaria de ter ido ao evento promovido pela Folha que teve Marina Silva e, espero que Dilma apareça em outra data. Para ler sobre a sabatina clique aqui e para assistí-la na íntegra, aqui.



sexta-feira, 18 de junho de 2010

Obras somente para a Copa

Metrô de SP muda plano após veto a Morumbi para Copa 2014

A decisão da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) de excluir o estádio do Morumbi da Copa do Mundo de 2014 mudou os planos do governo do Estado para as obras do metrô paulistano.

Antes prioritária, a linha ouro, que vai ligar o aeroporto de Congonhas ao estádio do Morumbi e passar por Paraisópolis --uma das regiões mais carentes da capital--, terá novo cronograma. Prevista para 2013, a um ano da Copa, ela deixa de ter data para ser concluída.

Fonte: Folha de S. Paulo

Leia mais aqui

A cada dia que passa fico mais decepcionado com o Brasil. Nunca pensei em, daqui há alguns anos, morar em outro país. Até agora. A cada dia que passa meu desânimo com o que acontece aqui fica maior. Paciência tem limites, Brasil.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

sábado, 12 de junho de 2010

Segurança Pública? Há! Há! Há! (Texto breve)

Uma das propostas de José Serra, se eleito, é a criação de um Ministério de Segurança Pública. O tucano quer melhorar a segurança pública do país. Quando ocorreram aqueles ataques do PCC em São Paulo, em maio de 2006, no dia das mães, quem estava no poder? Ah, era Cláudio Lembo. Vice de quem? Ah, Geraldo Alckmin (que deixou o cargo para disputar o cargo de presidente). Do partido de quem? Hum...José Serra! Se o PSBD-PFL (atual DEM) teve essa incompetência toda para lidar com o maior estado do Brasil, imaginem o que fará com o país se for eleito?

sábado, 5 de junho de 2010

E o tempo levou…

Últimas entregas de trabalhos. Correria para xerocar os últimos textos. E, como não poderia deixar de ser, uma tonelada de papel para ler, reler, sublinar, rabiscar, anotar e todos os demais verbos relacionados a informações escritas. Esse é o prenúncio da semana de provas. Minha primeira em solo Mackenzista. A pressão dessa não se compara a das semanas de prova do colegial. Não há mais fórmulas matemáticas, leis físicas e nem estruturas orgânicas para reproduzir. Os conceitos, agora, são apenas da área de humanas, que por sinal são a minha praia. Mas, por incrível que pareça, bate uma saudade daquela montanha de números, gráficos, fórmulas, elementos químicos...Parece que foi ontem que eu memorizava as estruturas orgânicas, ria das piadas feitas para memorizar as fórmulas...Momento nostalgia, talvez? Ultimamente tem me faltado tempo e inspiração para postar no blog, falhas essas serão corrigidas em julho, período de trégua. Meio semestre já se passou. Foi o que eu disse pro pessoal semana passada: quando a gente ver já vai estar se formando, trabalhando, e o tempo passou. Esse assunto vale um post mais aprofundado, mas agora não posso, vou voltar às Teorias da Imagem...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Votem no GRUPO 22

Link para ver e votar. Vídeo reportagens gravadas em celular. Vote GRUPO 22.

http://dacam.serifos.uni5.net/concursos_dacam.php

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Nossa primeira vídeo reportagem!

Confiram abaixo a nossa primeira video reportagem. Totalmente gravada em celular.
Diego Moura, Paula Suenny, Paulo Gervino e Thiago de Oliveira
Breve, haverá uma votação para eleger as melhores. Assim que sair o link, disponibilizo aqui!







http://www.youtube.com/watch?v=6H8Kon4iihM

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mundo ônibus

19h02 - Parada da Av. Faria Lima - São Paulo - SP

Frio lá fora. Calçada cheia. Pessoas expostas ao vento e à garoa. Objetivo: entrar num ônibus e chegar em casa. Preço da passagem: R$ 2,70. Estudante paga meia. Dois reais e setenta centavos para subir a bordo de um veículo para viajar de pé. Todos têm essa oportunidade? Não.

Um fiscal da SPTrans aparece na janela do lado de fora do ônibus. Tem a aparência de uns 30, 40 anos. Gordo. Mal-humorado, porém educado:

- Pode descer. Você não pediu. Pode sair.

Ele se dirige a um garoto. Treze, catorze anos no máximo. Roupas inteiras, sem rasgos. Sujo. Cor da pele: acentuamente, escura.

- Não vou sair. Ele me disse que eu podia pegar uma carona lá.

- Vai sim! Faz favor! Você não pediu. Entrou por trás sem falar nada.

Uma mulher diz:

- Não sai não.

Murmúrios dentro do ônibus.

Um rapaz próximo à mulher:

- Amiguinho, é melhor você sair. Tá atrapalhando todo mundo. Ou você sai, ou a gente te põe pra fora.

O fiscal chega próximo à porta. O cobrador pede, educadamente, para que o garoto se retire. Este reluta, mas resolve sair. Derrotado. Certamente, como em tudo o que tem feito ultimamente. Onde desceria? Para onde estava indo? Por que estava sem dinheiro e completamente só? Nunca saberemos. Após a descida, o rapaz e uma outra mulher que falava ao celular começaram a debater o caso.
"Ah, se eu não tivesse falando no celular...eu tinha pago a passagem dele" (M)
"A senhora nem sabe...já estive num ônibus em que aconteceu isso e o moleque assaltou" (H)
"O fiscal humilhou ele."
"O moleque mesmo se humilhou quando subiu. Tá errado."
"Mas ele não tem dinheiro. Vai fazer o que?"
"Então por que tá na rua? Tem que defender o trabalhador brasileiro."
"Cada caso é um caso."
"É tudo igual."
"Não custava nada ter deixado ele subir. Uma vez ou outra."
"Eles tem que fazer o trabalho deles. O menino tá errado. Se não para ele, nunca corrige. Sempre vai fazer isso. Você gostaria que chegassem e bagunçassem o seu trabalho pra você ser demitida?"
"O que tem o meu trabalho a ver com isso?"

Após a discussão, a mulher perdeu seus argumentos e foi grossa com o rapaz. Silêncio. O homem desce. Ela e sua amiga continuam o assunto; desconfio que seja por que perceberam que estou tomando notas a respeito.

Pior do que expressar seus preconceitos e estereótipos, como o fez o homem, é agir de forma esquiva: "ah, se eu não tivesse isso", ou "ah...se eu estivesse aquilo". Ao invés de ficar no "e se", por que não agir?

E mais uma pro livro "aconteceu no ônibus".

terça-feira, 4 de maio de 2010

Fácil?

Por que as pessoas preferem os caminhos mais fáceis? Afinal de contas, nem sempre o atalho é a melhor alternativa. Fico profundamente chateado quando optam pelo mais simples em detrimento de algo mais analítico, reflexivo e até subliminar. Ficar no comum ou na superfície, como diria meu ex-professor de História. Brevemente, na minha profissão extrapolar aquilo que é o básico será a regra, e não a exceção. Mas, feliz ou infelizmente, é assim que conhecemos as pessoas que nos cercam. Sabemos o que esperar de cada uma delas. Sim, é um desabafo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

É cada uma…

Que "Brasil Urgente" que nada! "Programa do Ratinho"? Já faz parte do passado! Confiram esse super-programa da TV Vila Velha, emissora a cabo de Ponta Grossa, no Paraná. Notem o requinte do programa e de seu majestoso apresentador...





quinta-feira, 1 de abril de 2010

Novo mundo

Boa noite, pessoas! Estive ausente, mas voltei (espero que tenham notado minha ausência...). Peço desculpas aos leitores. Além de tempo, estive buscando inspiração para escrever. Notem que mudei novamente o "template" - a cara - do blog. Acho que ficou mais agradável de ler.

Mas vamos à substância. Apesar de estarmos quase chegando na metade do primeiro semestre de 2010 não descrevi com maiores detalhes minha entrada na Universidade. Os amigos mais antigos (leia-se: colégio) e familiares souberam com grande detalhamento. No primeiro dia o Trote Solidário: atividade promovida pelo Mackenzie para integrar os "bixos". Segundo dia apresentação do curso, inclusive conhecemos os figurões, aqueles que realmente comandam a Universidade. Oficialmente as aulas se iniciaram dia 10 de fevereiro. Mas esta quarta feira que seria como outra qualquer, foi o dia do trote por parte dos veteranos. O resultado já é conhecido: sujeira e roupa rasgada. Dia inesquecível. Raspei minha cabeça inclusive.

Alguém pode se perguntar o por quê dessa introdução, de fatos que aconteceram em fevereiro, ou seja, há dois meses. É necessária para que eu explique meu sentimento atual. Ao chegar lá, no primeiro dia de aula, me senti pequeno e envergonhado. Tal como no mesmo mês de 1999, quando entrei na primeira série. Muitas pessoas diferentes, nenhum conhecido de longa data - amigo ou professor. Um mundo totalmente novo. As lembranças do colégio ainda muito vivas na mente.

Nesse momento, as lembranças que tenho da minha escola, que foi meu mundo por onze anos, já estão mais distantes. Só restaram na minha mente os fatos mais marcantes, as pessoas inesquecíveis - amigos e amigos-professores. O típico dia-a-dia escolar se foi. Os grandes amigos e os belíssimos momentos permaneceram. As apostilas foram substituídas por inúmeros livros, textos "xerocados". Os trabalhos estão cada vez mais complicados, e a quantidade é cada vez maior. Sem contar as provas.

Nesses dois meses, passei de um aluno recém saído do ensino médio a universitário. Mas as complicações só trouxeram benefícios: mais amigos. Não tão de longa data, mas já tão queridos quanto. Um novo universo. Por meio dos inúmeros trabalhos e das aulas podemos compartilhar pensamentos, risadas, conhecimento. Posso dizer que é como se já os conhecesse há muito!

O sentimento de meus amigos de longa data que também passaram por esse choque na transição é o mesmo que o meu: sinto que sempre estive fazendo isso, apenas isso. O mundo da Universidade parece ter feito parte da minha vida desde...sempre!

quarta-feira, 3 de março de 2010

A exploração da mídia sobre o Haiti

Entender o Haiti não é simples. O que vemos nos telejornais ou impressos é o resultado de séculos de exploração sob o manto da colonização. Qual a primeira imagem que vem à mente quando se menciona o Haiti? Extrema miséria, pessoas, em sua maioria negras, vivendo em condições desumanas, tropas de paz lideradas pelo Brasil, Caribe, turismo e etc. Não se investiga mais a fundo as causas que levaram a esse quadro desastroso. Algumas pessoas acham que esse país fica na África, seja pela degradação econômica e social dos cidadãos, ou pela cor de pele dos haitianos. Poucos sabem que a independência haitiana foi conquistada com uma luta que durou 12 anos e foi empreendida pelos negros escravos. Derrotaram os colonizadores franceses, que perderam seu maior mercado de venda de cativos (na época, contavam com meio milhão de pessoas trabalhando em regime de escravidão), os britânicos e espanhóis que tentaram assumir o controle da ilha. A Revolução Francesa cruzou o atlântico e inspirou o movimento revoltoso. Esse fato surtiu efeito inclusive no Brasil, levando os governantes a acelerar a abolição da escravatura em solo brasileiro e às políticas de embranquecimento da população, com o intuito de evitar que algo semelhante ao Haiti ocorresse aqui.
Já assolado por todas as calamidades impostas por séculos de colonização, recentemente mais uma provação foi imposta ao povo haitiano: um terremoto de proporções gigantescas atingiu a ilha caribenha. As tropas de paz da ONU coordenadas pelo Brasil estão presentes no Haiti desde 2004 para auxiliar na segurança interna e garantir, por exemplo, que as eleições ocorram sem incidentes. Essa mobilização internacional, residente no país, possibilitou o início dos trabalhos de resgate de pessoas afetadas pelo terremoto com imensa rapidez. Porém, dada a precariedade das construções e total despreparo da população para lidar com um tremor tão devastador o número de mortos ultrapassou os 200 mil.
Oras, e qual foi o papel da imprensa? Encontrou-se um assunto que atrai enorme quantidade de pessoas para a frente da televisão, ou para as bancas de jornal e revistas: sangue, morte e destruição. Faltou sensibilidade jornalística para cobrir o assunto com cautela. Fotos de cadáveres foram feitas e veiculadas com grande velocidade pela mídia. Enfocaram com destaque e grandiosidade a ajuda (?) financeira oferecida pelos países ricos ao Haiti. Foi dado um tom de generosidade para migalhas. Jornalistas (?) competiram para conseguir a imagem mais chocante, impactar o público a qualquer preço. Será essa a verdadeira missão da imprensa? Talvez não haja exagero em algumas abordagens? Afinal de contas, não é todo o dia que acontece uma catástrofe como essa, portanto se deve aproveitar ao máximo, extrair todo e qualquer conteúdo da notícia, mesmo que ela fira aquele que sofre. A ideia é mostrar um país de selvagens, mais ainda após esse terremoto, e não procurar mostrar que aqueles que oferecem migalhas são tão responsáveis por todas essas mortes (por meio dos séculos de dominação e empobrecimento do Haiti) quanto a Terra revolta.

Sugestão de Prof. Toni

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Terremotos e terremotos


A mais recente notícia é sobre o tremor de 8,8 graus na escala Richter que atingiu majoritariamente o Chile e com menor intensidade os países vizinhos. Sem dúvida, uma catástrofe que gerou perdas econômicas e, principalmente, de vidas. A outra grande manchete de 2010 foi o terremoto que destruiu (ainda mais) o Haiti, gerando mais de 200 mil mortos. Meu temor é que o Haiti seja esquecido e as atenções de voltem exclusivamente para o Chile. Ambos os tremores destruiram e vitimaram pessoas, mas o que não podemos esquecer é que o Haiti é o país mais pobre das Américas e já não contava com grande estrutura social e política adequadas.

Alguns aspectos técnicos ilustram as diferenças entre os tremores. Apesar de ter tido o valor mais alto na escala Richter, o tremor chileno foi mais profundo, e seu epicentro (local de origem) foi no mar. No caso haitiano, o terremoto (de intensidade 7) foi gerado sob uma cidade e numa profundidade menor.
Além disso, as construções do Haiti eram mais precárias e menos estruturadas do que as chilenas.

O Chile é um país estável e com grande quantidade de recursos para garantir a sua plena recuperação. A ilha caribenha necessita muito mais do apoio internacional. Repito: não estou minimizando a tragédia chilena, mas sim propondo que o Haiti não caia no esquecimento dos demais Estados novamente, desde sua independência.

Para saber mais, a BBC fez uma apresentação ilustrando como se processam os terremotos, clique aqui para ver. Os grandes veículos de comunicação online fazem a cobertura dos desdobramentos do tremor no Chile e no Haiti, basta escolher qual a mídia mais completa no "cardápio".

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Andar de ônibus em São Paulo

Após dias seguidos de um calor abominável, cai a chuva sobre a grande capital. O indivíduo está no ônibus. Em uma posição desconfortável, escora-se de forma precária sobre as grades de apoio de antes da catraca, imediatamente ao lado do cobrador. Mais um dia comum. A cada ponto que vai passando, o veículo enche cada vez mais. Pessoas retornando de seus trabalhos, estudos, passeios. A chuva aumenta. Os grandes pingos de água açoitam as janelas e começam a entrar no ônibus. Reação unânime e imediata: começa-se a lacrar as janelas. Todos os temores de epidemias de gripes suínas parecem ter sido afastados da vista do grande público: no jornal não fala mais, portanto acabou. A temperatura dentro da abominável lata de sardinhas vai subindo: são mais de sessenta aquecedores-humanos a uma temperatura de 36,5 °C. Os vidros começam a embaçar. Os vapores de muitas respirações se misturam. Há um cheiro no ar. Pior do que sujeira, o odor é do descaso, penetra até o ponto mais fundo da alma. Ali, naquele local, seres humanos que pagam um alto valor para circularem por vias esburacadas e cheias de água são obrigados a permacerem de pé, desconfortáveis, imundos, respirando um ar quente, pesado, opressor. O indivíduo observa seus semelhantes. Até que ponto toleram? Cada um com seus pares de fones de ouvido. Alguém atende o celular. Há uma conversa entre dois conhecidos. A chuva vira uma garoa. Mesmo após cessada a queda de água algumas pessoas não abrem as janelas que lacraram. A apatia é tamanha que nem o calor horroroso parece incomodar mais. O indivíduo observa atônito, sem poder fazer coisa alguma. Sua mochila pesa. Ao seu lado há alguns idosos, cujos lugares garantidos por lei estão ocupados por alguém que se julga mais cansado do que aqueles que trabalharam durante muitos e muitos anos. Entra uma mulher com uma criança de colo. O cobrador se levanta:

- Alguém, por favor, podia dar o lugar pra senhora com a criança?

Há um banco ocupado por um homem e uma mulher. A mulher se levanta e dá lugar à sua companheira que traz nos braços um pedacinho de gente que ainda não pode compreender como funcionam as coisas por aqui. O homem que ocupa o lugar preferencial e que não fez menção alguma de ceder o seu lugar finge que não ouve o cobrador:

- De preferência o homem, né?

Chegamos ao destino final. Cada um desembarca e segue solitário, sem se revoltar ou ter qualquer atitude de indignação. O indivíduo que pensou durante sua viagem desce também. O que fazer? Por ora, não há nada o que fazer. Disse bem: por ora.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Brevemente

Amigos e amigas, peço desculpas pela ausência. Agora esse é um Blog universitário. Brevemente de um jornalista graduado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Peço paciência, pois esse período inicial na universidade está um pouco conturbado. Brevemente, voltarei a escrever.

Grandes abraços!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Nem só de belezas vive São Paulo

Se por um lado viver em São Paulo traz muitas comodidades e uma vida artística-cultural repleta de shows, opções de turismo, música para todos os gostos, além dos inúmeros prédios históricos e museus, a agitada rotina paulistana carrega com ela inúmeros males. Além de problemas sócio-econômicos, os índices de doenças relacionadas ao estresse decorrentes das agitações por se viver na cidade grande vêm aumentando significativamente ao longo dos anos. A poluição ocasionada, em grande parte, pelos veículos vitima todos os anos milhares de paulistanos. O excesso de automóveis, caminhões, ônibus e motos contribuem tanto para os problemas já citados, quanto para o trânsito caótico na metrópole. Já virou rotina acompanhar os índices alarmantes de cem, duzentos e, se duvidar, até trezentos quilômetros de vias entupidas de veículos com pessoas desesperadas tentando chegar a algum lugar a qualquer preço. No primeiro texto sobre a cidade de São Paulo falei de uma pesquisa sobre a opinião dos habitantes dessa cidade a respeito da qualidade de vida, e como foi visto, o resultado foi catastrófico.

A falta de segurança é assustadora. A qualquer momento, pode-se morrer vítima de assaltos e demais atividades criminosas. Porém, a violência não se fecha nela mesma. Começa pela falta de oportunidades de emprego, afinal o indivíduo não recebeu a educação qualificada do Estado. Contenta-se com o mínimo, que muitas vezes está abaixo do necessário para se sobreviver. Ao invés de integrar esse indivíduo à sociedade, o que ocorre é justamente o contrário: grades são construídas, e isola-se o "marginal" na parte mais distante possível, para garantir que não haja incômodo. E, de fato, a pobreza tem cor no Brasil: a escravidão negra foi abolida sem nenhum caráter de reparação, o que fez com que a enorme massa de ex-escravos não tivesse o mínimo, sem condições de sobreviver foram postos à margem da sociedade. Isso é notório, especialmente se você resolver passear próximo às favelas. Sem saneamento básico, morando em morros e à beira de rios e córregos, essas pessoas vão sobrevivendo. E o que acontece quando vem chuva? O morro desliza, o barranco cede, rio a baixo. Vidas ceifadas, mas quem se importa afinal de contas? Indignação? Não chega a tanto. Já virou rotina.

As ruas alagadas também já fazem parte do cotidiano. O alto número de moradores de rua é normal. E assim, o paulistano vai assumindo um olhar de indiferença à paisagem. Entremeados nas belas construções, a sujeira está ali. Pessoas são reduzidas a trapos imundos, que devem ser jogados fora, como o lixo pela capital paulista.
A pobreza, não só em São Paulo, já virou banalidade. E assim vai seguindo a vida na grande metrópole, e os contrastes sociais aumentam, quando deveriam diminuir.

Talvez esse ano tudo mude: 2010 é ano de eleição. O prefeito vai inaugurar obras e mais obras, e os candidatos opositores vão mostrar o quão defeituosa foi sua gestão. E mais, vão fazer promessas e traçar planos e rotas para os problemas paulistanos. A partir de 2011 as obras param. Os problemas persistirão, até 2014, quando uma nova eleição ocorrerá, e a mesma situação acontecer. É um ciclo vicioso. Quem nos libertará dele?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Comemoração do aniversário de São Paulo

Os sites dos grandes jornais e portais de notícias trazem inúmeras dicas para aproveitar não só o feriado mas também a semana que se segue. No Guia da Folha você confere inúmeras atrações de homenagem à cidade de São Paulo; o Estadão Online traz a programação em formato de lista/calendário; o Terra, além da data dos eventos, traz uma pequena descrição sobre eles. Agora, se você está afim de conhecer São Paulo, opções turísticas não faltam também. O site Cidade de São Paulo é o maior portal turístico de Sampa, trazendo inclusive um calendário de eventos para o ano todo. Seja para descobrir ou redescobrir pontos da cidade sempre vale à pena sair, desde que seja para visitar museus, ou para andar descompromissado pelo Centro Antigo contemplando as construções que resistiram ao tempo e fazendo um exame da realidade social. Todo o dia é dia de comemorar o aniversário da maior cidade do país: afinal, fazemos parte da construção diária de São Paulo. O que ocorre aqui reflete direta ou indiretamente em nossas vidas. Parabéns São Paulo!

Indico um texto de uma paulistana que ama São Paulo, tanto quanto eu, no Blog Café e cookies: clique aqui para ler

A comida popular paulistana


Inicialmente pensei em fazer um texto expondo sete motivos pelos quais vale à pena morar em São Paulo, e sete pelos quais você fugiria daqui. Resolvi estender um pouco, na verdade bastante. Normalmente, as pessoas começariam contando a história de São Paulo, fazendo uma longa e detalhada biografia dos fundadores com uma sequência enorme de datas de eventos, porém o objetivo não é esse. Não que a História não tenha importância, mas nesse caso o foco é outro, portanto haverá um post com o resumo da parte “técnica” com as informações sobre a fundação de Sampa e "links" de aprofundamento.

O que seria de nós sem alimentação? A comida é a essência da nossa vida, por isso resolvi falar sobre os sabores da gastronomia paulistana. E não falarei de Fasano, Vento Aragano ou Fogo de Chão, mas sim da chamada “baixa” gastronomia, aquela que não é feita nas requintadas cozinhas pelos “chefs” internacionais, nem custam uma fortuna. É da comida popular: churrasco grego, o “dogão”, batatas fritas, pipoca, sanduíche de pernil, churrascos em espetinho e até o carro da tapioca que passa na sua rua, sem contar é claro o yakisoba. O grande pólo da alimentação popular tradicional de São Paulo é o centro antigo, sendo que ano após ano, houve uma expansão para as zonas periféricas e introdução de novos sabores na gastronomia popular paulistana.

Não só as barraquinhas fazem sucesso, mas a grande quantidade de “botecos” que servem iguarias é tremenda.

Quem disse que para comer bem se precisa gastar muito? Por R$ 1,00 você pede um churrasco grego ou kebab (um pão, com ou sem vinagrete, com carne assada em um espeto giratório) e ainda ganha um suco. Pelo mesmo valor você pede um “dogão” – cachorro quente – com inúmeros adereços: purê de batata, diversos molhos e etc.

Não podemos esquecer tradicionalmente do Mercado Municipal: sanduíches de mortadela, pastel de bacalhau, uma infinidade de frutas, às vezes nem a preço tão popular assim, queijos e muitas variedades.

Apesar de ser um símbolo nacional, as comidas vendidas nas ruas são mais sujeitas à falta de higiene do que em ambientes fechados, e observar se o local é limpo e o funcionário trabalha em condições adequadas é importante na hora de apreciar esses requintes feitos a valores tão acessíveis.

No início do século XX, os redutos de comida, hoje, considerada exclusivamente do povo eram freqüentados pela elite da época na região central de São Paulo. Eu estou devendo comer um churrasco grego, falha minha. É comer para crer. E, como eu aprendi, é importante provar do alimento antes de criticar e criar preconceitos.

Para saber mais sobre a história do churrasco grego clique aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

São Paulo de antigamente em fotos

Apresentação baseada em SampaArt. Site com inúmeras informações sobre São Paulo. Confira para saber mais sobre a cidade.