Mostrando postagens com marcador tv cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tv cultura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de agosto de 2011

ESPECIAIS: Língua portuguesa e brasileira?

Lusofonia: uma força ignorada, uma união despercebida


Por Luiz Nascimento*


Dando sequência à série especial “Desvendando Portugal”, tratarei neste texto da lusofonia, da língua que une Portugal e Brasil. A Língua Portuguesa talvez tenha sido o maior legado deixado por Portugal ao Brasil após a colonização. Graças ao período das Grandes Navegações e das descobertas lusitanas, hoje o Português é a língua oficial de oito países ao redor do mundo, sendo a 6ª língua mais falada do planeta. Há cerca de 270 milhões de pessoas que falam português ao redor do mundo. Deste total, praticamente 190 milhões situam-se no Brasil.


Desacordos nas alterações da língua


O legado deixado pelos portugueses há séculos faz do Brasil o maior país que possui o Português como língua oficial, ultrapassando com muita sobra o próprio país de Fernando Pessoa. No entanto, no último século mais especificamente, houve muitas discordâncias e desentendimentos entre os países falantes da Língua Portuguesa. Talvez o mais polêmico destes entraves tenha sido o mais recente Acordo Ortográfico, elaborado em 1990, mas em período de adaptação neste momento, em todos os países lusófonos.


O descontentamento foi muito grande por parte das populações em questão, principalmente em Portugal e no Brasil. Tanto lá como cá, vozes divergentes tiveram espaço e fizeram barulho, gerando até uma certa desunião e desconfiança de um país para com o outro, mais um motivo para um dos vários conflitos sem necessidade e fundamento. Revoltas após acordos ortográficos são naturais, acontecem “desde que o mundo é mundo”. Fernando Pessoa, por exemplo, viveu um período de mudanças na língua e foi contra a abolição ‘ph’ para dar lugar ao ‘f’, assim como achava uma absurdo a palavra ‘lágrima’ não ser escrita como ‘lágryma’, para que se tivesse no ‘y’ a noção de uma lágrima escorrendo.


Independente do momento e do contexto, mudanças na língua geram discordâncias. O grande problema talvez tenha sido a motivação para tal mudança, que estava prevista para acontecer duas décadas antes.  A mudança acabou se dando muito mais por influências políticas que propriamente lingüísticas, tendo no Brasil o principal apoio a essa mudança. Muito se foi discutido, mas talvez a grande revolta por parte de Portugal tenha se originado do fato de que praticamente nenhuma reivindicação de mudança feita pelos portugueses foi atendida. Quase a totalidade das mudanças foi proposta pelo Brasil.


Portugal tinha voto de peso nessa decisão - por mais que os números de falantes fossem incompatíveis - e os países africanos seguiram a pátria-mãe da língua. Por isso a demora foi grande, mas no final, todos acabaram se rendendo àquele que possui mais da metade do número de falantes, o Brasil. No entanto, este não é o ponto da discussão. O grande problema não está nas mudanças trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico, mesmo porque não foram enormes mudanças a ponto de mudarem o rumo da língua – apesar de algumas desnecessárias e problemáticas -, mas sim no modo como os países falantes do Português tratam a 6ª língua mais falada no mundo.


Rivalidades


Há que se deixar de lado qualquer rivalidade ou revanchismo histórico entre Portugal e Brasil ao se falar da Língua Portuguesa. A língua não mais mudará, portanto, há que se caminhar em conjunto para o fortalecimento da Língua Portuguesa ao redor do mundo. Algumas semanas atrás, o escritor português nascido em Angola, José Eduardo Agualusa, foi sabatinado no programa televisivo Roda-Viva, da TV Cultura de São Paulo. O principal assunto que tomou grande parte da entrevista decorreu-se da forma como Portugal, Brasil e os países africanos tratam a Língua Portuguesa.







Agualusa, que transita entre Portugal e os povos africanos, principalmente Angola, mas que também tem estreita ligação com o Brasil por ter seus livros frequentemente publicados por aqui, apontou as grandes falhas dos países lusófonos. É sabido que há duas forças em combate quando se fala em Língua Portuguesa, de um lado está Portugal e os povos africanos, do outro está o Brasil. Até pela proximidade do modo de falar e pela entrada de livro em seus países, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Timor Leste e São Tomé e Príncipe, unem-se a Portugal em qualquer assunto referente à Língua.



Seguir a "Pátria-Mãe"


Dos países que tem o Português como sua língua oficial, com exceção do Brasil, todos seguem a linha de Portugal tanto pela proximidade da fala e da escrita - com menos variações apesar das línguas nativas - quanto pela entrada de livros e quaisquer tipos de origem lusófona. O que é preciso deixar de lado, no caso, isso para todos os países, é que todos eles falam e escrevem a mesma língua, se comunicam por meio da mesma língua. Por mais que hajam muitas variações entre o “Português de Portugal” e o “Português do Brasil”, por exemplo, ambos falam Português. Assim como existem diferenças internas entre regiões de Portugal e regiões do Brasil, também há diferenças entre os dois países.


As mudanças a serem feitas na Língua precisam levar em conta a evolução do próprio Português, e não a valorização deste ou daquele, não o predomínio de um povo sobre outro. Todos falam a mesma língua e todos têm o direito do respeito. Porém, o mais importante nesse contexto todo é pensar na Língua Portuguesa de forma universal e em sua força no mundo. Afinal, falamos de uma língua com milhões de falantes ao redor do planeta, países espalhados pelo mundo e que merecem atenção e reconhecimento pela língua que falam.




[caption id="attachment_2304" align="aligncenter" width="420" caption="Desafios da Língua: lá fora e aqui dentro"][/caption]

Um dos pontos mais abordados pelo escritor Agualusa nesta excelente sabatina que já citei anteriormente foi a preocupação dos dois mais fortes países quanto ao trabalho de ambos para fortalecer a Língua Portuguesa a nível mundial. O escritor ressaltou que apesar de ter 190 milhões de falantes e um território geograficamente gigantesco frente a Portugal, é o país de Camões que ainda capitaneia essa luta para a proliferação da Língua Portuguesa no mundo. O mundo, de um modo geral, ainda enxerga o Português como a língua de Portugal, reconhecem a Língua Portuguesa por ser de Portugal.


Segundo Agualusa, Portugal possui o Instituto Camões. Tal instituto, por exemplo, tem o intuito de traduzir livros de autores portugueses para outras línguas e assim proliferar o nome dos escritores lusos ao redor do mundo, valorizando assim, por conseqüência, a Língua Portuguesa. Agualusa ressaltou que, no Brasil, apenas os grandes escritores possuem seus livros traduzidos e exportados, e por iniciativa própria ou com ajudas externas, que não de seu próprio país. Ou seja, Portugal trabalha no sentido de valorizar seus escritores ao redor do mundo, para assim fortalecer a sua língua. Enquanto isso, mesmo com uma literatura riquíssima e com milhares de escritores qualificados, o Brasil não toma esse tipo de iniciativa.


Agualusa ainda realçou que Portugal usa a Língua Portuguesa para ter uma proximidade maior com os países africanos, coisa que o Brasil não faz. Nesse sentido, se ressaltam todos os aspectos, até mesmo os políticos. Brasil e Portugal ainda não perceberam que precisam se unir em prol da Língua Portuguesa. Enquanto Portugal resiste para admitir a força que o Brasil possui entre os lusófonos, o Brasil ainda não se atentou para o fato de que pouco faz para valorizar sua língua, assim como não enxergou ainda que terá de tomar a frente nessa luta, quem precisa liderar, ainda mais nesse momento econômico, a valorização mundial da Língua Portuguesa, é o Brasil.


Brasil e Portugal


E o Brasil não pode e nem tem como agir sozinho. Ao mesmo tempo em que precisa liderar essa luta por uma valorização da Língua Portuguesa, o Brasil precisa se unir a Portugal, que é a porta de entrada para a Europa, que ainda possui a reputação do grande pátria do Português e que já possui um trabalho solidificado neste sentido. Enfim, a língua precisa ser encarada como fator de união e ferramenta para a valorização de suas nações falantes. A língua de Camões possui uma riqueza e uma força incompatíveis com a importância que recebe de seus próprios falantes.


* Luiz Nascimento – Estudante de jornalismo, brasileiro de nascimento, com nacionalidade portuguesa. Ligado à comunidade portuguesa de São Paulo, neto de imigrantes lusos e sempre em estreito contato com Portugal.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Jornalismo cultural: perspectivas contemporâneas

Nos dias 20, 21 e 22 deste mês, acontece no Mackenzie, o V Encontro de Comunicação e Letras. Esse evento traz palestrantes relacionados aos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Letras cujos temas de discussões são dos mais interessantes dentro de cada área. Além disso, nessa ocasião, temos a a comemoração pelos 10 anos do curso de Jornalismo em nossa universidade. Pois bem, me inscrevi em três palestras:


20/10 - Perspectivas para o jornalismo cultural.


21/10 - Mídias 'Alternativas' – Além da Grande Imprensa


22/10 - Os Desafios do Telejornalismo


Portanto, sempre um dia depois da palestra, haverá um texto correspondente aqui.


"[Algo] que todos entendam e que os eruditos respeitem". Essa frase foi pronunciada em 1696 pelo primeiro teórico de jornalismo, o alemão Tobias Peucer e capta a essência do 'ser' do Jornalismo Cultural.


Isabelle Anchieta, a palestrante, é jornalista, mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutoranda em Sociologia na USP, trabalhou na TV Cultura e Rede Globo (na TV Tem, afiliada da Globo em Minas Gerais) e tem dois livros publicados: "Sete propostas para o Jornalismo Cultural" (2009) e "Mapeamento do Jornalismo Cultural no Brasil" (2008). Talvez seja incorreto usar o termo palestra; foi uma aula. Houve troca de conhecimento, por meio das perguntas que os mais de 70 alunos da sala tiveram a possibilidade de fazer. Teve-se a oportunidade de levar questões como a desvalorização cultural dos aspectos do interior do Brasil.


Segundo ela, o problema começa nos próprios jornais do interior, pois, ao mesmo tempo em que acontece "o festival do Boi-Bumbá no Maranhão, o jornal local dá como capa do caderno de cultura o novo filme do Harry Potter". Não há espaço para conter tais "regionalismos". Para Isabelle, isso se dá também pela formação dos jornalistas do interior que, ambientados com professores da capital, se veem amarrados a fazer um tipo de jornalismo da grande cidade, sem levar em conta os próprios elementos de sua regionalidade. Além disso, muitas vezes, os jornais interioranos são meros reprodutores de informações que circulam nos jornalões.


A paixão de Isabelle por dar aulas se reflete em sua didática: clara e muito precisa. Fez uma linha do tempo com fatos que marcaram definições de cultura e do próprio jornalismo cultural. Para não me estender muito, digitalizo, em breve, minhas anotações e posto na íntegra. Só que não posso deixar de observar que a visão dela é um tanto quanto pautada pela grande mídia e com certa utopia de o jornalista ganhar, por si só, um grande espaço em jornalões, por exemplo, dando ênfase à cultura nacional-regional ao invés da que vende mais. Não esqueçamos que jornais são empresas e funcionam como tal, portanto precisam vender, caso contrário, não obtêm lucro.


A próxima palestra será sobre Mídias Alternativas.