“A PM exerceu e desempenhou um serviço admirável que é motivo de orgulho para todos nós”
janeiro 28th, 2012 by
RespondGerson Carneiro, via twitter foi quem me chamou a atenção para as declarações da juíza que autorizou o despejo dos moradores do Pinheirinho :
Como disse o jurista Walter Maierovitch é um verdadeiro escárnio em nosso nome.
Este, por exemplo foi o tratamento especial dado a esta senhora com câncer de mama, moradora do Pinheirinho. Foto: Folha
domingo, 29 de janeiro de 2012
Massacre do Pinheirinho: cinismo da juíza (?)
sábado, 28 de janeiro de 2012
BBC visita pela primeira vez a Vila Olímpica em Londres
Jornalistas também choram
sábado, 31 de dezembro de 2011
Pequeno balanço de 2011
Foi o tempo de domar o indomável. Pelo feito e, principalmente, pelo não feito. Ou pelo mal-feito, ou pelo bem-feito.
Agora é tempo de desejar, prometer aquilo que cumpriremos e aquilo que trancaremos na última gaveta. Tempo de descartar. De reciclar. De repensar. De arrepender-se ou de se confirmar. Tempo de agarrar esperanças para o ano vindouro. Tempo de esperar, de registrar e de lembrar. Tempo de oportunidades.
Tempo de relembrar o colégio que não volta. A faculdade que chega ao meio. E ao mundo do trabalho que se aproxima.
E de lembrar que mais um ano se foi e mais um se aproxima. Óbvio? Tão óbvio que não percebemos: o tempo passa. Todo o ano é diferente mas é igual. É igual mas é diferente. Se não partir de nós a mudança não espere do outro. Nunca espere do outro aquilo que deve vir de você. Nem espere do outro o que é do outro. Dois mil e onze me comprovou algumas teses. Amigos verdadeiros sabem apontar erros. E, se for esperto, você mudará.
Mudar é difícil. Mas permanecer pode ter um custo muito alto. Preço que não devemos pagar. E não podemos.
Estes são meus votos para 2012: mudanças. Que o errado mude, corrija-se. Para assim termos um ano verdadeiramente transformado.
Que as mudanças sejam para melhor. Sempre. E, aqui agradeço, a todos os familiares e grandes amigos e amigas que percorreram comigo 2011. E 2010. E 2009...Os quais espero que permaneçam comigo, aliviando os fardos da longa caminhada, ajudando a manobrar o barco em meio à tempestade e estejam ao meu lado para compartilhar os louros das enormes vitórias ainda por conquistar e para chorar os inevitáveis fracassos.
Dedico aquilo que foi excelente em 2011 aos verdadeiros amigos, vocês me proporcionaram momentos inesquecíveis. Tenham todos uma excelente virada de ano.
Um enorme abraço,
Disimo
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
VÍDEOS: Liberdade de imprensa não é o mesmo que liberdade de expressão
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Falha na Linha Amarela, da Via Quatro: eu estava lá
domingo, 23 de outubro de 2011
Por essas e muitas outras sou fã do Caco Barcellos
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
FLAGRANTE: Carro estacionado na vaga de deficiente
| Optei por borrar a placa já que não consegui falar com a infratora |
Constituição, democracia e o editorial do Estadão
O art. 5º, inciso LVII, da Constituição Federal de 1988, é bem claro e diz que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”. A Carta Magna não faz exceções à classe política.
“A acusação, divulgada no fim da semana pela revista Veja, deixou Orlando Silva sem condições de continuar no cargo. Ele pediu à Polícia Federal que investigue o caso, que certamente acabará nos tribunais. Mas, no âmbito da política, o princípio da presunção de inocência não se aplica nem se pode esperar que sentenças transitem em julgado”.
sábado, 15 de outubro de 2011
Homenagem aos verdadeiros Mestres
contato.
Roseli, que depois de perder contato, me achou há pouco tempo pelo Facebook. Doce, amiga dos alunos, bastante próxima e muito querida por todos. Deixou saudades quando passamos à terceira série, mas nunca deixava de nos observar, já que as salas eram perto. Hoje, ela mora no Espírito Santo.
Cristina. Um pouco mais séria, mas não menos divertida. Quando foi nos ensinar fração, pediu que trouxéssemos bolos, chocolates etc. para que a gente aprendesse na prática! Foi uma aula inesquecível. Ainda trabalha no meu colégio, mas, como faz tempo que não tenho notícias dela, é provável que já tenha se aposentado.
E Lizani, a última professora do período. Foi o ano de encerramento do ciclo de uma professora que nos acompanhava o ano todo, e a passagem para o desmembramento das disciplinas em múltiplos professores. Sua paciência e habilidade em solucionar conflitos foi bastante útil em algumas pendengas que tive com alguns amigos naquele ano - mas nada que não tenha sido prontamente superado. Também foi apoiadora do nosso "Clube de Pesquisas Espaciais" - chegamos a furar a segurança de áreas do colégio para observar o céu! Ela se mudou para a Inglaterra para acompanhar a missão do marido, o pastor Arno.
É incrível como essas cinco mulheres acima me marcaram! Como esquecer verdadeiras mestres? Pessoas que contribuíram fortemente para o que sou hoje.
Além de pessoas incríveis, foram professoras incríveis. E aí é que está a diferença entre ser professor de fato e encarar a profissão como um mero ofício, mera técnica.
Elas nunca acharam que sabiam tudo e nós, nada. Pelo contrário: sempre consideraram que cada aluno é um ser humano único, cujas possibilidades de aprender e ensinar são ilimitadas e infinitas.
Muito nos ensinaram, mas aprenderam também. O ensino é uma via de mão dupla, nunca é unidirecional, como alguns querem fazer crer. E é importante deixar claro que a disciplina nunca foi sinônimo de autoritarismo ou intransigência,, mas ao contrário. Relações baseadas em profissionalismo, mas, acima de tudo, em respeito, carinho e dedicação verdadeira à causa a qual se propuseram: ensinar.
Portanto, meus mais sinceros parabéns aos verdadeiros Professores. Àqueles que merecem serem chamados assim, afinal SÃO professores, e não empregados de uma indústria, como parecem pensar alguns.
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Dediquei esse post a essas professoras em especial, mas ele é extensivo a todos os bons professores que tive durante o ensino fundamental e médio:
Laudelino Aparecido (Matemática), Márcia Siqueira (Português), Célia Pilz (História), Ângela Maria da Silva (Geografia), Eric Nakano (nosso coordenador de sala durante todo o ensino médio, Física/Matemática), Wilson Ferreira (História), Gilmar Peyerl (Química e Ciências, durante o Fundamental), Luiz Cassanho (Geografia), Sami Lopes (Matemática), Adriano 'Gontijo' (Inglês), Murilo de Assis e Cássio 'Geladeira' Silveira (Gramática e Literatura), Pr. Jones Marlow (Cultura Religiosa), Diógenes Mathioli (Biologia), Dagmar Amsberg (Artes), Edson Eller (atual coordenador, mas que em 1999, dava aula de informática e nos apresentou ao Google). Domênico e Carmen (Educação Física).
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
VÍDEO:Exército bate e censura no Complexo do Alemão
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Explosão em 1996 deixou 42 mortos em shopping da Grande São Paulo
E o que é pior: não se descobriu agora, o problema se arrasta desde o ano passado. As medidas tomadas não diminuíram a concentração do metano, e uma explosão é iminente.
Quem diz isso é a CETESB. O shopping contesta. Mas, afinal, será que nesse embate os freqüentadores do Center Norte e arredores estão seguros? Aliás, não seria o momento de rever todas as construções construídas sobre antigos aterros? Ou vão esperar explodir, para ficar ainda mais evidente que o forte das autoridades paulistanas é a negligência?
Veja aqui a cobertura dos 15 anos da explosão do portal do Estado.
Em tempo: Center Norte ganha liminar e fica aberto.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
E perguntam porque vai mal o jornalismo
Estudantes de comunicação escrevem mal e perdem para os da área de exatas
Izabela Vasconcelos
Uma pesquisa indicou que os estudantes de Comunicação Social têm pior desempenho na escrita do que os universitários da área de exatas, como Engenharia, por exemplo. No estudo, os engenheiros obtiveram a melhor avaliação e 87,5% conseguiram passar nos testes. Na outra ponta estão os alunos de Comunicação, 65,3% deles foram reprovados. A pesquisa foi conduzida pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), centro de recrutamento e seleção de estagiários.
O teste foi feito entre 1 de janeiro e 31 de agosto de 2011 e dez mil candidatos a vagas de estágio realizaram um ditado de 30 palavras, que permitia até seis erros. Dentre as palavras avaliadas estavam: desajeitado, autorizar, exceção, seiscentos e anexo.
Para a coordenadora de Recrutamento e Seleção do Nube, Natália Caroline Varga, a constatação surpreendente é o retrato da falta de candidatos qualificados para as carreiras que elegeram. “Isso nos mostra um pouco como está o mercado: temos muitos candidatos, mas poucos qualificados para algumas áreas”, explica.
Segundo ela, muitos estudantes ainda não têm noção da área que escolheram e não investem na leitura e escrita. “Muitos escolhem a profissão sem ter noção do que acontece no dia-a-dia. Alguns escolhem Jornalismo achando que vão apenas aparecer na TV e não fazer vários tipos de matérias diferentes, como acontece”.
Natália também acredita que os estudantes se preocupam com outros idiomas e cursos, mas esquecem da própria língua. Por outro lado, gastam muito tempo com entretenimento. “Os estudantes passam horas nas redes sociais, o que não ajuda na melhora do Português. Também falta incentivo à leitura nas escolas e nas próprias universidades”, conclui.
sábado, 17 de setembro de 2011
VÍDEO: Disciplina na escola
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
VÍDEO: Mulher xinga deficiente na Paulista
Na Avenida Paulista mulher xinga deficiente de lixo, de macaco
A Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, tem a cada dia que passa, se reafirmado como palco de preconceito, racismo, homofobia em nosso país.
A agressão foi dirigida a um morador de rua paraplégico.
Felizmente ela foi presa e autuada por crime Inafiançável de Racismo e Maus Tratos.
Lamentável e enojante!
terça-feira, 13 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
ESPECIAIS: Good bye, New York City
Good bye, New York City
sábado, 20 de agosto de 2011
ESPECIAIS: Uma volta pelo Lincoln Center
Uma volta pelo Lincoln Center
| Lincoln Center |
| Lincoln Center |
| Metropolitan Opera |
| Metropolitan Opera |
| Avery Fisher Hall |
| David H. Kock Theatre |
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Como a Educação é vista
Matheus Sanchez, no Facebook.
sábado, 13 de agosto de 2011
ESPECIAIS: Empire State e World Trade Center
Empire State Building e World Trade Center
Por Camila Savioli
| Freedom Tower |
| World Financial Center - interno |
Por último, vou falar do World Financial Center. Esse prédio foi concluído em 1986 com 51 andares e fazia parte do complexo WTC com as ex-torres gêmeas. Foi muito danificado com a queda das torres. No complexo fica um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, o Winter Garden. Nas fotos que serão disponibilizadas, vocês irão ver que esse lugar é lindo e tudo foi destruído com os ataques. Em dois anos, eles conseguiram recuperar tudo. Achei demais.
| Veneza |
50 anos, muito tempo
Você consegue mensurar o que são cinquenta anos?
Meio século. Mais de 18500 dias. Ou 438 mil horas. Ou ainda 26280000 minutos. Minha humilde vida não tem nem a metade desse tempo todo.
Hoje foi a missa de comemoração dos 50 anos do casamento dos meus avós maternos. Não preciso nem dizer: emoção pura. Meio século de carinho, respeito e muito amor. O que sou hoje devo muito, mas muito mesmo a vovô e vovó.
Fica até difícil comemorar, pois o casamento deu-se em três datas: a fuga, em janeiro de 1961 (meu bisavô era contra o casamento, então meu avô, pilotando num Jipe, num dia chuvoso, fugiu com minha avó), o casamento civil em março, e o religioso no mês seguinte.
História cinematográfica. E cada vez mais rara. Nem tanto pela questão da fuga - hoje, foge-se a todo instante e com qualquer um. Essas comemorações, e o forte abraço emocionado que dei no casal no final da celebração, me fizeram pensar em quão banal está nosso mundo.
Troca-se de marido e esposa como se troca de cueca. São cada vez mais raros os casais que alcançam longas datas juntos - e na mesma proporção aumentam os casais separados, cujos casamentos tornaram-se infernais ou simplesmente se desgastaram. Em dois, três anos, muitas vezes o "laço eterno" ou o "que a morte os separe" é desfeito como se nunca tivesse existido. Onde fica o amor? Por que as coisas não dão mais certo e duram mais?
Claro, eram outros tempos. A coisa era completamente diferente, a maneira de encarar as relações: elas eram para a vida toda e não meras letras assinadas num cartório. A palavra assumida diante do padre, pastor, juiz era levada à sério.
Estamos condenados ao mundo do rápido e do instantâneo, onde o duradouro não é mais possível.
Os laços indissolúveis da união não passam de um pacote de comida congelada: consumo efetuado, embalagem descartada.
E vocês, que acham disso?
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Gaza às escuras na comunicação
Palestina: Escavadeiras israelenses consideradas responsáveis por cortar comunicação de Gaza
Tradução publicada em 10 Agosto, 2011 0:53 GMT · Veja o post original [en]
O egípcio Mohamed El Dahshan estava entre os primeiros a noticiar:Escrito porAmira Al Hussaini
Traduzido porRaphael Tsavkko Garcia
Relatos de um apagão total das telecomunicações estão aparecendo online em Gaza. No Twitter, os usuários estão culpando escavadeiras israelenses pela interrupção. Aqui está parte da conversa.
@TravellerW: BREAKING - Israeli bulldozers break cables, sever ALL COMMUNICATIONS- mobile, landline, internet -from Gaza! http://t.co/ASIIQ1W #Palestine
URGENTE - Escavadeiras israelenses destruíram cabos, interrompendo TODA COMUNICAÇÃO - celular, linhas fixas, internet- de Gaza! http://t.co/ASIIQ1W #Palestine
JalalAK_jojo esclarece:@JalalAK_jojo: Note: It's been almost 6 hours since Gaza went into a sudden communication blackout due to Israeli bulldozers communication networks.
Nota: Já faz quase seis horas desde que Gaza entrou em um apagão súbito de comunicação [causado] por [ação de] escavadeiras israelenses [nas] redes de comunicação.
E o jornalista israelense Joseph Dana se mostra confuso:
@ibnezra: According to reports on twitter, communications from Gaza have been cut off. Unclear if it is Israel which cut them offDe acordo com relatos no twitter, as comunicações de gaza foram cortadas. Incerto se foi Israel quem cortou.
Da Jordânia, Ali Abunimah confere se algum de seus amigos palestinos consegue ler seus tuítes@avinunu: Friends in Gaza can you read this? Report that Israel has cut off all phone/internet communications
Amigos em Gaza, vocês conseguem ler isto? Relatos de que Israel cortou toda comnicação por telefone/internet
Benjamin Doherty posta, com a mesma preocupação:
@bangpound: I’m checking up on my Gaza tweeps and none have said a thing in the last hour or so…
Estou conferindo meus seguidores em Gaza e nenhum falou nada na última hora ou mais…
E Andy Carvin, estrategista da NPR, respondeu:
@acarvin: @bangpound Twitter proximity search around Gaza. Not much posted. https://twitter.com/#!/search/near%3A%22gaza%22%20within%3A10mi
@bangpound Pesquisa do Twitter de proximidade em volta de Gaza. Não há muito postado. https://twitter.com/#!/search/near%3A%22gaza%22%20within%3A10mi
Dos EUA, Darryl Li tuíta sobre sua tentativa de contactar vários telefones fixos em Gaza, sem muito sucesso.@abubanda: Have tried dialing multiple landlines in #Gaza via skype, including UN offices, getting error messages — not even ringtones.
Tentei discar para muitos telefones fixos em #Gaza via skype, incluindo escritórios da ONU, recebendo mensagens de erro - os telefones nem tocam
Ele continua:
@abubanda: So far, mobiles in #Gaza I have called have been giving me standard non-service messages
Até agora, os celulares em #Gaza que eu tentei ligar tem me dado as mensagens padrão de fora de serviçoE meia hora depois, ele acrescenta:
@abubanda: Still not getting any ringtones in #Gaza, except in one high-level UN office (sep network?). Have tried >30 numbers, landlines & mobiles
Ainda sem conseguir sequer que telefones toquem em #Gaza, exceto um escritório de alto nível da ONU (rede separada?). Tentei mais de 30 números, telefones fixos e celulares
Enquanto isso, Leila está com raiva e pede por ação:
@LSal92: Unbelievable! Israel is trying to completely shut off Gaza from the rest of the world. Stop your silence! Speak up! #Gaza
Inacreditável! Israel estátentando desligar completamente Gaza do resto do mundo. Acabem com o silêncio! Protestem! #Gaza
Em um pequeno artigo, Maan News também culpa (Ar) escavadeiras israelenses por cortar cabos e propiciar o apagão.
Para entender a 'guerra civil' em Londres
Do Diário do Centro do Mundo
Como Entender Os Tumultos De Londres
9th agosto 2011 written by Paulo Nogueira
Uma pessoa salta de um prédio incendiado nos tumultos na Inglaterra
A discussão é familiar aos brasileiros. Vandalismo nas ruas: a direita afirma que os direitos humanos como que imobilizam a polícia e facilitam a ação dos meliantes. A esquerda afirma que a exclusão social é a origem dos problemas. A verdade está parcialmente contida em cada uma dessas duas visões.
Falo dos tumultos que assombram Londres desde a noite do último sábado. O que deflagrou o caos foi a morte pela polícia de um homem negro chamado Mark Duggan no bairro londrino de Tottenham. A namorada, a família e os amigos do morto dizem que ele era um homem de bem. A polícia tem outra versão: era um traficante de drogas e membro de uma gangue criminosa. Estava sendo procurado pela polícia. A página de Duggan no Facebook parece confirmar a versão policial, consideradas algumas fotos e informações, mas a controvérsia ainda está aberta. Indiscutível é que Duggan, na quinta-feira passada, foi morto pela polícia. Ele estava num minicab – um tipo de táxi de segunda linha de Londres — quando foi abordado. Foi baleado e morto – depois de atirar primeiro, conforme diz a polícia. Não há prova de que isso tenha acontecido.
No sábado, um protesto pela morte de Duggan que começara pacificamente em Tottenham acabou degenerando em violência. Fogo em veículos e prédios, saques em comércio, enfrentamento com a polícia. Nos dias seguintes, o caos se espalhou por outras partes de Londres e da Inglaterra. Pode ter havido aí, sobretudo em outras cidades que não Londres, um fenômeno que em inglês é conhecido como copycat – a imitação de crimes.
Férias importantes – agosto é o mês em que as pessoas costumam sair na Inglaterra, o auge do verão – foram abortadas. O primeiro-ministro David Cameron e o prefeito de Londres Boris Johnson retornaram abruptamente à cidade. O policiamento foi substancialmente reforçado em número e em força. Era cogitado ontem o uso de balas de borracha para enfrentar as multidões vândalas. O impasse aí é que, se houver novas mortes por uma polícia mais armada, a confusão pode crescer em vez de cessar.
Por trás de tudo está um quadro de tensão social e racial que se exacerbou, nos últimos anos, por duas razões. Uma é a crise econômica que se colou na Inglaterra e na Europa já faz alguns anos. A outra é o terrorismo islâmico – que levou o inglês médio a ver com desconfiança e desagrado gente que não pareça com ele. Imigrantes e estrangeiros passaram a ser vistos como uma espécie de ameaça.
Duggan era negro. Tottenham tem uma forte comunidade negra.
Manifestantes ouvidos pelo jornal Guardian disseram que a polícia – os feds, no jargão das ruas – trata muito mal os negros. Algumas pessoas justificaram sua participação nos protestos dizendo que simplesmente “não tinham dinheiro”.
Que os negros ocupam uma posição secundária na sociedade britânica é fato. Nos Estados Unidos, movimentos combativos nos anos 50 e 60 – liderados por gente como Malcom X – ampliaram consideravelmente o espaço dos negros. Obama é fruto disso.
Na Inglaterra, apenas em 2002 um negro ocupou um ministério pela primeira vez. Hoje, no governo de Cameron, todos os ministros são brancos. O racismo na Inglaterra jamais foi tão sinistro como nos Estados Unidos. Mas em compensação os negros entre os britânicos jamais deixaram a periferia política e econômica.
Os tumultos dos últimos dias refletem exatamente um quadro de frustração que – até aqui – era quase sempre silenciosa.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Cinema na Laje
Cinema na Laje mostra a cara da periferia
Com pipoca e lanterninha, festival reúne obras de jovens da região do Jardim Ângela
08 de agosto de 2011 | 0h 00
Valéria França - O Estado de S.Paulo
O clima não poderia ser mais nostálgico. No alto de um morro, em um ponto que poderia funcionar como um mirante, será estendida hoje uma tela de projeção a céu aberto. Vai ter pipoca de graça e um lanterninha para ajudar os convidados a se acomodarem nas cadeiras de plástico para assistir à 1.ª Mostra de Cinema na Laje no bar do Zé Batidão, no Jardim Ângela, zona sul da cidade.Tiago Queiroz/AETelão. Moradores acompanham filmes e documentários independentes que foram realizados por jovens da região
Na tela, não haverá romance. O público verá filmes e documentários independentes, de baixo custo, produzidos por jovens dos arredores, que encontraram no cinema um meio de expressar a visão sobre temas que vão desde problemas sociais, como falta de moradia digna, à arte do grafite e do hip-hop.
O Cinema na Laje se inspirou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que reúne produções independentes do mundo inteiro. "Não tem nada a ver com o que se vê nas salas comerciais de cinema", avisa o poeta Sérgio Vaz, idealizador da temporada.
Arte. "Um evento como esse é legal porque reproduz o panorama denso da periferia", diz Daniel Fagundes, de 24 anos, curador do projeto. Estudante de pedagogia e cinegrafista, ele pertence ao Núcleo de Comunicação Alternativa (NCA), um coletivo que está na mostra com o filme Olhares Extremos, Grajaú em Cena. O documentário de 34 minutos registra a discussão sobre a influência da arte no contexto em que vivem.
E a arte tem um impacto grande na região. O cineasta Rogério Pixote, de 23, por exemplo, é um dos jovens do Jardim Ângela que todo sábado vão à redação do Papel Jornal, ONG formada por profissionais liberais que dão oficinas de texto, design e fotografia. Pixote é formado em Multimeios pela Pontifícia Universidade Católica e assina a direção de Amanhã Talvez, baseado em um conto homônimo de Vaz.
O filme conta a história de Asdrúbal, um trabalhador que sai todos os dias às 18 horas do emprego e chega às 23 horas em casa de cara cheia. Ouve queixas da mulher e se conforta em frente à TV, até que um dia encontra o anjo da morte. O primeiro trabalho do jovem diretor foi o documentário 2 meses e 23 minutos, filmado em um assentamento do MST em Itapecerica da Serra.
"Aqui na periferia temos jovens que fizeram faculdade, mas eles são os primeiros de uma linhagem que conseguiu concluir um curso superior", diz Vaz. "A mostra é uma forma de provocar. A periferia fica muito excluída dos processos culturais. Por isso, ela acontece em um bar. " Mas não em qualquer bar.
Centro cultural. O cinema será exibido na laje de José Rosa, mineiro de 63 anos, mais conhecido como Zé Batidão, que deixou seu espaço ser transformado em uma espécie de centro cultural da região. Ao lado do balcão de bebidas, há uma biblioteca com mais de mil títulos que a vizinhança pode consultar ou levar para casa e devolver depois.
No bar, toda quarta-feira, 250 pessoas ainda comparecem aos saraus literários. Entre os adeptos estão o MC e compositor Cocão, de 32 anos, que nasceu no Jardim Angela e até pouco tempo trabalhava como operário de uma grande indústria. "Sempre gostei de música, e um dia ouvi dizer que aqui no bar rolava uma coisa muito louca. Era o sarau."
Cocão só observava. "Um dia tomei coragem e fui lá na frente declamar os meus raps. E foi muito bom." Hoje, o músico trabalha com Vaz e uma equipe de 10 moradores da região, que formam uma espécie de diretoria da Coperifa, que organiza todos os eventos culturais realizados no bar do Zé Batidão.
"A ideia é incentivar as pessoas a entrar em contato com a literatura", explica Vaz. Os participantes se emocionam, choram, e descobrem que podem ser reconhecidos e valorizados pela comunidade pelo que fazem. "Um senhor veio no sarau e depois de se apresentar disse que nunca tinha sido aplaudido antes na vida", conta Zé.
O sarau está completando dez anos. E a mostra de cinema, que, foi organizada para comemorar a data, acontece todas as segundas-feiras até 5 de setembro.
ALGUNS FILMES
Vídeo e Luta Popular
O filme debate o projeto de revitalização do centro de São Paulo, além de mostrar o cotidiano de quem luta por uma moradia digna. Hoje.
Felisburgo
A partir da invasão do acampamento Terra Prometida, em Felisburgo (MG), quando cinco trabalhadores foram mortos, o documentário fala da violência no campo e reforma agrária. Hoje.
Ficção contra a realidade
Depois de tantas dificuldades, a trupe autodenominada Fulero Circo, formada por desempregados e trabalhadores ocasionais, viajou pelo Brasil para apresentar sua peça O mistério do novo. Dia 15.
Olhares extremos - Grajaú em Cena
Artistas do distrito do Grajaú, na zona sul de São Paulo, discutem como fazer um documentário e qual o potencial de sua arte no contexto em que vivem e trabalham. Dia 22.
Tragicomédia Brasileira - O Incrível Encontro
No aniversário de 500 anos do Brasil o CETE (Centro Experimental Teatro Escola) e o ator e diretor Antônio Pedro convocam diversas pessoas para uma experimentação teatral coletiva. Dia 29.
O Sequestro da Cultura Brasileira
Filme de ficção sobre a "alta cultura" versus a cultura das ruas. Dia 29.
Cultura de Rua - Nos tempos da São Bento
Rodado entre os anos de 2007 a 2010, é um documentário que busca a memória coletiva do hip-hop. Dia 5 de setembro.
Linha de Ação
Primeiro episódio de uma série de crônicas sobre culturas urbanas e arte coletiva nas periferias do mundo. Dia 5 de setembro.
Serviço
1ª MOSTRA DE CINEMA NA LAJE. RUA BARTOLOMEU DOS SANTOS, 797, JD. ÂNGELA, ALTURA DO Nº 1000 DA EST. DO M´BOI MIRIM. ÀS 20H, DE HOJE A 5/09.
